PDT Archives - Página 9 de 10 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PDT

Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

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Ciro Gomes volta ao jogo com Dilma na plateia: a fome com a vontade de comer

Por Wanfil em Partidos

22 de Janeiro de 2016

A presidente Dilma Rouseff, que é do PT, prestigiou nesta sexta o encontro nacional do PDT, que na prática confirmou a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, com apoio da cúpula pedetista.

De certo modo, o evento marca a volta do ex-governador do Ceará ao centro da política nacional. Depois de ter a candidatura barrada em 2010, quando estava no PSB, preterida por Lula em favor de Dilma, e em 20013/2014 por Eduardo Campos, que lançou o próprio nome, Ciro migrou para a legenda de aluguel PROS. A crise atual abriu as portas para sua terceira tentativa de chegar ao Planalto (as duas primeiras foram pelo PPS, em 1998 e 2002), agora pelo PDT (sétimo partido que o abriga). No papel de pré-candidato por um tradicional partido de esquerda, as opiniões de Ciro ganham maior relevância a partir de agora. De carta fora do baralho, ele está temporariamente de volta ao jogo.

Como para bom entendedor meia palavra basta, resta evidente que Dilma, desgastada pela conjunção de recessão, denúncias de corrupção e recorde de impopularidade, enxerga na figura de Ciro um aliado com potencial eleitoral, já que o PT dificilmente terá condições de lançar um nome próprio diante da insatisfação geral e das incertezas advindas da Operação Lava Jato. Por isso, é preciso pensar em nomes alternativos, com os quais o petismo possa conversar e se acertar, de preferência mantendo nacos de poder na estrutura federal, com alguns ministérios, órgãos e estatais.

Ao PDT e a Ciro interessa o apoio da máquina, com seu poder de influência sobre partidos e governos estaduais, fundamentais para costurar uma coligação forte. Aliás, foi dentro dessa estratégia que Cid Gomes sugeriu no início de janeiro, como conselho supostamente desinteressado, que a presidente deixasse o PT e não interferisse nas eleições de 2018. É pressão para que os petistas apoiem um nome de fora e também um modo de dizer que Dilma evite subir no palanque desse que seria seu “plano B”.

Vai funcionar? Ninguém sabe. Afinal, muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. O próprio Ciro, orador habilidoso, deixa no ar uma expectativa quanto ao seu temperamento, que o ajudou a perder a disputa em 2002. O fato é que, quando aliados com cargos no governo anunciam candidaturas à sucessão faltando ainda três anos para o final do mandato, com direito à presença da própria presidente no evento, é mais um sinal, quase um reconhecimento formal, de que a gestão Dilma perdeu as condições de comandar o país.

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Servidores acusam PDT de transformar Correios em cabide de empregos. E agora, como ficam as críticas de Ciro ao PMDB?

Por Wanfil em Partidos

22 de dezembro de 2015

Na coluna Expresso, da revista Época, e no site da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP):

Funcionários dos Correios promoverão nesta terça-feira (22) uma manifestação em frente à sede da estatal em Brasília durante a posse de seis novos vice-presidentes. Os principais beneficiários (terão salários de R$ 24 mil) das mexidas na cúpula da empresa são ligados ao PDT. A presidência dos Correios está sob o comando de Giovanni Queiroz, também do partido, há pouco mais de um mês.

O protesto, segundo informe que circula nas redes sociais, será contra  o ” aparelhamento da empresa”.  Outro trecho do informe diz que “a intenção é tentar salvar a empresa que, por conta de ter se tornado um cabide de empregos, tem apresentado déficit em suas contas”. Os servidores deverão estar vestidos de preto.

Casa de ferreiro, espeto de pau
Quando a crise política se intensificou, o líder do PDT na Câmara, deputado federal André Figueiredo, do Ceará, anunciou que sua bancada adotaria postura independente. Para segurar o PDT na base, a presidente Dilma entregou os Correios ao partido e o Ministério das Comunicações para Figueiredo, agrados que transformaram a “independência” em “convicção governista”. Tamanha convicção que Carlos Lupi, presidente do partido, junto com o neopedetista Ciro Gomes, criaram o “movimento pela legalidade”, contra o impeachment de Dilma.

Lupi, só para lembrar, foi ministro do Trabalho na gestão da petista, mas saiu a pedido da Comissão de Ética da Presidência da República, após denúncias de corrupção.

