Lula Archives - Página 6 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Lula

Xico Graziano lembra que PSDB é de esquerda e que a direita é órfã no Brasil. Mas só falou após a eleição…

Por Wanfil em Ideologia

05 de novembro de 2014

Xico Graziano foi um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves à Presidência da República. Ao comentar sobre o protesto em São Paulo no qual 2.500 pessoas pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff – e onde alguns poucos pediam intervenção militar -, Xico disse que não concordava com essas teses. Foi por isso criticado por radicais que existem às pencas nas redes sociais. O tucano então resolveu deixar as coisas claras:

Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias.”

É verdade que existe uma direita sem representação. Inclusive, boa parte dessa direita órfã votou em Aécio não por acreditar nele, mas por ser contra o PT. Mas é falso que exista um movimento intolerante que despreze as minorias. Existem divergências de ordem conceitual, o que é bem diferente. Também é falso que exista ação organizada para destruir o PT. Graziano falou de gente intolerante, eu sei, mas tomou a parte pelo todo. É como se eu dissesse que todo esquerdista é defensor da corrupção, uma vez que dirigentes do PT foram presos por esse tipo de crime. Ou que todos os que protestaram em junho de 2013 fossem partidários dos black blocs. Ou que todo torcedor é violento como facções de torcidas organizadas.

Há no texto de Graziano uma mistura entre fatos concretos e interpretações equivocadas, pois colocam o governo contra qual ele mesmo se opõe no papel de vítima de uma truculência que, na prática, não existe. A gestão Dilma não corre o risco de instabilidade política por causa desses gatos pingados que pedem a ditadura, mas por suas próprias ações, a começar pelo estelionato eleitoral relacionado à política fiscal. Vale lembrar: a presidente acusou adversários de planejarem aumento de juros e uma vez eleita, três dias depois, liberou o Banco Central (que não é independente) para anunciar o quê? Aumento de juros! Agora se as pessoas protestam, uns de forma correta, outros apelando a histrionismos, a responsabilidade é somente da Sra. Rouseff. Misturar alhos com bugalhos só beneficia o governo federal nesse momento de descrédito.

Dito isso, é correto afirmar que o PSDB é de esquerda. Quem duvida, basta ler Hélio Jaguaribe. Eu li. A social democracia, a meu ver, é uma esquerda ciente de que o marxismo é uma furada e que reconhece aspectos positivos no liberalismo, mas, ainda assim, uma esquerda genuína. Não é mais aquela social democracia de meados do século passado, mas uma versão, digamos assim, modernizada pelos tons rosas da “Terceira Via” de Anthony Giddens, Tony Blair, Bill Clinton e FHC. Não estou dizendo que PSDB e PT são iguais, nada disso. Existem matizes na esquerda e na direita. Há no PT um visível ranço autoritário típico de quem se considera o imperativo categórico da história, enquanto os tucanos ficam mais ao centro e, portanto, mais palatável ao direitista sem representação. De todo modo, quem diz que o PSDB é de direita é analfabeto político ou deturpa conceitos deliberadamente. E antes que me crucifixem no altar das heresias esquerdistas, cito aqui o maior santo dessa seita no Brasil, Lula da Silva:

“Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que numa campanha neste país a gente não ter nenhum candidato de direita?” 

A frase foi dita em 15 de setembro de 2009, durante solenidade no IPEA (confira o vídeo aqui). Lula comentava sobre a eleição do ano seguinte, na qual sua escolhida, Dilma Rousseff, iria enfrentar Serra ou Aécio, pelo PSDB, além de Marina Silva pelo PV. Ciro Gomes corria por fora para tentar ser candidato pelo PSB, mas foi barrado pelo próprio partido.

Xico Graziano e Lula têm razão. A direita não tem partido formalizado. A direita no Brasil não tem candidato. Existem apenas indivíduos de direita. Graziano, como eu disse, toma delírios de radicais como se fossem expressão de um pensamento partidarizado. Lula ressuscita o fantasma dos “trogloditas da direita” quando lhe convém, mas sua opinião mesmo, da qual se orgulha e como vimos acima, é outra.

Por fim, Xico Graziano diz que é normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdoNada contra. Mas o correto seria dizer isso antes das eleições. Aí, sim, seria bonito. Algo como: “Ei você que é anti-PT e de direita, não vote na gente pois também somos de esquerda. Vote nulo, pois ninguém aqui o representa”.

PS – 1. Sobre intervenção militar, sou absolutamente contra, por convicção. Não apenas aqui no Brasil, mas também em qualquer outro país, como em Cuba, por exemplo, ditadura militar financiada com ajuda do atual governo brasileiro e que é fetiche do esquerdismo nacional;
PS – 2. Pedir impeachment nas ruas não é crime, nem sinal de intolerância. Pelo menos, não era na época do ex-presidente Collor de Mello.

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Enquanto isso, em Brasília…

Por Wanfil em Brasil

29 de outubro de 2013

Algumas fotos valem por teses acadêmicas ou por matérias especiais, pelas informações que oferecem. Como toda imagem, podem ser interpretadas, mas o fato registrado é, por si, pode servir de enunciado para uma determinada conjuntura política.

Quem não lembra da foto em que Lula e Maluf apertam mãos em apoio à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo? Ou de Fernando Henrique montando num jegue durante campanha eleitoral? No primeiro caso, é a negação categórica do passado; no segundo, a tentativa de construir uma imagem publicitário. São imagens que revelam disposições de seus personagens e passam recados a aliados.

Em cerimônia de comemoração dos 25 anos da Constituição de 1988, realizada nesta terça (29) no Congresso Nacional, ex-presidentes e ex-constituintes foram homenageados. A foto abaixo, registro de Antonio Cruz para a Agência Brasil, mostra o espírito de confraternização e camaradagem entre o ex-presidente Lula e o comando do PMDB, ex-adversários que hoje são aliados.

