PIB Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PIB

A hora da confiança: PIB pode incrementar investimentos se a política não atrapalhar

Por Wanfil em Política

20 de junho de 2017

PIB: o ambiente de investimentos melhorou. É preciso protegê-lo de incertezas políticas.

O PIB cearense cresceu 1,87% nos três primeiros meses de 2017, na comparação com o último trimestre do ano passado. Os dados, divulgados ontem, são do IPECE. O desempenho foi superior à média nacional, que também voltou a crescer. Essa sincronia não é gratuita. As variações locais estão diretamente ligadas à conjuntura do País. Isso não tira os méritos do governo estadual, de reconhecido compromisso com o equilíbrio fiscal, política, aliás, de longa data.

É hora de trabalhar para tirar o melhor proveito dessa frágil recuperação, ameaçada por incertezas quanto ao futuro do governo federal. Assim, mais do que nunca, é preciso inspirar confiança para voltar a atrair investimentos. A ida de Maia Júnior para o Planejamento foi uma boa sinalização nesse sentido. Tão importante quanto bons nomes na gestão para impulsionar a economia, é o cuidado para evitar possíveis contaminações políticas decorrentes de escândalos.

Suspeitas e denúncias que recaiam, no Ceará, sobre autoridades em geral e secretários estaduais em particular, principalmente nos casos ligados à Lava Jato, precisam ser esclarecidas o quanto antes. Como isso deve demorar, o ideal é que esses nomes sejam afastados preventivamente. Não se trata de punição, mas de lógica. Imagem é tudo.

Qualquer hesitação pode deixar a impressão de que o governo busca varrer sujeiras para debaixo do tapete ou ganhar tempo na esperança de que as suspeitas sejam esquecidas. Há nisso o risco de comprometer a imagem do Estado, justamente num momento em que ele precisa se mostrar seguro e confiável.

Alguém pode lembrar que Temer é hoje a autoridade mais enrolada com a Justiça e que mesmo assim o Brasil cresceu graças ao prestígio da equipe econômica. Essa é outra discussão, mas a conclusão é igualmente arriscada para o governante: a incipiente recuperação verificada em 2017 não se converteu em popularidade para o presidente justamente pela falta de credibilidade.

Fica a dica.

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PIB do Ceará cai novamente e ICMS deve subir. É a Sefaz inovando outra vez!

Por Wanfil em Economia

23 de setembro de 2016

O PIB do Ceará caiu 4,65% no segundo trimestre de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado. Resultado abaixo da média nacional, que foi de -3,8%. São 25 mil postos de trabalho a menos para os cearenses. Os números foram divulgados pelo Ipece nesta quinta.

Nesse cenário, as receitas do governo estadual caíram 2,7% e os investimentos recuaram quase 11%. Por Qual a solução? Uma foi o governo estadual assinar a carta enviada por 20 governadores ao presidente Michel Temer, pedindo ajuda financeira ao governo federal. Difícil, já que o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, afirmou que isso aumentaria o rombo nas contas da União, destroçadas pelo descontrole orçamentário e pelas maquiagens fiscais cometidas pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Outra opção é espetar o prejuízo no seu bolso. O secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, que foi candidato ao Senado apoiado por Dilma nas eleições passadas e que pregava contra o aumento de impostos, sinaliza enviar projeto para a Assembleia Legislativa aumentando o ICMS de 17% para 18%, conforme matéria do O Povo.

No fim das contas, é sempre assim. Políticos  e burocratas falam em eficiência, mas quando a situação fica ruim, jogam a conta para o setor produtivo e para os consumidores.

Em julho, quando ocorreu em Fortaleza o encontro do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a Sefaz anunciava que “o Ceará, ao longo dos últimos anos conseguiu, com extremo rigor e medidas inovadoras de incremento da arrecadação, manter seu equilíbrio”.

Tomara que os prefeitos também não tentem inovar após as eleições.

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PIB do Ceará cai mais que média nacional. E agora, quem é o pai da criança?

