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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

outsider

Datafolha: Joaquim Barbosa, mesmo sem fazer campanha, embola o jogo com Alckmin e Ciro

Por Wanfil em Pesquisa

16 de Abril de 2018

Joaquim Barbosa, sem viagens, palestras, vídeos ou redes, aparece empatado ou à frente de candidatos profissionais. Por quê?

O Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa para a corrida presidencial, a primeira depois da prisão de Lula. Foram testados vários cenários.

Com Lula na disputa:

Lula (PT) – 31%
Bolsonaro (PSL) – 15%
Marina Silva (Rede) – 10%
Joaquim Barbosa (PSB) – 8%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 6%
Ciro Gomes (PDT) – 5%

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. De todo modo, não deixa de ser uma surpresa ver Joaquim Barbosa embolado com candidatos que estão em campanha há muito tempo. Seu nome já havia sido cogitado em levantamentos anteriores (tinha 5% em janeiro), mas sem muito destaque. Bastou o anúncio de sua filiação ao PSB, na semana passada, para que ele subisse na pesquisa.

No cenário sem Lula:

Bolsonaro (PSL) – 17%
Marina Silva (Rede) – 15%
Ciro Gomes (PDT) – 9%
Joaquim Barbosa (PSB) – 9%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 7%
Álvaro Dias (Podemos) – 5%
Fernando Haddad – 2%

Mesmo com a ausência de Lula, Barbosa segue em terceiro, em empate numérico com Ciro e empate técnico com Alckmin. Ciro tem no Ceará sua base e o tucano em São Paulo. Possuem partidos com história e bancadas fortes no Congresso. Joaquim é silêncio, é memória da época em que atuou no julgamento do Mensalão.

É sinal de que a imagem de um candidato de fora do meio política – os outsiders como dizem os especialistas –, continua com considerável potencial. Especialmente se tiverem tempo de TV e acesso ao fundo eleitoral. Essa condição, por si, não garante que sejam bons candidatos ou bons gestores, ou que não venham a sê-los, isso é óbvio. Não é imperativo moral. Em certos casos, pode ser um tiro no escuro. Porém, se isso pode dar destaque a um determinado candidato, é porque reafirma a existência de uma demanda: a dos eleitores cansados, decepcionados, desconfiados e irritados com os mesmos candidatos de sempre.

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O estranho sem nome

Por Wanfil em Cinema

30 de novembro de 2017

O povoado de Lago vive aflito à espera de um acontecimento: três criminosos presos próximo dali sairão em breve. O problema é que eles juraram incendiar a cidadezinha e matar seus poucos habitantes.

Certo dia um estranho aparece, mata os três pistoleiros contratados para proteger o lugarejo e ainda estupra uma mulher. Com medo da vingança dos bandidos, as principais lideranças do local dão ao xerife a missão de convencer o estranho a tomar o lugar dos pistoleiros como seu protetor. Ele não mostra interesse e logo todos o bajulam, oferecendo-lhe dinheiro e total controle sobre tudo e todos.

O estranho finalmente aceita e passa a ditar regras humilhantes para os moradores de Largo (chega a mudar o nome da cidade para Inferno, toma mulheres para o seu deleite e pinta a igreja de vermelho). E quando estes ousam reclamar, escutam como resposta: “Vocês escolheram viver assim, covardes”.

Esse é um breve resumo do filme “O estranho sem nome” (1973), primeiro longa dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Pode ser conferido na Netflix. E o final – que não vou adiantar, claro – é o ponto alto da trama.

O desespero do povoado me fez lembrar do eleitorado brasileiro. Ou de boa parte dele, à espera de um “outsider” que enfrente os bandoleiros da política tradicional. A passividade dos moradores de Lago, dispostos a ceder qualquer vestígio de autonomia, também me sugere uma inevitável associação com autoridades, intelectuais, religiosos e empresários que temem o poder político no Ceará, como se fosse uma entidade acima de qualquer crítica, cobrança, fiscalização ou questionamento. Uns por medo, outros por falta de alternativa. Nos dois casos, o que mais impressiona – e o filme no fundo trata disso – é como pessoas ou grupos sociais evitam assumir a responsabilidade pelo próprio destino, dispostos a ceder o que for preciso para que alguém se encarregue por eles dessa possibilidade.

 

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O estranho sem nome

Por Wanfil em Cinema

30 de novembro de 2017

O povoado de Lago vive aflito à espera de um acontecimento: três criminosos presos próximo dali sairão em breve. O problema é que eles juraram incendiar a cidadezinha e matar seus poucos habitantes.

Certo dia um estranho aparece, mata os três pistoleiros contratados para proteger o lugarejo e ainda estupra uma mulher. Com medo da vingança dos bandidos, as principais lideranças do local dão ao xerife a missão de convencer o estranho a tomar o lugar dos pistoleiros como seu protetor. Ele não mostra interesse e logo todos o bajulam, oferecendo-lhe dinheiro e total controle sobre tudo e todos.

O estranho finalmente aceita e passa a ditar regras humilhantes para os moradores de Largo (chega a mudar o nome da cidade para Inferno, toma mulheres para o seu deleite e pinta a igreja de vermelho). E quando estes ousam reclamar, escutam como resposta: “Vocês escolheram viver assim, covardes”.

Esse é um breve resumo do filme “O estranho sem nome” (1973), primeiro longa dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Pode ser conferido na Netflix. E o final – que não vou adiantar, claro – é o ponto alto da trama.

O desespero do povoado me fez lembrar do eleitorado brasileiro. Ou de boa parte dele, à espera de um “outsider” que enfrente os bandoleiros da política tradicional. A passividade dos moradores de Lago, dispostos a ceder qualquer vestígio de autonomia, também me sugere uma inevitável associação com autoridades, intelectuais, religiosos e empresários que temem o poder político no Ceará, como se fosse uma entidade acima de qualquer crítica, cobrança, fiscalização ou questionamento. Uns por medo, outros por falta de alternativa. Nos dois casos, o que mais impressiona – e o filme no fundo trata disso – é como pessoas ou grupos sociais evitam assumir a responsabilidade pelo próprio destino, dispostos a ceder o que for preciso para que alguém se encarregue por eles dessa possibilidade.