mensalão Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

mensalão

Sentença que condena tucano por mensalão vale de recado para Lula e Dilma

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2015

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, do PSDB, foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage, de Belo Horizonte, no caso que ficou conhecido por “mensalão tucano”. Ainda cabe recurso, mas a decisão derruba um dos argumentos dos defensores dos “heróis do povo brasileir0” José Dirceu e José Genoíno, presos pelo “mensalão do PT”: sem a condenação, parte da esquerda posava de vítima argumentando  haver aí uma proteção contra os adversários do petismo, com o Judiciário agindo seletivamente. Com a condenação, esse discurso não cola mais.

Antes de prosseguir, um esclarecimento: em comum, esses “mensalões” têm como figura central o publicitário Marcos Valério atuando como operador responsável por desviar e distribuir o dinheiro de contratos de publicidade feitos com o governo de Minas num caso e com o governo federal em outro. Mas no caso de Azeredo, a acusação é de que essa grana serviu para financiar sua campanha ao governo; já no caso do PT (pelo qual Valério também fio condenado e preso), os recursos roubados serviam para comprar apoio de partidos no Congresso, pagos mensalmente, daí o nome mensalão.

Agora indo ao que interessa, destaco esse trecho da condenação proferida pela magistrada:

“Ora, acreditar que ele (Eduardo Azeredo) não sabia de nada e foi um simples fantoche seria o mesmo que afirmar que não possuímos líderes políticos, que os candidatos a cargos majoritários são manipulados por seus assessores e coordenadores políticos.”

Perfeito! Uma coisa é um foco de corrupção de algum assessor, secretário ou ministro, limitado pelo campo de atuação de cada um. Isso pode acontecer sem que prefeitos, governadores ou presidentes saibam. Mas quando o esquema envolve a alta cúpula da administração e beneficia, em última instância, o próprio chefe dos envolvidos, aí não tem jeito de alegar inocência, de dizer que não sabia.

Essa lógica serviu para condenar Dirceu no passado e Azeredo no presente. A ser mantida, serve também, sem tirar nem pôr, para condenar Lula e Dilma. Basta reler a sentença.

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Notas quase carnavalescas

Por Wanfil em Ceará

28 de Fevereiro de 2014

PIADA DE SALÃO

Delúbio Soares assim profetizou, em 2005: “No futuro, o mensalão vai virar piada de salão”. O que ninguém imaginava era que o salão da piada seria o Supremo Tribunal Federal, palco da manobra jurídica que reduziu as penas de José Dirceu, o próprio Delúbio, José Genoíno e João Paulo Cunha. O porta-bandeira-vermelha no desfile do bloco do jeitinho foi o ministro Luís Roberto Barroso, que chegou para completar a “maioria de circunstância”, expressão utilizada por Joaquim Barbosa para denominar a frente partidária instalada no STF.

CACHAÇA NÃO É ÁGUA

No Ceará, em meio à seca, pegou muito mal a intenção de algumas prefeituras de municípios em situação de emergência, de gastar dinheiro público com festas de Carnaval. Diante da má repercussão e da fiscalização do Tribunal de Contas dos Municípios e do Ministério Público estadual, muitas dessas festas, tradicionais fontes de contratos superfaturados, foram canceladas. Mas outras serão feitas na marra. É que para muitos espertalhões, a gastança com a folia servirá para alimentar, lá adiante, outra festa: a das eleições.

ASA DE ÁGUIA

Um grupo de vereadores da região do Cariri esteve reunido com membros da agremiação unidos da Assembleia Legislativa, para pedir ajuda na reforma de um aeroporto na região. O deputado Zezinho Albuquerque (Pros), presidente da Casa, explicou que apesar de não ter a caneta, irá pleitear junto com o governador Cid Gomes, uma audiência com o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, responsável, vejam só, pelo atraso nos aeroportos para a Copa. Pode ser que não resolva o problema, mas o desfile está garantido.

ETERNOS CONFETES

A Petrobras, na semana que antecedeu o Carnaval, para a alegria da base aliada no Ceará, anunciou nova data para o início das obras da refinaria prometida por Lula e Dilma. Será em… 2018! Esse é o bloco dos aliados, que só desfila em carnavais de ano eleitoral.

