PCdoB Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PCdoB

Lula x Moro: onde estão os aliados do ex-presidente no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2017

Lula fala a Moro e aliados no Ceará silenciam…

O depoimento do réu Lula ao juiz Sérgio Moro dominou o noticiário e as redes sociais. Via de regra, as opiniões sobre a suposta culpa ou inocência do ex-presidente já estão formadas, independente do resultado do processo. É que para o grande público, política é mais paixão do que razão. Diferente dos profissionais da política, que costumam calcular suas posições, geralmente de olho nas próximas eleições.

Assim, é muito interessante observar as reações daqueles que foram os principais aliados locais do ex-presidente durante os seus mandatos.

Deputados do PT, por dever de ofício e senso de autopreservação, defenderam o ex-presidente na Assembleia Legislativa, antes e depois do interrogatório. Lideranças do partido também se manifestaram nesse sentido. Era de se esperar.

Curioso foi o silêncio do PDT e até do PCdoB. Seus parlamentares, lideranças, prefeitos, ex-ministros, ex-senadores (os do PMDB não contam, já que pularam fora antes com o impeachment, embora fossem muito próximos, lembram?). Ninguém publicou nada, deu entrevista ou discursou prestando solidariedade ou em desagravo ao petista, muito menos criticando Moro.

Parece que, no Ceará, esses “companheiros” (alguns ainda no PT) preferem não botar a mão no fogo por Lula. Ou então não podem, ou não devem, na medida em que estão mais integrados hoje ao projeto eleitoral de Ciro Gomes. Sem Lula no páreo, o ex-governador – que patina nas mais recentes pesquisas – poderia liderar uma frente de esquerda na corrida ao Palácio do Planalto, herdando ainda parte dos votos do petista, que atualmente lidera essas mesmas pesquisas.

Com aliados assim, quem precisa de adversários?

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Vices roubam a cena em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012

02 de julho de 2012

Diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és. O ditado popular serve para candidatos em busca de vices, mas também é válido para vices que aceitam referendar candidatos.

Para que serve um vice? Como agente administrativo, vale pouco, quase nada. É um reserva de luxo que eventualmente pode virar titular. Como peça estratégica em disputa eleitorais vale ao menos de três formas: 1) para composição de imagem da chapa; 2) como moeda de troca em alianças de ocasião; 3) como personificação de uma aliança programática.

Via de regra, o papel do vice é secundário e as alianças são feitas na base do fisiologismo, geralmente de olho no tempo de propaganda no rádio e na televisão. Ocorre que cada eleição tem suas peculiaridades e o peso do vice pode variar conforme a conjuntura.

Em Fortaleza, a grande quantidade de candidaturas aumenta a disputa e valoriza a figura o vice como peça de complemento. Não por acaso, os vices roubaram a cena nas convenções partidárias realizadas no último final de semana. Roubar no sentido de protagonizar, que fique bem claro (melhor não deixar espaço para dubiedades).

De médico, todo mundo tem um pouco

A surpresa ficou por conta do médico Antônio Mourão na chapa de Elmano de Freitas, do PT, o candidato de última hora escolhido pela prefeita Luizianne Lins. Articulista com presença em jornal e rádio, Mourão tinha sido, até o último sábado, um duro crítico da gestão que agora terá que defender. A composição indica que a candidatura oficial – que sofre com a baixa popularidade da prefeita – tentará oferecer ao eleitor o discurso da “continuidade sem continuísmo”.

Outro médico – profissão em alta no mercado político-partidário – aparecerá ao lado do candidato crônico Moroni Torgan, do Democratas: é o doutor Lineu Jucá, que também se notabilizou pelas críticas ao governo petista, especialmente na área da saúde. A escolha pode ajudar na construção de uma chapa que não se restringe a monotemática da segurança pública.

No PDT, onde o deputado estadual e… médico! Heitor Férrer é o cabeça de chapa, o empresário Alexandre Pereira, do PPS, pode não trazer votos, mas além do tempo a mais na propaganda, a parceria pode garantir maior acesso a financiadores de campanha, o que é fundamental para quem não tem a máquina pública como fator de atração.

Chapas puras

Marcos Cals, do PSDB, e Inácio Arruda, do PCdoB, isolados, optaram por soluções caseiras em chapas puras e escolheram correligionários com boa votação em Fortaleza.

