Petrobras Archives - Página 2 de 3 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Petrobras

Confira quais deputados do Ceará pediram a CPI da Petrobras (e os que não pediram)

Por Wanfil em Política

09 de Fevereiro de 2015

O deputado federal cearense Tiririca, (PR-SP) apoiou a CPI, ao contrário da maior parte da bancada do Ceará. Quem é o abestado?

O deputado federal Tiririca, cearense eleito por São Paulo, apoiou a CPI da Petrobras, ao contrário da maior parte da bancada do Ceará. Quem é o abestado?

A Câmara dos Deputados do Congresso Nacional aprovou na semana passada a criação da CPI da Petrobras, com 182 assinaturas, nove a mais do que o mínimo necessário.

Da bancada federal do Ceará, composta por 22 parlamentares, apenas seis assinaram o requerimento que pedia a investigação.

Seguem abaixo, em ordem alfabética, os nomes dos representantes cearenses que se posicionaram a favor da CPI. Em seguida, estão os que oficialmente não se manifestaram a respeito do caso.

A FAVOR DA CPI
1. André Figueiredo – PDT
2. Danilo Forte – PMDB
3. Genecias Noronha – SD
4. Moses Rodrigues – PPS
5. Raimundo Gomes de Matos – PSDB
6. Moroni Torgan – DEM

A assinatura do deputado federal Vítor Valim, do PMDB, consta na lista, mas não foi reconhecida pela Mesa Diretora da Câmara.

NÃO PEDIRAM CPI
1. Adail Carneiro – PHS
2. Aníbal Gomes – PMDB
3. Antonio Balhmann – PROS
4. Arnon Bezerra – PTB
5. Cabo Sabino – PR
6. Chico Lopes – PCdoB
7. Domingos Neto – PROS
8. Gorete Pereira – PR
9. José Airton Cirilo – PT
10. José Guimarães – PT
11. Leônidas Cristino – PROS
12. Luizianne Lins – PT
13. José Maria Macedo – PSL
14. Odorico Monteiro – PT
15. Ronaldo Martins – PRB

Omissão ou conivência
A maioria dos parlamentares da bancada federal do Ceará na Câmara não quer a CPI, não obstante as graves denúncias e revelações diárias sobre um colossal esquema de corrupção na estatal. Quaisquer que sejam os motivos que venham a alegar, tenham agido por omissão ou conivência, não importa, o fato é que o grupo baixou a cabeça em favor dos corruptos que acabaram por inviabilizar a refinaria prometida aos cearenses.

Por isso, quando você ler, ouvir ou assistir por aí que a bancada federal do Ceará está disposta a reagir e a cobrar satisfações pelo golpe da refinaria, saiba que, com exceção dos seis deputados que assinaram a CPI, a conversa não passa de demagogia.

Confira a seguir a lista completa que consta no requerimento aprovado.

Lista de deputados da CPI da Petrobras

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Anderson Silva e o doping eleitoral no Ceará

Por Wanfil em Ceará

05 de Fevereiro de 2015

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa de refinaria para o Ceará derreteu e todos agora fingem estar surpresos.

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa da Refinaria Premium II derreteu. Todos agora fingem estar surpresos com a fraude.

Anderson Silva foi pego no antidoping. Os organizadores da sua luta mais recente já sabiam pelo menos desde o início de janeiro que Silva não passaria no exame e mesmo assim mantiveram o evento. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria abrir mão de contratos de transmissão e da venda de ingressos. Agora todos fingem estar surpresos.

O Ceará não terá uma refinaria da Petrobras. Os governistas já sabiam pelo menos desde o início do ano passado (com a operação Lava Jato) que a Petrobras não tinha mais condições econômicas e morais para o empreendimento e mesmo assim mantiveram o discurso eleitoral. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria por em risco a eleição. Agora todos fingem estar surpresos.

Atenuantes e agravantes
Em defesa de Anderson Silva diga-se que não há, até onde sei, precedentes. Já no caso da refinaria, essa foi a quarta eleição em que ela foi usada como propaganda, sem que nunca um tijolo tivesse sido assentado. O torcedor de Silva pode ficar decepcionado com o ídolo, já os eleitores governistas no Ceará só podem ficar decepcionados consigo mesmos.

Anabolizante eleitoral
Como é um astro do “esporte”, muitos trabalham para fazer de Anderson Silva uma vítima do acaso: especialistas, médicos e analistas esportivos são chamados para atestar que coisas assim podem acontecer “sem querer”, que “os testes não são confiáveis” e por aí vai.