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Novo vice-presidente nacional do PT, Guimarães recebeu R$ 250 mil do velerioduto em 2003

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2013

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal José Guimarães assume a 1ª vice-presidência do PT e é cotado para coordenar a campanha de Dilma em 2014. Foto: Blog do Augusto Nunes/Veja

O deputado federal pelo Ceará José Nobre Guimarães assume nesta quinta-feira (12) o cargo de 1º vice-presidente na Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar, que é líder do PT na Câmara Federal e irmão de José Genoíno, ex-presidente do partido recentemente preso por corrupção no caso do mensalão, é cotado ainda para ser um dos coordenadores à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em 2010, o petista foi coordenador da campanha no Nordeste.

Como todos sabem, Guimarães ficou nacionalmente conhecido quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca, em 2005.

No entanto, outro episódio menos famoso mas não menos polêmico  pode constranger a sigla em 2014, ano eleitoral. Quando estourou o escândalo do mensalão e todos souberam das ações do empresário Marcos Valério, o operador do esquema condenado à prisão pelo STF na ação penal 470, José Guimarães admitiu ter recebido R$ 250 mil ilegais do valerioduto em 2003 para quitar dívidas da campanha eleitoral de José Airton Cirilo para o governo estadual, disputada no ano anterior, por intermédio do tesoureiro Delúbio Soares, outro condenado.

Vale dizer que Guimarães não foi condenado em nenhum dos casos. Alegou que nada sabia das atividades do assessor (que disse que a grana foi o apurado da venda de legumes), nem da origem dos recursos enviados por Marcos Valério. Houve um processo de cassação na Assembleia Legislativa por quebra de decoro, mas com o apoio do próprio partido e de deputados do grupo cirista liderados por Ivo Gomes, o petista manteve o mandato.

O resto é história. Guimarães deu a volta por cima, consolidando a posição de nome influente nos círculos de Brasília e junto a órgãos federais, como o Banco do Nordeste.

O risco disso tudo, para a presidente (que tem evitado referências a Dirceu, Genoíno e Delúbio)  é ter como coordenador de campanha alguém que se notabilizou por escândalos ligados “recursos não contabilizados”.

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PT do Ceará sai em defesa de corruptos condenados e comemora fuga de bandido

Por Wanfil em Partidos

26 de novembro de 2013

O PT do Ceará se reuniu nesta segunda-feira na Assembleia Legislativa em ato de solidariedade a José Dirceu, José Genoino e Delubio Soares, condenados pelo Supremo Tribunal Federal e presos pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa. O desagravo também incluiu Henrique Pizzolato, outro petista e ex-diretor do Banco do Brasil condenado no mensalão, mas que fugiu para a Itália.

Distorções e imposturas

É perfeitamente compreensível que lideranças trabalhem para amenizar os efeitos negativos que do mensalão, mas daí a criar uma fantasia conspiratória, vai um longo caminho.

A essa altura, não reconhecer minimamente alguns dos próprios erros soa algo esquizofrênico. Especialmente no Ceará, onde parte do dinheiro movimentado no esquema operado por Marcos Valério e Delúbio Soares para desviar recursos públicos abasteceu a campanha de José Airton Cirilo ao governo estadual em 2002, crime pelo qual ninguém nunca pagou.

Pelas declarações veiculadas em jornais, a ordem no PT é negar os fatos e ignorar o acontecido, para manter em seus quadros os criminosos condenados. Desde logo, é bom desmontar o argumento de que busca focar atenção em Joaquim Barbosa, como se a condenação dos mensaleiros fosse decisão monocrática e resultasse de uma má vontade pessoal do ministro. O processo foi conduzido e finalizado por um COLEGIADO de onze ministros, oito dos quais indicados durante governos do PT.

Vergonha alheia

O deputado estadual Professor Pinheiro disse que o julgamento foi um “processo apenas político”. É a senha para justificar a tese de que os corruptos do mensalão são “presos políticos”. Trata-se de uma agressão à inteligência, pois a condição sine qua non para classificar alguém como perseguido político é esse indivíduo ser oposição ao regime em vigor. Não existe na história da humanidade a figura do preso político de situação. Pinheiro é professor do curso de História da UFC, condição que agrava a impostura por não conceder ao parlamentar a desculpa da ignorância. Resta sentir vergonha pelo intelectual que ele foi.