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2016

O Produto Interno Bruto do Ceará (PIB) caiu 5,5% no primeiro trimestre de 2016, despencando mais do que a média nacional, de 5,4%. Os índices foram foi divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Nos últimos anos, o PIB cearense cresceu mais do que o brasileiro, fato devidamente comemorado pelos gestores estaduais como feito administrativo próprio. Basta ver essa notícia, publicada no portal do Governo do Estado em abril de 2015: “PIB cearense fecha 2014 em 4,36% e, pelo sétimo ano consecutivo, supera índice nacional”.

O texto não deixa dúvida sobre o mérito desse desempenho, com ênfase na avaliação do professor Flávio Ataliba, diretor geral do Ipece: “Isso está, de certa forma, relacionado ao volume de investimentos que foi realizado nos últimos anos”. O arremate merece atenção: “Isso mostra que os investimentos públicos são muito importantes para dar a dinâmica da economia cearense, que ainda precisa muito da presença do Estado”.

E agora que a situação se inverteu, de quem é a culpa? Se for totalmente creditada ao cenário nacional, e levando em consideração que a gestão Temer tem apenas dois meses, cabe então outra pergunta: A culpa é só da Dilma ou do PT como um todo?

PS. O setor que mais sofreu no Ceará foi a indústria, com -8,35%, área que sofrerá um corte de 10% nos incentivos fiscais para equilibrar as contas públicas. Ideia da Sefaz. Vamos aguardar os resultados.

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Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina?

Por Wanfil em Economia

29 de agosto de 2014

Que as propagandas eleitorais convençam eleitores de que um candidato possui determinadas virtudes ou defeitos, é algo esperado, afinal, é para isso que marqueteiros são contratados a peso de ouro. Como se trata de comunicação de massa, a ordem é reforçar símbolos e generalizações. O problema é quando o próprio candidato passa a acreditar na propaganda criada para o seu personagem político, pois o sujeito acaba descolado da realidade.

Propaganda X mundo real
Foi assim, por exemplo, que Cid Gomes imaginou, quando foi reeleito em 2010, que suas ações de segurança pública realmente estavam no caminho certo. Deu no que deu. Agora é a presidente Dilma, que no debate promovido pela Rede Bandeirantes afirmou que o Brasil está preparado para um novo ciclo decrescimento, reproduzindo fantasia veiculada em sua propaganda eleitoral. No mundo real, o IBGE anunciou nesta sexta-feira que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo semestre, configurando o que especialistas chamam de recessão técnica. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o tombo foi maior ainda: 0,9%.

A propaganda diz que Dilma é uma grande gestora, os fatos negam. E entre os fatos e a propaganda, a presidente prefere a ilusão, abraçada aos elogios repetidos por assessores e aduladores de plantão. O mercado prevê que o crescimento da economia brasileira será de apenas 0,7% (a média dos últimos quatro anos deverá fechar em 1,7%). O governo e a candidata culpam a crise internacional, mas esse argumento não resiste a uma comparação com o desempenho de países da América Latina. Para 2014, a expectativa é que o Panamá cresça 7,2%; para a Colômbia a previsão é de 4,4%; e Paraguai 4,8%. São países que enfrentam a mesma crise internacional e crescem mais que o dobro do Brasil. Pior do que nós, só a Argentina de Kirchner e a Venezuela de Maduro, dois aliados de Dilma. Conclusão: falta gestão por aqui.

Política econômica no centro do debate
Os números ruins levam de volta a economia para o centro do debate político nessa campanha eleitoral, o que é importante. Sobre isso, o pano de fundo é o seguinte: Lula renegou o discurso do passado oposicionista e deu continuidade à política econômica de FHC, mantendo Henrique Meireles no Banco Central.

Agora, entre os principais candidatos ao Planalto, Aécio disse que, se eleito, Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, o que representa certo alinhamento com os dois ex-presidentes. Dilma é isso que os dados do IBGE revelam. Falta saber o que Marina pensa. Qual perfil para o futuro ministro da Fazenda? Manteria o insosso Alexandre Tombini no Banco Central? Fará do centro das metas de inflação um objetivo inegociável? Adotará uma política fiscal mais ou menos austera do que a atual? Ninguém sabe. Nem a propaganda eleitoral dela ousa fazer um rascunho para delinear algo mais tangível. É um mistério tão grande quanto a origem do dinheiro para a compra do jatinho que Marina e Eduardo Campos usavam. A nova política é assim, um ato de fé no porvir.

