marketing governamental Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

marketing governamental

A alma do negócio

Por Wanfil em Política

10 de Fevereiro de 2016

“A propaganda é a alma do negócio”, reza o ditado. Adaptado às conveniências da política brasileira, o conceito foi alterado com a substituição do termo “propaganda” por “ilusão”: A ilusão é a alma do negócio. Deu certo nos últimos anos para vencer eleições, quando conexões entre promessas e realidade são construídas na base da emoção.

No Ceará o caso mais emblemático de anúncio de intenções vazias foi o golpe da refinaria da Petrobras, que dispensa maiores comentários. Os grupos responsáveis pela presepada estão aí no poder. Mas de tanto usarem o artifício, perderam a mão e exageraram na dose, prometendo crescimento quando já colhiam recessão. Flagrados no truque, insistem na fórmula que tanto sucesso lhes rendeu em passado recente.

Assim, o governo federal agora divulga campanha contra a o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e vírus zika, com a seguinte mensagem: “um mosquito não é mais forte que um país inteiro”, procurando se valer do apelo à emoção coletiva, ao sentimento patriótico, à luta contra o inimigo comum e outros clichês.  No mundo real, o Comitê Olímpico dos EUA liberou seus atletas que não quiserem participar dos jogos do Rio de Janeiro por causa do vírus zika. Em resposta, as autoridades brasileiras buscaram tranquilizar os americanos, dizendo que “em agosto é baixa a circulação do mosquito”, fator que “reduz muito os riscos de contágio”. Azar de quem mora aqui e precisa passar pelos meses de alta circulação do inseto.

Em outra frente, o Partido dos Trabalhadores levou ao ar desde a noite de terça um comercial em que diz o seguinte: “tá na hora de mudar o enredo. Vamos deixar de lado o pessimismo”. Como se o pessimismo fosse causa e não consequência das crises econômica, moral e política que o país vive; como se não estivessem em dívida e sob suspeitas mil.

O difícil é saber quando a mentira é deliberada ou quando expressa devaneios de quem não quer ver a realidade. O problema aí é que uma dia, cedo ou tarde, toda propaganda tem que prestar contas aos fatos. E esses, por sua vez, insistem em desmoralizar os anúncios de que as coisas não são tão ruins e de que tudo vai melhorar logo, logo, por obra desses mesmo vendedores de ilusões.

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Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  Leia mais

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  (mais…)