Para o deputado Camilo Santana, o revoltante mesmo é ver que “muitos outros soltos por aí”. Nesse ponto, é impossível discordar. Vejamos, por exemplo, os responsáveis pelo infame “escândalo dos banheiros fantasmas”, aqui no Ceará, que estourou quando Santana era secretário estadual das Cidades. Estão aí soltos… Mas Camilo exagera quando recrimina a oposição, acusando-a de tenta “macular” a imagem do PT. Ora, opositores não obrigaram Genoino a fraudar documentos e nem mesmo denunciaram nada. Quem detonou o esquema foi um aliado: Roberto Jefferson. E quem manchou a imagem do PT foram os presos que, ironicamente, ganham homenagens do partido. Vai entender…

Já o deputado Antônio Carlos acredita que o STF “excedeu seus limites”. É o tipo de pensamento perigoso e inapropriado para um democrata, pois sugere que alguém precisa dar limites ao Judiciário. Além do mais, resta saber: que limites seriam esses? Outra conclusão, mais divertida, é imaginar que os magistrados do Supremo precisem de aulas com Antônio Carlos.

Segundo Ilário Marques, a culpa é da “mídia” que intimida o Congresso Nacional. Talvez se a imprensa não noticiasse sobre o caso, fosse elogiada. Sempre sobra para a imprensa…

Para Diassis Diniz, presidente eleito da executiva estadual, parlamentares do PT não agem para se “locupletar”, como se desviar dinheiro público para comprar parlamentares de outros partidos ou abastecer caixa dois fosse altruísmo. Pelo visto, a diferença entre Maluf e Genoino é o destino dado ao dinheiro surrupiado, o que faria do segundo, no entender de alguns petistas, um herói. Sem esquecer o fato de que Maluf é aliado.

Cumplicidade pública

O momento mais constrangedor do encontro ficaram por conta dos comentários sobre o fugitivo da Justiça Henrique Pizzolato, conforme relato da repórter Jéssica Welma para o jornal O Povo. A ação, de acordo com Joaquim Cartaxo, vice-presidente estadual do PT, foi nada menos que “genial”.

O vereador Deodato Ramalho, por sua vez, vê a fuga com bons olhos. Seria uma segunda chance para os criminosos provarem sua inocência. Isso mesmo, o advogado Ramalho entende que a Justiça no estrangeiro deve ser sobrepor à do Brasil, desde que, resta claro, se confirme a tese dos condenados. Se eu fosse advogado e não acreditasse mais o mínimo na Justiça brasileira, mesmo com todos os seus defeitos e limitações, a ponto de ver vantagem em fugas, faria outra coisa. Talvez me candidatasse a vereador.

Petistas de bem

Os petistas de bem, aqueles que ainda acreditam nos ideais defendidos pelo partido no passado, não merecem essas lideranças comprometidas com a defesa cega de corruptos, alicerçados na crença de que os fins justificam os meios. Conheço alguns assim. Gente boa que, talvez por isso, não consiga subir na hierarquia do partido.

Pela capacidade de organização e articulação que possui, o PT poderia enfrentar esse momento com dignidade, expulsando os condenados e se desculpando com seus filiados e eleitores. Mas parece os que não comungam com a solidariedade aos mensaleiros são minoria.

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O Sermão do Bom Ladrão e os sermões dos mensaleiros

Por Wanfil em Política

21 de novembro de 2013

Escrito no Século 17, atual como nunca.

Escrito no Século 17, atual como nunca.

Encerrada a batalha dos tribunais no caso do mensalão, segue a guerra com a batalha das versões, já de olho na batalha eleitoral de 2014. A questão agora é saber até que ponto a condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por crime de corrupção ativa poderá influenciar o eleitorado, ou parte dele pelo menos. Assim, governistas e opositores buscam dar luz as suas interpretações, cada um buscando adaptar os fatos para cunhar a História ao sabor dos seus interesses.