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O milagre do PIB do Cearense

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2013

Meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews FM 101.7

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, se comparado ao mesmo período de 2012. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – Ipece. O índice supera a taxa de crescimento do Brasil, que foi de 2,2%. Pelo 14º trimestre seguido o desempenho estadual supera o nacional.

É inegável de que se trata de um resultado positivo. Mas, dado o paralelo entre os números específicos e gerais,  fica a indagação: Será que é o Ceará que acelera muito ou o Brasil que está lento demais?

Para se ter uma ideia, no governo Dilma, o PIB brasileiro registra sua pior média anual dos últimos 20 anos, com 2,6%. Países como China, Rússia ou Índia cresceram o dobro ou o triplo no mesmo período.

Assim, é preciso ter claro que o desempenho nacional é uma base de comparação baixa. O mérito do Ceará consiste mesmo em superar a tendência de quase estagnação da economia brasileira, o que não é pouca coisa. Porém, crescer 3,76% não é o suficiente para dar conta das necessidades do estado e sua população. No mínimo, para gerar bons empregos e reduzir a pobreza, seria preciso avançar algo em torno de 5% ao ano.

É preciso ainda verificar a qualidade desse crescimento. A maior parte da produção estadual se concentra em Fortaleza e sua região metropolitana. Existe também uma grande dependência do PIB em relação aos investimento públicos. Entretanto, esse indutor é limitado pela capacidade de endividamento do estado.

O desempenho do PIB cearense, na verdade, segue uma tendência. De acordo com o IBGE, na última década os  estados médios cresceram em ritmo mais intenso, enquanto os oito mais ricos, que concentram 77% do PIB nacional, perderam fôlego.

O Ceará, portanto, cresce mais do que o Brasil. Mas isso não é nenhum milagre econômico nos moldes dos anos 70 do século passado. O desempenho é bom se comparado com a realidade nacional, mas pouco diante dos desafios que existem.

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PIB do Ceará cresce 3,65% mais que a média nacional: nós que aceleramos ou o Brasil que parou?

Por Wanfil em Economia

05 de Março de 2013

O governo do estado divulgou que em 2012 o crescimento do produto interno bruto (PIB) no Ceará foi de 3,65%. A notícia ganha mais impacto ainda quando a comparamos com o pífio crescimento do PIB nacional: 0,9%. O secretário estadual de Planejamento, Eduardo Diogo, comemorou o feito: “Nunca antes a diferença entre o crescimento do PIB nacional para o PIB do Ceará foi tão grande!”.

Antes de aderir ao coro dos contentes, é recomendável alguma cautela para que possamos entender melhor o momento que vivemos. O Brasil se habitou a celebrar taxas medíocres de crescimento por não querer comprar seus números com os de outras nações de porte econômico semelhante. Portanto, é fundamental saber se a diferença citada pelo secretário expressa antes uma suposta pujança do desempenho estadual ou uma grave anemia na economia nacional. É o Ceará que acelera demais  ou o Brasil que está parado?

Para compor um quadro mais preciso, outras perguntas ainda podem ajudar limpar o cenário de eventuais distorções causadas pelos excessos de otimismo ou de pessimismo. Vamos a elas.

– Qual a qualidade do crescimento econômico no Ceará? É sustentado? É concentrado? É conjuntural? Os demais estados do Nordeste tiveram desempenho semelhante?

– O fato de o governo atribuir boa parte do crescimento ao volume de investimentos públicos não é prova de que os investimentos privados ainda são insuficientes?

– Os investimentos públicos foram incrementados pelo aumento na arrecadação de ICMS, que entre 2007 e 2012 cresceu impressionates 105,3%. É possível manter esse ritmo?

– Até que ponto o crescimento da indústria, do comércio e do serviço não foi impulsionado somente pela oferta de crédito? E até que ponto o endividamento dos consumidores a médio e longo prazo compromete o crescimento futuro?

