pesquisas Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

pesquisas

Pesquisa CNT/MDA mostra que apenas 3,7% confiam na imprensa. Será?

Por Wanfil em Crônica

28 de Fevereiro de 2019

O desafio na leitura das pesquisas de opinião não está bem nas respostas ou nas metodologias de amostragem, mas nas perguntas. O poder das perguntas é infinitamente maior que o das respostas. A ordem de distribuição das questões, a eventual introdução ou omissão de informações, a escolha das palavras, tudo isso pode influenciar o entrevistado.

Faço esse preâmbulo para mostrar dados da mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta semana, com a medição da popularidade do presidente Jair Bolsonaro (aprovado por 57,5%) e de outros temas que passaram quase batidos, como esse: – “Em qual destas instituições ou corporações o(a) Sr. (a) mais confia?” Nove opções foram apresentadas e o resultado foi o seguinte:

Igreja: 34,3% – Bombeiros: 19,7% -Forças Armadas: 16,0% – Justiça: 9,8% – Polícia: 4,1% – Imprensa: 3,7% -Governo: 2,4% – Congresso Nacional: 1,0% – Partidos políticos: 0,2%.

“Pobre imprensa!”, diriam os mais apressados. “Bem-feito!”, comemorariam fiscais de plantão nas redes sociais. “Perde até para a Justiça e só ganha dos políticos”, ironizariam os próprios políticos. No mérito, nada contra. Nelson Rodrigues dizia que só é possível confiar mesmo nas cabras, pela capacidade de guardar segredos. Os Titãs não confiavam em ninguém com 32 dentes.

Para ser sincero, eu não confio integralmente nos jornais, menos ainda nas redações e muito menos nas faculdades de jornalismo, entulhadas de ideologia. Nem mesmo, ou sobretudo, confio na massa de leitores. Lembro da Simone Souza, professora já falecida do curso de História na UFC: “O maior desafio da educação deveria ser ensinar as pessoas a ler jornal”.

Pode parecer estranho, mas essa desconfiança generalizada é a base da confiança nos regimes democráticos. Cria uma espécie de ética da vigilância mútua. De resto, melhor com imprensa e leitores plurais do que sem imprensa ou com imprensa única. E leitores também. Mas indo ao que interessa, o que complica a pesquisa da CNT/MDA é que fica difícil comprar uma atividade com uma corporação.

Será que na hora de divulgar uma informação, o entrevistado escolheria os confiáveis bombeiros? O certo seria perguntar, numa escala de 0 a 10, qual nota o entrevistado daria para cada uma dessas instituições. Além do mais, a imprensa é feita de um sem-número de veículos. Posso confiar mais em um do que em outros.

Se repararmos bem, a CNT/MDA não quis saber como pesquisas e institutos de pesquisa seriam avaliados. Talvez desconfiem da pergunta que apresentaram. Poderiam, nesse caso, colocar um item à parte, para não se misturar, e arriscar: “O (a) Sr. (a) confia na gente?”

leia tudo sobre

Publicidade

Candidatos mudam estratégias na reta final em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2016

19 de setembro de 2016

As pesquisas realizadas após o início desta curta campanha eleitoral indicam quais campanhas conseguiram emplacar suas estratégias e quais precisam mudá-la para tentar chegar a um provável segundo turno em Fortaleza. É o que está acontecendo.

Do ponto de vista do marketing eleitoral, o Capitão Wagner (PR) conseguiu definir a segurança pública como tema central do debate. Como saiu do empate técnico com Luizianne Lins (PT) para chegar ao empate técnico com o prefeito Roberto Cláudio (PDT), os demais concorrentes se viram obrigados a abordar o assunto, na tentativa de anular a vantagem tática do candidato do PR.

Para o prefeito, que também cresceu nas pesquisas e praticamente está garantido no segundo turno, pequenos ajustes foram introduzidos, como a lembrança de que o investimento em creches é uma ação que visa também a segurança das crianças. Provavelmente não fará ataques agora, pela razão que explico a seguir.

O cenário das pesquisas forçou mudanças na estratégia de Luizianne, que agora procura desconstruir o discurso de Wagner para a segurança pública. No início da campanha ela mirou a gestão Roberto Cláudio, apostando na polarização da disputa. No entanto, sem emplacar nas pesquisas, a petista percebeu que atacar a gestão do pedetista acabou por beneficiar Wagner, que sem contraponto, avançou tranquilo.