A oposição não tem força para transformar o episódio numa campanha pela ética na política. Para isso seria preciso o controle ou o mínimo de ascendência sobre as máquinas sindicais, a produção universitária, as Ong’s, ou mesmo sobre categorias profissionais estratégicas como jornalistas e professores. Na prática, os adversários do governo se valem apenas de propaganda partidária ou eleitoral ou de algum espaço em colunas de jornal.

Quem tem poder de influência e articulação sobre essas entidades mesmo é o PT, que naturalmente faz uso dele. Por isso, já escalou lideranças de segundo escalão (os principais estão presos ou em postos no governo – com Lula protegido como símbolo do partido), para a missão de pregar o sermão da inocência e do vitimismo dos companheiros, e espalhar aos seus simpatizantes as seguintes ideias, doravante replicadas em todo o país por seus agentes de influência: 1) O julgamento teria sido uma farsa e os petistas condenados pelo desvio de pelo menos 150 milhões de reais dos cofres públicos seriam presos políticos; 2) não haveria provas dos crimes, muito embora os condenados tenham contado com a defesa dos mais caros advogados do país, o que faria de qualquer erro técnico um escândalo histórico; 3) a resposta do PT será dada nas urnas no ano que vem. A ideia é dizer que as eleições seriam uma espécie de tribunal popular, como se no Brasil não fosse comum corruptos contumazes serem eleitos seguidamente.

E vejam só quem é o mais destacado pregador do sermão dos mensaleiros: o líder do PT na Câmara dos Deputados e parlamentar cearense José Guimarães, irmão de Genoino e nacionalmente conhecido pela prisão do assessor com dólares na cueca em 2005. Em âmbito estadual, a tese da redenção pelas urnas foi apregoada na Assembleia Legislativa do Ceará esta semana pelo deputado Camilo Santana, conhecido localmente pelo escândalo dos “banheiros fantasmas”. A dupla garante que os corruptos condenados são pessoas honestas, heróis mesmo, injustiçados pelos homens.

Para fugir dessa guerra de versões, busquei um personagem distante no tempo: padre Antonio Vieira, autor do célebre e antológico o Sermão do Bom Ladrão. Reproduzo abaixo três trechos da obra, escrita em 1655 (os grifos são meus), que podem nos ajudar a refletir sobre o caso. Deixo com o leitor a interpretação deles para o presente que vivemos.

Capítulo IV

“É o que disse o outro pirata a Alexandre Magno. Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.”

Capítulo V

“O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Não são só ladrões os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. — Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.”

Capítulo VI

“Vai o texto [cita Santo Tomás de Aquino]: Aquele que tem obrigação de impedir que se não furte, se o não impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou. E até os príncipes, que por sua culpa deixarem crescer os ladrões, são obrigados à restituição, porquanto as rendas, com que os povos os servem e assistem, são como estipêndios instituídos e consignados por eles, para que os príncipes os guardem e mantenham em justiça.”

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“Viva o PT” de Genoino e “consciência livre” de Dirceu equivalem a dizer: “Eu não me arrependo e faria de novo”

Por Wanfil em Brasil

15 de novembro de 2013

A prisão dos condenados pelo STF no caso do mensalão deve ser comemorada como uma batalha surpreendentemente vencida na guerra contra a corrupção. Nada de hastear a bandeira da paz, pois os inimigos são muitos e poderosos. Não apenas no PT, como tentam justificar o petismo, é verdade. Mas estando no poder e tendo crescido com a promessa de romper com o que depois aderiu, seu vexame moral é tanto mais ressonante.

Corruptos se alimentem do mesmo expediente, que é o roubo aos cofres públicos. Mas é fundamental discernir as nuances e distinções que separam, por exemplo, José Dirceu e José Genoino de Paulo Maluf e Roberto Jefferson.

Nem todo corrupto é igual

José Genoino, criminoso condenado pelo Supremo a seis anos e 11 meses de cadeia pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, ao ser entregar para a Polícia Federal, gritou: “Viva o PT”. José Dirceu, condenado pelos mesmo crimes a dez anos e dez meses de cadeia, declarou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo: “Nenhuma prisão vai prender a minha consciência”.

