Odebrecht Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Odebrecht

Odebrecht mostra que o PT não inventou a corrupção? Certo. Mas questão não é bem essa…

Por Wanfil em Ideologia

13 de Abril de 2017

Os depoimentos de executivos da Odebrecht e especialmente de seus donos, Emílio e Marcelo, revelam que a corrupção é prática disseminada que atinge instâncias de poder, partidos políticos e ideologias distintas. Uma amiga, pessoa honesta e trabalhadora, me disse que é a comprovação de que a corrupção não começou com o PT, como, segundo ela, insinuam os grandes veículos de comunicação.

Com todo respeito, trata-se, com efeito, de um sofisma, uma vez que não há quem diga que a corrupção tenha começado com o PT. Seria ingenuidade demais até para o mais ferrenho antipetista.

Na verdade, esse argumento é uma fuga para muitos que acreditaram (ou que ainda acreditam) na ideia de que a ética fosse monopólio do PT em particular e da esquerda em geral. Hoje isso parece absurdo, mas basta ver como militantes e políticos do PSOL do do PCdoB falam, embora nunca tenham denunciado coisa alguma.

Muitos esquerdistas comuns, sem filiação, para não dar o braço a torcer ao fatos, com o orgulho ferido, olham para a queda do PT e afirmam que a sigla cedeu a práticas da direita (transferindo o pecado para o adversário) ou que, no máximo, por pragmatismo, lideranças do partido usaram as armas do inimigo para vencer a luta eleitoral e aí poder fazer as mudanças, no que foram impedidos pelas elites e tal.

Para esses, reconhecer que ser de esquerda não significa uma elevação moral, um desprendimento atávico do mundo material, uma condição natural de solidariedade e inteligência ou um estado de pureza ética, corresponde a declarar que estiveram enganados todo esse tempo, que depositaram esperanças num pensamento pueril, e isso é difícil demais para quem se via como refinado crítico da realidade.

Confessar ter acreditado no discurso de que o PT representaria a negação da corrupção por causa de rótulos ideológicos é admitir o próprio erro. Daí que acabem usando a prova de que o sonho era uma frágil ilusão como argumento de superioridade analítica, alardeando: “viram, a corrupção não começou com o PT”, para assim disfarçar o que antes pregavam com a certeza dos profetas: “o PT e a esquerda mudarão tudo isso o que está aí”.

Dizer que o PT não é pior do que os outros é o consolo de quem aceitou a farsa do monopólio da ética por uma ideologia que, não obstante, foi responsável pelos maiores crimes e ditaduras do século XX.

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Arena Castelão na mira da Lava-Jato

Por Wanfil em Corrupção

12 de Abril de 2017

A lista do ministro Edson Fachin, do STF, com pedidos de inquéritos contra políticos a partir das delações feitas por executivos da Odebrecht, mostra a amplitude dos esquemas de corrupção e caixa dois envolvendo partidos, políticos e a empreiteira.

Do Ceará constam os nomes do senador Eunício Oliveira (PMDB) e o do deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP). Apesar da gravidade das acusações, isso não chega a surpreender, por causa de vazamentos com o conteúdo desses depoimentos. A novidade mesmo é a Operação Lava-Jato chegando perto das obras da Arena Castelão, que custou R$ 547,5 milhões.

De acordo com o delator Benedicto Barbosa da Silva Júnior, houve “acordo entre as empresas do Grupo Odebrecht e Carioca Engenharia a fim de frustrar o caráter competitivo de processo licitatório associado à construção da Arena Castelão”.

É preciso saber quem propôs o acordo e quais nomes do governo estadual, gestão Cid Gomes, participaram desse suposto esquema. A licitação era de responsabilidade da Secopa, comandada por Ferrúcio Feitosa. Evidentemente cabe à acusação o ônus da prova.

Se houvesse um legislativo de verdade no Ceará, uma CPI teria que ser aberta, para apurar o caso, por envolver recursos estaduais. Na verdade, para ser justo, uma CPI do Castelão chegou a ser pedida em 2010, mas foi devidamente varrida para debaixo do tapete. Nesse jogo, melhor mesmo é torcer pela Lava-Jato.

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Arena Castelão na mira da Lava-Jato

Por Wanfil em Corrupção

12 de Abril de 2017

A lista do ministro Edson Fachin, do STF, com pedidos de inquéritos contra políticos a partir das delações feitas por executivos da Odebrecht, mostra a amplitude dos esquemas de corrupção e caixa dois envolvendo partidos, políticos e a empreiteira.

Do Ceará constam os nomes do senador Eunício Oliveira (PMDB) e o do deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP). Apesar da gravidade das acusações, isso não chega a surpreender, por causa de vazamentos com o conteúdo desses depoimentos. A novidade mesmo é a Operação Lava-Jato chegando perto das obras da Arena Castelão, que custou R$ 547,5 milhões.

De acordo com o delator Benedicto Barbosa da Silva Júnior, houve “acordo entre as empresas do Grupo Odebrecht e Carioca Engenharia a fim de frustrar o caráter competitivo de processo licitatório associado à construção da Arena Castelão”.

É preciso saber quem propôs o acordo e quais nomes do governo estadual, gestão Cid Gomes, participaram desse suposto esquema. A licitação era de responsabilidade da Secopa, comandada por Ferrúcio Feitosa. Evidentemente cabe à acusação o ônus da prova.

Se houvesse um legislativo de verdade no Ceará, uma CPI teria que ser aberta, para apurar o caso, por envolver recursos estaduais. Na verdade, para ser justo, uma CPI do Castelão chegou a ser pedida em 2010, mas foi devidamente varrida para debaixo do tapete. Nesse jogo, melhor mesmo é torcer pela Lava-Jato.