ônibus Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ônibus

Candidatura de secretário arde no fogo dos ataques

Por Wanfil em Segurança

20 de Abril de 2017

Fotos de ataques assim não são postadas no Facebook das autoridades cearenses

O Ceará vive a maior onda de ataques a ônibus, carros, delegacias e bancos de sua história. A maioria dos casos, que começaram na quarta e prosseguiram nesta quinta, foi registrada em Fortaleza e Região Metropolitana.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, as razões para esses ataques inesperados ainda estão sendo investigadas. Se os fins ainda são um mistério para o governo, os meios evidenciam ação coordenada para causar medo e transtornos, constrangendo as autoridades. Funcionou.

Desde que assumiu no início do ano, o secretário ganhou destaque por causa de seu estilo, digamos, midiático: manda recados para criminosos pelas redes sociais, participa pessoalmente de operações policiais, veste farda e usa frases de efeito. Ganhou a simpatia do público e dos policiais. Eu mesmo elogiei aqui no blog. E assim, não demorou em ser apontado como contraponto político ao deputado Capitão Wagner (PR), um dos principais nomes da oposição ao governador Camilo Santana (PT).

Se a retomada do diálogo entre o governo e os policiais, interditado na gestão de Cid Gomes, e a redução gradual nos índices de homicídios, são os principais trunfos de Camilo nessa área, pesam contra sua administração a rebelião com o maior número de mortos ocorrida no ano passado, e a agora, repito, a maior onda de ataques que já se viu no Ceará.

Para Costa, os ataques podem ser uma reação da bandidagem contra o trabalho do governo. É possível, mas a intensidade e a facilidade dessa reação indicam falhas no monitoramento do grupo (ou grupos) que organizou os atentados, além de dificuldades operacionais para desmobilizar as quadrilhas que atuam nas ruas. Não estamos falando de crime passional, de briga de vizinhos, mas de operações articuladas que demandam planejamento e hierarquia.

Se existe algum fundo de verdade nas supostas pretensões eleitorais para o secretário, elas sofreram duro golpe com os acontecimentos dos últimos dois dias.

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Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

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‘Coletivo Seguro’ chega com sete anos e sete ônibus incendiados de atraso

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2014

Um dos sete ônibus recentemente incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria e serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Um dos ônibus incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria estadual e o serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Entre o último domingo (16) e a terça-feira (18) criminosos promoveram um ataque a balas contra a sede da Secretaria de Justiça e atearam fogo em sete ônibus na capital do Ceará. Ninguém sabe ao certo ainda o motivo para os atentados. Em resposta, foram presos cinco suspeitos e a Secretaria de Segurança deu início a operação Coletivo Seguro.

Desmoralização

De acordo com o secretário Servilho Paiva, nomeado no final do ano passado, os crimes podem estar relacionados a disputas entre traficantes. O que eles ganhariam com isso é impossível dizer. Fica a impressão de que os bandidos estão enviando recados às autoridades ou a outros grupos criminosos. Ou aos dois. Hipótese tanto mais plausível pelo estado de desmoralização do poder público nessa área.

Um dos ônibus foi incendiado nas proximidades do Fórum Clóvis Beviláqua, símbolo do Judiciário. No ano passado, uma testemunha que acabara de prestar depoimento no Fórum foi executada a tiros, no que parece ter sido um acerto de contas. E os disparos contra a Secretaria de Justiça lembram os constantes ataques a delegacias no interior, feitos por quadrilhas de assaltantes de bancos. Ou seja, o crime não teme a Justiça ou o Executivo. Pelo contrário, afronta-os descaradamente.

Atentado é coisa bem diferente de assalto

Servilho Paiva agiu bem ao mostrar que os atentados contra coletivos serão investigados e combatidos, buscando assim impedir que a moda pegue. Mas é bom deixar claro que esses crimes possuem uma natureza distinta dos tradicionais assaltos a ônibus e vans, que segundo números oficiais apresentados pelo secretário, reduziram 39% em Fortaleza, somente em janeiro, repetindo o milagre da redução dos crimes violentos contra o patrimônio, que teriam caído 45%. Nesse ritmo incrível, faço aqui um breve parêntese, daqui a dois meses os assaltos registrados em coletivos terão acabado, por coincidência, bem no ano eleitoral.

Enquanto isso não acontece, volto ao tema central, é bom diferenciar atentados de crimes comuns. Se até o momento não é certo a motivação desses primeiros, o certo é que eles só acontecem em ambientes em que a segurança pública vive avançado estado corrosão. Antes de causar insegurança, são efeitos dela.

