Parque do Cocó Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Parque do Cocó

As sequelas da desocupação do Cocó

Por Wanfil em Fortaleza

04 de outubro de 2013

À esquerda, grupo que tenta impor sua vontade apesar de decisão judicial pela desocupação do Cocó. À direita, policiais democraticamente encarregados de restabelecer a ordem.

À esquerda, grupo que tenta impor sua vontade apesar de decisão judicial pela desocupação do Cocó. À direita, policiais democraticamente encarregados de restabelecer a ordem. Foto: Tribuna do Ceará

A desocupação do Parque do Cocó, nesta sexta-feira (4), encerra – ou tenta encerrar – o que pode ser considerado a primeira crise da atual gestão municipal de Fortaleza.

Durante 84 dias, um grupo de manifestantes acampou no parque contra a construção de dois viadutos nas imediações do local. A iniciativa, é preciso reconhecer, chamou a atenção para questões ambientais pertinentes ao empreendimento, até então ignoradas pelas autoridades municipais, que correram para regularizar as licenças necessárias para o projeto. Temas como mobilidade urbana, transporte público e a jurisdição do parque, também vieram à tona no rastro do caso.

Mas houve perdas para os envolvidos. A Justiça alimentou o clima de incertezas com sua velha e conhecida morosidade, num festival de idas e vindas. O Ministério Público se deixou contaminar pelo calor da emoção, deixando transparecer, por diversas vezes, que intrigas pessoais entre procuradores e gestores públicos motivavam suas ações.

A imagem da Prefeitura de Fortaleza, saiu desgastada, embora não de forma irreversível. De todo modo, a gestão só tomou providências que lhe cabiam porque foi pressionada, abrindo o precedente para futuros questionamentos a cada novo anúncio de projeto ou obra.

Ao contrário das tentativas anteriores de desocupação, que serviram para os manifestantes posarem de vítima, dessa vez dispersão foi rápida e precisa. Ficou claro que algumas lições foram aprendidas com os erros grosseiros cometidos recentemente. A operação não foi de madrugada ou em horário de trânsito intenso, e o uso da força, legitimado por decisão judicial, foi proporcional ao tamanho da resistência.

O próprio movimento, em boa medida usado por forças políticas com interesses eleitorais, cansou, perdeu a intensidade com o passar do tempo. No fundo, pelo radicalismo de seus defensores (inclusive dos que se consideram moderados, mas que não toleram a divergência), acabou se dissociando da simpatia que a causa ambiental tem na sociedade.

A boa notícia é que a ação de desocupação acabou sem grandes traumas. Os acampados, ao decidirem afrontar as determinações da Justiça para impor no grito suas bandeiras, correram riscos de forma irresponsável, além de colocar em risco, as vidas de terceiros.

Felizmente, no fim, prevaleceu o Estado de Direito, e a ordem, entre perdas e ganhos, aparentemente, foi restabelecida. Já estava mais do que na hora.

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Carta contra eu mesmo

Por Wanfil em Crônica

27 de setembro de 2013

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Ser gentil com quem concorda conosco é fácil. Fica a dica.

Fiquei surpreso com a repercussão do post Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa nas redes sociais do Sistema Jangadeiro. O que impressiona nos comentários é a emoção exacerbada, tanto por parte de quem condena a ocupação, como de quem a defende. No entanto, o primeiros são dispersos, agem de modo desordenado; enquanto os outros são mais organizados, atuam com método e em parceria com grupos políticos já constituídos.

Com o fanatismo ferido, alguns “militantes” tentaram me intimidar com xingamentos e rotulações. O problema é que, aos poucos, estamos criando uma cultura de intolerância travestida de humanismo progressista. Por acreditar que lutam por algo justo e belo, esses jovens, boa parte estudantes universitários, imaginam que todos os que não comungam da mesma visão de mundo são essencialmente maus.

Diante dessa reação improdutiva, resolvi mostrar aos meus detratores que é possível discordar de modo decente e civilizado, escrevendo uma carta contra o que eu mesmo escrevi. A primeira regra – atenção galerinha super bacana – é ser educado. Palavrões e clichês ultrapassados podem massagear os egos de quem já é convertido à militância dos manifestantes, porém, assusta e afasta o leitor neutro, como ensina qualquer manual básico de marketing político. É que o radical é mal visto, moçada. Mas vamos ao que interessa. Se eu fosse escrever contra o que eu escrevi, diria algo mais ou menos assim:

“Caro Wanderley, li seu post sobre a festa no acampamento do Cocó e fiquei incomodado com o tom, ora sarcástico, ora irônico, com que os ativistas foram pintados. Escrever em um veículo de grande audiência implica em responsabilidade com os fatos e também com os sentimentos das pessoas. O que para você parece uma brincadeira, para nós acampados e apoiadores da causa, é coisa séria. Seu espaço poderia ser bem mais útil se mostrasse como anda a questão ambiental na cidade. Não custa lembrar que, graças aos protestos, a Prefeitura precisou rever sua forma de atuação, obrigando-se a cumprir a lei e a buscar os devidos licenciamentos ambientais. Você tem o direito de discordar e de ser a favor dos viadutos ou até do desmatamento, mas a contrapartida para isso é justamente respeitar o nosso direito que lutar pelo que acreditamos. Venha até o acampamento e conheça-nos um pouco mais. Aqui a imprensa é sempre bem-vinda”.