As declarações são essenciais para uma compreensão acerca da atualidade na política brasileira. O PT tem história, híbrido do sindicalismo de resultados (de onde veio Lula), comunismo (escola de Dirceu) e da Teologia da Libertação (berço de Genoino). Maluf e tantos outros representam a corrupção que tem no enriquecimento ilegal do próprio corrupto seu maior e único fim. O corrupto com pedigree ideológico tem uma causa a justificar-lhe os atos. Esses podem ser mais perigosos justamente por entenderem que agem em nome de algo superior: o partido, que passa a ser o seu ente de razão. Existe aí uma ética torta, mas aos seus olhos, uma ética justa.

Uma ética diferente

O princípio básico dessa ética é moldável de acordo com as circunstâncias. Assaltar bancos, por exemplo, como fazia Dilma Rousseff, pode ser uma atividade edificante desde que seja para financiar sua causa política. Matar alguém, ou uma classe social inteira, é prova de virtude, desde que seja para pavimentar a ascensão do partido. Foi assim na Rússia de Stálin ou na China de Mao. É História.

Portanto, superfaturar uma obra ou falsificar uma operação financeira para comprar a base de sustentação de um governo com o dinheiro roubado é um mal necessário, no entendimento dessa turma.

Ao dizer que sua consciência é livre, Dirceu reafirma essa condição de militante que sabe o que faz e pelo que faz. É uma forma de dizer que não traiu a causa que, por imposição tática, fez uso da corrupção para consolidar um projeto político contra o que eles chamam de elite burguesa. O “Viva o PT” de Genoino é um recado claro: “Não me arrependo do que fiz para o partido”. Esses sujeitos trabalharam para fazer de sua sigla a agremiação mais rica e poderosa do país. Ajudaram a eleger presidentes em campanhas milionárias.  “Não fiquei rico” é o argumento inicial de suas defesas. Isso sim poderia ferir o senso ético deles. Quem não destina os recursos desviados para o partido (pesquisar caso Celso Daniel) merece o desprezo ou algo pior. Roubar para si é pecado. Roubar para o partido é heroísmo.

A “luta” continua

Esse projeto continua em curso, levado pelos companheiros que são a) blindados e b) operam em outras atividades. A turma do financiamento de campanha continua firme, claro. Defende agora o financiamento público de campanha, que é uma forma de deslocar o debate para a esfera da institucionalidade. O crime existe por causa forças externas e não por empenho de convicções internas. É cortina de fumaça.

Os mensaleiros foram presos, mas sua missão, ao final, foi bem sucedida.

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O problema não é o STF, o problema é você, eleitor

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2013

Meu comentário na coluna política, da Tribuna BandNews FM – 101.7

A indignação geral – ou quase geral – com a decisão do STF sobre os tais embargos infringentes e que beneficiou 12 réus do mensalão é o assunto da hora nas rodas de conversa. Onde quer que a gente chegue, o rosário de lamentações começa. Curioso como todos são contra a impunidade e a impunidade ainda assim prospera… Bom, nesse clima de contrariedade, o vilão do momento é o ministro Celso de Mello, cujo voto desempatou a questão a favor dos condenados. De vez em quando elegemos um responsável pela impunidade crônica que vigora no país.

O escritor Nelson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa. Eu digo, na mesma linha, que impunidade e decadência também não se improvisam.

Amplidão

Se hoje o Judiciário brasileiro se vê ameaçado pelo aparelhamento ideológico partidário, isso acontece porque existem forças políticas de posse dos instrumentos necessários para essa ação. O próprio mensalão foi instrumento utilizado para controlar outro poder, o Legislativo, em benefício do projeto idealizado por José Dirceu, Lula e companhia.

O que muitos dos que agora reclamam não atentam, ou não querem atentar, é para o fato de que o mensalão não se resume aos réus que terão novo julgamento, mas antes se amplia no arco de alianças que fazem orbitar em torno do PT as mais diferentes siglas, todas conectadas por interesses nada republicanos.

A presidente da República, o governador do Ceará, a ex-prefeita e o atual o prefeito de Fortaleza, por exemplo, são aliados políticos dos mensaleiros, quer admitam isso ou não. Em 2014, cada um a seu modo, sabe que precisa preservar o arranjo de poder do compartilhado por José Genoíno e Delúbio Soares.