É uma situação delicada para Luizianne e o PT. Se bater muito no Capitão e conseguir ultrapassá-lo, corre o risco de perder os eleitores de Wagner em caso de segundo turno, o que ajudaria na reeleição de Roberto Cláudio, aliado de Cid e Ciro Gomes, adversários de Luizianne.

Outra mudança, menos importante, mas significativa como ilustração de uma forma de fazer política, é na campanha de Tin Gomes (PHS), deputado estadual e primo dos Ferreira Gomes. O candidato, que não tem chance alguma e com desempenho pífio, de neutro passou a criticar Wagner indiretamente, mostrando mais preocupação com os concorrentes da atual gestão do que com a própria condução dessa mesma gestão que ele, por algum motivo, acha que merece ser interrompida, caso contrário, por suposto, não seria candidato.

A não ser que aceitasse ser usado por terceiros, especialmente nos debates, hipótese que ninguém pode acreditar, não é mesmo?

Publicidade

Pesquisas lavam as mãos e agora é com você eleitor: Eunício ou Camilo? Aécio ou Dilma?

Por Wanfil em Pesquisa

26 de outubro de 2014

Diversos institutos de pesquisa divulgaram levantamentos na véspera das eleições mostrando um situação de absoluta incerteza quanto ao resultado final para o governo do Ceará e para a Presidência da República. Alguns institutos divergem e outros mudam cenários numa dança de números que acrescenta mais emoção a esta que já pode ser considerada a mais disputada de todas as eleições.

No Ceará
Para o governo estadual, o Datafolha, contratado pelo jornal O Povo, mostra números que pulverizam o favoritismo do petista Camilo Santana em relação ao peemedebista Eunício Oliveira apontado, em seu levantamento anterior. Já no Ibope, contratado pela TV Verdes Mares, tudo segue indefinido, em situação de empate técnico.

No dia 16 de outubro o Ibope mostrava Camilo com 51% e Eunício com 49; no dia 25 o placar é de 52% a 48%. A variação, portanto, se dá dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.

O Datafolha realizou mais pesquisas, mostrando uma movimentação intensa do eleitorado. No dia 15 Camilo tinha 53%, saltou para 57% no dia 22, quando muitos passaram a acreditar que não havia mais como o adversário reagir, mas agora no dia 25 o petista cai cinco pontos e aparece com 52%. Já Eunício, que tinha 47% no dia 15 e 43% no dia 22, ressurge como surpresa no sábado que precede a eleição, com 48%.

O Ibope mostra estabilidade, mas a distância entre seus levantamentos pode ter deixado de captar eventuais subidas e descidas nesse meio tempo. O Datafolha preocupa mais os governistas, na medida em que aponta uma forte tendência de crescimento de Eunício e de descida de Camilo, bem acima da margem de erro de dois pontos percentuais: a diferença que era de 14 pontos caiu para 4! O que poucos dias atrás parecia definido, agora é dúvida. Se o Datafolha realmente captou uma onda pró-Eunício, somente no final do dia saberemos.

No Brasil
Para as eleições presidenciais, tudo é suspense. Pesquisas mostrando Aécio ou Dilma na frente, não faltam, basta ver o noticiário. No geral, a tendência do início da semana, quando Dilma apareceu à frente no Ibope e Datafolha, se inverteu e Aécio aparece agora em ascendência, voltando a empatar o jogo. Percebe-se medo entre os que desejam a reeleição da presidente e esperança entre os que preferem Aécio.

A disputa de de tal forma intensa que, tudo indica, a mínima diferença metodológica já altera o resultado dessas amostragens. Os institutos estão sob severa crítica. O fato é que numa eleição disputada voto a voto, a imponderabilidade aumenta demais.

Fatores como a regionalização da abstenção ou a definição de última hora dos indecisos (ou então, uma opção de quem se dizia decidido mas que depois resolve votar nulo, ou o nulo que decide por um dos candidatos), qualquer movimento desses podem fazer a diferença. A rigor, diante dessa dança de números e alternância de tendências, a única pesquisa realmente exata será feita neste domingo: a das urnas!