No caso da refinaria, está em curso uma operação para inocentar os políticos envolvidos no estelionato eleitoral. Seus cúmplices saem anunciando que a Petrobras age por conta própria, sem prestar contas a ninguém, insinuando que Lula e Dilma, assim como Cid e Camilo, foram enganados, coitados. De restos que a única culpada seria a empresa, essa sim é vítima de políticos!  A Petrobras teria, por esse entendimento, tirado proveito da ingenuidade de dois presidentes da  República e de dois governadores do Ceará.

O fato é que Silva não pode lutar sob efeito de anabolizantes. E como profissional, deveria que observar com rigor sua dieta, caso o contato com a substância não tenha decorrido de dolo. A Petrobras não veio ao Ceará pedir votos, prometendo em troca uma refinaria. Quem fez isso foram Lula, Dilma, Cid, Camilo e seus aliados, que usaram a promessa como anabolizante eleitoral e que agora deveriam pedir desculpas públicas à população.

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Golpe da refinaria: enquanto políticos enrolam, o MP age

Por Wanfil em Ceará

03 de Fevereiro de 2015

Base aliada no Ceará espera pela refinaria prometida por Lula e Dilma.

Base aliada no Ceará espera sentada pela refinaria prometida por Lula e Dilma.

O Ministério Público do Ceará enviou ofício à secretaria estadual da Infraestrutura, para saber se existe um contrato entre o Estado e a Petrobras para a construção da refinaria prometida por Lula e Dilma em campanhas eleitorais.

Se contrato houver, foi unilateralmente rompido pela estatal. Nesse caso o MP acionaria a Justiça para cobrar o ressarcimento dos 650 milhões de reais investidos em obras de para receber o empreendimento que não virá. Agora, se não existir contrato entre as partes,  aí a coisa muda de figura, pois seria, segundo o MP, caso de improbidade administrativa do governo estadual, que gastou por conta sem exigir garantias.

Olha aí a diferença entre dizer que está indignado e tomar providências concretas. Políticos da base aliada no Ceará falam em indignação, em mobilização, em fazer cobranças, essas coisas. Falam com altivez dentro de casa, longe da presidente, mas não tomam atitudes que correspondam a disposição de reagir. E palavras desprovidas de ações geram desconfiança. O MP fez o que deveriam ter feito as bancadas federal, estadual e o governo do Estado: buscar, no mínimo, reparação judicial.

Se nada fazem além de murmurar e choramingar, das duas uma: ou o contrato não existe mesmo – e aí a responsabilidade pelo prejuízo é de quem autorizou a despesa –, ou os aliados de Dilma colocam os interesses do governo federal e de seus partidos acima dos interesses do Ceará e seu povo. A essa altura, ninguém duvida de mais nada.

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Golpe da refinaria gera reação pífia dos representantes do Ceará. Que papelão!

Por Wanfil em Política

30 de Janeiro de 2015

A repercussão no Ceará ao golpe eleitoreiro aplicado por Lula e Dilma, que se valeram da Petrobras para ludibriar os incautos, infelizmente foi decepcionante.

O governo do Estado divulgou nota informando que o governador Camilo Santana, que também é do PT, ficou surpreso e indignado com a decisão – atentem para o alvo – da Petrobras. Vale lembrar que os cearenses não votaram para eleger presidentes da Petrobras, mas para eleger quem os nomeasses, devidamente informados do compromisso assumido por Lula e Dilma, supostamente com base em informações técnicas. Deu no que deu. A dupla obteve votações recordes e a refinaria não veio. Nem virá, diga-se. Mais adiante explico melhor os motivos (e seus números).

Na mesma linha, o deputado Zezinho Albuquerque, do partido de aluguel Pros, presidente da Assembleia Legislativa, muito polidamente classificou a farsa de “descortesia”. Será que Graça Foster não sabe que o parlamento cearense promoveu um concurso de redação para estudantes sobre a importância do empreendimento? Parece que não.

Pois bem, com a má repercussão do calote (sim, pois promessa é dívida), as autoridades locais ficam politicamente fragilizadas, afinal, a parceria com o governo federal era alardeada como condição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, ressaltando sempre que a refinaria dobraria o PIB do Estado. Desse modo, Camilo e Zezinho anunciaram a reação.

