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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

mendigos

Faxina social em Fortaleza na Copa do Mundo tem o selo Padrão Brasil

Por Wanfil em Ceará

19 de junho de 2014

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Desde o último dia 12 de junho, data de abertura da Copa do Mundo do Brasil, agentes da Prefeitura de Fortaleza e do governo do Ceará atuam em conjunto no projeto batizado de Agência de Convergência, para retirar das ruas crianças, adolescentes e adultos em situação de rua ou de mendicância, oferecendo-lhes alimentação em abrigos improvisados.

O caso foi divulgado pelo portal Tribuna do Ceará. A oposição na Câmara Municipal classificou a iniciativa de “faxina social”. Governo e prefeitura lembram que medidas assim foram adotadas em todas as cidades sedes da Copa e que não existe internação compulsória. Só vai para o abrigo quem quer, e menores, somente com autorização dos pais. Em suma, trata-se de uma “ajuda”. O fato de o projeto ter começado somente agora, atuando no entorno dos pontos principais relacionados ao evento, especialmente em dia de jogos, é somente coincidência.

Conversa… É claro que ser o foco da atenção mundial durante a Copa é a razão de ser do projeto Agência de Convergência. Isso nem sequer é novidade. Já aconteceu em outros países, como a China nas Olimpíadas e na África do Sul, na Copa de 2010. Como o Brasil, são países em desenvolvimento, de contrastes difíceis de esconder.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, técnicos do governo e da prefeitura negaram com firmeza a ideia de “higienização” social. O constrangimento é compreensível, pois os fatos falam por si. Fossem políticas permanentes, de amplo alcance, de longa data, aí estaríamos falando de uma política pública efetiva. Mas não é o caso. São ações provisórias evidentemente ligadas ao calendário da Copa. Poderia ser o grande legado do torneio, caso se tornasse algo permanente, funcionando em ano sem eleições.

Gambiarra social

Pobres e mendigos perambulados sujos pelas ruas, especialmente crianças, muitas drogadas, não combinam com a suntuosidade dos estádios e das propagandas oficiais. E aí, como sempre, faz-se uma gambiarra. Nos estádios, tem-se o Padrão Fifa. Fora deles, reina o Padrão Brasil, privilegia o truque, o arranjo de última hora. É a mesma lógica que culminou no puxadinho no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza. Ou nos metrôs inaugurados a cada seis meses, custaram horrores, mas que na Copa não funcionaram.

O projeto Agência de Convergência é só mais um jeitinho improvisado, para dar a impressão de que o problema não existe.

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Faxina social em Fortaleza na Copa do Mundo tem o selo Padrão Brasil

Por Wanfil em Ceará

19 de junho de 2014

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Escola municipal Alba Frota é um dos abrigos improvisados durante a Copa do Mundo em Fortaleza (foto: Pedro Alves/Tribuna do Ceará)

Desde o último dia 12 de junho, data de abertura da Copa do Mundo do Brasil, agentes da Prefeitura de Fortaleza e do governo do Ceará atuam em conjunto no projeto batizado de Agência de Convergência, para retirar das ruas crianças, adolescentes e adultos em situação de rua ou de mendicância, oferecendo-lhes alimentação em abrigos improvisados.

O caso foi divulgado pelo portal Tribuna do Ceará. A oposição na Câmara Municipal classificou a iniciativa de “faxina social”. Governo e prefeitura lembram que medidas assim foram adotadas em todas as cidades sedes da Copa e que não existe internação compulsória. Só vai para o abrigo quem quer, e menores, somente com autorização dos pais. Em suma, trata-se de uma “ajuda”. O fato de o projeto ter começado somente agora, atuando no entorno dos pontos principais relacionados ao evento, especialmente em dia de jogos, é somente coincidência.

Conversa… É claro que ser o foco da atenção mundial durante a Copa é a razão de ser do projeto Agência de Convergência. Isso nem sequer é novidade. Já aconteceu em outros países, como a China nas Olimpíadas e na África do Sul, na Copa de 2010. Como o Brasil, são países em desenvolvimento, de contrastes difíceis de esconder.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, técnicos do governo e da prefeitura negaram com firmeza a ideia de “higienização” social. O constrangimento é compreensível, pois os fatos falam por si. Fossem políticas permanentes, de amplo alcance, de longa data, aí estaríamos falando de uma política pública efetiva. Mas não é o caso. São ações provisórias evidentemente ligadas ao calendário da Copa. Poderia ser o grande legado do torneio, caso se tornasse algo permanente, funcionando em ano sem eleições.

Gambiarra social

Pobres e mendigos perambulados sujos pelas ruas, especialmente crianças, muitas drogadas, não combinam com a suntuosidade dos estádios e das propagandas oficiais. E aí, como sempre, faz-se uma gambiarra. Nos estádios, tem-se o Padrão Fifa. Fora deles, reina o Padrão Brasil, privilegia o truque, o arranjo de última hora. É a mesma lógica que culminou no puxadinho no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza. Ou nos metrôs inaugurados a cada seis meses, custaram horrores, mas que na Copa não funcionaram.

O projeto Agência de Convergência é só mais um jeitinho improvisado, para dar a impressão de que o problema não existe.