Sete anos depois…

Se traficantes pintam e bordam no Ceará, isso é consequência da falta de uma política de segurança eficiente. A ousadia dos criminosos, pois, aumenta à medida que o poder público não consegue contê-los. E assim, o crime agora tenta acuar instituições e serviços públicos, como já fez no Rio de Janeiro.

Por fim, uma observação. Não deixa de ser autoexplicativa a necessidade de se uma operação batizada com o nome Coletivo Seguro, após setes anos de uma gestão eleita justamente com o discurso de promover mais segurança. Mas, como dizem os otimistas, antes tarde do que nunca.

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O sobe e desce no preço da passagem de ônibus em Fortaleza: e o custo da demagogia

Por Wanfil em Fortaleza

20 de Fevereiro de 2013

Não é o valor nomimal da passagem de ônibus em Fortaleza que está em jogo, mas seu valor como peça de propaganda política.

Nunca antes na história do Ceará, o aumento de 20 centavos no preço de um serviço público gerou tamanha confusão. O valor das passagens de ônibus em Fortaleza oscila entre R$ 2,00 e R$ 2,20, ao sabor de seguidas decisões judiciais. As leis de mercado e o bom senso foram substituídos pela burocracia dos trâmites jurídicos e pelo oportunismo da demagogia política.

Valor simbólico

Na capital cearense, o serviço adquiriu valor simbólico como peça de propaganda para a administração da ex-prefeita Luizianne Lins. Carente de realizações e com baixa aprovação popular, a gestão fez da tarifa uma bandeira: seria a menor do Brasil. A mensagem, de inspiração populista, era clara. Os preços deveriam ser regulados conforme a vontade política da prefeita. Não era uma convicção, mas uma conveniência, como hoje se constata.

Foi também explorada a versão de que a redução artificial do preço das passagens era produto da harmoniosa parceria entre entre Luizianne e Cid Gomes, via desconto no ICMS cobrado para as empresas de ônibus, que à época, aceitaram a manipulação política sem reclamar. Todos ganhavam.

Do ponto de vista eleitoral, o truque deu certo e a prefeita foi reeleita, mantendo o apoio para a reeleição do governador. Quites na seara das campanhas, os dois brigaram e o resto todos sabem. A pressão dos custos bateu à porta das empresas que agora se valem da Justiça.

O populismo fiscal como herança

Sem conseguir fazer o sucessor, Luizianne Lins, por ressentimento com o eleitor ou por algum pragmatismo enigmático e oportuno (ou pelos dois motivos), não recorreu de uma ação do sindicato das empresas de ônibus, que pedia o reajuste das passagens. O aumento, no entanto, entraria em vigor quase no início do governo do novo prefeito Roberto Cláudio. Este, por algum estranho motivo (desgastar ainda mais a ex-prefeita, evitar um possível ônus político, quem sabe…), optou por fazer da questão um cavalo de batalha. Leia mais

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O estranho caso do aumento das passagens de ônibus em Fortaleza

Por Wanfil em Fortaleza

02 de Janeiro de 2013

Uma coisa é certa: no conflito de interesses entre a gestão que sai e a que entra, ninguém é ingênuo.

A grande surpresa na mudança de comando na Prefeitura de Fortaleza foi o aumento para R$ 2,20 no valor das passagens de ônibus, a partir do próximo dia 11 de janeiro. A decisão foi tomada pela ex-prefeita Luizianne Lins ainda no dia 21 de dezembro e publicada no Diário Oficial do Município três dias depois.

O caso é estranho por vários aspectos. Primeiro foi o fato de ser surpresa. O prefeito eleito Roberto Cláudio classificou a medida de “pegadinha”. Como assim? Onde estavam o novo prefeito e sua equipe de transição que não leram o Diário Oficial? Provavelmente, por ser véspera de Natal… Mas a comparação é justa. Uma pegadinha só funciona se houver uma vítima desatenta ou imprevidente. O acompanhamento de medidas no final de um mandato é obrigação básica para uma nova gestão, especialmente se a disputa eleitoral foi desgastante. Se não viram, falharam feio; se souberam e não falaram, é estranho.

É estranho também que a própria ex-prefeita tenha assumido uma medida que acarreta ônus para a sua imagem. Todo aumento no preço de serviços e de impostos sempre desagrada a população. Então por que ela pouparia o novo prefeito de ter que anunciar novos reajustes? Ou então de ter que manter preços baixos comprometendo receita fiscal? Estaria Luizianne Lins chateada com os eleitores? Difícil. Políticos de sucesso são profissionais e costumam a pesar as vantagens e as desvantagens de uma decisão. Se Luizianne aumentou a passagem no apagar das luzes de seu mandato, é legítimo acreditar que tenha visto nisso um benefício. Estranho.

O certo mesmo é que nesse jogo de interesses em conflito entre a gestão que sai e a que entra, não há espaço para ingenuidades. Estranho seria se não fosse assim.

