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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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O IJF 2 e a lógica de São Tomé: de onde virá o dinheiro para o aumento nos gastos?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2015

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Ano pré-eleitoral, gestores aliados anunciam obra de grande impacto, garantindo manchetes super bacanas. Já viram isso em algum lugar? Cito alguns casos: a reforma no Aeroporto Pinto Martins, o Hospital da Mulher, o Castelão, o Metrô de Fortaleza, a Linha Leste do VLT e a transposição do Rio São Francisco. Alguns ficaram prontos, outros não, mas todos foram anunciados com toda a pompa e circunstância.

Agora foi a vez do anúncio da ampliação do IJF, feito em conjunto pelo prefeito Roberto Cláudio e o governador Camilo Santana. Antes, vale lembrar o caso da refinaria da Petrobras, promessa não cumprida que deu origem ao release mais fantasioso e copiado da história do jornalismo cearense:

“A Refinaria Premium II é considerada uma das maiores refinarias de petróleo do mundo e terá escala mundial, com produção de 300 mil barris por dia. O investimento recebido será de US$ 11 bilhões e cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos serão gerados com a instalação da refinaria”.

Não estou dizendo que o anúncio da ampliação do IJF seja uma mentira como a refinaria, longe disso. A questão aqui é como se colocar diante de anúncios dessa natureza, do cuidado necessário para não tomar a intenção comunicada por obra realizada.

Ver para crer
Aqui no blog, governos precisam passar pelo crivo de São Tomé: é ver para crer! E não basta ver a estrutura física, mas o equipamento funcionando efetivamente. O Hospital Regional de Quixeramobim, por exemplo, apesar de ter sido inaugurado no ano passado, até hoje não funciona.

No caso do IJF, os dados para o release da vez são esses:

“Serão, ao todo, 160 novos leitos, 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) tradicionais e 20 UTIs de cuidados intermediários, 9 salas cirúrgicas, 20 leitos de recuperação. As obras do IJF 2 têm prazo de conclusão de 24 meses e devem ser iniciadas até dezembro de 2015. A primeira etapa, com 132 leitos e nove salas cirúrgicas, deverá ser concluída até o fim de 2016”.

Olha aí os números! Eles serão repetidas exaustivamente até as eleições do ano que vem. Faz parte do jogo. Mas cumpre lembrar que o resultado final. Na última campanha para o governo estadual, o “tatuzão”, equipamento que faria as escavações para o Metrô, ganhou destaque imenso, mas passada a disputa, tudo parou. Por essas e outras, não dá mais para acreditar de olhos fechados em tudo o que as autoridades dizem.

E o custeio?
Alguns pontos sobre essa ampliação do IJF precisam de mais esclarecimentos. Já que a previsão de entrega é para depois das eleições, é importante saber de onde virão os recursos para bancar o funcionamento dessa nova estrutura pelos próximos quatro anos. Haverá receita ou as verbas virão de outra área? Qual? É comum a gente ouvir que os gastos para o funcionamento anual do IJF, do tamanho que está hoje, equivale a toda arrecadação do IPTU. Prefeitos em todo o país reclamam da falta de verbas. Assim, existem estudos nesse sentido ou o padrão de planejamento é o mesmo da gestão Cid Gomes?

São Tomé não acreditava fácil em milagre. Nem eu.

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O atraso do VLT e uma questão de lógica – Ou: Tem culpa eu?

Por Wanfil em Ceará

10 de junho de 2014

O governador Cid Gomes anunciou na semana passada que pretende romper o contrato com o consórcio responsável pela construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), promessa não cumprida para a Copa do Mundo. A mensagem é clara: a exclusividade da culpa pelo atraso na obra é do agente privado que presta serviço ao agente público. Por esse raciocínio, o contratante é vítima da incompetência do contratado.

As empresas do consórcio negam a acusação, dizendo que o problema está no projeto original. Não entro no mérito técnico-jurídico dessa pendenga. Interessa aqui a lógica da argumentação oficial, que revela, naturalmente, uma forma de ver o mundo, uma moral aplicada à administração pública.

O filósofo alemão Immanuel Kant ensinava que só é ético o que pode ser universalizado. Dizendo de outra forma: para ser justo, não é possível ter dois pesos e duas medidas. Pois, bem. Sendo a divisão de responsabilidades um princípio administrativo lógico e transparente, é lícito concluir que, por inversão, quando uma obra é feita a tempo e dentro dos critérios estabelecidos previamente entre as partes, o mérito cabe exclusivamente às empresas responsáveis pela obra. O Castelão, por exemplo, devemos às empresas que o construíram, cabendo ao governo o papel de fiel intermediário entre o dinheiro do contribuinte e o serviço prestado. É ou não é lógico?

