Moro Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Moro

Reunião dos governadores do NE e condenação de Lula no mesmo dia: coincidência ilustrativa

Por Wanfil em Política

06 de Fevereiro de 2019

Governadores do NE reunidos em Brasília: do passado lulista, restou apenas a parede vermelha – Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Existem coincidências que ilustram melhor alguns movimentos políticos do que até mesmo a melhor das propagandas.

Nesta quarta-feira, dia em que Lula foi condenado outra vez, agora pelo caso do sítio em Atibaia, os governadores do Nordeste, lulistas e de esquerda, se reuniram na sede do escritório da representação do governo do Ceará, em Brasília, para criar estratégias conjuntas de desenvolvimento econômico e para avaliarem as propostas de reforma da Previdência e de combate ao crime anunciadas pelo governo federal.

O grupo se notabilizou no ano passado por cartas e declarações em apoio a Lula e com críticas aos tribunais que o condenaram. Chegaram a ser barrados quando tentaram visitar o líder na cadeia, em episódio desnecessário e constrangedor, porém, compreensível. A convergência entre o apelo eleitoral do lulismo na região e os vínculos políticos justificavam o posicionamento, a despeito dos escândalos e das condenações por corrupção.

Agora as circunstâncias são outras. Lula está definitivamente fora do jogo. PT e MDB perderam espaços. Moro é ministro e Bolsonaro presidente. A reunião foi de manhã e a nova condenação foi divulgada à tarde. Mas Lula já tem a condição de preso. Não houve, antes, durante ou após o encontro, protestos, notas em desagravo ou vídeos de indignação. É que um novo sentido de sobrevivência mantém o grupo unido: opositores a atual gestão, mas dependentes do governo federal, a ação conjunta é a melhor estratégia para ganhar evidência e ter algum peso de interlocução.

É vida que segue e daquele passado recente que animava as ações do fórum de governadores nordestinos restou apenas a parede vermelha da foto. Sai o ativismo partidário-ideológico-eleitoral, entra o pragmatismo administrativo.

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Parlamentar usar o nome de Lula ou de Moro é confundir (como sempre) o público com o privado

Por Wanfil em Política

12 de Abril de 2018

Um grupo de parlamentares no Congresso Nacional quer incluir o nome de Lula nos seus próprios nomes para exibi-los no painel de votação. Em resposta, outros ameaçam adotar o sobrenome do juiz Sérgio Moro. É uma reação errada à iniciativa dos apoiadores do ex-presidente preso por corrupção. Perdem a chance de se mostrarem diferentes. É que radicais, ainda que em extremos opostos, se assemelham na forma de agir.

Os dois casos expressam uma incapacidade de distinguir as esferas pública e privada, fenômeno também conhecido como patrimonialismo. Explico: a representação parlamentar não pertence aos seus ocupantes temporários, eleitos pelo povo, mas à República. A manifestação das divergências é garantida pela imunidade parlamentar. Cada um pode defender ou acusar quem bem entender. Agora, usar institucionalmente esses cargos para criar instrumentos de promoção dos seus ídolos ou partidos é confundir a função pública com o interesse particular.

Se a moda pega, nomes de times, artistas, criminosos e escritores, sei lá o que mais, poderão ser adicionados ou subtraídos a cada votação. É uma falta de respeito com a própria liturgia que deveriam preservar. O problema é mais grave do que parece.

Quando o PT chegou ao poder, a falecida ex-primeira dama Marisa Letícia mandou fazer nos jardins do Palácio do Planalto um canteiro de flores vermelhas, em formato de estrela, símbolo do partido, marcando com um símbolo privado a instituição Presidência. Estava ali a expressão de um entendimento sobre o Estado que mais a fundo se estende verbas, estatais, privilégios, cartões corporativos, viagens de jatinho, obras, empreiteiras, bancos, fundos de pensão e por aí vai.

Tudo acaba compreendido como patrimônio dos donos do poder, na clássica definição de Raymundo Faoro. Tudo pertence ao Estado e o Estado pertence ao partido. E quanto maior o Estado e sua burocracia, maior o poder de quem o controla.

Por isso, a polêmica sobre o uso de nomes para fazer dos painéis parlamentares meras placas luminosas de propaganda ideológica pode parecer algo tosco, menor, mas não se enganem: é a expressão da mesma ética e da mesma moral que possibilitaram o mensalão e o petrolão.

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Parlamentar usar o nome de Lula ou de Moro é confundir (como sempre) o público com o privado

Por Wanfil em Política

12 de Abril de 2018

Um grupo de parlamentares no Congresso Nacional quer incluir o nome de Lula nos seus próprios nomes para exibi-los no painel de votação. Em resposta, outros ameaçam adotar o sobrenome do juiz Sérgio Moro. É uma reação errada à iniciativa dos apoiadores do ex-presidente preso por corrupção. Perdem a chance de se mostrarem diferentes. É que radicais, ainda que em extremos opostos, se assemelham na forma de agir.

Os dois casos expressam uma incapacidade de distinguir as esferas pública e privada, fenômeno também conhecido como patrimonialismo. Explico: a representação parlamentar não pertence aos seus ocupantes temporários, eleitos pelo povo, mas à República. A manifestação das divergências é garantida pela imunidade parlamentar. Cada um pode defender ou acusar quem bem entender. Agora, usar institucionalmente esses cargos para criar instrumentos de promoção dos seus ídolos ou partidos é confundir a função pública com o interesse particular.

Se a moda pega, nomes de times, artistas, criminosos e escritores, sei lá o que mais, poderão ser adicionados ou subtraídos a cada votação. É uma falta de respeito com a própria liturgia que deveriam preservar. O problema é mais grave do que parece.

Quando o PT chegou ao poder, a falecida ex-primeira dama Marisa Letícia mandou fazer nos jardins do Palácio do Planalto um canteiro de flores vermelhas, em formato de estrela, símbolo do partido, marcando com um símbolo privado a instituição Presidência. Estava ali a expressão de um entendimento sobre o Estado que mais a fundo se estende verbas, estatais, privilégios, cartões corporativos, viagens de jatinho, obras, empreiteiras, bancos, fundos de pensão e por aí vai.

Tudo acaba compreendido como patrimônio dos donos do poder, na clássica definição de Raymundo Faoro. Tudo pertence ao Estado e o Estado pertence ao partido. E quanto maior o Estado e sua burocracia, maior o poder de quem o controla.

Por isso, a polêmica sobre o uso de nomes para fazer dos painéis parlamentares meras placas luminosas de propaganda ideológica pode parecer algo tosco, menor, mas não se enganem: é a expressão da mesma ética e da mesma moral que possibilitaram o mensalão e o petrolão.