Quem pode passar o país a limpo?

Por isso, querer que o judiciário agora corrija em um único julgamento as distorções que começam no Executivo e se estendem pelo Legislativo é sintoma de desespero ou cegueira.

Antes de culpar esse ou aquele ministro do Supremo Tribunal nesse episódio, é preciso que façamos a seguinte pergunta para nós mesmos: Afinal, como chegamos a esse ponto? Como deixamos as instituições serem desmoralizadas desse jeito? Como, enquanto nação, nos permitimos ser governados, ainda hoje, nesse exato instante, pelos agentes do mensalão? E, por fim, o que faremos a respeito?

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Depois do susto, a farra dos sem-vergonha

Por Wanfil em Brasil

18 de setembro de 2013

Se durante os protestos de junho a classe política se viu obrigada a aprovar uma ou outra medida para acalmar o público, depois que as coisas voltaram acalmaram, um conjunto de decisões casuísticas e desassombradas mostram que a pele de cordeiro não é mais necessária para iludir o rebanho.

Cito alguns de memória, pois se pesquisasse a lista seria demasiadamente longa.

1) Solidariedade ao deputado presidiário – De cara, deputados federais se recusaram a cassar um colega que cumpre pena em presídio (uma daquelas exceções que no fim confirmam a regra da impunidade). Como a coisa pegou mal (resquícios dos protestos), rapidinho os excelentíssimos aprovaram nova lei que determina a cassação imediata de parlamentares presos, exceto – atenção! – para os crimes de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, em que são notórios especialistas. Legislaram, portanto, em causa própria.

2) A esperança dos mensaleiros – Em outra frente, o país assiste atônito a imensa dificuldade de suas instituições democráticas em colocar a turma do mensalão na cadeia. Isso se conseguirem… No Brasil, parafraseando Arnaldo Jabor, corruptos confiam na justiça.

3) Uma reforma eleitoral malandra – Como se não bastasse, foi aprovada no Senado, uma minirreforma eleitoral que, na prática, legaliza algumas práticas até então criminosas e imorais, ao permitir que empresas sócias de concessionárias de serviços públicos façam doações a candidatos. É a aprovação do financiamento público de campanha por meio de laranjas. É escandaloso. A matéria segue agora para a Câmara.

4) A CPI de araque – No Ceará, para mostrar algum serviço ao distinto contribuinte, os deputados estaduais aprovaram a CPI da telefonia, muito embora a área seja controlada legislação e órgãos federais. Enquanto isso, bons companheiros que são, o parlamento estadual deixa de fiscalizar o executivo estadual, dando de ombros para denúncias de dispensas irregulares de diversas licitações ou de abusos em gastos com viagens e buffets.

As manifestações de rua, todos viram, saíram do controle das organizações pelegas que sempre controlam esses eventos. Por isso, assustaram, mas não o bastante para mudar a natureza dos lobos.

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A condenação de José Dirceu e o Sermão do Bom Ladrão

Por Wanfil em Brasil, Judiciário, Política

12 de novembro de 2012

Padre Vieira, autor do Sermão do Bom Ladrão: sem arrependimento não há mudança. Sem a devolução do roubado, não há arrependimento verdadeiro.

O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-ministro José Dirceu a 10 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Dirceu dispensa apresentações. Ícone da esquerda revolucionária no passado e braço direito de Lula na criação do Partido dos Trabalhadores e depois na moderação do discurso que o levou ao Planalto, Dirceu é personagem central do projeto de poder que comanda o país a 10 anos. Se Lula exerceu o papel de símbolo desse projeto (o sonho marxista do operário a liderar as massas contra a expliração da classe dominante), Dirceu foi a força operacional e ideológica que o sustentava.

Os mais empolgados acreditam que os ministros do STF passam o Brasil a limpo. Sem prejuízo para o valor singular do julgamento e da condenação dos mensaleiros, é preciso ter cuidado com esses arroubos. Os companheiros de Dirceu, esses que atuam na linha de frente do governo e dirigem o PT por todo o país, não dão sinais de que repudiam os atos dos criminosos condenados. Por isso não os expulsam da sigla. Há o lamento pela queda, mas não há arrependimento. E sem arrependimento, não há mudança de postura.

