partidos Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

partidos

Esquerda e direita nas eleições do Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de setembro de 2018

Nestas eleições o Brasil se divide em dois grandes grupos que ainda podem ser mais ou menos identificados a partir dos conceitos clássicos de esquerda e direita. O fenômeno parece um tanto mais restrito aos centros urbanos, mas seu impacto é inegável.

É verdade que as coisas são um pouco mais complexas, afinal, existem nestes trópicos conservadores liberais e progressistas (liberais nos costumes) que são estatistas na economia. É que por aqui a dualidade antagônica que distingue direita e esquerda guarda importantes diferenças (e distorções) com outros países, sobretudo com os EUA e nações europeias. De todo modo, mesmo simplificadas, essas noções servem para qualificar (ou desqualificar) alguns grupos políticos, além de servir de bússola (com ou sem Norte) para parte do eleitorado.

Entre os candidatos que se destacam nas pesquisas, representam o eleitorado de direita e de centro-direita, os candidatos Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Henrique Meireles; e mais à esquerda, do extremo ao centro, estariam Ciro Gomes, Fernando Haddad e Marina Silva. Sempre há quem conteste essas, digamos assim, rotulações, até mesmo os candidatos, porém, grosso modo, certo ou errado, é assim que são vistos.

No Ceará essas clivagens são diferentes. Os grupos se dividem entre apoiadores ou opositores do governo. E só. A perspectiva de orientação ideológica praticamente desapareceu. É que a liderança apartidária e ideologicamente flutuante dos Ferreira Gomes ao longo dos anos, a omissão dos partidos na construção de identidades e o recente acordão fisiologista que reúne na coligação governistas partidos como o DEM, PT, PR e PCdoB, tornaram essas marcações mais fluidas e imprecisas.

E aí temos candidatos a deputado estadual que estava na oposição mas que agora é da base levantando a bandeira do conservadorismo, afirmando que é contra o aborto, mas apoiando candidato ao governo de partido que não é contra o aborto. Temos entidades empresariais que anunciam apoio a partidos que pregam aumento de impostos. Tem eleitor que vota no Cid, mas não vota no Eunício, porque não aceita a parceria entre PDT e MDB, mas escolhe candidato da oposição ao Camilo, que é alinhado com Cid. Já conversei com eleitor anti-Lula e anti-PT que vota em Camilo, alegando que o governador não é petista de coração.

A confusão é grande, porém, não é acidental. Esquerda e direita ainda existem no Ceará, é claro, mas estas estão ocupadas nas trincheiras das eleições presidenciais. Nas estaduais, quase não aparecem. A lógica do poder pelo poder, o excesso de pragmatismo eleitoreiro, o oportunismo descarado, tudo isso vai apagando as mais básicas linhas divisórias do pensamento político, que poderiam ajudar o eleitor a situar suas escolhas em parâmetros conhecidos. Sem debate de ideias, não há política.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Todos os partidos, preferências à parte

Por Wanfil em Política

14 de Fevereiro de 2017

O ex-reitor da Universidade Federal do Ceará, Jesualdo Farias, assumiu nesta semana a Secretaria das Cidades do Ceará. No discurso de posse, disse o seguinte:

“Eu sei que as secretarias são, na maioria das vezes, ocupadas por partidos políticos, e eu não tenho nenhum partido. Tenho as minhas simpatias, minhas aproximações, mas acho que na condição de secretário quero assumir o compromisso de trabalhar para todos os partidos, todos os prefeitos e todas as pessoas que desejam do Governo do Estado do Ceará alguma solução para melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades.”

Palavras irretocáveis. De fato, Jesualdo tem suas preferências políticas, como qualquer outra pessoa. Por isso, em 2015, deixou a UFC para assumir a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, na gestão do petista sem partido Renato Janine Ribeiro. Por isso, em artigo para o jornal O Povo publicado em setembro de 2016, chamou o impeachment de “hipocrisia”, lamentando ainda a chegada ao poder, “sem nenhum voto popular, a Agremiação do Cunha”.

Bom saber que, preferências à parte, existe a disposição para trabalhar com todos os partidos, até mesmo com a “agremiação do Cunha” e também, não custa lembrar, sócios antigos e atuais dela, além de partidos outros cujos tesoureiros estão presos.

Publicidade

Confira os deputados cearenses que pediram urgência (e quem se omitiu) para o projeto que impede o TSE de punir partidos

Por Wanfil em Política

09 de Fevereiro de 2017

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira passada, por 314 votos a favor e 17 contra, o pedido de urgência para o Projeto de Lei que proíbe o Tribunal Superior Eleitoral de punir partidos políticos que não apresentem prestação de contas ou que tenham as contas desaprovadas. Contas abastecidas também com dinheiro público, via fundo partidário, nunca é demais lembrar.