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Se eu quisesse ser popular, seria populista, mas não consigo. Ou: Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus

Por Wanfil em Fortaleza

13 de dezembro de 2012

No Brasil, ser populista é ser amado.Todos estendem as mãos à espera de um benefício qualquer, sem se dar conta que pagam por eles.

Recebi algumas críticas sobre o texto em que afirmo que as passagens de ônibus em Fortaleza têm os preços manipulados artificialmente para garantir um discurso político à gestão que termina este ano. Em outras palavras, como os valores cobrados aos usuários não cobrem os custos do serviço, a diferença é coberta com dinheiro público, principalmente com a isenção fiscal do ICMS que incide sobre o diesel. Volto a abordar o tema, buscando compreender esse apego a tudo o que parece concessão, mas que muitas vezes é esperteza.

Populismo é pop

Os governos no Brasil têm essa mania de fazer caridade com o dinheiro alheio. No caso em questão, ficam felizes os passageiros, que pagam menos, e as empresas, que ganham antes de vender. O nome disso é populismo. E todos adoram.

O populismo fiscal e monetário está no DNA de quase todas as políticas ditas sociais e de desenvolvimento em vigor no país. Vai de programas como o Bolsa Família até os empréstimos bilionários do BNDES para alguns escolhidos. O brasileiro é estado-dependente, como ouvi de um amigo recentemente, sem distinção de classe.

No fundo, todos acham que ganham quando o governo é obrigado a arcar com uma ou outra despesa. Como governo não produz riqueza, o resultado é que temos que sustentá-lo com uma carga tributária obscena  na casa de 35% do PIB. Brasileiro é esperto. Aceita que 50% do preço de um sabonete seja tributo, para ter a autoridade de cobrar isenção fiscal para empresas de ônibus, garantindo assim o preço baixo das tarifas.

Pão e circo nunca é de graça

Se eu tivesse dito que a ideia de ajustar preços aos custos é um absurdo, que dinheiro público serve para corrigir injustiças, essas coisas, seria aplaudido por minha sensibilidade. Se eu “denunciasse” ainda que empresas de transporte querem mesmo é lucrar, aí seria ovacionado em desfile apoteótico. Mas eu não consigo. Chato e ranzinza, lembro que toda conta tem que fechar. Sem lucro, evidentemente, ninguém trabalha (você trabalharia?). Como recursos de outros impostos são direcionados para suprir essa premissa, o que parece barato, no final das contas, é caro. A conta não fecha.

Pessoalmente, não ganho nada com isso. Não tenho procuração para falar em nome de empresas ou sindicatos. Escrevo sobre o assunto porque o considero, tal como é posto, uma tapeação. Políticos é que sabem pedir dinheiro junto à empresas de transporte para fazer campanhas eleitorais. Populistas, que prometem pão e circo sem custo, enquanto tiram com uma mão o que dão com a outra. Esses são amados. Eu, com minha desconfiança crônica, não. Se ao menos eu nada dissesse… Mas como gosto da crítica, seria um péssimo populista. Diria sem pestanejar: Sabe o dinheiro que falta para prestar melhores serviços? Está ali, no preço baixo daquela tarifa!

Encerro com um trecho do famoso Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da República em todos os membros, do poeta Gregório de Mattos, escrito ainda no século 17:

Valha-nos Deus, o que custa
 O que El-Rei nos dá de graça.

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Passagens de ônibus congeladas enquanto os custos sobem é populismo feito com o seu dinheiro: Não existe almoço grátis!

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2012

Custos sobem, passagens não. Resultado: superlotação, frota reduzida e sucateada, motoristas sobrecarregados. O que o debate não deixa claro é que isso é uma escolha.

A polêmica sobre o reajuste no preço das passagens de ônibus em Fortaleza está de volta. As empresas de ônibus conseguiram uma liminar aumentando o preço das passagens e a prefeitura diz que irá recorrer da decisão.

Há muito tempo essa discussão deixou a racionalidade econômica de lado para se transformar em ativo político-eleitoral da atual gestão. A questão real é saber como e se as tarifas podem e devem ser reajustados, a partir da realidade econômica e social do município. Qualquer que seja a decisão, é preciso ficar claro que existem preços e consequências para ela.

Boas intenções são louváveis, desde que não sejam burras ou ingênuas. Nas economias de mercado, preços sobem por diversas causas, entre as quais: 1) aumento nos custos de produção; 2) aumento da demanda. As únicas coisas que não aumentam de valor são aquelas que ninguém precisa ou quer usar.

Milton Friedman: Nada é de graça, muito menos a suposta caridade oficial.

