Marina Silva Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Marina Silva

Ibope mostra Ciro no jogo contra Marina e o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de setembro de 2018

Ciro e Haddad disputam o espólio eleitoral de Lula

A pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (5) mostra que Ciro Gomes está no jogo pela Presidência da República. Sempre esteve, pode argumentar o eleitor que acompanha o noticiário político. Sim, é verdade, mas na montanha russa eleitoral em 2018, Ciro agora está num viés de alta, após ter levado algumas rasteiras de Lula e do PT, que atuaram para impedir que partidos de esquerda compusessem aliança com o PDT, desidratando seu tempo de propaganda.

Após crescer três pontos em relação à pesquisa Ibope do dia 20 de agosto, Ciro agora aparece empatado com Marina Silva (Rede) na segunda posição, com 12% da preferência. Bolsonaro (PSL) subiu dois pontos e lidera com 22%.

Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%; Fernando Haddad (PT), com 6%; e João Amoedo (Novo), com 3%, também subiram dois pontos.

No campo da esquerda, no final de julho Ciro parecia liquidado mais uma vez pelo ex-presidente Lula. Por ironia – a política é terreno fértil para ironias do destino – tudo indica que o presidenciável do PDT acabou, por enquanto, herdando  parte dos votos do ex-presidente, inelegível, e que estão se dispersando.

Não há números para medir a influência da proposta de “limpar o nome” dos eleitores que estão no SPC, mas no Brasil, o peso do populismo fiscal nunca pode ser desconsiderado. E o fato é que até o momento essa foi a proposta que pegou na campanha.

Os riscos

Novamente o maior risco para a candidatura de Ciro está na estratégia eleitoral do PT. Se Lula conseguir transferir parte considerável dos seus votos para Fernando Haddad (o vice dos sonhos de Ciro, lembram?), especialmente no Nordeste, a briga por uma vaga no segundo turno será direta entre os dois.

Há também a possibilidade de Alckmin, que tem o maior tempo de propaganda eleitoral, crescer no Sudeste, atraindo eleitores de centro que poderiam optar por Ciro. Marina, como mostram os números, é adversária direta do PDT.

A disputa está embolada e Ciro, definitivamente, está no jogo. Com tantos candidatos e variáveis atuando, a diferença entre os candidatos que podem avançar na eleição deverá ser apertada. Qualquer erro, poderá ser fatal.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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Ibope: Marina lidera no Nordeste, seguida de perto por Ciro e Bolsonaro

Por Wanfil em Pesquisa

28 de junho de 2018

Ibope: Marina Silva surpreende no NE (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Na pesquisa Ibope/CNI para a eleição presidencial, divulgada nesta quinta-feira, os cinco candidatos melhor colocados no cenário sem Lula, o mais provável pois o ex-presidente é ficha-suja, são estes:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%

No cenário com Lula, que registrou 33% das intenções, Ciro sobe de 4% para 8% e Marina de 7% para 13%. A candidata, portanto, é que mais cresce com a ausência do petista, apesar de Ciro ser o pré-candidato que mais tem se esforçado para ocupar espaços na mídia.

Voltando ao cenário sem Lula, e considerando que a margem de erro é de 2%, podemos dizer que no limite Bolsonaro e Marina empatam tecnicamente na ponta, seguidos por Ciro e Alckmin, também empatados, num segundo bloco.

Quando a pesquisa é segmentada por região, o Nordeste tem os seguintes números:

Marina Silva (Rede): 16%
Ciro Gomes (PDT): 14%
Jair Bolsonaro (PSL): 10%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 1%

Ciro consegue se afastar de Alckmin na região de seu domicílio eleitoral, mas não lidera. O Nordeste é também a única região em que Marina, que é do Norte (que na pesquisa se junta ao Centro-Oeste), fica à frente. No Sudeste, Bolsonaro, deputado pelo Rio de Janeiro, lidera com 19%. Por lá Marina tem 11%, Alckmin aparece com 8% e Ciro com 5%.