Sobre roubos e ladrões

Assim, lembro de uma passagem do belíssimo Sermão do Bom Ladrão, do Padre Antônio Vieira (1608-1697), proferido em Portugal no ano de 1655, na Igreja da Misericórdia de Lisboa, diante das maiores autoridades do país, entre os quais o rei D. João IV, que reproduzo abaixo (grifo meu):

Se o alheio, que se tomou ou retém, se pode restituir, e não se restitui, a penitência deste e dos outros pecados não é verdadeira penitência, senão simulada e fingida, porque se não perdoa o pecado sem se restituir o roubado, quando quem o roubou tem possibilidade de o restituir“.

Em outro trecho, citando Santo Tomás de Aquino, o padre deixa claro a omissão, para a Justiça Diniva, é crime também, ao contrário do pregam alguns admiradores do ex-presidente Lula, chefe de Dirceu durante o tempo em que o mensalão foi operado:

Aquele que tem obrigação de impedir que se não furte, se o não impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou. E até os príncipes, que por sua culpa deixarem crescer os ladrões, são obrigados à restituição, porquanto as rendas, com que os povos os servem e assistem, são como estipêndios instituídos e consignados por eles, para que os príncipes os guardem e mantenham em justiça“.

Por último, destaco esta outra passagem, utilizada pelo ministro Ayres Britto durante o julgamento, onde Vieira distingue os ladrões pequenos dos grandes:

Os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.

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Por que tantos ainda aplaudem os criminosos do Mensalão?

Por Wanfil em Política

24 de outubro de 2012

Depois do Mensalão, o pior cego é aquele que não quer ver. Simples assim. Mas por que eles não querem ver?

O julgamento do Mensalão do Supremo Tribunal Federal resultou na condenação de José Dirceu e José Genoíno, líderes e símbolos do Partido dos Trabalhadores e no governo Lula da Silva, por crimes de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.

Isso não significa que o PT seja todo composto de corruptos e nem que o governo Lula tenha sido integralmente operado por membros da quadrilha. Mas para que isso fique claro, é necessário que esses criminosos – e os que os defendem – sejam expulsos do PT e afastados do governo Dilma (Genoíno pediu para sair, não foi demitido). Sem isso, resta a conclusão incontornável de que nessas instâncias os que não são corruptos e quadrilheiros se deixam, por motivos diversos, liderar por eles.

Fragilidade emocional, instinto de sobrevivência e fé cega

Como isso acontece? Que forças impelem algumas pessoas a fecharem os olhos diante dos fatos mais cristalinos? Não falo das massas desprovidas de formação e informação, historicamente manipuladas pelo populismo, mas de setores com acesso ao noticiário e com capacidade analítica.

Existe, naturalmente, um componente psicológico nessa disposição à cegueira. O sujeito que empenhou sentimentos na crença de que estava no lado certo, que apostou em figuras que representariam valores elevadíssimos, agora resiste em aceitar que foi tapeado, que perdeu tempo e que tudo não passou de um embuste. Prefere viver no mundo que idealizou – e onde tudo fazia sentido – a encarar o mundo real.

Há também o instinto de sobrevivência. É quando a pessoa atrela suas opções ideológicas e partidárias ao seu trabalho e à sua própria subsistência, sendo-lhe temível o desmonte da estrutura sobre a qual ela se equilibra financeira e profisionalmente. Esse tipo geralmente é aguerrido, pois defende não apenas os chefes, mas sobretudo seus interesses pessoais mais imediatos.

Por último, tem a fé. Pode ser a crença no mito do salvador da pátria ou na ideologia socialista, tanto faz. A fé é auto confirmatória já dizia Émile Durkheim, ou seja, é uma adesão dispensa elementos comprobatórios. Assim, se para o militante fanático o Mensalão não existiu, não adianta discutir.

A comodidade de ser indiferente aos fatos

Isso tudo me lembra o filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, baseado no relato Traudl Junge, secretária de Adolf Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. A figura do Füher fascinava a jovem inexperiente que o idolatrava. No entanto, na cena final, a própria secretária, já idosa, afirma não ter certeza se sua indiferença em relação ao crimes do governo era apenas ingenuidade, pois, no fundo, feito um autoexame mais distanciado, ela desconfia que deliberadamente optou por não ver o que estava à sua volta como forma de proteção e comodidade.