 

Publicidade

O oráculo das pesquisas e o frenesi eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de outubro de 2014

Quanto mais próximo fica o dia da decisão nas urnas, maior é a ansiedade geral pelas revelações das pesquisas eleitorais, esses oráculos da cultura empirista. Entre militantes partidários e ocupantes de cargos comissionados a expectativa pode degenerar até em manifestações de histeria nas redes sociais. Para os demais torcedores, fica o frenesi típico das competições. Para a satisfação desse público ávido por indícios de vitória para os seus preferidos ou de derrota para os adversários, uma saraivada de levantamentos realizada nesta semana.

Para a Presidência da República, Ibope e Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) abriu uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) que supera as margens de erro de cada instituto. Margens de erro, vale lembrar, bastante questionadas por todos, uma vez que os erros têm avançado para muito além dessas margens em eleições recentes.

Contando apenas os votos válidos, o Ibope mostra a petista com 54%, contra 46% de Aécio. No Datafolha, o placar é de 53% a 47%. Pesquisas não revelam o futuro, claro, mas captam tendências do presente, a partir das quais é possível fazer projeções que são, no fundo, apostas. Nesse sentido, servem para ajustar propagandas e a comunicação de candidaturas. É como tirar uma fotografia na ventania: tudo está em movimento o tempo todo e o que parece ir para um lado, de repente, pode ir para outro. Dilma, por exemplo, ganhou no primeiro turno, depois Aécio a ultrapassou no início do segundo turno e agora a presidente volta à liderança. Haverá tempo para uma nova troca de posições? Só as urnas dirão. Essas essas amostragens já foram traídas pelos eleitores nesta mesma eleição.

Até certo ponto, essa imprevisibilidade tem alimentado também uma disposição para o vale-tudo eleitoral. O governo federal impediu, nesta semana, a divulgação de números sobre a pobreza e a educação, levantando suspeitas de que não seriam bons para a candidata oficial.

No Ceará, uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais Folha de São Paulo e O Povo mostra Camilo Santana (PT) com 57% e Eunício Oliveira (PMDB) com 38%. Aí já se trata de uma distância considerável, mas que não serve de antecipação de resultado, uma vez que destoa do equilíbrio que caracterizou a disputa na últimas quatro semanas.

Todo cuidado é recomendado para não confundir pesquisa com eleição. Não estou aqui desconfiando de nada. Acredito que os institutos busquem fazer o melhor que podem, pois vivem da credibilidade que conquistam. O problema é que as últimas eleições mostraram que boa parte dos eleitores deixa para consolidar suas escolhas no dia de votar. Além dessa variável, digamos, cultural, é preciso considerar as abstenções, que podem atingir as candidaturas de forma diferente, com maior ou menor intensidade.

É isso. Os institutos de pesquisa captam tendências, mas estas, pelo que temos visto, podem mudar bastante em curto espaço de tempo. Foi assim no primeiro turno. Pesquisas eleitorais são como previsões meteorológicas: tem ciência, mas são demasiadamente imprecisas por conta do imponderável. Por isso a tensão continuará grande até o próximo domingo.

Publicidade

A primeira semana do segundo turno: surpresa, corrupção e mudanças

Por Wanfil em Eleições 2014

11 de outubro de 2014

mudanças

Todos falam em mudar, até quem deseja continuar.

A primeira semana do segundo turno pode ser resumida assim:

Presidência do Brasil – O candidato Aécio Neves, do PSDB, surpreendeu ao aparecer na liderança em todas as pesquisas divulgadas na semana. Sua propaganda, naturalmente, procurou refletir esse movimento ascendente, apresentando diversas lideranças e outros candidatos que declararam apoio agora, no início do segundo turno. Nessa linha, se apresenta como a verdadeira mudança e por aí vai.

A candidata à reeleição Dilma Rousseff, do PT, começou a semana buscando despertar o medo no eleitorado em relação ao adversário, especialmente na área econômica. Como o país vive uma recessão técnica, a solução é se agarrar aos índices de desemprego, que ainda são baixos (mas que já começam a declinar, segundo o IBGE). No entanto, com as graves denúncias na deleção premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa lançando suspeitas sobre o financiamento da campanha presidencial do PT em 2010, Dilma precisou mudar a abordagem em seu programa no final da semana, colocando a corrupção no centro do debate, dizendo que não tolera desvios e que, nesse caso em particular, desconfia de denúncias feitas em período eleitoral.