Viram, caros críticos? É fácil para quem sabe. Podem copiar, se quiserem. Eu responderia, claro, e poderia até fazer um mea-culpa, quem sabe. Mas poderia ser realmente duro com vocês, mas com toda a educação. Só não venham me xingar, que aí não tem conversa. O destempero interdita o debate. Sei que isso pode parecer-lhes pouco revolucionário, mas é assim que funciona. Boas maneiras para com supostos adversários ainda é sinal de espírito civilizatório. Sejam mais gentis doravante.

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Enquanto impasse no Cocó não é resolvido, manifestantes fazem a festa

Por Wanfil em Fortaleza

24 de setembro de 2013

Nem só de greve de fome vive uma causa ambiental. O vídeo abaixo tem circulado nas redes sociais e mostra manifestantes acampados no Parque do Cocó dançando numa “rave”, que é uma espécie de festa embalada por música eletrônica – o que na minha época de faculdade, Rosa da Fonseca (a senhora de camiseta branca e militante do anarquismo) chamaria de “lixo cultural imperialista”.

Nas imagens, impressiona a disposição do grupo em manter firme a sua fé. Além das barracas e das faixas, é possível ver mesas de plástico (produto feito a partir do petróleo e não biodegradável), caixas de isopor, um tabagista (supondo que seja tabaco) e um som que contrasta com as notas harmônicas do cantar do grilos e o coaxar dos sapos.

Portanto, não vai aqui nenhuma crítica quanto ao direito de festejar. Não falo nem mesmo em poluição sonora, que isso seria especular. Fico preocupado é com os animais daquele templo da natureza, de insetos a mamíferos, de peixes a crustáceos, expostos às batidas eletrônicas. Não quero nem pensar se algum acasalamento (dos animais nativos) não tiver se consumado por conta do evento.

Os manifestantes estão acampados no parque há mais de dois meses. Acredito que suas intenções sejam as melhores. Assim, pelo bem do debate construtivo e para estimular a democracia dançante, recomendo aos defensores do viaduto – que se identificam com a hastag “ViadutoSim” – promoverem também uma rave, talvez  no lado oposto do parque, para delimitar espaços. Certamente ninguém se incomodará, a não ser seus moradores naturais. Como dizia Kant, só pode ser ético o que é universal. O direito de fazer rave no Cocó agora está consolidado para todos (ou para todos e todas, como diriam os nossos ecologistas progressistas).

 

http://www.youtube.com/watch?v=o7IdhmjqB9U

 

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Mataram 19 pessoas no final de semana em Fortaleza. Se fossem 19 árvores cortadas no Cocó…

Por Wanfil em Ceará

07 de agosto de 2013

No último final de semana, entre a noite de sexta até o domingo, foram registrados, oficialmente, 19 assassinatos à bala na Grande Fortaleza. Sobre isso, não houve manifestação ou protestos.

Ninguém acampou em frente a sede da Secretaria de Segurança exigindo providências; políticos não prestaram solidariedade aos familiares das vítimas; nem autoridades, nem representantes da sociedade civil organizada se pronunciaram. Parece o tipo de coisa que não sensibiliza ninguém. Mas se fossem 19 árvores derrubadas no Parque do Cocó, o mundo viria abaixo.

Por falar nisso, na noite da última segunda-feira, o governador Cid Gomes apareceu de surpresa no Cocó para conversar com os poucos militantes profissionais e anarquistas de botique acampados no local. Em pauta, a preservação da natureza e a construção de dois viadutos na região. É claro que não houve acordo. Mas o assunto rendeu na imprensa e nas redes sociais e todos apareceram para os seus respectivos públicos.

Não é o caso de menosprezar a causa ambiental, mas de ver as autoridades devidamente cobradas, pressionadas ao extremo pela indignação geral, para também encaminhar providências em busca de soluções para os problemas da violência crescente no Estado e a seca que ameaça o abastecimento d’água no interior.

A diferença de prioridade entre o caso dos viadutos e a realidade de outros problemas que são mais graves, mas que acabam ficando em segundo plano, revela uma inversão de valores que diz muito sobre a falta de políticas públicas eficazes nessas áreas. É que é mais fácil se apresentar como salvador da natureza ou como gestor de pontes e de viadutos, do que assumir as devidas responsabilidades diante das vítimas da criminalidade e da seca.

