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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

patinetes

Viva o luxo, morra o bucho! Hilux e patinetes: muito custo, pouco resultado

Por Wanfil em Segurança

01 de novembro de 2013

Sempre que a política de segurança pública no Ceará é questionada, governistas e governantes alegam que nunca tantos recursos foram investidos na área como na atual gestão de Cid Gomes. Disso ninguém discorda, a questão sempre foi outra: a qualidade desses gastos.

Dois casos recentes ilustram bem isso: a compra de mais 400 camionetes Toyota Hilux de luxo para a Secretaria de Segurança e o destino dos patinetes Segway adquiridos em 2008 para o patrulhamento da Avenida Beira Mar, em Fortaleza, notícia da Tribuna do Ceará que ganhou o Brasil nas páginas do Portal UOL.

Patinetes: simplesmente um desperdício

Patinetes Segway no Ceará. desperdício e ostentação.

Patinetes Segway no Ceará: desperdício e ostentação. (FOTO: PMCE/ Divulgação)

O governo do Ceará comprou dez patinetes em 2008, a um custo total de 285 mil reais. Como a insegurança foi o mote da campanha eleitoral na primeira vitória de Cid para o governo, parecia a efetivação de uma nova política para o setor. Passados cinco anos, o equipamento não vingou e nem mesmo é visto por quem frequenta a Beira Mar. E o crime, como todos sabem e sentem na pele, aumentou vertiginosamente.

Oficialmente, todas as unidades estão há dois meses em manutenção, esperando por novas baterias. Processo licitatório complicado? Não. Por ser uma compra de menor porte, não haverá licitação, explica a assessoria da Secretaria de Segurança, sem, no entanto, revelar qual será o custo da compra.

A reportagem da Tribuna do Ceará informa, a título de comparação, que o valor de uma Segway que não serve de NADA equivale a dez meses de salário de um policial em começo de carreira. Pois é: nunca se investiu tanto em segurança pública.

Hilux pra quê?

O deputado Heitor Férrer, no começo da semana, pediu ao Tribunal de Contas do Ceará, uma investigação sobre a licitação para a compra de 400 Hilux. É que o vencedor original da licitação foi a General Motors, que foi desclassificada em seguida, o que garantiu o contrato para a empresa Newland, revendedora local da Toyota e habitual fornecedora da frota de carros luxuosos para o Estado. De acordo com o parlamentar, há indícios de favorecimento nesse processo, o que é negado pelo governo.

Que o caso seja devidamente apurado. Independente disso, há a questão do resultado. O novo secretário de Segurança, Servilho de Paiva, segundo me dizem, é obcecado por métrica e trabalha desesperadamente para obter números confiáveis para poder traçar estratégias de ação. Está certíssimo! Mas como podemos ver, é obrigado a arcar com, digamos assim, demandas (ia dizer acordos) anteriores.

A lógica é a seguinte: afinal, de quê serviu ter esses veículos? Qual o balanço? Fala-se genericamente em economia de manutenção. O fato é que o crime não reduziu, pelo contrário. O problema não estava, portanto, na qualidade das viaturas. É, portanto, no mínimo estranho querer agora, no penúltimo ano de gestão, querer comprar mais quatro centenas de Hilux por R$ 73 milhões, quando o correto seria esperar que o novo comando da pasta definisse quais deveriam ser as prioridades nesse grave momento que a segurança pública atravessa no Ceará. De quebra, é o tipo de postura que reforça justamente suspeitas sobre a conduta das autoridades e sua relação com fornecedores.

E agora?

Nunca se gastou tanto com segurança. Nunca se apostou tanto em ações midiáticas para a segurança. Nunca se venderam tantos produtos exclusivos para a segurança. Nunca se investiu tanto em aparência (como diz o ditado, “viva o luxo, morra o bucho”). E nunca a segurança foi tão ruim. Insistir nessa fórmula que não deu certo é torrar mais dinheiro público com o que não trará, comprovadamente, eficiência e resultados. É um escárnio.