AVISO

Esse post não tem propósito eleitoral. As críticas aqui feitas ao PT ou aos seus líderes não significam concordância com candidaturas de outras siglas. Em Fortaleza, aliás, cumpre lembrar que Roberto Cláudio e Cid Gomes, do PSB, foram e são tão aliados de José Dirceu e Lula quanto os petistas Elmano de Freitas e Luizianne Lins. Nesse caso, qualquer alusão feita ao Mensalão com fins eleitoreiros não passa do sujo falando do mal lavado.

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Por que tantos ainda aplaudem os criminosos do Mensalão?

Por Wanfil em Política

24 de outubro de 2012

Depois do Mensalão, o pior cego é aquele que não quer ver. Simples assim. Mas por que eles não querem ver?

O julgamento do Mensalão do Supremo Tribunal Federal resultou na condenação de José Dirceu e José Genoíno, líderes e símbolos do Partido dos Trabalhadores e no governo Lula da Silva, por crimes de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.

Isso não significa que o PT seja todo composto de corruptos e nem que o governo Lula tenha sido integralmente operado por membros da quadrilha. Mas para que isso fique claro, é necessário que esses criminosos – e os que os defendem – sejam expulsos do PT e afastados do governo Dilma (Genoíno pediu para sair, não foi demitido). Sem isso, resta a conclusão incontornável de que nessas instâncias os que não são corruptos e quadrilheiros se deixam, por motivos diversos, liderar por eles.

Fragilidade emocional, instinto de sobrevivência e fé cega

Como isso acontece? Que forças impelem algumas pessoas a fecharem os olhos diante dos fatos mais cristalinos? Não falo das massas desprovidas de formação e informação, historicamente manipuladas pelo populismo, mas de setores com acesso ao noticiário e com capacidade analítica.

Existe, naturalmente, um componente psicológico nessa disposição à cegueira. O sujeito que empenhou sentimentos na crença de que estava no lado certo, que apostou em figuras que representariam valores elevadíssimos, agora resiste em aceitar que foi tapeado, que perdeu tempo e que tudo não passou de um embuste. Prefere viver no mundo que idealizou – e onde tudo fazia sentido – a encarar o mundo real.

Há também o instinto de sobrevivência. É quando a pessoa atrela suas opções ideológicas e partidárias ao seu trabalho e à sua própria subsistência, sendo-lhe temível o desmonte da estrutura sobre a qual ela se equilibra financeira e profisionalmente. Esse tipo geralmente é aguerrido, pois defende não apenas os chefes, mas sobretudo seus interesses pessoais mais imediatos.

Por último, tem a fé. Pode ser a crença no mito do salvador da pátria ou na ideologia socialista, tanto faz. A fé é auto confirmatória já dizia Émile Durkheim, ou seja, é uma adesão dispensa elementos comprobatórios. Assim, se para o militante fanático o Mensalão não existiu, não adianta discutir.

A comodidade de ser indiferente aos fatos

Isso tudo me lembra o filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, baseado no relato Traudl Junge, secretária de Adolf Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. A figura do Füher fascinava a jovem inexperiente que o idolatrava. No entanto, na cena final, a própria secretária, já idosa, afirma não ter certeza se sua indiferença em relação ao crimes do governo era apenas ingenuidade, pois, no fundo, feito um autoexame mais distanciado, ela desconfia que deliberadamente optou por não ver o que estava à sua volta como forma de proteção e comodidade.

AVISO

Esse post não tem propósito eleitoral. As críticas aqui feitas ao PT ou aos seus líderes não significam concordância com candidaturas de outras siglas. Em Fortaleza, aliás, cumpre lembrar que Roberto Cláudio e Cid Gomes, do PSB, foram e são tão aliados de José Dirceu e Lula quanto os petistas Elmano de Freitas e Luizianne Lins. Nesse caso, qualquer alusão feita ao Mensalão com fins eleitoreiros não passa do sujo falando do mal lavado.