Os tucanos deram vez ao deputado estadual Fernando Hugo, parlamentar popular e verborrágico, médico também, um dos maiores críticos da gestão o governo petista em Fortaleza. Soma para construir uma imagem mais enérgica para a candidatura e a consolida como polo de oposição. O risco é ter um vice mais lembrado do que o próprio candidato.

Já os comunistas apresentaram o deputado federal Chico Lopes, que apesar das boas votações pouco acrescenta à imagem de Inácio: os dois tem perfis parecidos, com histórico recente de parcerias com o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins. Surge como plano B do campo governista.

Padrinhos e afilhados

Por último, para fazer companhia ao desconhecido (do eleitorado) deputado estadual Roberto Cláudio, o PSB indicou o desconhecido (do eleitorado) empresário Gaudêncio Lucena, do PMDB, mais conhecido por ser sócio do senador Eunício Oliveira. É uma candidatura cuja potencialidade advém exclusivamente de seus padrinhos: Cid com a máquina estadual e Eunício com a máquina peemedebista (tempo e recursos).

É isso. Até aqui, curiosamente, os vices tem dado o tom das campanhas. São apostas, mas apenas o vencedor será lembrado como gênio da estratégia política.

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Uma conversa sobre eleições 2012 em Fortaleza, com Lídia Cavalcante

Por Wanfil em Entrevista

18 de Abril de 2012

Leio no blog da jornalista Kézya Diniz que alguns partidos em Fortaleza começam a se movimentar de olho no processo eleitoral deste ano. Propagandas de televisão, reuniões, ensaios e entrevistas. Sem contar o clima de racha entre as siglas que atualmente comandam a capital cearense, PT e PSB. Com o avançar do calendário, as eleições 2012 entram no noticiário paulatinamente.

Ainda é cedo para definir favoritos. O importante agora é tentar enxergar tendências e a movimentação em torno da expectativa de poder gerada por um processo eleitoral em que o chefe do executivo não poderá concorrer à reeleição. Para isso, conversei com a cientista política Lídia Cavalcante Freitas, que atua como consultora de marketing político e de comunicação. Pensei muito antes de convidar alguém para falar sobre esse assunto. Evitei os medalhões acadêmicos de sempre, cujas ideias já são pra lá de conhecidas, e procurei alguém que reúna conhecimento teórico com prática, juventude com experiência. Daí nasceu a conversa com a Lídia Cavalcante, a quem agradeço a gentileza. Segue o bate-papo.

Wanfil –  Quais forças políticas polarizam, com real expectativa de poder, a disputa eleitoral em Fortaleza neste ano?

Lídia Cavalcante – Em um cenário de sucessão, onde a prefeita não pode mais se candidatar, emergem várias forças, inicialmente dentro do próprio partido que está no governo e que apresenta seus nomes. No campo das oposições, o PDT tem o deputado estadual Heitor Férrer como pré-candidato; no PSDB, a expectativa gira em torno do nome do ex-deputado estadual Marcos Cals; há a expectativa em torno do DEM, com o já conhecido candidato Moroni Torgan; e o PSOL, que deverá apresentar Renato Roseno, que conseguiu excelente votação para deputado federal em 2010. O PMDB ainda mantém diálogo interno para definir se apresentará candidato ou se irá compor a aliança com o PT.

Pode haver ainda uma divisão da base da prefeita Luizianne Lins e o surgimento de duas novas candidaturas, com Roberto Cláudio pelo PSB (embora existam outros nomes à disposição) e Inácio Arruda pelo PC do B. O cenário do momento, entre os partidos, basicamente é esse.

Wanfil – PT e PSB compuseram uma aliança bem sucedida no Ceará nos últimos 8 anos, mas que agora mostra desgaste. Além disso, nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins, podem concorrer à reeleição. Como isso afeta essa parceria?

LD – A parceria entre o governador e a prefeita refere-se à manutenção do poder de seus grupos no Ceará e em Fortaleza. No entanto, são projetos distintos. O processo de sucessão é encarado por ambos como mais um degrau estratégico para casa um, pois a escolha do sucessor reflete a influência de ambos dentro de seus partidos, não necessariamente às diretrizes partidárias. Como presidentes de seus partidos, conseguiram manter até o momento a aliança eleitoral, mas esta se apresenta corroída pelos questionamentos internos de ambos os partidos.