Ficamos sabendo, ainda pela nota, que o governador ligou o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o petista Aloízio Mercadante, para pedir uma audiência com Dilma. Na hora de pedir voto, ela soube vir aqui sem a necessidade de intermediários, mas na hora de dar explicações, tem que marcar hora com o secretário da chefe. Quem sabe ela faça o favor de receber Camilo, não é? Já Zezinho avisou que continuará cobrando a refinaria, como se isso fizesse alguma diferença para o Palácio do Planalto. A falta de senso aí beira a uma psicopatia. Parece delírio esquizofrênico.

Essas lamúrias, beicinhos e queixumes não têm efeito prático algum nesse caso, porque não dão nome aos bois, nem indicam atitudes concretas. Além do mais, o silêncio do agora ministro Cid Gomes, principal avalista da promessa não cumprida e líder de Camilo e Zezinho, é sinal de que o remédio para a base é mesmo se conformar e pronto. Sabe como é: aliados bem comportados não devem constranger Dilma e Lula. Portanto, qualquer aceno de que datas podem ser revistas mais adiante para a retomada da refinaria não passará de mentira grande. Volto agora à explicação sobre os motivos pelos quais a refinaria não virá pelas mãos dessa turma: o balanço não auditado da Petrobras, divulgado com dois meses de atraso, mostra que a dívida bruta da estatal em 2014 é de 331,704 bilhões de reais, um aumento de 157% em relação a 2011. Assim, Petrobras tem a maior dívida corporativa do mundo.

De resto, o momento de cobrar a refinaria já passou: era antes da eleição. Agora não adianta chorar o petróleo que não vem. A saída seria falar a verdade, que a refinaria não vem porque nas gestões Dilma e Lula a ineficiência e a corrupção descapitalizaram a Petrobras, em benefício da patota governista e de algumas empreiteiras. Mas isso a maior parte das nossas autoridades não pode falar, por motivos óbvios. Isso não impediria, no entanto, que a bancada cearenses, sob o comando do Palácio da Abolição, mostrassem disposição para romper com o governo nas votações de interesse do governo federal. Se aliados, são tratados assim, quem lhes pode cobrar obediência? Vale lembrar que o Ceará, um Estado pobre, gastou 657 milhões de reais por causa da refinaria de mentira. Portanto, motivos para brigar não faltam, o que falta é independência, coragem e indignação de verdade.

PS. Já que a Assembleia Legislativa se empenhou tanto em lutar pela refinaria, embora nada pudesse fazer, talvez possa pelo menos tornar “personas non gratas” no Ceará os senhores Sérgio Gabriele e Lula, e as senhoras Graça Foster e Dilma Rousseff. Hummm… Deixa pra lá né?

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Agora é oficial: refinaria no Ceará não passou de tapeação

Por Wanfil em Ceará

28 de Janeiro de 2015

A Petrobras desistiu de construir uma refinaria no Ceará. A decisão foi anunciada junto com o balanço da companhia, enrolada em problemas financeiros, criminais e políticos.

Agora é oficial: os cearenses foram tapeados. Pelo menos, a maioria dos cearenses, especialmente os aliados de espírito subalterno, alegres animadores de discursos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, principais beneficiários da promessa não cumprida. Além de aplausos da claque, ambos obtiveram votações recordes no Estado, anunciando um futuro que nunca chegou.

Na verdade, para os mais desconfiados, ou prudentes, a refinaria nunca chegou nem perto de se materializar, pois o início da obra sempre foi adiado, ano após ano, com a adição de novas exigências, todas atendidas sem maiores questionamentos, embora custassem tempo e dinheiro. O governo do Ceará gastou R$ 657 milhões do nosso dinheiro em obras de infraestrutura que agora ficarão a contemplar o vazio. Não foram poucas as vezes que denunciei aqui e na rádio Tribuna Band News FM (101.7) os factoides criados para dar a impressão de que as coisas estavam acontecendo, quando na saia do lugar.

Agora é oficial: os aliados de Dilma e Lula no Ceará não têm prestígio algum. Tudo atrasa emperrado pela combinação de corrupção, burocracia e falta de pressão política. (“Este é o país do descontínuo, onde nada congemina”, lamenta o poeta Affonso Romano). Para dar a impressão de que tinham algum peso, encamparam ainda, via Assembleia Legislativa, uma campanha “cobrando” a refinaria. O resultado é esse que vemos anunciado.