Confira o desempenho dos cinco primeiros colocados por região:

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Datafolha: Joaquim Barbosa, mesmo sem fazer campanha, embola o jogo com Alckmin e Ciro

Por Wanfil em Pesquisa

16 de Abril de 2018

Joaquim Barbosa, sem viagens, palestras, vídeos ou redes, aparece empatado ou à frente de candidatos profissionais. Por quê?

O Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa para a corrida presidencial, a primeira depois da prisão de Lula. Foram testados vários cenários.

Com Lula na disputa:

Lula (PT) – 31%
Bolsonaro (PSL) – 15%
Marina Silva (Rede) – 10%
Joaquim Barbosa (PSB) – 8%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 6%
Ciro Gomes (PDT) – 5%

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. De todo modo, não deixa de ser uma surpresa ver Joaquim Barbosa embolado com candidatos que estão em campanha há muito tempo. Seu nome já havia sido cogitado em levantamentos anteriores (tinha 5% em janeiro), mas sem muito destaque. Bastou o anúncio de sua filiação ao PSB, na semana passada, para que ele subisse na pesquisa.

No cenário sem Lula:

Bolsonaro (PSL) – 17%
Marina Silva (Rede) – 15%
Ciro Gomes (PDT) – 9%
Joaquim Barbosa (PSB) – 9%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 7%
Álvaro Dias (Podemos) – 5%
Fernando Haddad – 2%

Mesmo com a ausência de Lula, Barbosa segue em terceiro, em empate numérico com Ciro e empate técnico com Alckmin. Ciro tem no Ceará sua base e o tucano em São Paulo. Possuem partidos com história e bancadas fortes no Congresso. Joaquim é silêncio, é memória da época em que atuou no julgamento do Mensalão.

É sinal de que a imagem de um candidato de fora do meio política – os outsiders como dizem os especialistas –, continua com considerável potencial. Especialmente se tiverem tempo de TV e acesso ao fundo eleitoral. Essa condição, por si, não garante que sejam bons candidatos ou bons gestores, ou que não venham a sê-los, isso é óbvio. Não é imperativo moral. Em certos casos, pode ser um tiro no escuro. Porém, se isso pode dar destaque a um determinado candidato, é porque reafirma a existência de uma demanda: a dos eleitores cansados, decepcionados, desconfiados e irritados com os mesmos candidatos de sempre.

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Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

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Brasil em recessão é Dilma sem propaganda. Aécio promete Armínio. E Marina?

Por Wanfil em Economia

29 de agosto de 2014

Que as propagandas eleitorais convençam eleitores de que um candidato possui determinadas virtudes ou defeitos, é algo esperado, afinal, é para isso que marqueteiros são contratados a peso de ouro. Como se trata de comunicação de massa, a ordem é reforçar símbolos e generalizações. O problema é quando o próprio candidato passa a acreditar na propaganda criada para o seu personagem político, pois o sujeito acaba descolado da realidade.

Propaganda X mundo real
Foi assim, por exemplo, que Cid Gomes imaginou, quando foi reeleito em 2010, que suas ações de segurança pública realmente estavam no caminho certo. Deu no que deu. Agora é a presidente Dilma, que no debate promovido pela Rede Bandeirantes afirmou que o Brasil está preparado para um novo ciclo decrescimento, reproduzindo fantasia veiculada em sua propaganda eleitoral. No mundo real, o IBGE anunciou nesta sexta-feira que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo semestre, configurando o que especialistas chamam de recessão técnica. Em relação ao segundo trimestre de 2013, o tombo foi maior ainda: 0,9%.

