marketing político Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

marketing político

NO – Um belo filme sobre marketing eleitoral (e a luta entre o medo e a esperança)

Por Wanfil em Cinema

31 de Maio de 2014

No (2012) de Pablo Larraín: O marketing eleitoral e as emoções

No (2012) de Pablo Larraín: O marketing eleitoral e as emoções da massa

É a história de uma campanha política baseada na confrontação de duas premissas antagônicas: o medo da volta ao passado, defendido pelo governo vigente, versus a esperança no futuro, mote da oposição. Não estamos falando do Brasil de 2014 (ou de 2006 e 2002), mas do Chile de 1988, habilidosamente retratado em NO, filme de Pablo Larraín, protagonizado por Gael Garcia Bernal, lançado em 2012 e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013.

Antes de continuar, um breve comentário. Embora eu não seja especialista em cinema, destaco a fotografia dessa produção, que optou por amenizar a saturação das cores, conferindo um ar de álbum colorido, porém antigo, às imagens. Uma bela forma de ambientar a narrativa em seu tempo.

Agora, voltando ao que interessa, quem considera Duda Mendonça um gênio pelo conceito “a esperança venceu o medo” (e sua adaptação personalizada no “Lulinha Paz a Amor”), ficará surpreso ao descobrir que o baiano não criou a roda, apenas adaptou para o Brasil, uma audaciosa ideia posta em prática no Chile 14 anos antes.

Os chilenos viveram uma das mais violentas ditaduras militares da América Latina por 15 anos, comandada pelo general Augusto Pinochet. Entretanto, acuado pela comunidade internacional, o regime propôs um plebiscito, confiante de que os bons resultados na economia seduziriam os eleitores, que iriam às urnas escolher entre o “SIM”, dando mais oito anos a Pinochet, e o “NÃO”, que ensejaria eleições para a escolha de um novo presidente.

Para a campanha, opositores moderados chamaram publicitários sem vínculos políticos para criar e dirigir a propaganda eleitoral (“um olhar de fora”, argumentaram). Gente de mercado (palavrão para os partidos mais à esquerda, que acabaram vencidos internamente). No filme, esse grupo de profissionais de marketing é unificado no personagem René Saavedra (Gael Bernal). No comando, o publicitário deixou de lado o discurso que parecia mais óbvio (a denúncia das arbitrariedades da ditadura, com ênfase na violência contra civis) para adotar a “alegria” como base da campanha. O raciocínio foi mais ou menos assim: “o medo não vende, assusta. A alegria encoraja”. E assim,m o símbolo escolhido para a propaganda foi um arco-íris, onde todas as cores representavam a união de diferentes partidos em torno de um objetivo comum, altivo e… alegre!

Alguns viram nisso a despolitização das eleições. Em certa medida, concordo. Mas lembro Ortega Y Gasset em A Rebelião das Massas (cito de memória): as administrações ficaram tecnicamente tão complexas, tão distantes da compreensão até de pessoas bem instruídas, que inevitavelmente o debate político será reduzido à manipulação de emoções. No entanto, de volta ao filem, como o objetivo era ganhar, adotou-se o pragmatismo das técnicas de comunicação de massa. Não é o ideal, mas é como o jogo é jogado nos dias de hoje. Uma espécie de xadrez.

A ditadura, arrogante, imaginava que o plebiscito seria um passeio, pois a população estava satisfeita com as “conquistas” da economia. Vale lembrar que o desafio ficava ainda maior pelo fato de que a palavra “sim” possui, naturalmente, um valor positivo, enquanto o “não” carrega consigo uma conotação de negatividade.

Bom, a campanha foi uma espetáculo. Inacreditável. A oposição conseguiu vender alegria ao combater um regime violentíssimo. Críticas eram feitas com humor, para dar leveza (um risco enorme, pois poderia parecer descaso). Os governistas, pegos de surpresa, não souberam reagir e apelaram ao medo da “volta ao passado” de penúria e com acenos contra o terror comunista (que não colou pois a propaganda do NÃO evitou os chavões esquerdistas).

Um ótimo filme que se insere muito bem na atual conjuntura brasileira. Vivemos uma democracia, mas alguns elementos da guerra de propaganda política estão presentes por aqui, sobretudo na confrontação medo versus esperança. Existem as diferenças, claro. Até que ponto candidatos de oposição realmente conseguem convencer o eleitor de que são portadores de uma esperança? E até que ponto os governistas irão persuadir a população de que é possível ficar pior do que está?

Cada eleição é diferente, eu sei. Mas no Brasil de hoje, se eu fosse oposição veria o filme para sacar como se faz crítica propositiva; e se fosse governo, veria para ter noção do risco que é apostar no medo.

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O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de Março de 2014

O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará. Leia mais

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O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de Março de 2014

O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará. (mais…)