Mais Médicos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Mais Médicos

Médicos cubanos no Ceará: muito barulho, pouca informação

Por Wanfil em Saúde

26 de novembro de 2018

Voluntários substituem cubanos do Mais Médicos no Ceará (Foto: divulgação/Sindicato dos Médicos do CE)

Como tudo o que acontece no Brasil, a saída dos cubanos do programa Mais Médicos rendeu polêmicas acaloradas, declarações políticas, acusações diversas e previsões catastróficas.

No Ceará, não foi diferente. No calor do debate, a informação de que 118 municípios ficariam sem o atendimento de 448 profissionais de Cuba causou justa apreensão. A questão é pertinente e por isso mesmo qualquer antecipação de juízo poderia soar como exploração política sobre assunto grave, tanto pelos pacientes como pelos próprios cubanos, sujeitos a condições de trabalho inaceitáveis para uma democracia, pois 70% seus salários, pagos com dinheiro público brasileiro, era confiscado por um governo estrangeiro.

O governador Camilo Santana e governadores do Nordeste manifestaram, em carta, preocupação com a qualidade dos serviços de saúde na região. E pronto. Já o Sindicato dos Médicos do Ceará, em iniciativa coordenada pelos médicos Paulo Vasconcelos e Mayra Pinheiro, preferiu agir e lançou a campanha “Médicos por Amor”, com voluntários para substituir temporariamente os cubanos. Rapidamente 211 profissionais se ofereceram, mas apenas nove cidades se inscreveram para recebê-los. Eis um indicativo de que talvez o impacto previsto por alguns não seja tão negativo ou difícil de ser amenizado. (A não ser que a ação fosse boicotada por questões políticas, já que Mayra é de oposição do governo estadual, mas prefiro não acreditar nessa hipótese).

Em outra frente, o Ministério da Saúde lançou edital para o programa Mais Médicos e em poucos dias 96% das vagas foram preenchidas. É preciso aguardar para ver se os locais mais remotos serão atendidos. De todo modo, pela procura, é possível perceber que a continuação do programa em si não corre risco. Por aqui, até o momento, a Secretaria de Saúde não se posicionou sobre possíveis medidas de compensação. Provavelmente aguarda para ter um quadro mais definido e assim adotar ou não eventuais iniciativas.

Mais do que nunca, autoridades e a própria imprensa precisam estar atentas. Faltaram mesmo médicos? A população está realmente desassistida? Não é possível afirmar ainda. Um caso ou outro pode acontecer, mas se não for algo que realmente afete um contingente significativo de pessoas, causando um problema de médias ou grandes proporções, o alarmismo de tanta polêmica pode acabar desautorizada pelos fatos.

Colocar possibilidades é normal, mas cravar afirmações sem base em dados concretos, é arriscado demais. Mesmo nas urgências, saber esperar o tempo certo sempre será uma virtude.

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Dilma pediu desculpas a médico cubano. Falta se desculpar com médicos brasileiros, pacientes, eleitores…

Por Wanfil em Brasil

23 de outubro de 2013

Durante cerimônia realizada na terça-feira (22), a presidente Dilma Rousseff pediu desculpas, em nome do povo brasileiro, ao médico cubano vaiado em Fortaleza durante protesto contra o polêmico programa Mais Médicos.

Pedir desculpas em solidariedade a uma pessoa vítima de constrangimento tem o seu mérito. Mas quando vira ato público para acusar terceiros, no caso, os críticos do programa, aí vira demagogia. Difícil mesmo é pedir desculpas pelos próprios erros, em sinal de sincera humildade. Isso, meus caros, vocês não verão, embora motivos não faltem.

Também merecem pedidos de desculpas os médicos brasileiros, apontados por governistas como vilões da saúde, quando esses profissionais sofrem nos hospitais sem as mínimas condições de trabalho. Como tratar um paciente no interior sem poder realizar exames?