Agora é oficial: no lugar de uma refinaria de US$ 11 bilhões – “uma das maiores do mundo”, com 90 mil empregos e produção de “300 mil barris por dia”, teremos mesmo é aumento no preço dos combustíveis para cobrir o rombo do “Petrolão”.

Aos sócios locais da falsa promessa, restam duas opções, se não quiserem oficializar a conivência com o embuste: ou pedem desculpas ao povo pela má liderança ou denunciam a presidente e seu partido, o PT, por mais um estelionato eleitoral. Não souberam se vangloriar da obra que não virá? Pois então. Silêncios  ou conversinhas esfarrapadas serão apenas atestados de culpa.

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O lado bom do escândalo na Petrobras: “é necessário que venham escândalos”

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2014

“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. São Mateus – 18, 1.

Jesus, como sempre em suas passagens, é atemporal. Dois mil anos depois a máxima cabe como uma luva para uma reflexão sobre o escândalo na Petrobras, que revela ao país, em pormenores, como funciona a estrutura de corrupção instalada em serviços e obras públicas. É que o escândalo, apesar dos pesares, revela a natureza do pecado.

Fica comprovada a existência, por assim dizer (e para continuarmos nos exemplos religiosos), um método que pode ser resumido na distorção da Oração de São Francisco: “é dando que se recebe”. Não se trata de desvio acidental, de tentação momentânea, mas de padronização de certas práticas. Em cada obra, nas menores ações, estão embutidas as taxas e os custos da propina, como se fossem coisa normal.

Pelo menos agora está claro para os brasileiros que não existe nada mais mafioso do que as tais indicações políticas nas estatais, feitas para preencher cotas de partidos, que se repete em diversos outros lugares, como em bancos públicos.

No Banco do Nordeste, por exemplo, da presidência às diretorias do órgão, seus dirigentes são apadrinhados por partidos políticos. É a mesmíssima lógica verificada na Petrobras. No BNB, tem deputado mandando mais do que economistas. Pode até ser que por lá impere a lógica de mercado e a ética mais irretocável, mas nesses dias a desconfiança é uma forma de prudência. Principalmente quando vemos que se o padrão de governança na Petrobras, empresa de capital aberto, submetida ao controle de órgãos diversos, é o que é, imagine o resto.

E diante do que o país tem descobrindo, a contragosto de autoridades, dos envolvidos, da própria empresa e do governo federal, as prioridades na agenda política não deveriam ser a regulação da mídia, como querem os autoritários, ou o financiamento público de campanha, que é um modo de dar mais dinheiro nosso para quem não merece confiança. O que precisa ser feito é uma revisão no modelo de contratação de serviços públicos. Hoje, qualquer licitação carece da mínima credibilidade. Tudo é amarrado, combinado, direcionado, superfaturado. É isso o que tem que ser revisto. Também é preciso punir os corruptos de forma mais dura, com penas mais longas e atingindo seus patrimônios. É a parte do “ai do homem por quem o escândalo venha”.

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Camilo quer apoio de Dilma para a refinaria. Só lembrando: não é favor, é dívida de campanha

Por Wanfil em Política

04 de novembro de 2014

Sobre o encontro entre o governador eleito do Ceará, Camilo Santana, com a presidente Dilma Rousseff, assessoria de comunicação do ex-candidato informa que ele “reforçou o pedido pela instalação da Refinaria [da Petrobras] no Estado”. Em seguida, conforme o release, Camilo falou sobre o empreendimento:

“O governador Cid Gomes já deixou todas as bases prontas para a instalação da Refinaria no Ceará. Com o apoio da presidenta Dilma, vou trabalhar para que o empreendimento se torne realidade e ajude a desenvolver ainda mais o Estado.”

É compreensível o cuidado do novo governador ao abordar a presidente. Mas aqui vai o alerta amigo do Wanfil: polidez demais não deu resultado nos últimos 12 anos. Aliás, quanto mais votos, mais palmas, mais salamaleques e bajulação, mais descaso em troca. O futuro ex-senador Inácio Arruda (PCdoB) não me deixa mentir. Durante todo esse tempo criaram empecilhos e desculpas, fizeram chacota (Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, comparou o projeto com uma gravidez para brincar com a “pressa” dos cearenses), transferiram responsabilidades (a culpa seria os entraves burocráticos ambientais no Estado para a liberação do terreno).

