movimentos sociais Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

movimentos sociais

Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.