ministérios Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ministérios

Ministério sem cearenses pode indicar falta de prestígio, é verdade. Mas quando foi que realmente houve prestígio?

Por Wanfil em Ceará

16 de Maio de 2016

Entre os indicados para a equipe ministerial de Michel Temer não há, a exemplo de mulheres e negros, gestores cearenses. Talvez seja o caso de imaginar que do ponto de vista administrativo e político, o governo do PMDB não tenha feito do gênero, da cor e do Estado de origem, critérios de escolha.

Quais foram, então, os critérios? Ora, varia de acordo com a pasta. Foi técnico para o pessoal da área econômica; fisiológico, como no caso de Leonardo Picciani no Esporte; pessoal, como José Serra nas Relações Exteriores; e ainda teve as nomeações que misturam perfis técnicos com acordos políticos. O ministério é um amálgama de necessidades urgentes com as conveniências de sempre para fazer a tal maioria no parlamento. A esperar os resultados disso. Mesmo assim, essa ausência de cearenses tem causado rumores no meio político local.

Eunício sem nada?
Havia a expectativa de que o senador Eunício Oliveira conseguisse emplacar um nome, mais precisamente Gaudêncio Lucena, na Integração Nacional, o que não aconteceu. Seus adversários falam em falta de prestígio, apesar dos órgãos federais já comandados por indicados do Senador, como é o caso do BNB e DNOCS. Pode ser que sim, pode ser que não.

De fato, a falta de um nome ligado a Eunício, simplesmente o tesoureiro do PMDB e muito próximo a Temer, soa estranho. A não ser que a influência do senador tenha sido direcionada em outro sentido, como, por exemplo, suceder Renan Calheiros na presidência do Senado em 2017, com apoio do governo federal. E hoje, como resta comprovado por fatos recentes, presidir as casas legislativas no Congresso confere poderes aos seus ocupantes muito maiores do que os de um ministro. Mas isso são especulações a serem confirmadas, lembrando que tendências podem mudar a todo instante.

O que fizeram os ministros cearenses?
Vamos lá. Vários nomes cearenses ocuparam diversos ministérios nos últimos anos e isso, francamente, não fez muita diferença para o Estado.

Quantas obras realmente importantes para mudar o perfil socioeconômico do Ceará foram inauguradas por esses ministros? Nem mesmo a reforma do aeroporto foi realizada (lembram do “puxadinho”?). De que valeram para os cearenses essas nomeações na hora, por exemplo, de garantir a refinaria que não veio? De que serviram para evitar os caríssimos atrasos na transposição do rio São Francisco? Qual a utilidade de ter tido um ministro da Educação por três meses? Para o Ceará, os resultados nesses últimos 15 anos foram pífios, essa é a verdade.

Não estou dizendo que nada fizeram. Com certeza alguns deixaram suas marcas etc., etc. Só lembro que esses cargos, que são de abrangência nacional, não resultaram em ações direcionadas para beneficiar o estado natal dos ministros. Pelo menos no que diz respeito ao Ceará.

De toda forma, se o problema é o medo de falta de prestígio, é preciso dizer que, infelizmente, pela ausência de inaugurações e pelas promessas não cumpridas, falta de prestígio nunca faltou para a base que deu sustentação a Lula e Dilma no Ceará, apesar da nomeação de um ou outro ministro. Não seria, portanto, novidade alguma.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.