É claro que Camilo ainda não assumiu o governo e que tratar do assunto já nesse primeiro encontro é uma forma de lembrar pessoalmente o que foi prometido. Faz muito bem. Ocorre que, sem querer parecer muito pessimista, se a obra não veio no tempo das vacas gordas, agora é que vai ser difícil, com a Petrobras enrolada em problemas financeiros e escândalos de corrupção. Até o momento, ninguém veio a público desmentir a notícia da Reuters sobre o adiamento, mais um!, da obra.

De qualquer modo, é importante mostrar que o Ceará não espera um favor, uma caridade, mas a contrapartida de uma promessa que, se não for cumprida dessa vez, ficará lembrado como o maior estelionato eleitoral de nossa História.

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Refinaria no Ceará adiada logo após a eleição? Não seria a primeira vez…

Por Wanfil em Economia

30 de outubro de 2014

Não é oficial, mas segundo a agência de notícia Reuters, a Petrobras estuda adiar mais uma vez o projeto da refinaria Premium II, no Ceará. Entre os motivos estariam os escândalos de corrupção e problemas de mercado. Pode ser, pode não ser; ninguém confirma, muito menos nega. O fato é que devido ao histórico de adiamentos da obra que nunca saiu do papel (lá se vão quase dez anos), a gente acaba desconfiando, não é mesmo?

Vez por outra, com especial ênfase nos anos eleitorais, os governos federal e estadual realizaram reuniões, assinam documentos, falam em parcerias com o setor privado, tudo para mostrar que algo está sendo feito. Apesar de tanto alarde, o tempo passa e nada de concreto acontece. Nadinha. Chegou a um ponto em que a situação começou a constranger os aliados locais de Lula e Dilma, autores da promessa. A distância entre o que é anunciado e o que (não) é entregue passou a soar como falta de prestígio. Eduardo Campos conseguiu uma refinaria da Petrobras para Pernambuco…

Nesse sentido, desde o ano passado uma caravana organizada pela Assembleia Legislativa, sob a presidência do deputado Zezinho Albuquerque (PROS), percorre cidades do interior para cobrar a refinaria, embora a obra não tenha nada a ver com o legislativo estadual. Ocorre que nas vezes em que Dilma esteve no Ceará durante esse período, ninguém deu um pio, o assunto passou batido e ficou tudo por isso mesmo. Essa postura valente de longe e calada de perto explica em grande medida o descaso do Planalto com o Ceará: base de apoio é dócil, mansa e politicamente irrelevante em Brasília, não é prioridade.

Como a notícia, mesmo não sendo oficial, já repercute no país, cabe ao governador Cid Gomes e ao governador eleito Camilo Santana, além da bancada cearense no Congresso, pedirem um esclarecimento à Petrobras: afinal, vai fazer ou não? E quando? É preciso mostrar ao governo federal que o Ceará não se contenta apenas com Bolsa Família, já que o Estado fez a sua parte para receber a refinaria anunciada. É muito cômodo para Lula e Dilma usar a Petrobras para fins políticos e eleitorais, mas na hora de cumprir a palavra, alegar questões de mercado. Vale lembrar que ninguém está pedindo esmolas ou favores, mas exigindo respeito. Os cearenses são credores de uma promessa que vem sendo feita reiteradamente eleição após eleição, mas que nunca vira realidade.

Promessa é dívida.

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Paulo Roberto Costa e as “armações políticas” no Ceará

Por Wanfil em Política

18 de setembro de 2014

O Supremo Tribunal Federal derrubou a liminar que impedia a circulação, em todo o país, da revista ISTOÉ. No último final de semana, a edição com a revelação de denúncias que teriam sido feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contra o governador do Ceará, Cid Gomes, em depoimento tomado dado à Polícia Federal após acordo de delação premiada.

Repercussão demorada
Embora diversos políticos e partidos tenham sido acusados de participar desse esquema de desvio de dinheiro público em contratos da estatal, somente a Cid Gomes ocorreu a ideia de tentar impedir a venda da revista. Para o desgosto do governador cearense, foi exatamente isso que deu notoriedade ao caso.

De início a notícia ficou restrita à cobertura do portal Tribuna do Ceará e da rádio Tribuna Bandnews FM, mas com a decisão judicial de impedir a comercialização da revista, tomada a pedido do governo e imediatamente interpretada como censura (o que foi confirmado pelo STF), que o caso ganhou o imenso destaque nos grandes veículos da imprensa nacional e até internacional.