Este foi o meu comentário desta quarta na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

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Os Gatos-Pingados

Por Wanfil em Fortaleza, História

02 de agosto de 2013

São várias as explicações para a expressão gatos-pingados, especialmente nesses tempos de Internet e Wikipédia. Eu fico com a do poeta e memorialista cearense Otacílio de Azevedo, nascido em Redenção em 1892 e autor de Fortaleza Descalça, livro de crônicas sobre a capital cearense no início do Século 20.

A propósito, lembrei-me da expressão ao ver a atuação dos manifestantes (palavra vazia, a meu ver) que tentam impedir o corte de árvores no Parque do Cocó, no trecho de sete metros onde parte de um viaduto será construído (porque o projeto não evitou isso, eu não sei). Volto ao tema mais adiante.

Otacílio conta que “um dos aspectos mais curiosos da Fortaleza antiga era, sem dúvida, aquele apresentado pelos chamados Gatos-Pingados. Eram contratados para levar o defunto ao cemitério. Trajavam longas casacas pretas espartilhadas, calças com listras vermelhas, cartolas altas, de abas enroladas” (pág. 149).

De acordo com o historiador Sebastião Rogério, meu professor na Universidade Federal do Ceará, a expressão era associada aos detalhes nas roupas desses carregadores, com faixas amarelas nos braços, além das listras vermelhas já mencionadas, que originaram, com o humor típico do cearense, o adjetivo pingado.

E foi desses cortejos fúnebres surgiu ainda a derivação depreciativa “quatro gatos-pingados” (ou a variante numérica “meia-dúzia de gatos pingados”). Para o público que morava nas proximidades do cemitério São João Batista e que gostava de assistir aos enterros, um sinal de que o defunto não gozava de prestígio ou era pessoa detestada era justamente a quantidade de acompanhantes junto ao caixão. Quanto pior, menos gente, até o limite dos “quatro gatos-pingados”.

Crítica radical? Não, prefiro a crítica sarcástica…

E dessa forma, poética e mordaz, a expressão passou a definir causas ou grupos que não conseguem contagiar, que carecem de adesão. O cartunista Henfil criou o personagem Gato Pingado para representar a torcida do América do Rio, mas essa é outra história. Ao ver os tais manifestantes no Cocó, lembrei-me de Otacílio de Azevedo. Em seguida, por uma sequência de associações, pensei nas companheiras Rosa da Fonseca e Maria Luiza Fontenele, neoecologistas que comandam o cortejo fúnebre do anticapitalismo anarquista com os quatro gatos-pingados do movimento Critica Radical.

Depois, ainda no embalo dessas associações livres, passei a imaginar quem (oh, santo Marx!) financia o grupo, cujos integrantes, vez por outra, participam de eventos no exterior e que consegue sustentar seus abnegados militantes que, sem trabalhar, não arredam o pé do acampamento no Parque do Cocó. Mas, no fundo, quem se importa?

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Ambientalismo de fachada

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Ideologia

29 de julho de 2013

Pouca gente para muito barulho: Em nome da ecologia, manifestantes empunham bandeiras contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Pouca gente para muito barulho: Em defesa da natureza, manifestantes protestam  contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Com o fracasso das ideologias e o descrédito dos partidos políticos no Brasil, restaram poucas bandeiras aos militantes órfãos de uma causa que reconforte suas almas ansiosas pela redenção da humanidade.

A maioria dessas causas, entretanto, se limitam a reivindicações específicas de grupos minoritários, uma espécie de ativismo de nicho, como no casos da promoção da igualdade racial ou do combate à discriminação sexual. Para frustração de seus promotores, essas são ações de alcance limitado, por mais que sejam justas.

Distorções

Na atualidade, somente um movimento possui um apelo universal, sem limites de classe, de gênero ou de nacionalidade, perfeito para servir de fachada aos anseios dos rebeldes sem causa dos nossos dias: é a causa ambiental, ou ecológica, distorcida de modo a atender, por um lado, aos delírios ideológicos mais reacionários, como o socialismo ou o anarquismo, e por outro, para criar factoides eleitoreiros. Pode ser ainda evidência de simples marketing pessoal cínico, como é o caso de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro que, em seu Twitter, se define como professor, sindicalista e… ambientalista!

É o que vemos, por exemplo, no grupo de indivíduos acampados há dias no Parque do Cocó, em Fortaleza, vivendo sabe-se lá do quê, dispostos a impedir a construção de dois viadutos cujas obras deverão derrubar 94 árvores.