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Viva o luxo, morra o bucho! Hilux e patinetes: muito custo, pouco resultado

Por Wanfil em Segurança

01 de novembro de 2013

Sempre que a política de segurança pública no Ceará é questionada, governistas e governantes alegam que nunca tantos recursos foram investidos na área como na atual gestão de Cid Gomes. Disso ninguém discorda, a questão sempre foi outra: a qualidade desses gastos.

Dois casos recentes ilustram bem isso: a compra de mais 400 camionetes Toyota Hilux de luxo para a Secretaria de Segurança e o destino dos patinetes Segway adquiridos em 2008 para o patrulhamento da Avenida Beira Mar, em Fortaleza, notícia da Tribuna do Ceará que ganhou o Brasil nas páginas do Portal UOL.

Patinetes: simplesmente um desperdício

Patinetes Segway no Ceará. desperdício e ostentação.

Patinetes Segway no Ceará: desperdício e ostentação. (FOTO: PMCE/ Divulgação)

O governo do Ceará comprou dez patinetes em 2008, a um custo total de 285 mil reais. Como a insegurança foi o mote da campanha eleitoral na primeira vitória de Cid para o governo, parecia a efetivação de uma nova política para o setor. Passados cinco anos, o equipamento não vingou e nem mesmo é visto por quem frequenta a Beira Mar. E o crime, como todos sabem e sentem na pele, aumentou vertiginosamente.

Oficialmente, todas as unidades estão há dois meses em manutenção, esperando por novas baterias. Processo licitatório complicado? Não. Por ser uma compra de menor porte, não haverá licitação, explica a assessoria da Secretaria de Segurança, sem, no entanto, revelar qual será o custo da compra.

A reportagem da Tribuna do Ceará informa, a título de comparação, que o valor de uma Segway que não serve de NADA equivale a dez meses de salário de um policial em começo de carreira. Pois é: nunca se investiu tanto em segurança pública.

Hilux pra quê?

O deputado Heitor Férrer, no começo da semana, pediu ao Tribunal de Contas do Ceará, uma investigação sobre a licitação para a compra de 400 Hilux. É que o vencedor original da licitação foi a General Motors, que foi desclassificada em seguida, o que garantiu o contrato para a empresa Newland, revendedora local da Toyota e habitual fornecedora da frota de carros luxuosos para o Estado. De acordo com o parlamentar, há indícios de favorecimento nesse processo, o que é negado pelo governo.

Que o caso seja devidamente apurado. Independente disso, há a questão do resultado. O novo secretário de Segurança, Servilho de Paiva, segundo me dizem, é obcecado por métrica e trabalha desesperadamente para obter números confiáveis para poder traçar estratégias de ação. Está certíssimo! Mas como podemos ver, é obrigado a arcar com, digamos assim, demandas (ia dizer acordos) anteriores.

A lógica é a seguinte: afinal, de quê serviu ter esses veículos? Qual o balanço? Fala-se genericamente em economia de manutenção. O fato é que o crime não reduziu, pelo contrário. O problema não estava, portanto, na qualidade das viaturas. É, portanto, no mínimo estranho querer agora, no penúltimo ano de gestão, querer comprar mais quatro centenas de Hilux por R$ 73 milhões, quando o correto seria esperar que o novo comando da pasta definisse quais deveriam ser as prioridades nesse grave momento que a segurança pública atravessa no Ceará. De quebra, é o tipo de postura que reforça justamente suspeitas sobre a conduta das autoridades e sua relação com fornecedores.

E agora?

Nunca se gastou tanto com segurança. Nunca se apostou tanto em ações midiáticas para a segurança. Nunca se venderam tantos produtos exclusivos para a segurança. Nunca se investiu tanto em aparência (como diz o ditado, “viva o luxo, morra o bucho”). E nunca a segurança foi tão ruim. Insistir nessa fórmula que não deu certo é torrar mais dinheiro público com o que não trará, comprovadamente, eficiência e resultados. É um escárnio.