Quem são? Como agiram?
No entanto, nada disso guarda relação com o mérito da matéria jornalística que deu início a toda essa confusão. Sobre isso, o que se tem até o momento é a nota de Cid publicada no site do governo do Ceará, e que confirma a resposta enviada para a ISTOÉ, segundo a qual tudo não passa de “armação criada por meus adversários, visando interferir na disputa eleitoral no Ceará”. Diante disso, cabe perguntar: quem são esses adversário? Até o momento, ninguém foi apontado oficialmente. E como se deu essa armação? Paulo Roberto Costa mentiu deliberadamente a serviço de inimigos dos políticos que citou ou a revista inventou o depoimento? Não se sabe exatamente os detalhes dessa suposta trama denunciada por Cid. E isso debilita seu argumento, pois apelar a generalidade e apontar teses conspiratórias é mais ou menos a resposta padrão de todo político em situação de emergência.

Aliados do governador argumentam que a intenção real desse noticiário negativo seria atingir Camilo Santana (PT), indicado por Cid à sucessão estadual. A vinculação entre padrinho e apadrinhado é inegável, mas é bom lembrar mais uma vez que foi a reação do governo que ajudou a propagar o episódio, turbinando, inclusive, as vendas da revista. Dado o conjunto da obra, caberia concluir que gente das próprias hostes governistas estaria envolvida na “armação”. Além do mais, de acordo com a justificativa de Cid, o mais lógico seria atacar diretamente o próprio Camilo, que tem o passivo do famoso escândalo dos banheiros.

Silêncio e suspense na CPI
No mesmo dia que o STF derrubou a liminar contra a revista, Paulo Roberto Costa foi depor na CPI mista do Congresso Nacional que investiga escândalos na Petrobras. O depoente ficou em silêncio. Não disse nada, não confirmou nomes, não apresentou documentos. Como bem lembrou o jornalista Ricardo Boechat, da Bandnews, essa postura é reveladora. Paulo Roberto Costa optou pelo direito de permanecer calado, para não prejudicar o acordo de delação premiada. Caso tivesse revelado algo dito anteriormente à polícia e à Justiça, quebraria o acordo de confidencialidade exigido pelas autoridades. É sinal de que leva a delação a sério. Alívio momentâneo para os nomes citados na imprensa que vazaram dessas oitivas, suspense para quem vive o medo de ser realmente atingido pela investigação.

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O Ceará e o propinoduto da Petrobras: cautela nas conclusões e urgência na investigação

Por Wanfil em Corrupção

15 de setembro de 2014

Reportagem da revista Istoé coloca o governador do Ceará, Cid Gomes, na lista de políticos que supostamente receberam propina em contratos superfaturados da Petrobras. A denúncia teria sido feita por Paulo Roberto costa, ex-diretor da estatal, que após ter sido preso, fez um acordo de delação premiada com a Justiça.

Verossimilhança
O caso é grave, pois a Petrobras hoje é foco de negócios mal explicados; por isso, a situação exige cautela e, ao mesmo tempo, urgência. Cautela porque a investigação está em andamento; o que foi divulgado até agora não é oficial e vazou por meio de grandes veículos da imprensa. Mas é preciso também urgência para evitar que os citados, em caso de inocência, não tenham a honra e as imagens prejudicadas, já que estão envolvidos numa história que, no mínimo, guarda bastante verossimilhança com os fatos.

Vejamos alguns: 1) o delator ocupou posição de destaque na Petrobras. Era mesmo um figurão com acesso, portanto, a informações detalhadas desses contratos; 2) a Petrobras está metida até o pescoço numa rede de corrupção descoberta na operação Lava Jato, da Polícia Federal; 3) os políticos apontados no esquema atuam em estados onde a estatal tinha projetos envolvendo refinarias; 4) a delação só tem serventia se resultarem em fatos comprovados, ou seja, o delator não tem o que ganhar mentindo, pelo contrário, perde o benefício caso tente usar a investigação para outros fins. Esse conjunto de fatores não prova nada, nem garante que tudo o que o ex-diretor diz é verdade, mas agrava as denúncias, pois as tornam críveis para o público e para os investigadores.