Governo do Ceará – O candidato Camilo Santana, do PT, buscou em seu programa enaltecer o fato de ter chegado à frente no primeiro turno, ao contrário do que mostravam as pesquisas, embora houvesse empate técnico. Para não mostrar que a diferença foi apertada, de 1,4%, seu programa exalta os números absolutos, que dão a impressão de ter sido maior a distância. De resto, não abordou a polêmica da suposta milícia que teria agido contra sua campanha no Ceará, conforme alardeia e garante Ciro Gomes. Na verdade, Camilo evita a todo custo entrar em discussões, principalmente as que envolvem segurança pública, pior área da gestão.

Eunício Oliveira, do PMDB, conseguiu manter o acordo de neutralidade feito com Lula e Dilma. Na propaganda, denuncia uso da máquina com alusões a casos de compra de votos e abuso do poder político, mostrando, inclusive, o governador Cid Gomes atuando em defesa de um vereador preso em Sobral no dia da eleição. A ideia parece ser a de intensificar a rejeição do eleitor ao estilo da família Ferreira Gomes.

Todos querem mesmo mudar?
Em comum nos programas eleitorais de todos esses candidatos há o discurso de mudança. A oposição, por motivos óbvios, já que é seu dever mostrar-se diferente para viabilizar-se como alternativa; a situação, por conveniência, uma vez que deseja mesmo é evitar grandes alterações. Isso é compreensível, na medida em que o resultado das urnas mostraram que a some de votos para opositores superou o desempenho dos candidatos governistas, deixando as disputas acirradas e imprevisíveis até o momento.

Dilma chega a falar em “novo governo, novas ideias”, como se fosse assim um alter ego da presidente em exercício, e Camilo afirma que irá melhorar o que não foi bem. O desafio aí é explicar ao eleitor como mesmo estando no poder, os governos não fizeram antes as correções de rumo ou impediram o agravamento de problemas (economia e segurança pública, sobretudo). Afinal, estavam esperando o quê?

Publicidade

Ibope e Datafolha: Eunício mantém liderança

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de outubro de 2014

As pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha divulgadas neste sábado variam um pouco numericamente – afinal, são metodologias distintas -, mas convergem na essência, tanto no Ceará como nos levantamentos nacionais. O quadro geral é mais ou menos o seguinte:

Ceará
Governo do Estado: as eleições podem ser definidas no primeiro turno, já que Eunício Oliveira (PMDB) aparece como o preferido de aproximadamente metade dos eleitores. Para vencer neste domingo sem precisar de segundo turno, o candidato precisa de 50% dos votos mais um. Segundo o Ibope Eunício tem 50% dos votos válidos e pelo Datafolha marca 49%. Camilo Santana (PT), seu principal concorrente tem 44% de votos válidos no Ibope e 45% no Datafolha.

Senado: Os dois institutos apontam vitória de Tasso Jereissati (PSDB) com ampla vantagem sobre Mauro Filho (PROS), candidato apoiado pelo governador Cid Gomes. Levando em consideração os votos válidos, Tasso tem 72% no datafolha e 68% no Ibope. Está virtualmente eleito.

Brasil
No cenário nacional, Dilma Rousseff (PT) continua liderando, estabilizada com 44% no Datafolha e 46% no Ibope. A novidade apontada pelos dois institutos é a virada de Aécio Neves, que caminha para ser o adversário da presidente no segundo turno. Nessas simulações, o tucano já aparece bem próximo da petista. São oito pontos no Ibope (45% a 37%) e seis pontos no Datafolha (48% a 42%).

Mudanças
Dessas movimentações é possível concluir que as pesquisas realizadas desde os protestos de junho de
2013 estavam certas: o eleitor quer mudanças. Sendo mais preciso, vendo o desempenho dos candidatos nessa campanha, é possível dizer que o brasileiro procura por alguém que possa apontar mudanças, mas sem rupturas traumáticas.

No plano nacional chegou a flertar intensamente com uma terceira via, mas receoso, tende agora a voltar procurar abrigo na conhecida polarização entre PSDB e PT.

Já no Ceará, dois pontos merecem destaque. Primeiro, a provável eleição de Tasso quebra um tabu, já que o candidato não conta com o apoio do governador. Segundo, Eunício chega à reta final liderando, contra a força das máquinas estadual e da prefeitura de Fortaleza. Como seu partido esteve na base do governo, pode acenar como mudança sem risco de descontinuidade a programas oficiais que agradam o eleitor.