Ciro Gomes voltou a aparecer no cenário nacional criticando duramente o PMDB e suas práticas fisiologistas. Nesse caso, é severo nas adjetivações. Resta saber o que ele acha quando o fisiologismo é usado para comprar o apoio do PDT, seu atual partido. Ou os Correios não deveriam ser geridos por seus funcionários de carreira?

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Ciro e Carlos Lupi criam rede contra impeachment. Mas logo o Lupi?

Por Wanfil em Política

07 de dezembro de 2015

O UOL informa que Ciro Gomes, junto com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lançaram a “Rede da Legalidade” em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) . Seria uma reedição de uma iniciativa liderada por Leonel Brizola em 1961, na tentativa de salvar o governo de João Goulart.

Na ocasião, Ciro acusou Michel Temer de conspirar contra a presidente e Carlos Lupi, que já foi ministro do Trabalho de Dilma, afirmou que Eduardo Cunha é “um homem sob suspeição”. Atenção: Lupi não gosta de gente sob suspeição! O presidente do PDT voltou a dizer que Ciro é candidato a presidente em 2018, escanteando o senador Cristovam Buarque, pedetista histórico e respeitado, que deseja disputar a indicação.

Dino é do PC do B, sigla que hoje não passa de um satélite do PT. Ciro quer ser candidato e mira no eleitorado de esquerda órfão de liderança. Já Lupi, segue abaixo algumas manchetes colhidas em rápida busca no Google, que mostram aí a quqalidade moral da “Rede da Legalidade”, que curiosamente, não tem petistas:

1. ‘Isso sai na urina’, diz Lula a Lupi sobre acusação de corrupção – Terra;
2. Ex-ministro de Lula e Dilma diz que PT roubou demais e se esgotou – Estadão,
3. Carlos Lupi pede demissão do Ministério do Trabalho – Cai o sexto ministro envolvido em escândalo de corrupção – O Globo;
4. Propina no ministério de Lupi – assessores diretos do ministro do Trabalho queriam 60% do imposto sindical para regularizar entidade – IstoÉ.

Como candidato à presidência da República, Ciro Gomes já teve apoio de Paulo Brossard e Mangabeira Unger. Agora tem de Carlos Lupi. É isso o que dá mudar muito de partido. A memória de Leonel Brizola não merecia esse tipo de “homenagem”.

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Questão de coerência: se vale para Cunha, vale para líder do PDT no Senado

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2015

O PDT divulgou nota contra o impeachment e pedindo o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB), todo enrolado com a Justiça, da presidência da Câmara dos Deputados. Eu concordo. Primeiro, além das investigações, ele realmente mentiu na CPI, o que configura quebra de decoro. Depois, seria a melhor forma de retirar de alguns governistas uma desculpa para falar em ética, como se não fossem integrantes de um governo sem ética. Saindo Cunha, todos poderiam se concentrar nas enroladas da gestão Dilma com a Justiça. Ou alguém acha que os problemas do país se resolveriam e todos entrariam em harmonia?

Confira o seguinte trecho, que encerra a nota:

Através destes fatos [denúncias contra Cunha], afirmamos que o deputado perdeu as condições políticas de se manter à frente da presidência da Câmara Federal, e deve afastar-se das suas funções. Defendemos, por coerência partidária e constitucional, o amplo direito de defesa do deputado em todas as esferas competentes.

Repare quem são os signatários:

Carlos Lupi, presidente da Executiva Nacional; Afonso Motta, líder da bancada na Câmara; Acir Gurgacz, líder da bancada no Senado.

Agora leia o que Josias de Souza escreveu no UOL:

“Escolhido para ser o relator do parecer do Tribunal de Contas da União que condenou as ‘pedaladas fiscais’ e rejeitou as contas do governo Dilma Rousseff do ano de 2014, o senador Acir Gurgacz, de Rondônia, é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Responde por estelionato, artigo 171 do Código Penal, além de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Investigado pela Polícia Federal e denunciado pela Procuradoria-Geral da República, Gurgacz foi convertido em réu no dia 10 de fevereiro de 2015. O relator da ação penal é o ministro Teori Zavascki, o mesmo que cuida dos processos da Lava Jato. A denúncia contra o senador foi aceita por unanimidade na 2ª turma do STF. Além de Zavascki, votaram os ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.”

Vejam só que coisa. Aci é um dos líderes do PDT que assinam a nota contra Cunha. É réu, mas não foi condenado, pode argumentar o partido. É verdade. Ocorre vale o mesmo para Cunha, não é?