Desmentido
Em resposta, por meio de sua assessoria, Cid disse que não conhece e que nunca esteve com Paulo Roberto, e que é vítima de uma armação de adversários políticos, sem dar nomes. Acontece que, como mostrou o portal Tribuna do Ceará, Cid já esteve reunido ele sim, com quem chegou participar, aqui no Ceará, do lançamento da pedra fundamental da refinaria da Petrobras – obra que não saiu do papel -, ao lado de Lula (confira as imagens).

Talvez o governador tenha sido traído por um lapso de memória, mas ser desmentido na própria defesa é outro elemento que ajuda a dar ares de verdade às acusações do delator. Pode até não lembrar, mas Cid conhecia e esteve sim com seu suposto acusador.

Quanto a suposição de uma armação política, trata-se de um argumento tão grave quanto o conteúdo dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, pois nesse caso a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam envolvidas na trama. Sem contar que o depoente não tem, pelo menos até onde se sabe, atuação política no Ceará. É preciso mais que uma tese conspiratória para desacreditar a testemunha inconveniente; seria necessário mostrar o que ele ganharia agindo assim.

Presunção de inocência
No mais é bom lembrar que todos os implicados pelo ex-diretor da Petrobras, Renan Calheiros, Roseana Sarney, Cândido Vacarezza, Romero Jucá, entre outros expoentes da política brasileira, são inocentes até prova em contrário. Cid Gomes e seu grupo, também.

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O Ceará e o propinoduto da Petrobras: cautela nas conclusões e urgência na investigação

Por Wanfil em Corrupção

15 de setembro de 2014

Reportagem da revista Istoé coloca o governador do Ceará, Cid Gomes, na lista de políticos que supostamente receberam propina em contratos superfaturados da Petrobras. A denúncia teria sido feita por Paulo Roberto costa, ex-diretor da estatal, que após ter sido preso, fez um acordo de delação premiada com a Justiça.

Verossimilhança
O caso é grave, pois a Petrobras hoje é foco de negócios mal explicados; por isso, a situação exige cautela e, ao mesmo tempo, urgência. Cautela porque a investigação está em andamento; o que foi divulgado até agora não é oficial e vazou por meio de grandes veículos da imprensa. Mas é preciso também urgência para evitar que os citados, em caso de inocência, não tenham a honra e as imagens prejudicadas, já que estão envolvidos numa história que, no mínimo, guarda bastante verossimilhança com os fatos.

Vejamos alguns: 1) o delator ocupou posição de destaque na Petrobras. Era mesmo um figurão com acesso, portanto, a informações detalhadas desses contratos; 2) a Petrobras está metida até o pescoço numa rede de corrupção descoberta na operação Lava Jato, da Polícia Federal; 3) os políticos apontados no esquema atuam em estados onde a estatal tinha projetos envolvendo refinarias; 4) a delação só tem serventia se resultarem em fatos comprovados, ou seja, o delator não tem o que ganhar mentindo, pelo contrário, perde o benefício caso tente usar a investigação para outros fins. Esse conjunto de fatores não prova nada, nem garante que tudo o que o ex-diretor diz é verdade, mas agrava as denúncias, pois as tornam críveis para o público e para os investigadores.

Desmentido
Em resposta, por meio de sua assessoria, Cid disse que não conhece e que nunca esteve com Paulo Roberto, e que é vítima de uma armação de adversários políticos, sem dar nomes. Acontece que, como mostrou o portal Tribuna do Ceará, Cid já esteve reunido ele sim, com quem chegou participar, aqui no Ceará, do lançamento da pedra fundamental da refinaria da Petrobras – obra que não saiu do papel -, ao lado de Lula (confira as imagens).

Talvez o governador tenha sido traído por um lapso de memória, mas ser desmentido na própria defesa é outro elemento que ajuda a dar ares de verdade às acusações do delator. Pode até não lembrar, mas Cid conhecia e esteve sim com seu suposto acusador.

Quanto a suposição de uma armação política, trata-se de um argumento tão grave quanto o conteúdo dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, pois nesse caso a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam envolvidas na trama. Sem contar que o depoente não tem, pelo menos até onde se sabe, atuação política no Ceará. É preciso mais que uma tese conspiratória para desacreditar a testemunha inconveniente; seria necessário mostrar o que ele ganharia agindo assim.

Presunção de inocência
No mais é bom lembrar que todos os implicados pelo ex-diretor da Petrobras, Renan Calheiros, Roseana Sarney, Cândido Vacarezza, Romero Jucá, entre outros expoentes da política brasileira, são inocentes até prova em contrário. Cid Gomes e seu grupo, também.