Não há ninguém que negue a importância da preservação desse ecossistema, tanto que para qualquer intervenção no local, é preciso autorização de diversos órgãos de fiscalização e, ainda assim, as autoridades correm para mostrar ao público ações de compensação, como o plantio de novas mudas de vegetação nativa no Parque do Cocó. Sem dúvida, a destruição simples e irresponsável acarretaria prejuízos para a imagem da gestão, seria suicídio político.

Pegadinha sem graça

Nada disso interessa para a militância irracional, muito menos o fato de que seus líderes, quando estiveram no poder, nunca fizeram muito pela causa que agora lhes serve de religião. Muito mais fizeram os seus adversários, por isso mesmo acusados, na clássica inversão da história que caracteriza os movimentos autoritários, de serem os inimigos da natureza. É o pessoal que condena o agronegócio e depois reclama da alta no preço do feijão, pela diminuição da produção em larga escala, ou que detesta as montadores de automóveis, mas não dispensa um bom ar-condicionado em seus carros.

Os problemas ambientais existem e devem ser denunciados, claro. Existe também uma rígida legislação ambiental para servir de suporte para esses questionamentos. Por exemplo, os esgotos clandestinos que infectam o mar na Praia do Futuro. E aí, onde estão os ambientalistas? Não sei. Talvez a visibilidade no Cocó seja maior…

O movimento ambiental nasceu, não por acaso, nas sociedades mais industrializadas e escolarizadas, para buscar racionalidade na relação entre o consumo humano e a exploração da natureza, sem desconsiderar a importância das atividades produtivas. Transformá-lo em bandeira anticapitalista não passa de uma pegadinha. No mínimo.

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Ambientalismo de fachada

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Ideologia

29 de julho de 2013

Pouca gente para muito barulho: Em nome da ecologia, manifestantes empunham bandeiras contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Pouca gente para muito barulho: Em defesa da natureza, manifestantes protestam  contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Com o fracasso das ideologias e o descrédito dos partidos políticos no Brasil, restaram poucas bandeiras aos militantes órfãos de uma causa que reconforte suas almas ansiosas pela redenção da humanidade.

A maioria dessas causas, entretanto, se limitam a reivindicações específicas de grupos minoritários, uma espécie de ativismo de nicho, como no casos da promoção da igualdade racial ou do combate à discriminação sexual. Para frustração de seus promotores, essas são ações de alcance limitado, por mais que sejam justas.

Distorções

Na atualidade, somente um movimento possui um apelo universal, sem limites de classe, de gênero ou de nacionalidade, perfeito para servir de fachada aos anseios dos rebeldes sem causa dos nossos dias: é a causa ambiental, ou ecológica, distorcida de modo a atender, por um lado, aos delírios ideológicos mais reacionários, como o socialismo ou o anarquismo, e por outro, para criar factoides eleitoreiros. Pode ser ainda evidência de simples marketing pessoal cínico, como é o caso de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro que, em seu Twitter, se define como professor, sindicalista e… ambientalista!

É o que vemos, por exemplo, no grupo de indivíduos acampados há dias no Parque do Cocó, em Fortaleza, vivendo sabe-se lá do quê, dispostos a impedir a construção de dois viadutos cujas obras deverão derrubar 94 árvores.

Não há ninguém que negue a importância da preservação desse ecossistema, tanto que para qualquer intervenção no local, é preciso autorização de diversos órgãos de fiscalização e, ainda assim, as autoridades correm para mostrar ao público ações de compensação, como o plantio de novas mudas de vegetação nativa no Parque do Cocó. Sem dúvida, a destruição simples e irresponsável acarretaria prejuízos para a imagem da gestão, seria suicídio político.

Pegadinha sem graça

Nada disso interessa para a militância irracional, muito menos o fato de que seus líderes, quando estiveram no poder, nunca fizeram muito pela causa que agora lhes serve de religião. Muito mais fizeram os seus adversários, por isso mesmo acusados, na clássica inversão da história que caracteriza os movimentos autoritários, de serem os inimigos da natureza. É o pessoal que condena o agronegócio e depois reclama da alta no preço do feijão, pela diminuição da produção em larga escala, ou que detesta as montadores de automóveis, mas não dispensa um bom ar-condicionado em seus carros.

Os problemas ambientais existem e devem ser denunciados, claro. Existe também uma rígida legislação ambiental para servir de suporte para esses questionamentos. Por exemplo, os esgotos clandestinos que infectam o mar na Praia do Futuro. E aí, onde estão os ambientalistas? Não sei. Talvez a visibilidade no Cocó seja maior…

O movimento ambiental nasceu, não por acaso, nas sociedades mais industrializadas e escolarizadas, para buscar racionalidade na relação entre o consumo humano e a exploração da natureza, sem desconsiderar a importância das atividades produtivas. Transformá-lo em bandeira anticapitalista não passa de uma pegadinha. No mínimo.