Na verdade, a presidente deveria pedir desculpas aos pacientes obrigados a esperar meses ou anos por uma cirurgia eletiva, ou a ficar nos corredores superlotados das emergências. Ou aos familiares dos que morrem sem atendimento. Entre janeiro de 2010 e julho de 2013, quase 13 mil leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) foram desativados, segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde 2005, a redução é de 26 mil leitos!

Deveria pedir desculpas ainda aos cidadãos que ficam doentes porque vivem sem saneamento básico (52% da população não tem esse serviço), sem água tratada (18% dos brasileiros não são atendidos), em regiões de baixa escolaridade, o que aumenta proliferação de doenças.

Saindo da área da saúde, é devido aos cearenses pedidos de desculpas pelo não cumprimento da promessa de transposição do Rio São Francisco e da construção de uma refinaria da Petrobras, a primeira por causa de incompetência e corrupção, a segunda por ser mero truque eleitoreiro.

Agora que a exploração do pré-sal foi privatizada, sem entrar no mérito da questão (sou contra a presença do Estado nessa atividade), a presidente poderia pedir desculpas aos eleitores que votaram nela acreditando no discurso fantasioso contra as privatizações.

É verdade que muitos outros políticos devem desculpas ao povo brasileiro. Mas Dilma simboliza a classe pelo cargo que ocupa. Além do mais, foi quem usou o artifício da desculpa para fazer populismo barato. Merece ser cobrada.

A verdadeira paz de consciência só pode ser alcançada com o pedido de desculpas sincero, acompanhado de suas devidas penitências. O resto é conversa mole.

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Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.

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Médicos cubanos: remédio eficaz para a saúde ou placebo político?

Por Wanfil em Brasil, Ceará

28 de agosto de 2013

Devido ao programa Mais Médicos, o debate sobre saúde pública no Brasil foi deslocado momentaneamente das questões de ordem administrativa, para o exame acalorado, com certo viés ideológico, sobre a postura ética dos profissionais brasileiros de medicina.

Temos, como é de conhecimento geral, uma política de saúde cara e ruim. E sabemos disso não por causa das propagandas dos governos, onde hospitais são verdadeiras maravilhas repletas de profissionais felizes e pacientes gratos, mas pela experiência direta de quem precisa de atendimento em unidades públicas. Não é por acaso que os políticos mais poderosos, especialmente os que gostam de fazer proselitismo elogiando o SUS, correm para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao sinal de qualquer enfermidade.

Por isso, quando o assunto é saúde, eu nunca acredito no que um governo diz. Nenhum. Assim, segundo o governo federal, o serviço público de saúde é ruim no Brasil porque os médicos que não querem trabalhar nas cidades e nas regiões mais pobres e distantes do país. Pois é, não tem nada a ver com desperdício, incompetência administrativa e corrupção. Os médicos dizem que o problema é falta de estrutura, salários atrasados e calotes. Eu acredito nos médicos. Alguns preferem acreditar no políticos que só conhecem o Sírio Libanês.

Tiro no pé

Acontece que as associações de médicos, na melhor tradição sindical brasileira, puseram seu próprio discurso a perder, quando passaram a hostilizar os médicos cubanos “importados” para suprir a carência nesses lugares, digamos, inóspitos. Um vídeo gravado no aeroporto de Fortaleza mostra médicos brasileiros ofendendo médicos cubanos. São cenas constrangedoras que mais contribuíram para legitimar a obscena convocação de médicos estrangeiros sem exames de qualificação e “contratados” junto a uma ditadura.

Os médicos poderiam criar uma lista pública de municípios que não cumprem os contratos com os profissionais da categoria ou abrir um escritório de apoio aos estrangeiros em parceria com os dissidentes cubanos de Miami, de forma a mostrar que o núcleo da questão não é a nacionalidade ou uma reserva de mercado, mas medicina.

Dispensar esses médicos importados dos exames de conhecimentos é uma irresponsabilidade com os pacientes, claro, mas a culpa é do governo brasileiro. Os cubanos, coitados, vivem numa ditadura sanguinária ganhando 50 dólares mensais. Pare eles, ser explorados no Brasil rende mais do que ser explorado na fazenda de Fidel e Raul Castro.