Assim, o PDT deveria, por coerência, afastar Acir Gurgacz da liderança do partido no Senado, garantindo ao mesmo, claro, “amplo direito de defesa em todas as esferas competentes”. De outro modo, fica estranho ver expoentes do partido como Cid Gomes ou até o presidenciável Ciro, exigirem a saída de Cunha.

Pau que dá em Chico, dá em Francisco. Ou não?

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No PDT, Cid fala grosso com o PMDB. Mas será que o PDT, hoje, é melhor que o PMDB?

Por Wanfil em Partidos

19 de outubro de 2015

Atenção cidistas e ciristas de todo o Ceará: aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula - Foto: Site da Executiva Nacional do PDT

Aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula – Foto: site da Executiva Nacional do PDT

Em solenidade de filiação ao PDT, no último final de semana, o ex-governador e ex-ministro Cid Gomes não poupou críticas à cúpula dirigente do PMDB, chegando a classificar o vice-presidente da República, Michel temer, de chefe de quadrilha.

Com base nesse discurso, fica a impressão de que bastará ao próximo presidente se afastar do PMDB para que as relações de poder sejam menos promíscuas e as coisas, ao final, melhorem. Acontece que nem tudo é tão simples assim.

Michel temer não é um novato na cena política, pelo contrário. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes. Na primeira, inclusive, eleito com o apoio de FHC. Depois, com a derrota dos tucanos, o peemedebista se chegou ao PT e, nas duas vezes em que foi eleito como companheiro de chapa de Dilma, contou no Ceará com o apoio – veja só – de Cid Gomes. Este, por sua vez, foi eleito governador em 2010 tendo como vice o deputado estadual Domingos Filho, então filiado ao velho PMDB de guerra, que apoiou a gestão Cid por sete anos, vindo a romper apenas por questões eleitorais, não de conduta.

Hoje, a própria Dilma tem como maior aliado contra um impeachment o presidente do Senado, Renan Calheiros, medalhão do… PMDB! Ou seja, na prática, aliados da presidente são aliados do PMDB, queiram ou não queiram, digam o que disserem. O resto é firula e confete.

No fundo, PDT e PMDB, atualmente, possuem muitas semelhanças, para desgosto dos saudosistas de Leonel Brizola. São partidos governistas que só votam com o Planalto quando lhes interessa e que cobram ministérios para continuar na base. O que vai mudar aí é o tamanho de cada um.

Por fim, uma recordação que deveria inspirar cautela aos pedetistas mais afoitos. Em 2011, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deixou o Ministério do Trabalho acusado de corrupção. Até onde sei nada foi provado, mas se é assim, Michel Temer também nunca foi condenado a nada. Aliás, se isso valesse como critério, Temer não precisou renunciar dos cargos que ocupou. Fica difícil.

Assim, se Carlos Lupi é o modelo de retidão que o PDT tem a oferecer aos cearenses e brasileiros para enfrentar o PMDB, melhor tomar mais cuidado antes de falar em quadrilha.

(Transcrição de minha coluna na rádio Tribuna Band News na segunda-feira).

Só para lembrar
Confira aqui a satisfação do PDT com a companhia de Michel Temer, no ano passado:  Michel Temer anuncia nesta segunda no Rio o seu apoio a Lupi.

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Roberto Cláudio: “PMDB está mergulhado na corrupção, tanto quanto o PT”

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2015

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) na quinta-feira (8), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, recém filiado ao PDT, anunciou em primeira mão um pacote de cortes de gastos em razão da crise econômica que o país vive.

Sobre as eleições do ano que vem, o prefeito disse não fazer questão alguma de ter o PMDB, partido do vice-prefeito Gaudêncio Lucena, como aliado. E justificou: “O PMDB exerce a política da extorsão, da chantagem, do jogo mais mesquinho, mais sujo, envolvido até o pescoço na corrupção, tanto quanto o PT nacionalmente”.

O discurso converge com o de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, com a evidente intenção de se dissociar das lambanças e dos escândalos protagonizados pelo governo federal e seus principais partidos de sustentação. No entanto, dadas as circunstâncias locais, há riscos nessa abordagem.

A ênfase na crítica ao PT nacional é profilática, para prevenir ser contaminado pela rejeição ao partido e à presidente Dilma. Ocorre que seu principal aliado, o governador Camilo Santana, é do PT, assim como uma de suas principais adversárias, a ex-prefeita Luizianne Lins. Roberto Cláudio precisa do apoio do PT estadual, mas Luizianne defende candidatura própria. Dizer que o PT está mergulhado na corrupção, embora seja uma verdade, pode gerar desgastes com os militantes do partido no Ceará e fortalecer a tese da ex-prefeita.