– Crescer mais do que a média nacional pode ser, dadas as circunstâncias, uma boa notícia. Mas 3,65% são suficientes para reduzir a pobreza no estado? Será que um crescimento de 3,65% é o bastante para absorver a mão de obra que ingressou no mercado?

Essas questões não devem ser encaradas como contestações aos números. A meu ver, são informações adicionais úteis para a formação de um juízo equilibrado. O governo, naturalmente, enfatiza o que é positivo para a sua imagem. Resta saber de que forma queremos encarar a realidade: como o fervor da emoção ou com a serenidade da inteligência.

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Economia brasileira tem o pior desempenho entre países do BRIC: Azar ou incompetência?

Por Wanfil em Economia

04 de setembro de 2012

Brasil, Rússia, Índia e China. Ficamos em 1º na ordem alfabética, mas comparados o crescimento do PIB,  ficamos em último. E bem atrás.

No discurso oficial a conversa é conhecida. Nunca o Brasil experimentou tamanha pujança econômica, os grandes que se cuidem, etc. e tal. No mundo real, estamos na última posição no BRIC – a celebrada sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China, economias que se destacam no cenário mundial como países emergentes, como demonstra quadro comparativo com dados referentes ao 2º trimestre de 2011, publicado pelo jornal Folha de São Paulo. A lista inclui ainda o México e o Chile.

China – 7,6%
Índia – 5,5%
Chile – 5,5%
México – 4,1%
Rússia – 4,0%
Brasil – 0,5%

Fonte: The Economist

Problema conjuntural ou estrutural?

Após a redemocratização, o Brasil conheceu a estabilidade com o Plano Real e subiu com a maré alta da economia mundial no início do século. É o efeito conjuntural que amenizava as deficiências estruturais de economia brasileira. Agora que a maré baixou, entraves antigos voltam a ter seus efeitos potencializados.

Alguns devem se perguntar, incrédulos e espantados, como é que o México e a Índia crescem mais do que o Brasil, se nenhum dos dois foi governado pela sapiência intuitiva de um Lula da Silva. E a resposta é simples: personalismo pode até ser é bom para a autoestima, mas o que gera crescimento sustentável são ações que visem a liberação das forças produtivas: redução da carga tributária, investimento maciço em educação (estamos entre os priores países do mundo nesse quesito), desentrave burocrático e diminuição da máquina pública.

Um dos truques que ajudaram a criar a miragem de uma supereconomia e um novo tempo foi justamente a fuga de comparações com outros países emergentes. Estivemos contentes em crescer, sem nos perguntar, entretanto, porque crescíamos menos que os demais. Não se trata de pessimismo. Mas de estar preocupado com uma avaliação correta para que se possa debater as melhores soluções. Já perceberam como os governos comemoram o aumento de pessoas recebendo bolsas? Esse deveria ser um sinal de alerta.

E a solução?

Esses problemas ficaram conhecidos como Custo Brasil. Daí os recentes pacotes e privatizações do governo Dilma Rousseff. Entre manter a “convicção” estatista – ficando na rabeira do crescimento entre os emergentes – e pedir socorro ao setor privado, a presidente não vacilou. Se isso será bem conduzido, essa é outra história.

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Brasil: De sexta maior economia do mundo a país com 68% de analfabetos funcionais

Por Wanfil em Brasil

17 de julho de 2012

Parafraseando Groucho Marx: “Você vai acreditar no governo, no PIB, ou nos seus próprios olhos?”

O comediante americano Groucho Marx provocava o espírito conformista dos bajuladores com uma tirada genial: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. A máxima serve perfeitamente para ilustrar certo estado de euforia com as realizações tímidas de diversos governos no Brasil, divulgadas como grandes revoluções, mas que não têm no mundo real o impacto alardeado. Contra discursos e propagandas, de pouca valia tem servido os fatos. Vejamos.