Diante da repercussão negativa, a votação do projeto foi adiada e, de um dia para o outro, o que era urgente agora está indefinido. Da bancada federal cearense, composta de 22 deputados, NENHUM votou contra o pedido. Desse total, 12 votaram pela urgência pela urgência na apreciação da matéria:

André Figueiredo – PDT
Aníbal Gomes – PMDB
Ariosto Holanda – PDT
Chico Lopes – PCdoB
Danilo Forte – PSB
José Guimarães – PT
Leônidas Cristino – PDT
Macedo – PP
Odorico Monteiro – PROS
Raimundo Gomes de Matos – PSDB
Ronaldo Martins – PRB
Vaidon Oliveira – DEM
Vitor Valim – PMDB

O restante da bancada não votou, o que, eventualmente, pode ser conveniente por evitar desgastes. Porém, como quem cala consente, não podem ser eximidos de responsabilidade. A omissão, seja pelo motivo que for, exerce efeito no resultado. São eles:

Adail Carneiro – PP
Cabo Sabino – PR
Domingos Neto – PSD
Genecias Noronha – SD
Gorete Pereira – PR
José Airton Cirilo – PT
Luizianne Lins – PT
Moses Rodrigues – PMDB
Vicente – Arruda – PDT
Vitor Valim – PMDB

Muitos já dizem agora que o mérito da proposta não foi apreciado, somente a urgência. Ora, todos sabem que a pressa revela a importância que a matéria tem para os deputados. Além do mais, se dela discordassem, não haveria razão de apressar o seu trâmite.

Repetindo: NINGUÉM da bancada federal do Ceará, seja de situação ou de oposição, de esquerda ou de direita, votou contra o pedido de urgência do projeto de lei que impede o TSE de punir partidos políticos em caso de irregularidade na prestação de contas.

Publicidade

Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

leia tudo sobre

Publicidade

CNT/MDA: brasileiros rejeitam Dilma, o governo, o Congresso e os partidos. E agora?

Por Wanfil em Partidos

28 de outubro de 2015

Pesquisa de opinião do instituto MDA divulgada nesta semana pela Confederação Nacional dos Transportes mostra que 70% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão de Dilma Rouseff e que 80% desaprovam o desempenho pessoal da presidente.

Também foi avaliada a confiança da população nas instituições. Destaco, em negrito, as três últimas, para depois comentar:

Igreja: 50,8% confiam sempre e 14,6% não confiam nunca
Forças Armadas: 26,1% confiam sempre e 20,3% não confiam nunca
Imprensa: 16,1% confiam sempre e 26,1% não confiam nunca
Justiça: 14,2% confiam sempre e 27,5% não confiam nunca
Polícia: 10,7% confiam sempre e 28,6% não confiam nunca
Governo: 4,1% confiam sempre e 61,1% não confiam nunca
Congresso nacional: 3,2% confiam sempre e 55,0% não confiam nunca
Partidos políticos: 1,5% confia sempre e 76,2% não confiam nunca

(Veja aqui a pesquisa completa).

Governo, Congresso e partidos são as três instituições avaliadas que conseguem ter a desconfiança da maioria. É o cenário perfeito para o surgimento de uma surpresa nas próximas eleições, tal como aconteceu nas eleições de Collor, que sucedeu Sarney (desgastado com o fracasso do Plano Cruzado), e também na primeira vitória de FHC, eleito depois do curto mandato de Itamar Franco, que assumira após o impeachment de Collor. Evidentemente, não se compara aqui o desempenho dos dois no cargo, mas as semelhanças no ambiente político em que apareceram.

Na história recente do país o que temos visto é que em eleições disputadas em períodos de crise econômica e instabilidade política, como o que vivemos agora, os eleitores evitam os medalhões e procuram nomes diferentes. Além disso, a fragilidade histórica do sistema partidário brasileiro reforça o personalismo.

É impossível que, nessas circunstâncias, um bom nome seja escolhido para reorganizar o país? Não. Às vezes dá certo. Mas o risco embutido nesse ambiente de desconfiança e decepção – responsabilidade dos próprios partidos – é o surgimento de um candidato ou candidata voluntarista e inconsequente, desses que dizem estar acima dos partidos e da própria política, autoproclamados independentes, acusando todos de serem igualmente ruins, excetuando-se, claro, eles mesmos. E o pior: com soluções mágicas que adiante, invariavelmente, cedo ou tarde se mostram ineficazes.