Sobre o PMDB, é preciso lembrar que o discurso do grupo a que pertence Roberto Cláudio foi, durante muito tempo, exatamente esse. O partido seria nacionalmente ruim, tendo Michel Temer, segundo Ciro Gomes, como chefe do “ajuntamento de ladrões”, mas enquanto Eunício Oliveira foi aliado de Cid Gomes, a sigla, no estado, prestava. Só depois de romper é que o tratamento foi integralizado em seu conjunto.

Além do mais, o vice-presidente Michel Temer foi eleito, junto com Dilma, com o apoio, aqui no Ceará, de Cid, Ciro, Camilo e Roberto Cláudio. Se não é de hoje que Ciro bate no PMDB, seus alertas foram solenemente ignorados pela presidente. Deu no que deu. A ironia é que seu grupo ajudou a fortalecer aqueles que, agora, eles dizem ser o pior para o Brasil.

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Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.

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Heitor, Cid e o PDT: abre o olho André Figueiredo!

Por Wanfil em Política

16 de julho de 2015

Quem trabalha com jornalismo opinativo acaba associado de tal modo ao tema que escolheu para tratar profissionalmente, que é difícil falar de outra coisa. Faz parte. O comentarista esportivo é sempre chamado, em qualquer situação, a falar sobre o esporte, seja em aniversários ou consultórios médicos. O mesmo acontece, por exemplo, com o crítico de cinema. Onde ele anda, todos querem saber o que ela acha deste ou daquele filme. Com política não é diferente. Particularmente, aprecio ouvir as pessoas para sentir como o noticiário está repercutindo por aí.

Quando vou cortar o cabelo, o proprietário do salão, meu amigo Edmilson, que é quem me atende, sempre aproveita para conversar sobre política. Hoje, quando lá estive, ele mandou ver: “E o Heitor Férrer, hein? Será que fica no PDT, se o Cid for para lá?”. Nessas horas, gosto de instigar o interlocutor: “Não sei. Dizem que sai. O que você acha?”. E aí o Edmilson emendou: “Acho que se ele sair, fica ruim para o PDT. Fica feio. Se eu fosse o André Figueiredo [presidente estadual do PDT], ficava de olho aberto. Vai que o Cid se junta com o Brizola Neto [ex-ministro do Trabalho] e toma o partido dele? Não é sempre assim? Mas disso eu não entendo, deixo pra vocês jornalistas e políticos”.

Edmilson talvez não suspeite de que ele entende mais do que pensa. As premissas estão bem casadas na sua leitura. Os Brizola andam meio isolados no PDT, é verdade, mas pelo peso do nome, sempre podem causar rachas na sigla. Já Heitor Férrer, que sempre foi do PDT, é nome forte para concorrer à prefeitura de Fortaleza. Por isso mesmo recebeu convites de vários partidos, como PMDB, PPS e PSB. Por outro lado, há um histórico de intrigas que acompanha as andanças partidárias do grupo do ex-governador do Ceará. Por onde passou, houve briga e disputa. Por que agora seria diferente?

Abre o olho, André. Escuta o Edmilson.

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Três razões para Cid e sua turma não irem para o PDT

Por Wanfil em Partidos

08 de julho de 2015

A longa estrada da peregrinação partidária de cidistas e ciristas chegou a uma encruzilhada: para onde forem, correm o risco de contradição.

A longa peregrinação partidária do grupo chegou a uma encruzilhada: para onde for, corre o risco de contradição

O grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes está de malas prontas para mais uma troca de partido, dessa vez do Pros para o PDT. As conversas estão em andamento. No entanto, a mudança agora pode representar um duro golpe no discurso que sempre ornamenta tantas idas e vindas, pelo qual essa, digamos, dinâmica partidária, está amparada na ética e na coerência política ou ideológica.

Assim, listo abaixo algumas passagens noticiadas pela imprensa que provam o que digo. Basta fazer a correlação.

1) O partido que pode abrigar os Ferreira Gomes e companhia tem votado reiteradas vezes contra o governo Dilma no Congresso, como mostra o texto do jornalista Josias de Souza para o UOL: PDT é infiel a Dilma, mas quer manter ministério – A bancada de 19 deputados do PDT votou 100% unida contra o Planalto. Imaginou-se que, por coerência, o diretório pedetista discutiria a hipótese de romper com o governo. Mas o assunto nem sequer foi incluído na pauta. O PDT não cogita desocupar o Ministério do Trabalho.