A propaganda diz que Dilma é uma grande gestora, os fatos negam. E entre os fatos e a propaganda, a presidente prefere a ilusão, abraçada aos elogios repetidos por assessores e aduladores de plantão. O mercado prevê que o crescimento da economia brasileira será de apenas 0,7% (a média dos últimos quatro anos deverá fechar em 1,7%). O governo e a candidata culpam a crise internacional, mas esse argumento não resiste a uma comparação com o desempenho de países da América Latina. Para 2014, a expectativa é que o Panamá cresça 7,2%; para a Colômbia a previsão é de 4,4%; e Paraguai 4,8%. São países que enfrentam a mesma crise internacional e crescem mais que o dobro do Brasil. Pior do que nós, só a Argentina de Kirchner e a Venezuela de Maduro, dois aliados de Dilma. Conclusão: falta gestão por aqui.

Política econômica no centro do debate
Os números ruins levam de volta a economia para o centro do debate político nessa campanha eleitoral, o que é importante. Sobre isso, o pano de fundo é o seguinte: Lula renegou o discurso do passado oposicionista e deu continuidade à política econômica de FHC, mantendo Henrique Meireles no Banco Central.

Agora, entre os principais candidatos ao Planalto, Aécio disse que, se eleito, Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, o que representa certo alinhamento com os dois ex-presidentes. Dilma é isso que os dados do IBGE revelam. Falta saber o que Marina pensa. Qual perfil para o futuro ministro da Fazenda? Manteria o insosso Alexandre Tombini no Banco Central? Fará do centro das metas de inflação um objetivo inegociável? Adotará uma política fiscal mais ou menos austera do que a atual? Ninguém sabe. Nem a propaganda eleitoral dela ousa fazer um rascunho para delinear algo mais tangível. É um mistério tão grande quanto a origem do dinheiro para a compra do jatinho que Marina e Eduardo Campos usavam. A nova política é assim, um ato de fé no porvir.

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Eliane Novais para o blog: ‘Marina Silva sabe quem são os Ferreira Gomes’

Por Wanfil em Entrevista

18 de agosto de 2014

A morte Eduardo Campos e a confirmação informal de Marina Silva como nova candidata do PSB à Presidência da República deu vazão a inúmeras especulações. Após o choque inicial, os diretórios estaduais da sigla começam a reorganizar suas atividades e a refazer planos.

No Ceará, as diretrizes e a postura de campanha seguem as mesmas, de acordo com a candidata do PSB ao Governo do Estado, Eliane Novais, com quem conversei nesta segunda. A expectativa é que a mudança possa, inclusive, repercutir nas pesquisas.

“O Datafolha já mostra que ela parte com 21%. As pessoas reconheceram que Eduardo era a pessoa que poderia mudar o Brasil e sabem que Marina segue esse projeto. Quando conversamos na Expocrato, na última visita do Eduardo, ela disse que via muito potencial na nossa candidatura. Então, a expectativa é a melhor possível, dentro das circunstâncias, pois nós somos a verdadeira mudança no Ceará. Por isso vamos para o segundo turno”.

Sobre o PSB estadual, perguntei se a ausência de Eduardo Campos, que era presidente nacional do partido, mudava alguma coisa em relação ao Ceará, uma vez que Marina Silva e Ciro Gomes foram ministros no governo do ex-presidente Lula, e se isso poderia acenar para uma reaproximação no futuro. Como todos sabem, os Ferreira Gomes deixaram o PSB em 2013 para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, após romper com Eduardo Campos, que defendia candidatura própria defendido, em processo turbulento. Eliane foi taxativa na resposta:

“Não há essa possibilidade! Somos oposição no Ceará e isso não muda. Marina sabem quem eles são. Desde que romperam com o Eduardo, os Ferreira Gomes passaram a ser vistos como adversários pelo PSB e pela coligação. Continuamos com a mesma postura de sempre. Olha, ainda bem que o Eduardo botou esse pessoal pra fora. Imagina como ia ser?”.

No terreno movediço das hipóteses, de acordo com o jornal Valor Econômico, comenta-se nos bastidores de Brasília que se tivesse ficado no PSB, Ciro poderia ser o novo candidato do partido. É também impossível saber agora se e quanto Marina poderá impulsionar a candidatura de Eliane Novais. Como dizem os historiadores, não existe a História do que poderia ter sido, mas somente aquela que se realiza de fato. Assim, aguardemos.