No final de 2011 quase todos comemoraram, cheios de ufanismo, a notícia de que o Produto Interno Bruto brasileiro, o PIB, era maior do que o da Inglaterra. Seríamos, portanto, a sexta economia mais rica do planeta. De nada adiantava alertar que a comparação, como tinha sido tomada, era indevida. O nosso PIB, por exemplo, é maior do que o da Suíça, país com pouco mais de sete milhões de habitantes. Alguém, em sã consciência, acredita mesmo que um brasileiro tem padrão de vida melhor do que um suíço? A pergunta lógica para aferir o verdadeiro alcance do fenômeno era essencial: Afinal, o que é riqueza para um país?

Entretanto, de nada adiantava pedir mais reflexão. Quem não acompanhasse o coro dos contentes, era acusado de fazer “urucubaca”, como já explicou Lula da Silva. É como se os bate-palmas de plantão dissessem: “Você vai acreditar no PIB ou em seus olhos?”.

Não é com o PIB que se mede uma nação

Eis que alguns meses se passaram e o nosso PIB – medida de valor corrente e variável – caiu drasticamente. Tanto que a própria presidente Dilma veio a público confirmar que os céticos, vejam só, estavam certos. Isso mesmo. No dia 12 de julho deste ano ela afirmou em discurso:

“Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB, é a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro”.

Concordo! Dá-lhe Dilma! Tudo bem que a presidente fala agora, quando lhe é conveniente como medida de proteção contra eventuais críticas na área econômica. Se fosse uma estadista, ela teria dito isso lá no final de 2011. O que a presidente não esperava é que essa verdade simples fosse coroada com outra notícia que bem serve para mostrar como anda nossa riqueza.

País rico é país sem analfabetos

O mais recente Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revela que 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. Apenas 1 entre 4 brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo”. Leia mais

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Brasil: De sexta maior economia do mundo a país com 68% de analfabetos funcionais

Por Wanfil em Brasil

17 de julho de 2012

Parafraseando Groucho Marx: “Você vai acreditar no governo, no PIB, ou nos seus próprios olhos?”

O comediante americano Groucho Marx provocava o espírito conformista dos bajuladores com uma tirada genial: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. A máxima serve perfeitamente para ilustrar certo estado de euforia com as realizações tímidas de diversos governos no Brasil, divulgadas como grandes revoluções, mas que não têm no mundo real o impacto alardeado. Contra discursos e propagandas, de pouca valia tem servido os fatos. Vejamos.

No final de 2011 quase todos comemoraram, cheios de ufanismo, a notícia de que o Produto Interno Bruto brasileiro, o PIB, era maior do que o da Inglaterra. Seríamos, portanto, a sexta economia mais rica do planeta. De nada adiantava alertar que a comparação, como tinha sido tomada, era indevida. O nosso PIB, por exemplo, é maior do que o da Suíça, país com pouco mais de sete milhões de habitantes. Alguém, em sã consciência, acredita mesmo que um brasileiro tem padrão de vida melhor do que um suíço? A pergunta lógica para aferir o verdadeiro alcance do fenômeno era essencial: Afinal, o que é riqueza para um país?

Entretanto, de nada adiantava pedir mais reflexão. Quem não acompanhasse o coro dos contentes, era acusado de fazer “urucubaca”, como já explicou Lula da Silva. É como se os bate-palmas de plantão dissessem: “Você vai acreditar no PIB ou em seus olhos?”.

Não é com o PIB que se mede uma nação

Eis que alguns meses se passaram e o nosso PIB – medida de valor corrente e variável – caiu drasticamente. Tanto que a própria presidente Dilma veio a público confirmar que os céticos, vejam só, estavam certos. Isso mesmo. No dia 12 de julho deste ano ela afirmou em discurso:

“Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB, é a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro”.

Concordo! Dá-lhe Dilma! Tudo bem que a presidente fala agora, quando lhe é conveniente como medida de proteção contra eventuais críticas na área econômica. Se fosse uma estadista, ela teria dito isso lá no final de 2011. O que a presidente não esperava é que essa verdade simples fosse coroada com outra notícia que bem serve para mostrar como anda nossa riqueza.

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O mais recente Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revela que 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. Apenas 1 entre 4 brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo”. (mais…)