2) Cid reprova os que são da base aliada e votam contra o governo, fato registrado por veículos da imprensa nacional, como o Jornal do Brasil: “Larguem o osso, saiam do governo”, diz Cid a ‘oportunistas’ – “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, afirmou [Cid].

3) Ciro defende que parceria com Dilma é questão de lealdade, conforme matéria veiculada pelo jornal O Globo: Cid Gomes afirma que ele e irmão podem deixar o PSB – Porque se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma [nesse caso, trata-se de Eduardo Campos, falecido depois durante a campanha presidencial), primeiro ele tem que sair do governo. Sou um velho que cultiva lealdade, coerência, decência — afirmou [Ciro Gomes].

Perguntas
Ir para um partido que vota contra o governo e “não larga o osso”, agindo, de acordo com o que vai acima, como “oportunista”, é decisão de quem cultiva a “decência” na política?

Caso a mudança seja confirmada, o que fará o grupo quando tiver que escolher entre a lealdade ao partido e a lealdade ao governo?

Encruzilhada
Pois é. De tanto dar voltas de partido em partido, sempre alegando os mais belos e puros propósitos, porém, deixando um rastro de descontentes, ciristas e cidistas acabaram numa encruzilhada: restando-lhes poucas opções na prateleira partidária, fica difícil mudar novamente de sigla sem correr o risco de ver desmoralizado o próprio discurso que busca justificar sua longa peregrinação.

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Três razões para Cid e sua turma não irem para o PDT

Por Wanfil em Partidos

08 de julho de 2015

A longa estrada da peregrinação partidária de cidistas e ciristas chegou a uma encruzilhada: para onde forem, correm o risco de contradição.

A longa peregrinação partidária do grupo chegou a uma encruzilhada: para onde for, corre o risco de contradição

O grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes está de malas prontas para mais uma troca de partido, dessa vez do Pros para o PDT. As conversas estão em andamento. No entanto, a mudança agora pode representar um duro golpe no discurso que sempre ornamenta tantas idas e vindas, pelo qual essa, digamos, dinâmica partidária, está amparada na ética e na coerência política ou ideológica.

Assim, listo abaixo algumas passagens noticiadas pela imprensa que provam o que digo. Basta fazer a correlação.

1) O partido que pode abrigar os Ferreira Gomes e companhia tem votado reiteradas vezes contra o governo Dilma no Congresso, como mostra o texto do jornalista Josias de Souza para o UOL: PDT é infiel a Dilma, mas quer manter ministério – A bancada de 19 deputados do PDT votou 100% unida contra o Planalto. Imaginou-se que, por coerência, o diretório pedetista discutiria a hipótese de romper com o governo. Mas o assunto nem sequer foi incluído na pauta. O PDT não cogita desocupar o Ministério do Trabalho.

2) Cid reprova os que são da base aliada e votam contra o governo, fato registrado por veículos da imprensa nacional, como o Jornal do Brasil: “Larguem o osso, saiam do governo”, diz Cid a ‘oportunistas’ – “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, afirmou [Cid].

3) Ciro defende que parceria com Dilma é questão de lealdade, conforme matéria veiculada pelo jornal O Globo: Cid Gomes afirma que ele e irmão podem deixar o PSB – Porque se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma [nesse caso, trata-se de Eduardo Campos, falecido depois durante a campanha presidencial), primeiro ele tem que sair do governo. Sou um velho que cultiva lealdade, coerência, decência — afirmou [Ciro Gomes].

Perguntas
Ir para um partido que vota contra o governo e “não larga o osso”, agindo, de acordo com o que vai acima, como “oportunista”, é decisão de quem cultiva a “decência” na política?

Caso a mudança seja confirmada, o que fará o grupo quando tiver que escolher entre a lealdade ao partido e a lealdade ao governo?

Encruzilhada
Pois é. De tanto dar voltas de partido em partido, sempre alegando os mais belos e puros propósitos, porém, deixando um rastro de descontentes, ciristas e cidistas acabaram numa encruzilhada: restando-lhes poucas opções na prateleira partidária, fica difícil mudar novamente de sigla sem correr o risco de ver desmoralizado o próprio discurso que busca justificar sua longa peregrinação.