Ministério da Educação Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ministério da Educação

Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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Cid, o breve

Por Wanfil em Crônica

19 de Março de 2015

À esquerda, o rei Pepino, o Breve, original franco. À direita, o ministro pepino, o breve - versão brasileira

À esquerda, o rei Pepino, o Breve, original franco. À direita, o ministro pepino, o breve – versão Brasil, pátria educadora

A demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação após três meses no cargo me trouxe à memória a figura de Pepino, o Breve, rei dos francos de 751 a 768. Na verdade, existem mais diferenças do que semelhanças entre ambos, mas explico a comparação.

Com 17 anos de reinado, o “Breve” do monarca Pepino, ao contrário de Cid, não diz respeito ao tempo no cargo, mas à sua baixa estatura física. Já a estatura histórica do ex-governador do Ceará como ministro da Educação é nula: foram três meses perdidos para estudantes e professores. Mesmo com carta branca para montar sua equipe, a grande marca do cortesão Gomes nesse período foi ser um pepino ambulante para a presidente Dilma, rainha acuada por protestos populares e que limitou o orçamento da pasta. Pepino, como nome próprio, era comum no século XVIII; pepino, como sinônimo de problema, é comum no governo brasileiro.

O ministro pepino saiu do governo três dias após milhões de brasileiros irem às ruas protestar contra a gestão Dilma e no mesmo dia em que uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que a popularidade da presidente é a menor para um governante em início de mandato. Pepino, o rei, lutou uma vida inteira para unificar os francos, enfrentando rebeliões internas e guerras externas. Cid, o breve, cortou o Fies e foi substituído por um tecnocrata, deixando como legado uma crise política com parlamentares da Câmara dos Deputados, usada como pretexto para abandonar a administração impopular. Pepino, o Breve, deu início ao Império Carolíngio e deixou como herdeiro Carlos Magno, que ampliou consolidou o domínio franco e deixou como legado nada menos que a França e a Alemanha.

Cada povo tem o pepino que merece.

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Ministro Cid Gomes é salvo por uma traqueobronquite aguda

Por Wanfil em Política

12 de Março de 2015

Assim como o diretor da escola não acredita que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha desconfia da enfermidade de Cid.

Assim como o diretor da escola não acreditava que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, desconfia da enfermidade de Cid.

Quando o ministro da Educação, Cid Gomes, disse que a grande dificuldade do governo federal era ter que lidar com uns 300 ou 400 achacadores na Câmara dos Deputados, certamente não imaginou o tamanho da encrenca em que se meteria.

Convocado pelos parlamentares a dar explicações ontem, quarta-feira, dia 11, o ex-governador do Ceará não compareceu por motivos de saúde, estando, inclusive, internado para tratamento de “sinusite, traqueobronquite aguda e pneumopatia”, conforme boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Havia uma expectativa sobre a postura de Cid: se confirmasse as declarações em plenário, aumentaria a crise política que abala a gestão Dilma; se pedisse desculpas, vestiria a carapuça de bravateiro. Se confirmasse e não fosse desautorizado pela presidente, o governo estaria ratificando a opinião do ministro; se fosse advertido publicamente pela chefa e ainda assim não se retratasse, a demissão seria inevitável. O impasse não foi resolvido, mas Cid ganhou um tempinho.

Desconfiança
Embora a internação tenha sido confirmada pelo Sírio-Libanês, para os deputados, a coincidência de ser internado justamente na véspera do dia em que falaria aos deputados, deixou no ar a impressão de manobra para não ir ao Congresso. Por isso, em resposta, a Câmara quer criar uma comissão de parlamentares médicos para conferir a veracidade da doença ou exigir um laudo médico para dirimir dúvidas. Um constrangimento desconcertante, como poucas vezes se viu.

Teto de vidro
Muita gente concorda com o que Cid disse sobre os deputados. Particularmente, também não confio na maioria dos congressistas, mas não creio na tese do achacamento, pois assim o governo federal ficaria na condição de vítima impotente de vícios alheios e não de comparsa de seus aliados.

O problema é que ao externar sua opinião, o ministro criou uma saia justa para o governo, que precisa como nunca aprovar o pacote de maldades na economia para cobrir o rombo nas contas públicas. Além do mais, quem tem teto de vidro não joga a primeira pedra: a maioria dos 39 ministérios do governo do qual Cid faz parte foram loteados no balcão de negócios do “toma lá, dá cá” institucionalizado em Brasília.

Dessa lambança toda, o fato mais evidente é que no momento o ministro da educação virou uma dor de cabeça para o Planalto. Se não tomar cuidado, a traqueobronquite aguda que agora ajudou Cid, poderá, logo ali adiante, lhe custar o cargo.