Leia também: 
Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus – Ou: Eu queria ser populista, mas não consigo

O economista americano Milton Friedman (1912-2006), ganhador do Nobel de economia de 1976, cunhou uma frase que se tornou emblemática: “Não existe almoço grátis”. É uma forma simples e didática de explicar que políticas sociais, tais como ensino e transporte públicos, não são gratuitas, pois têm um preço com o qual alguém arca. Nesses casos, a sociedade, por meio do pagamento de impostos.

Quem paga pelo que parece gratuito?

Se o dólar, o petróleo, os insumos, a inflação e a carga tributária subiram, é óbvio que os custos de operação das empresas de transporte coletivo também subiram. E como isso não é repassado às passagens? Simples. O poder público cobre a diferença. Ou seja, o contribuinte. No Ceará, por meio de subsídios, moradores de todos os municípios pagam para manter o valor das tarifas da capital artificialmente baixas. Isso é justo? O sujeito mora em Russas ou Barbalha e o dinheiro de seus impostos é usado para baratear um serviço em Fortaleza. E o pior é que o serviço é ruim, com superlotação e sucateamento dos veículos.

Segundo as empresas de transporte, neste ano não houve reunião para debater o assunto. Em outras palavras, a prefeitura não disse como irá cobrir a necessidade de aumento, pois perdeu a eleição e espera que o ônus do aumento recaia sobre a nova gestão.

Não digo que seja errado a manutenção dessa política. Se a gestão e os cidadãos consideram que essa é uma prioridade, em detrimento de outras áreas, de outros investimentos, que assim seja. Mas o que tem que ficar claro é que essa política é uma escolha, com suas naturais consequências. O transporte público é bom em Fortaleza? Não? Por quê? Eis o debate, cujo preço das passagens é uma das partes.

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Passagens de ônibus congeladas enquanto os custos sobem é populismo feito com o seu dinheiro: Não existe almoço grátis!

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2012

Custos sobem, passagens não. Resultado: superlotação, frota reduzida e sucateada, motoristas sobrecarregados. O que o debate não deixa claro é que isso é uma escolha.

A polêmica sobre o reajuste no preço das passagens de ônibus em Fortaleza está de volta. As empresas de ônibus conseguiram uma liminar aumentando o preço das passagens e a prefeitura diz que irá recorrer da decisão.

Há muito tempo essa discussão deixou a racionalidade econômica de lado para se transformar em ativo político-eleitoral da atual gestão. A questão real é saber como e se as tarifas podem e devem ser reajustados, a partir da realidade econômica e social do município. Qualquer que seja a decisão, é preciso ficar claro que existem preços e consequências para ela.

Boas intenções são louváveis, desde que não sejam burras ou ingênuas. Nas economias de mercado, preços sobem por diversas causas, entre as quais: 1) aumento nos custos de produção; 2) aumento da demanda. As únicas coisas que não aumentam de valor são aquelas que ninguém precisa ou quer usar.

Milton Friedman: Nada é de graça, muito menos a suposta caridade oficial.

Leia também: 
Resposta aos críticos do reajuste das passagens de ônibus – Ou: Eu queria ser populista, mas não consigo

O economista americano Milton Friedman (1912-2006), ganhador do Nobel de economia de 1976, cunhou uma frase que se tornou emblemática: “Não existe almoço grátis”. É uma forma simples e didática de explicar que políticas sociais, tais como ensino e transporte públicos, não são gratuitas, pois têm um preço com o qual alguém arca. Nesses casos, a sociedade, por meio do pagamento de impostos.

Quem paga pelo que parece gratuito?

Se o dólar, o petróleo, os insumos, a inflação e a carga tributária subiram, é óbvio que os custos de operação das empresas de transporte coletivo também subiram. E como isso não é repassado às passagens? Simples. O poder público cobre a diferença. Ou seja, o contribuinte. No Ceará, por meio de subsídios, moradores de todos os municípios pagam para manter o valor das tarifas da capital artificialmente baixas. Isso é justo? O sujeito mora em Russas ou Barbalha e o dinheiro de seus impostos é usado para baratear um serviço em Fortaleza. E o pior é que o serviço é ruim, com superlotação e sucateamento dos veículos.

Segundo as empresas de transporte, neste ano não houve reunião para debater o assunto. Em outras palavras, a prefeitura não disse como irá cobrir a necessidade de aumento, pois perdeu a eleição e espera que o ônus do aumento recaia sobre a nova gestão.

Não digo que seja errado a manutenção dessa política. Se a gestão e os cidadãos consideram que essa é uma prioridade, em detrimento de outras áreas, de outros investimentos, que assim seja. Mas o que tem que ficar claro é que essa política é uma escolha, com suas naturais consequências. O transporte público é bom em Fortaleza? Não? Por quê? Eis o debate, cujo preço das passagens é uma das partes.