Assim, se para o governo Cid não é o culpado pelos atrasos nas obras do seu próprio governo, da mesma forma o secretário da Copa, Ferrucio Feitosa, não pode posar de gestor competente pelo prazo cumprido na reforma do estádio, pois sua responsabilidade não é fazer ou deixar de fazer, mas só pagar quem faz. Aparecer como executivo realizador não passaria, portanto, de uma falsa propaganda feita em cima de um mero burocrata. Não estou dizendo isso, apenas deduzo o cenário a partir de uma premissa colocada pelo próprio governo. O mesmo peso, a mesma medida.

É claro que as coisas não funcionam assim. Quando dão certo, e isso vale para a maioria dos governos e governantes, aparece um monte de gente disposta a surfar na onda da bonança. Quando dão errado, todos correm para culpar terceiros. Raros são os que assumem seus erros e vacilações, ou que tomam providências antes do prejuízo.

O caso do VLT lembra o da adutora de Itapipoca, no final do ano passado, quando Cid Gomes mergulhou para reparar um tanque de água. O governo culpou a empresa e um inquérito foi instaurado. Nenhum dos técnicos responsáveis pelo projeto foi demitido. Resultado: dinheiro perdido. Nosso dinheiro. Sumiu e a obra de 19 milhões precisou ser remendada.

Assim, quando o governo diz que o culpado pelo atraso do VLT é exclusivamente o consórcio, sem assumir nem um pouquinho da responsabilidade, quer apenas esconder a malícia se fazendo de bobo, igual na brincadeira popular que finge haver inocência na pergunta carregada de duplo sentido: Tem culpa eu?

PS. O atraso de uma semana para falar sobre esse tema é de minha inteira e intransferível responsabilidade.

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A confissão de Dilma no Ceará

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2014

Em rápida passagem por Jati, município no interior cearense, a presidente Dilma Rousseff justificou o atraso na transposição do Rio São Francisco dizendo que a complexidade da obra foi subestimada.

Não se trata de reconhecer o atraso, que é evidente por si mesmo, já que a transposição deveria ter ficado pronta em 2012. O que a presidente tenta construir é uma explicação para o problema, sem esbarrar em suspeitas de incompetência e corrupção.

No Século 17, o aristocrata francês François de La Rochefoucauld, grande aforista e inimigo do cardeal Richelieu, dizia o seguinte: “Apenas confessamos os pequenos defeitos para persuadir os outros de que não temos grandes”. A conversa sobre complexidade subestimada é exatamente isso, uma desculpa. No entanto, mesmo nessa condição, o argumento tropeça em pelo menos três pontos:

Primeiro – como diz o ditado, tempo é dinheiro. O atraso não apenas prejudica as vítimas da seca, que contavam com urgência na execução do projeto, mas causa imensos prejuízos financeiros ao país. Com apenas metade da obra concluída, sua previsão orçamentária dobrou, pulando de quatro para oito bilhões de reais;

Segundo – se a presidente reconhece que o prazo foi subestimado, fica então a pergunta: quem errou? A obra, tal como é hoje, foi planejada ainda no governo Lula, seu padrinho político, mais ou menos na época em que Ciro Gomes, contundente defensor da transposição, foi ministro da Integração Nacional, órgão responsável pelo projeto. Vale lembrar ainda que a própria Dilma foi ministra da Casa Civil, com atribuição de acompanhar as grandes obras federais, função pela qual foi chamada por Lula de “mãe do PAC”. Dizer que tudo foi subestimado corresponde a confessar a própria incapacidade para estabelecer (e cumprir) prazos;

Terceiro – se fosse apenas a transposição que estivesse atrasada, daria para engolir esse papo de complexidade, mas não é isso o que acontece. No Ceará, por exemplo, a reforma do Aeroporto Pinto Martins, obra federal para a Copa, está entre as mais atrasadas do país. De resto, o mesmo acontece por todo o país. A lentidão do empreendimento no São Francisco não é, de forma alguma, um desvio acidental ou um imprevisto, mas simplesmente resultado de um padrão gerencial, de um método administrativo de baixa eficiência e custo elevado.

A ex-prefeita Luizianne Lins, também do PT, diante de igual dificuldade no cumprimento de prazos, chegou a declarar que suas obras não teriam mais data certa de entrega, para que a imprensa não ficasse cobrando. Voltando ao presente, de qualquer forma, a transposição está prevista para 2015, depois, claro, as eleições.

Por falar nisso, Dilma agora percorre o Nordeste tentando criar uma agenda positiva para reverter a recente queda nas pesquisas. E assim, a transposição, dívida eleitoral não quitada, volta a ser vendida, mais uma vez, como promessa. Evidentemente, o projeto é complexo e pode atrasar, mas esse alerta nunca foi comunicado ao público na hora de “vender” a imagem da candidata Dilma como gestora infalível. Quem planta, colhe.

O risco agora é subestimar a paciência e a inteligência do eleitor.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.