Resta agora aguardar para ver se as urnas confirmam as tendências apontadas pelas pesquisas dos dois maiores institutos do país.

leia tudo sobre

Publicidade

O que não se vê nas pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2012

Aos olhos do público, pesquisa eleitoral parece simples estratificação estatística. No entanto, como sabem os políticos que pagam por elas, são informações complexas e valiosas, desde que bem lidas.

Em toda eleição realizada em ambiente de estabilidade democrática, o papel das pesquisas eleitorais é questionado. Afinal, até que ponto elas influenciam o eleitorado? Não há resposta pronta para essa indagação, pois não se trata de uma ciência exata, apesar de trabalhar com números e estatísticas. A dinâmica das pesquisas numa campanha eleitoral é bem mais complexa do que a maioria imagina.

A presença das pesquisas em nossas vidas

Assim como no futebol e na medicina, o campo das pesquisas eleitorais é objeto de farta apropriação pelo senso comum, constituindo ótima oportunidade para palpiteiros e falsos profetas. Não raro, os levantamentos feitos para os veículos de comunicação são tomados como os produtos de maior importância a nortear o processo eleitoral. Esse é um engano bem comum nas colunas políticas e nas rodas de conversas informais, onde todos parecem perceber supostos erros de comunicação dos candidatos com a facilidade de quem avalia uma receita de bolo.

Para início de conversa, quase tudo o que consumimos nos dias de hoje, de alimentos a livros, de automóveis a softwares, nasce ou se desenvolve com a realização de pesquisas. Um autor de novela pode rever a importância de um personagem a partir da receptividade do público. Embalagens e cores de cosméticos, a preponderância de sabores e odores em alimentos, tudo isso passa por sondagens que avaliam gostos e preferências de variados públicos. Na política contemporânea, não tem sido diferente. Candidatos são tratados como produtos e eleitores como consumidores. É fenômeno de massa. Portanto, não se trata de um improviso, mas de uma prática consolidada que dialoga com múltiplos fatores. Se isso é positivo ou negativo, eis uma boa discussão.

Tipos de pesquisa

De acordo com o sociólogo italiano Domenico  Fisichiela, da Universidade de Roma, “historicamente, o estudo do comportamento eleitoral se desenvolveu em duas direções principais, tendo uma como centro de análise o agregado (isto é, um certo conjunto de votos), a outra, o indivíduo”¹. Em outras palavras, existem as pesquisas quantitativas e as qualitativas. A segunda, de caráter subjetivo, busca entender as motivações que levam aos números da primeira, de natureza objetiva.

Dessa forma, muito antes da divulgação das pesquisas de opinião em veículos de comunicação, partidos e candidatos trabalham com  pesquisas qualitativas, procurando conhecer as expectativas dos eleitores, uma vez que, continua Fisichiela, “o comportamento político é, em grande parte, o resultado das respostas subjetivas à realidade externa, tal qual ela é percebida”².

Variáveis pré-eleitorais e o cross pressures

A cpacidade de ler essa realidade a partir das pesquisas é trabalho monumental e arriscado, pois inúmeras variáveis convergem para que se possa fazer uma leitura correta dos dados coletados, e mesmo esse fatores são motivos para debates entre profissionais da área. Em determinada sociedade, por exemplo, o peso do status socioeconômico pode ser menor do que o étnico ou o religioso. E vice-versa.

Cada uma dessas variáveis, por sua vez, é divisível. A questão econômica pode vir a ser discutida a partir da ótica da geração de emprego ou do valor dos salários. E ainda que um tema seja predominante numa campanha, o eleitor pode ficar exposto a uma situação de cross pressures (pressões cruzadas), formada, numa hipótese, pela soma de sua condição econômica com suas escolhas religiosas ou sua condição étnica.

Existem ainda discussões sobre o papel das ideologias e dos partidos nessa equação, a depender do percentual de eleitores identificados com essas questões (voto cristalizado) e do eleitorado “flutuante”, que amolda sua preferência de voto em consonância com os temas emergentes da campanha eleitoral.

