Mauro Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Mauro

As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.

Publicidade

As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.