Leia também: Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

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Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

Por Wanfil em Ideologia

18 de agosto de 2014

A terceira via, de Anthony Giddens, foi a base de um novo pensamento de esquerda. Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Com a morte de Eduardo Campos, a vice da chapa, Marina Silva, deve mesmo ser confirmada como candidata à Presidência da República pelo PSB. Em pesquisa do instituto  Datafolha, encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, ela aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) em simulação de primeiro e com Dilma Rousseff (PT) no segundo. Naturalmente, a comoção com a tragédia ajudou a candidata, já bem conhecida do eleitor. O que não falta é análise sobre esses números.

Todavia, o que interessa aqui é uma questão tida como acessória por muitos, mas que vejo como essencial: o conteúdo. Marina assume agora a imagem de ‘terceira via’ pregada por Eduardo Campos, apresentada como alternativa à polarização entre PT e PSDB. Mas qual a substância desse posicionamento? O que seria essa ‘terceira via’ , fora a condição óbvia de uma opção a mais nas urnas?

A expressão ‘terceira via’ não é novidade. Nasceu com o Partido Trabalhista da Inglaterra no final dos anos 80 e início dos 90 do século passado. Basicamente, foi a reformulação de teses de esquerda pela social-democracia europeia, para enfrentar o domínio filosófico e eleitoral dos liberais, que dominava o cenário político com os republicanos liderados por Ronald Reagan nos EUA e os conservadores de Margareth Thatcher na Inglaterra. A reação foi o surgimento da esquerda ‘ligth’, ou ‘soft’, ou ainda ‘rosa’, que procurava conjugar progressismo com economia de mercado, sem reduzir o poder do Estado.

Li há muitos anos o livrinho A terceira via, do sociólogo Anthony Giddens, um dos principais nomes dessa corrente, ministro do premiê britânico Tony Blair, seu maior expoente ao lado de Bill Clinton nos EUA, seguido por Nelson Mandela na África do Sul e Fernando Henrique Cardoso no Brasil. (Carlos Menem tentou surfar nessa onda, mas a dolarização da Argentina expôs seu caudilhismo). Era a nova esquerda procurando se reinventar. Para isso, precisou incorporar (e explicar teoricamente, com fundamentação) preceitos do liberalismo. A esquerda jurássica protestou, vendo na terceira via, com razão, a capitulação das fracassadas economias planificadas. Adeus, Marx! A meu ver, a tese de Giddens foi uma forma envergonhada que esquerdistas moderados encontraram para dizer que existe valor social no capitalismo, sem precisar se converter ao liberalismo.

Resumindo, a terceira via defende o Estado Justaposto (ou Estado Necessário), em contraposição ao Estado Máximo (de esquerda) e ao Estado Mínimo (de direita). Seria a combinação de ortodoxia fiscal com assistência social. Tudo, como sempre é no caso das ideias abstratas, muito bonito. Foi desse papo que nasceu, por exemplo, as políticas compensatórias na Inglaterra, que aplicadas no Brasil deram luz às famosas bolsas assistenciais, que se tornariam depois assistencialistas. A terceira via foi o embrião do Bolsa Família, importado pelo PSDB e copiado pelo PT.

Pois é. Boa parte da galera que bate palmas para Marina vendo ali um ideal consistente, nem sabe que “terceira via”, para ela, é sinônimo de “neoliberalismo”, pois nessa época a candidata do PSB, que na verdade luta para criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade, era filiada ao PT.

Como a “terceira via” de Marina pretende enfrentar o dilema de uma economia com baixo crescimento, repique inflacionário, baixa poupança e desequilíbrio fiscal? O que ela propõe de diferente de PT e PSDB? Provavelmente nem a candidata saiba responder essas questões. É preciso apresentar algum estofo teórico para sustentar o discurso. Sem isso, a “terceira via” do PSB não passa de um mote vazio de sentido.