Publicidade

Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.

Publicidade

Três razões para Cid e sua turma não irem para o PDT

Por Wanfil em Partidos

08 de julho de 2015

A longa estrada da peregrinação partidária de cidistas e ciristas chegou a uma encruzilhada: para onde forem, correm o risco de contradição.

A longa peregrinação partidária do grupo chegou a uma encruzilhada: para onde for, corre o risco de contradição

O grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes está de malas prontas para mais uma troca de partido, dessa vez do Pros para o PDT. As conversas estão em andamento. No entanto, a mudança agora pode representar um duro golpe no discurso que sempre ornamenta tantas idas e vindas, pelo qual essa, digamos, dinâmica partidária, está amparada na ética e na coerência política ou ideológica.

Assim, listo abaixo algumas passagens noticiadas pela imprensa que provam o que digo. Basta fazer a correlação.

1) O partido que pode abrigar os Ferreira Gomes e companhia tem votado reiteradas vezes contra o governo Dilma no Congresso, como mostra o texto do jornalista Josias de Souza para o UOL: PDT é infiel a Dilma, mas quer manter ministério – A bancada de 19 deputados do PDT votou 100% unida contra o Planalto. Imaginou-se que, por coerência, o diretório pedetista discutiria a hipótese de romper com o governo. Mas o assunto nem sequer foi incluído na pauta. O PDT não cogita desocupar o Ministério do Trabalho.

2) Cid reprova os que são da base aliada e votam contra o governo, fato registrado por veículos da imprensa nacional, como o Jornal do Brasil: “Larguem o osso, saiam do governo”, diz Cid a ‘oportunistas’ – “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, afirmou [Cid].

3) Ciro defende que parceria com Dilma é questão de lealdade, conforme matéria veiculada pelo jornal O Globo: Cid Gomes afirma que ele e irmão podem deixar o PSB – Porque se o cara é candidato contra a reeleição da Dilma [nesse caso, trata-se de Eduardo Campos, falecido depois durante a campanha presidencial), primeiro ele tem que sair do governo. Sou um velho que cultiva lealdade, coerência, decência — afirmou [Ciro Gomes].

Perguntas
Ir para um partido que vota contra o governo e “não larga o osso”, agindo, de acordo com o que vai acima, como “oportunista”, é decisão de quem cultiva a “decência” na política?

Caso a mudança seja confirmada, o que fará o grupo quando tiver que escolher entre a lealdade ao partido e a lealdade ao governo?

Encruzilhada
Pois é. De tanto dar voltas de partido em partido, sempre alegando os mais belos e puros propósitos, porém, deixando um rastro de descontentes, ciristas e cidistas acabaram numa encruzilhada: restando-lhes poucas opções na prateleira partidária, fica difícil mudar novamente de sigla sem correr o risco de ver desmoralizado o próprio discurso que busca justificar sua longa peregrinação.

Publicidade

Eleições no Ceará: o que reúne 22 partidos numa aliança?

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de Maio de 2014

No Ceará, base governista tem 22 partidos aliados, unidos por um vício antigo em dose recorde.

Base aliada com 22 partidos unidos por vícios antigos, em doses recordes.

Numa demonstração de “força persuasiva”, o Pros do Ceará, sigla de aluguel que atualmente abriga Cid Gomes & Cia., reuniu outros 21 partidos na última sexta-feira (23) para falar de eleições. Marcaram presença PEN, PHS, PMN, PP, PPL, PPS, PRP, PRTB, PSC, PSD, PSDC, PSL, PT, PTdoB, DEM, PCdoB, PDT, PTB, PTC, PTN e SDD. É a sopa de letrinhas que abre o apetite de qualquer candidato majoritário disposto a bancar o prato.

O objetivo declarado do encontro foi a necessidade de uma discussão para trabalhar as diretrizes de um programa de governo para o candidato que representará a coalizão situacionista. Na verdade o evento serviu para que os aliados cobrassem do governador a definição de quem será o nome do candidato oficial, e também para mostrar ao PMDB de Eunício Oliveira que a base continua orbitando no centro de gravidade governista.

Por outro lado, o PMDB tem experiência nessas negociações. Sabe que nessas gigantescas alianças partidárias não é bem a fidelidade a princípios programáticos o que conta, mas a expectativa de poder. Assim, fazer reuniões com os partidos da base não significa obrigatoriamente que haja unidade nessa relação. Um exemplo é o próprio PT, que está dividido. Caso confirme apoio ao candidato de Cid, o diretório de Fortaleza já sinalizou que não pede votos para o Pros.

