paternalismo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

paternalismo

A eterna dependência dos ‘viciados’ no Bolsa Família

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2013

"Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão". Luís Gonzaga - Vozes da Seca

“Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Luíz Gonzaga – Vozes da Seca

Assim como viciados que temem perder os psicotrópicos dos quais dependem entram em estado de pânico, miseráveis cadastrados no programa Bolsa Família se desesperaram com os boatos de que os repasses desses recursos seriam suspensos. A analogia com as drogas não é literal e possui limites: não se trata da dependência química que escraviza o corpo, mas da sujeição psicológica que limita a autonomia dos indivíduos.

A reação dos beneficiários do programa (foram registrados tumultos em 34 agências somente no Ceará) revela o nível de subordinação desses grupos em relação ao Estado brasileiro. Sem a benesse, o desespero vigora, não sem razão, especialmente no Nordeste, onde a pobreza é maior e a seca castiga a região.

Se a pobreza diminui, por que o Bolsa Família cresce tanto?

Mas por que tanto receio, se uma sucessão de governos, desde Fernando Henrique, passando por Lula e chegando à Dilma, não cansa de comemorar recordes na geração de empregos e na redução da pobreza? Se tudo melhorou, como explicar que o número de pessoas assistidas pelo Bolsa Família não para de crescer? Em 2013, serão 50 milhões de pessoas. Vamos às respostas.

Em primeiro lugar, se por um lado o Bolsa Família é indiscutivelmente importante para mitigar o estado de pobreza de milhões de famílias, por outro é um poderoso instrumento eleitoreiro. Voltando à analogia com as drogas, assim como um traficante oferece seu produto gratuitamente no início para viciar seu cliente e só então lhe impor preços cada vez maiores, os governantes oferecem dinheiro de graça para as pessoas para depois cobrar-lhes a ‘caridade’ com pedidos de votos, sob a insinuação de que sem isso a ajuda acaba. Para completar, como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem distribui dinheiro será sempre popular. Nessa equação, o medo e a gratidão se convertem em votos.

Deriva disso, em segundo lugar, que se essa relação de dependência é benéfica aos governos, interessa pois mantê-la pelo maior tempo possível. É melhor um eleitor grato e temeroso de perder a ajuda oficial do que um que consiga viver do próprio trabalho. Em resumo, o que vendem como solução para a pobreza não passa de um paliativo que ameniza os seus efeitos mais imediatos, sem atingir-lhe as causas principais.

Cultura paternalista

Teoricamente, o Bolsa Família e outros programas de mesma inspiração deveriam servir como compensação para as vítimas de uma exclusão social histórica, enquanto as gerações seguintes são preparadas para ter, finalmente, a sonhada autonomia financeira. Mas no Brasil essa lógica foi invertida e criamos uma legião de dependentes da ajuda do papai-estado que já acredita serem credora de um direito natural e não beneficiária de uma ajuda temporária. E uma vez eliminada a gratidão das primeiras gerações, seus descendentes, estagnados na condição de pedintes reféns dos governos, cultivarão ressentimentos profundos que podem muito bem ser canalizados em espasmos de violência gratuita. Aliás, já estamos observando esse fenômeno, basta ver o crescimento da criminalidade juvenil.

Essa condição avilta o espírito porque, como eu disse, escraviza a vontade. O governo rapidamente veio a público garantir que os benefícios estão mantidos, com aquele tom de benfeitor infalível típico de uma cultura política paternalista como a brasileira.

O Bolsa Família não vai acabar porque é instrumento útil nas eleições. Porque é solução simples e barata. Porque vicia o cidadão e os governantes. Os efeitos dessa adulteração podem ser camuflados por um tempo, mas não para sempre.

PS. O governo afirmar que investigará de onde partiram os boatos. Muitas são as possibilidades. Nesses casos, sempre me pergunto: quem se beneficia com o medo que se espalhou? E depois completo: Quem aparece como fiador da estabilidade?

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Governo que tudo dá não perdoa contribuinte nem durante a Páscoa

Por Wanfil em Economia

04 de Abril de 2012

Quando o assunto é imposto, o Leão não perdoa o coelhinho nem na Páscoa. Imagem: internet.

Um dos vícios mais arraigados da cultura política brasileira é o paternalismo, que é a ideia de que cabe ao Estado prover as necessidades dos indivíduos. Por isso, há lei e imposto para tudo. Recentemente a Assembleia Legislativa da Bahia aprovou um projeto de chamado de “Lei Antibaixaria”, que proíbe a contratação para eventos públicos de artistas que “desvalorizem, incentivem a violência ou exponham as mulheres ou homossexuais à situação de constrangimento”.