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Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

Por Wanfil em Ideologia

18 de agosto de 2014

A terceira via, de Anthony Giddens, foi a base de um novo pensamento de esquerda. Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Não basta criar um slogan, é preciso ter substância.

Com a morte de Eduardo Campos, a vice da chapa, Marina Silva, deve mesmo ser confirmada como candidata à Presidência da República pelo PSB. Em pesquisa do instituto  Datafolha, encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, ela aparece empatada com Aécio Neves (PSDB) em simulação de primeiro e com Dilma Rousseff (PT) no segundo. Naturalmente, a comoção com a tragédia ajudou a candidata, já bem conhecida do eleitor. O que não falta é análise sobre esses números.

Todavia, o que interessa aqui é uma questão tida como acessória por muitos, mas que vejo como essencial: o conteúdo. Marina assume agora a imagem de ‘terceira via’ pregada por Eduardo Campos, apresentada como alternativa à polarização entre PT e PSDB. Mas qual a substância desse posicionamento? O que seria essa ‘terceira via’ , fora a condição óbvia de uma opção a mais nas urnas?

A expressão ‘terceira via’ não é novidade. Nasceu com o Partido Trabalhista da Inglaterra no final dos anos 80 e início dos 90 do século passado. Basicamente, foi a reformulação de teses de esquerda pela social-democracia europeia, para enfrentar o domínio filosófico e eleitoral dos liberais, que dominava o cenário político com os republicanos liderados por Ronald Reagan nos EUA e os conservadores de Margareth Thatcher na Inglaterra. A reação foi o surgimento da esquerda ‘ligth’, ou ‘soft’, ou ainda ‘rosa’, que procurava conjugar progressismo com economia de mercado, sem reduzir o poder do Estado.

Li há muitos anos o livrinho A terceira via, do sociólogo Anthony Giddens, um dos principais nomes dessa corrente, ministro do premiê britânico Tony Blair, seu maior expoente ao lado de Bill Clinton nos EUA, seguido por Nelson Mandela na África do Sul e Fernando Henrique Cardoso no Brasil. (Carlos Menem tentou surfar nessa onda, mas a dolarização da Argentina expôs seu caudilhismo). Era a nova esquerda procurando se reinventar. Para isso, precisou incorporar (e explicar teoricamente, com fundamentação) preceitos do liberalismo. A esquerda jurássica protestou, vendo na terceira via, com razão, a capitulação das fracassadas economias planificadas. Adeus, Marx! A meu ver, a tese de Giddens foi uma forma envergonhada que esquerdistas moderados encontraram para dizer que existe valor social no capitalismo, sem precisar se converter ao liberalismo.

Resumindo, a terceira via defende o Estado Justaposto (ou Estado Necessário), em contraposição ao Estado Máximo (de esquerda) e ao Estado Mínimo (de direita). Seria a combinação de ortodoxia fiscal com assistência social. Tudo, como sempre é no caso das ideias abstratas, muito bonito. Foi desse papo que nasceu, por exemplo, as políticas compensatórias na Inglaterra, que aplicadas no Brasil deram luz às famosas bolsas assistenciais, que se tornariam depois assistencialistas. A terceira via foi o embrião do Bolsa Família, importado pelo PSDB e copiado pelo PT.

Pois é. Boa parte da galera que bate palmas para Marina vendo ali um ideal consistente, nem sabe que “terceira via”, para ela, é sinônimo de “neoliberalismo”, pois nessa época a candidata do PSB, que na verdade luta para criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade, era filiada ao PT.

Como a “terceira via” de Marina pretende enfrentar o dilema de uma economia com baixo crescimento, repique inflacionário, baixa poupança e desequilíbrio fiscal? O que ela propõe de diferente de PT e PSDB? Provavelmente nem a candidata saiba responder essas questões. É preciso apresentar algum estofo teórico para sustentar o discurso. Sem isso, a “terceira via” do PSB não passa de um mote vazio de sentido.