E o resto é o resto. Partidos inexpressivos do ponto de vista ideológico, mas que possuem, cada qual, seu pequeno quinhão de tempo de propaganda para traficar em busca de cargos nos acordos eleitorais.

Por isso, os aliados do governo continuam casados com o governo, mas acenam com piscadelas com outras forças, especialmente o PMDB. Nunca se sabe, né? Vai que o escolhido de Cid não decola…

Aparências
Enquanto isso, o Pros faz o velho jogo de cena que procura dar ares de profundidade conceitual ao acordo entre esses partidos. Na reunião ficou acertado que serão realizados mais três encontros para discutir temas como educação, saúde, segurança pública, etc, etc, etc…

Na verdade, o que todos querem mesmo é saber quem será o candidato oficial, para poder então fazer suas apostas, de olho em espaços em futuros governos. Esse teatro não é exclusividade do Pros. PT, PSB, PSDB e o próprio PMDB já o encenaram em outros momentos. Não falo isso para justificar a frouxidão moral que permeia esses acordões. É justamente para denunciá-la como prática antiga, levada agora à potência máxima no governo Cid Gomes, que quase não tem opositores. O vício não é novo, mas sua intensidade é inédita.

Publicidade

Tucanos lutam contra extinção no Ceará

Por Wanfil em Partidos

04 de outubro de 2013

A fauna social democrata no Ceará está ameaçada de extinção. Saíram do PSDB o deputado Fernando Hugo e o ex-presidente estadual da sigla no estado e ex-deputado Marcos Cals. A legenda, que em passado recente foi a maior do Ceará, agora tem apenas um parlamentar na Assembleia Legislativa: João Jaime. [Atualização: o deputado João Jaime deixou o PSDB pouco depois que este texto foi escrito – foi para o DEM -, nesta sexta-feira. Saldo: os tucanos foram extintos no Legislativo cearense].

O ocaso do PSDB estadual é a face expressa de uma cultura política que despreza partidos e venera cargos e verbas. Não, os tucanos não são vítimas do sistema, embora o sistema seja hostil ao fortalecimento dos partidos. Pelo contrário, sofrem agora por terem crescido artificialmente quando foi governo.

Vejam o PT, uma exceção à regra do partidarismo de fachada que vigora no Brasil: está no poder, mas não incha com filiados de última hora, muito menos com políticos profissionais que atuam como parasitas, sugando eventualmente fontes de poder e trocando de hospedeiro a cada eleição. Para esses, o PT aponta solenemente as portas dos famosos partidos de aluguel, que estão aí para isso, mas não se misturam. Assim, mesmo os críticos do petismo devem reconhecer que ali existem certos valores e uma identidade, coisa que falta a imensa maioria dos demais partidos.

Muitos tucanos sonham com uma eventual volta à Presidência da República por graça e obra de marqueteiros para voltar a crescer, sem perceber que essa esperança é uma aposta de poder, não de partido.

O PSDB nasceu de uma dissidência do PMDB. É de esquerda, mas na esquizofrenia do pensamento político nacional, seus adversários os acusem de neoliberais ou conservadores. Não por acaso, os pilares da política econômica no Brasil são os mesmo desde a primeira eleição de FHC.

No Ceará, surgiu ancorado em nomes como Beni Veras, Marco Penaforte e Carlile Lavor, além de Tasso Jereissati. Esses ficaram pelo caminho. O resto migrou para outras siglas conforme a música do dia. O partido agora tenta se reorganizar. Poderia aderir, foi pressionado a aderir, mas, meio sem jeito, não aderiu ao coro dos contentes. Ficou isolado. Diminuiu. A seu favor, existe um legado e uma personalidade, algo que também não deve escapar aos seu adversários.

O ocaso do PSDB no Ceará guarda agora alguma semelhança com o ocaso do PSB, que até o mês passado, era o partido mais forte do Ceará. Depois da debandada para o obscuro Pros, restou à sigla sua ala “histórica”, ou seja, os que já estavam no lá antes do partido ganhar as eleições com Cid Gomes.

A diferença é que o PSB se deixou usar e o PSDB quis usar quem não tinha alinhamento com seu programa, mas o resultado foi o mesmo. Outra diferença é que, no plano nacional, o PSDB já teve a oportunidade de trabalhar a reforma política, mas não fez nada, sempre em nome da governabilidade. É que quando estão por cima, os partidos querem usufruir de vícios e fragilidades que, cedo ou tarde, podem se voltar contra eles. Aí não adianta reclamar.

leia tudo sobre

Publicidade

Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.

Publicidade

Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.