Entenderam? Sendo o distinto público incapaz de discernir entre o ruim e o bom, o papai Estado dirá o que ele pode ou não ouvir. Sem contar que o conceito do que venha a ser baixaria mudar a depender de quem ouve cada artista. Para alguns grupos, a exaltação à promiscuidade, por exemplo, é que constrange.

Mas voltando ao que interessa, o paternalismo serve de combustível a outro vício, que é o personalismo. A figura do governante que cuida e protege, que dá o que falta, o guia, o príncipe, o pai dos pobres ou a mãe do PAC.

Nessa toada, é comum que a população acredite ser devedora dos favores oficiais. Uma estrada? Quem fez foi o governador. Um hospital? Quem deu foi o prefeito. Dinheiro vivo na mão? O presidente garante. E o fato de que nada é dado, pois o contribuinte é quem garante os recursos para as ações governamentais. Por isso há imposto para tudo.

Os políticos, assim como síndicos e gerentes, têm é que ser cobrados. Se fazem o que é certo, parabéns. Obrigação. Se não roubam, não é virtude. É o mínimo. Pagamos por isso. E pagamos muito caro.

Estamos no período da Páscoa. Veja o quanto pagamos de impostos em algumas compras simples que fazemos nessa época, com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT.

Almoço em restaurante: 32,31%

Bacalhau importado: 43,78%

Bombons: 37,61%

Brinquedos: 39,70%

Buquê de flores: 17,71%

Cartão de páscoa: 37,48%

Chocolate: 38,60%

Coelho de Pelúcia: 29,92%

Colomba pascoal chocolate: 38,68%

Ovo de páscoa: 38,53%

Peixes: 34,48%

Vinho: 54,73%.

E os serviços, ó!

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Governo que tudo dá não perdoa contribuinte nem durante a Páscoa

Por Wanfil em Economia

04 de Abril de 2012

Quando o assunto é imposto, o Leão não perdoa o coelhinho nem na Páscoa. Imagem: internet.

Um dos vícios mais arraigados da cultura política brasileira é o paternalismo, que é a ideia de que cabe ao Estado prover as necessidades dos indivíduos. Por isso, há lei e imposto para tudo. Recentemente a Assembleia Legislativa da Bahia aprovou um projeto de chamado de “Lei Antibaixaria”, que proíbe a contratação para eventos públicos de artistas que “desvalorizem, incentivem a violência ou exponham as mulheres ou homossexuais à situação de constrangimento”.

Entenderam? Sendo o distinto público incapaz de discernir entre o ruim e o bom, o papai Estado dirá o que ele pode ou não ouvir. Sem contar que o conceito do que venha a ser baixaria mudar a depender de quem ouve cada artista. Para alguns grupos, a exaltação à promiscuidade, por exemplo, é que constrange.

Mas voltando ao que interessa, o paternalismo serve de combustível a outro vício, que é o personalismo. A figura do governante que cuida e protege, que dá o que falta, o guia, o príncipe, o pai dos pobres ou a mãe do PAC.

Nessa toada, é comum que a população acredite ser devedora dos favores oficiais. Uma estrada? Quem fez foi o governador. Um hospital? Quem deu foi o prefeito. Dinheiro vivo na mão? O presidente garante. E o fato de que nada é dado, pois o contribuinte é quem garante os recursos para as ações governamentais. Por isso há imposto para tudo.

Os políticos, assim como síndicos e gerentes, têm é que ser cobrados. Se fazem o que é certo, parabéns. Obrigação. Se não roubam, não é virtude. É o mínimo. Pagamos por isso. E pagamos muito caro.

Estamos no período da Páscoa. Veja o quanto pagamos de impostos em algumas compras simples que fazemos nessa época, com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT.

Almoço em restaurante: 32,31%

Bacalhau importado: 43,78%

Bombons: 37,61%

Brinquedos: 39,70%

Buquê de flores: 17,71%

Cartão de páscoa: 37,48%

Chocolate: 38,60%

Coelho de Pelúcia: 29,92%

Colomba pascoal chocolate: 38,68%

Ovo de páscoa: 38,53%

Peixes: 34,48%

Vinho: 54,73%.

E os serviços, ó!