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Decifrando Cid no Ministério da Educação, Corte e Costura: “eu sigo orientações”

Por Wanfil em Educação

20 de Fevereiro de 2015

Reunião no Ministério da Educação para corte de verbas e costura de justificativas bordadas.  (Original: Costureiras trabalhando, obra de Marques Oliveira)

Técnicos do Ministério da Educação trabalhando: corte de verbas e outros tecidos, costura de antigas justificativas bordadas.
(Original: Costureiras trabalhando, de Marques Oliveira)

A presidente Dilma anunciou que o lema de sua segunda gestão seria “Brasil, pátria educadora”. Depois nomeou o ex-governador do Ceará Cid Gomes para o Ministério da Educação. Expectativa elevada. Com menos de dois meses no cargo, já é possível ver que as prioridades do Ministério da Fazenda atropelaram o discurso de palanque: corte de custos. Cabe aos ministro emendarem a essa condição desculpas sobre eficiência administrativa. No caso de Cid, ficamos com  o Ministério da Educação, Corte e Costura, com o lema “Brasil, menos verbas, mais costuras retóricas”. Vejamos algumas medidas que ilustram esse “compromisso”.

Aula de Corte
1) corte no Fies para alunos de universidades particulares que reajustaram a mensalidade acima da inflação, embora o governo federal tenha reajustado combustíveis e energia sem considerar esse, digamos assim, parâmetro de justiça social;
2) atraso no pagamentos de R$ 6,6 bilhões em verbas, inclusive repasses para universidades públicas;
3) desse valor, R$ 700 milhões atingem o Pronatec (aquele programa do debate) e R$ 1,19 bilhão para a educação básica. Quer mais? Lá vai:
4) desde novembro não recebem pagamentos 423 mil bolsistas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio;
5) escolas técnicas e alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Fundação Capes também reclamam de atrasos.

Aula de Costura
O Ministério da Educação afirma que a maioria desses atrasos começaram no final do ano passado (antes, portanto, da atual gestão), que os pagamentos estão sendo regularizados, que isso acontece por causa da burocracia (e não do choque fiscal), e de medidas de melhoria no controle.

Realidade
O rombo nas contas públicas é monumental: R$ 17,2 bilhões. A ordem é cortar o que for possível, doa a quem doer, mesmo que em casos de estudantes progressistas que amam Che Guevara. Esses, aliás, devem compreender, afinal, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Além disso, faculdades de quinta categoria e alunos sem qualificação para o ensino superior foram financiados com objetivos eleitorais. Agora que a conta não fecha e as eleições foram ganhas, tome tesouradas.

Solidários
Por fim, é possível compreender melhor a postura do ministro Cid Gomes durante entrevista ao jornalista Chico Pinheiro, da Rede Globo, quando ele disse e repetiu:  “O meu papel é seguir as orientações da presidente Dilma”. “Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma”. É o velho “a culpa não é minha”.

É verdade que ela é quem manda, mas o estilo de aplicar o receituário é do ministro que, por fim, subscreve e compactua com as ordens da chefe e aliada. A culpa é solidária.

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Conselhos grátis para Dilma e Cid

Por Wanfil em Política

13 de Janeiro de 2015

O jornal O Estado de São Paulo informa que o ex-governador do Ceará Cid Gomes (Pros), atual ministro da Educação, pode vir a atuar também como articulador político do governo federal junto a aliados no Congresso Nacional. Faria dupla nessa função com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, dono do PSD.

A notícia tem lá sua lógica, afinal, a presidente Dilma é conhecida pela falta de trato para esse trabalho. Não basta ameaçar ou botar preço, é preciso ter jeito, saber ouvir, trabalhar vaidades, mediar disputas. E claro, oferecer compensações, com aquele ar de ação republicana desinteressada. Já Cid tem experiência no ramo. Durante sua gestão à frente do governo estadual, por exemplo, conseguiu colocar o até então indomável PT no bolso. E olha que a sigla tinha a família Ferreira Gomes na conta de oligarcas. Cid aparou as arestas e aos poucos passou a influenciar o partido em âmbito estadual, a ponto de criar o “PT cidista”. Um feito e tanto, convenhamos.

Conselhos grátis, aqui
O escritor Oscar Wilde dizia que aconselhar é  prova de profunda generosidade, pois é quando as pessoas oferecem aos outros aquilo o que mais precisam. De fato, faz sentido.

Sendo assim, se eu pudesse dar um conselho ao ministro Cid, diria para ele deixar esse papel de articulação só com o Kassab mesmo, para focar na gestão da Educação. O clima na base aliada, no governo e no próprio partido que o comanda é de conflagração aberta. Ministros trocam farpas publicamente. Marta Suplicy afirmou em entrevista ao mesmo jornal que o governo é um desastre na área econômica, que o PT se perdeu em escândalos e que Lula não é mais escutado pela presidenta, que por sua vez, só ouviria Aloísio Mercadante. Se meter nessa confusão é o caminho mais rápido para ter o ministério como alvo de intrigas políticas. Nesse cenário, ter uma boa gestão como ministro é mais importante do que atuar em bastidores hostis. José Serra (PSDB) fez isso na Saúde uma vez.

Já para a presidente Dilma, se me fosse dada a oportunidade, eu diria a ela para tomar cuidado com articuladores políticos que – não faz muito tempo assim – eram fiéis aliados de seus maiores adversários.

Podem não ser os melhores conselhos, mas pelo menos são de graça.

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.