Esses são exemplos de condições pré-eleitorais que atuam sobre a decisão do eleitor. Calibrar o peso disso para construir uma imagem e um discurso só é possível com uma pesquisa bem realizada e uma leitura acurada dessas informações.

Leia mais

Publicidade

O que não se vê nas pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2012

Aos olhos do público, pesquisa eleitoral parece simples estratificação estatística. No entanto, como sabem os políticos que pagam por elas, são informações complexas e valiosas, desde que bem lidas.

Em toda eleição realizada em ambiente de estabilidade democrática, o papel das pesquisas eleitorais é questionado. Afinal, até que ponto elas influenciam o eleitorado? Não há resposta pronta para essa indagação, pois não se trata de uma ciência exata, apesar de trabalhar com números e estatísticas. A dinâmica das pesquisas numa campanha eleitoral é bem mais complexa do que a maioria imagina.

A presença das pesquisas em nossas vidas

Assim como no futebol e na medicina, o campo das pesquisas eleitorais é objeto de farta apropriação pelo senso comum, constituindo ótima oportunidade para palpiteiros e falsos profetas. Não raro, os levantamentos feitos para os veículos de comunicação são tomados como os produtos de maior importância a nortear o processo eleitoral. Esse é um engano bem comum nas colunas políticas e nas rodas de conversas informais, onde todos parecem perceber supostos erros de comunicação dos candidatos com a facilidade de quem avalia uma receita de bolo.

Para início de conversa, quase tudo o que consumimos nos dias de hoje, de alimentos a livros, de automóveis a softwares, nasce ou se desenvolve com a realização de pesquisas. Um autor de novela pode rever a importância de um personagem a partir da receptividade do público. Embalagens e cores de cosméticos, a preponderância de sabores e odores em alimentos, tudo isso passa por sondagens que avaliam gostos e preferências de variados públicos. Na política contemporânea, não tem sido diferente. Candidatos são tratados como produtos e eleitores como consumidores. É fenômeno de massa. Portanto, não se trata de um improviso, mas de uma prática consolidada que dialoga com múltiplos fatores. Se isso é positivo ou negativo, eis uma boa discussão.

Tipos de pesquisa

De acordo com o sociólogo italiano Domenico  Fisichiela, da Universidade de Roma, “historicamente, o estudo do comportamento eleitoral se desenvolveu em duas direções principais, tendo uma como centro de análise o agregado (isto é, um certo conjunto de votos), a outra, o indivíduo”¹. Em outras palavras, existem as pesquisas quantitativas e as qualitativas. A segunda, de caráter subjetivo, busca entender as motivações que levam aos números da primeira, de natureza objetiva.

Dessa forma, muito antes da divulgação das pesquisas de opinião em veículos de comunicação, partidos e candidatos trabalham com  pesquisas qualitativas, procurando conhecer as expectativas dos eleitores, uma vez que, continua Fisichiela, “o comportamento político é, em grande parte, o resultado das respostas subjetivas à realidade externa, tal qual ela é percebida”².

Variáveis pré-eleitorais e o cross pressures

A cpacidade de ler essa realidade a partir das pesquisas é trabalho monumental e arriscado, pois inúmeras variáveis convergem para que se possa fazer uma leitura correta dos dados coletados, e mesmo esse fatores são motivos para debates entre profissionais da área. Em determinada sociedade, por exemplo, o peso do status socioeconômico pode ser menor do que o étnico ou o religioso. E vice-versa.

Cada uma dessas variáveis, por sua vez, é divisível. A questão econômica pode vir a ser discutida a partir da ótica da geração de emprego ou do valor dos salários. E ainda que um tema seja predominante numa campanha, o eleitor pode ficar exposto a uma situação de cross pressures (pressões cruzadas), formada, numa hipótese, pela soma de sua condição econômica com suas escolhas religiosas ou sua condição étnica.

Existem ainda discussões sobre o papel das ideologias e dos partidos nessa equação, a depender do percentual de eleitores identificados com essas questões (voto cristalizado) e do eleitorado “flutuante”, que amolda sua preferência de voto em consonância com os temas emergentes da campanha eleitoral.

Esses são exemplos de condições pré-eleitorais que atuam sobre a decisão do eleitor. Calibrar o peso disso para construir uma imagem e um discurso só é possível com uma pesquisa bem realizada e uma leitura acurada dessas informações.

(mais…)