Não há, hoje, dentro do PSB e do PT, uma convicção de que a aliança deva ser mantida a todo custo, nem de que ela seja vital para cada um dos partidos, e é crescente o desejo no PSB de desvincular sua imagem à gestão de Luizianne. As rachaduras na parceria ganham mais extensão na impossibilidade de reeleição de ambos, o que traz a oportunidade para novos nomes assumirem as posições principais de gestores municipais e estaduais, respectivamente. Para os partidos da base aliada, inclusive para parte do PT, a sustentação da aliança gira em torno da apresentação de uma nova ideia de gestão, diferente da desenvolvida por Luizianne nos últimos 8 anos. Leia mais

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Uma conversa sobre eleições 2012 em Fortaleza, com Lídia Cavalcante

Por Wanfil em Entrevista

18 de Abril de 2012

Leio no blog da jornalista Kézya Diniz que alguns partidos em Fortaleza começam a se movimentar de olho no processo eleitoral deste ano. Propagandas de televisão, reuniões, ensaios e entrevistas. Sem contar o clima de racha entre as siglas que atualmente comandam a capital cearense, PT e PSB. Com o avançar do calendário, as eleições 2012 entram no noticiário paulatinamente.

Ainda é cedo para definir favoritos. O importante agora é tentar enxergar tendências e a movimentação em torno da expectativa de poder gerada por um processo eleitoral em que o chefe do executivo não poderá concorrer à reeleição. Para isso, conversei com a cientista política Lídia Cavalcante Freitas, que atua como consultora de marketing político e de comunicação. Pensei muito antes de convidar alguém para falar sobre esse assunto. Evitei os medalhões acadêmicos de sempre, cujas ideias já são pra lá de conhecidas, e procurei alguém que reúna conhecimento teórico com prática, juventude com experiência. Daí nasceu a conversa com a Lídia Cavalcante, a quem agradeço a gentileza. Segue o bate-papo.

Wanfil –  Quais forças políticas polarizam, com real expectativa de poder, a disputa eleitoral em Fortaleza neste ano?

Lídia Cavalcante – Em um cenário de sucessão, onde a prefeita não pode mais se candidatar, emergem várias forças, inicialmente dentro do próprio partido que está no governo e que apresenta seus nomes. No campo das oposições, o PDT tem o deputado estadual Heitor Férrer como pré-candidato; no PSDB, a expectativa gira em torno do nome do ex-deputado estadual Marcos Cals; há a expectativa em torno do DEM, com o já conhecido candidato Moroni Torgan; e o PSOL, que deverá apresentar Renato Roseno, que conseguiu excelente votação para deputado federal em 2010. O PMDB ainda mantém diálogo interno para definir se apresentará candidato ou se irá compor a aliança com o PT.

Pode haver ainda uma divisão da base da prefeita Luizianne Lins e o surgimento de duas novas candidaturas, com Roberto Cláudio pelo PSB (embora existam outros nomes à disposição) e Inácio Arruda pelo PC do B. O cenário do momento, entre os partidos, basicamente é esse.

Wanfil – PT e PSB compuseram uma aliança bem sucedida no Ceará nos últimos 8 anos, mas que agora mostra desgaste. Além disso, nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins, podem concorrer à reeleição. Como isso afeta essa parceria?

LD – A parceria entre o governador e a prefeita refere-se à manutenção do poder de seus grupos no Ceará e em Fortaleza. No entanto, são projetos distintos. O processo de sucessão é encarado por ambos como mais um degrau estratégico para casa um, pois a escolha do sucessor reflete a influência de ambos dentro de seus partidos, não necessariamente às diretrizes partidárias. Como presidentes de seus partidos, conseguiram manter até o momento a aliança eleitoral, mas esta se apresenta corroída pelos questionamentos internos de ambos os partidos.

Não há, hoje, dentro do PSB e do PT, uma convicção de que a aliança deva ser mantida a todo custo, nem de que ela seja vital para cada um dos partidos, e é crescente o desejo no PSB de desvincular sua imagem à gestão de Luizianne. As rachaduras na parceria ganham mais extensão na impossibilidade de reeleição de ambos, o que traz a oportunidade para novos nomes assumirem as posições principais de gestores municipais e estaduais, respectivamente. Para os partidos da base aliada, inclusive para parte do PT, a sustentação da aliança gira em torno da apresentação de uma nova ideia de gestão, diferente da desenvolvida por Luizianne nos últimos 8 anos. (mais…)