 

Homenagem aos 25 anos da Constituição, em Brasília: Antonio Cruz/Agência Brasil

Homenagem aos 25 anos da Constituição, em Brasília: Antonio Cruz/Agência Brasil

 

A imagem exprime apenas as boas maneiras de pessoas reunidas pelo sentido cívico do evento, livre de segundas intenções, ou é a personificação de uma mensagem para aliados e adversário? Em política, nada é gratuito. É o PT de Lula de bem com o velho PMDB de Sarney, Henrique Eduardo Alves, Renan Calheiros e Michel Temer, todos confiantes, alegres, cheios de si. Ah, o poder…

Para não deixar dúvida sobre esse clima de união, Lula discursou no Senado e fez um desagravo ao ex-presidente Sarney (na época o PT era o seu maior adversário), e acusou a imprensa de “avacalhar” a política, como se não fossem coisas como atos secretos de Sarney ou os vários escândalos de Renan Calheiros que a desmoralizassem. Ah, o poder…

Para a oposição, o sonho de atrair o PMDB, usando os argumentos de sedução que todos conhecem: a promessa de cargos e verbas, fica mais distante. Sarney e companhia sabem que o próximo presidente, seja quem for, lhe fará acenos nesse sentido. A diferença com Dilma é que ela já dispõe desse poder. A estratégia é mostrar dubiedade, com se estivesse vacilante, com dificuldades de controlar a base, para conseguir ainda mais espaços no atual governo.

Eles brigam, mas eles se entendem, sempre se entendem.

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Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa

Por Wanfil em Ceará, Política

13 de junho de 2013

O desejo de ver instalada uma refinaria no Ceará é uma aspiração legítima, oportuna e viável, todos sabem. Especialmente quando o Estado fez investimentos que o colocam em condições de recebê-la, como, por exemplo, na área portuária. E mais ainda quando essa aspiração se torna promessa de campanha dos vencedores da eleição presidencial, casos de Lula e Dilma. Nesse processo, a obra se torna uma dívida para o governo que assume, com o povo cearense no papel de credor.

Ocorre que essa promessa tem sido devidamente renovada eleição após eleição e nada de refinaria. A fiadora da obra é a Petrobras, empresa mista controlada pelo governo, e que endossou as promessas de Lula e Dilma. No entanto, o início da construção é permanentemente adiado, de forma que fica cada vez mais difícil convencer o mais ingênuo e crédulo eleitor de que ele não foi enganado e de que ainda deve acreditar em novas promessas feitas por quem não cumpriu a palavra.

Factóides

Assim, aos que se beneficiaram dessa promissão com votações recordes, e diante da constatação de que o empreendimento até agora não passa de conversa, resta o seguinte desfio: Como salvar as aparências e ainda renovar as esperanças no compromisso de construir a refinaria? A resposta é  simples: criando factóides que tenham um mínimo de verossimilhança com o que possa parecer uma solução, ainda que nada seja resolvido. No caso em questão, duas ações simultâneas cumprem essa tarefa.

Primeiro, aliados do governo federal no estado montam uma campanha devidamente custeada com dinheiro público para “pressionar” a presidente Dilma. Os sócios locais da promessa não cumprida então reaparecem como valentes defensores dos interesses do Estado.

Em seguida, a Petrobras anuncia a parceria com uma empresa sul-coreana para viabilizar a construção da refinaria. Na verdade, não é mais do que uma carta de intenções para a realização de estudos sobre uma possível parceria, com vistas a um empreendimento de menor capacidade produtiva ao que foi anunciado no passado. Leia mais

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Racha no PSB: Cid Gomes nega o pecado, mas revela a origem da tentação

Por Wanfil em Política

07 de Março de 2013

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

Cid Gomes “Eu disse à Dilma e ao Lula que não sou quinta coluna”. Precisa explicar mais? – Foto: Arquivo Jangadeiro

O governador Cid Gomes negou estar agindo para sabotar uma possível candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos à Presidência da República pelo PSB. A notícia foi publicada no site da Folha de São Paulo, em entrevista concedida aos jornalistas após evento em Brasília, na quarta-feira (6).

Imagem, imprensa e processo político

“Quem achar que eu sou quinta coluna, que eu estou querendo sabotar o meu partido, querendo sabotar o presidente do meu partido, está redondamente enganado, vai quebrar a cara. Eu estarei com o meu partido.” O propósito dessas palavras é evidente: tentar impedir que uma imagem negativa se consolide. O fato é que a impressão que se dissemina é a de que Cid e Ciro fazem justamente isso que o governador nega categoricamente (quem confessaria?). As interpretações sobre os motivos variam, desde uma vingança contra a sabotagem que o próprio Eduardo Campos fez contra a candidatura presidencial de Ciro Gomes em 2010 até uma possível negociação de cargos com a presidente Dilma.

De resto, isso é notório, existe uma disposição da imprensa nacional à crítica quando a notícia envolve o ex-ministro Ciro Gomes. É algo que só encontra paralelo, por contraste, com a disposição da imprensa cearense em evitar essas críticas. Anotada essa característica, temos a transformação de uma disputa interna no PSB, algo normal nas democracias, em uma traição às pretensões do pernambucano. Ninguém é obrigado a aceitar uma candidatura até que esta seja homologada em convenção partidária. Hilary Clinton disputou prévias com Obama em 2008 com duras críticas ao adversário interno e ninguém viu nisso sabotagem, porque, com efeito, é algo normal.

Cid e Ciro não concordam com a candidatura de Eduardo Campos. E não fazem isso às escondidas. Pior seria se os dois se dissessem aliados incondicionais do correligionário e depois, em surdina, trabalhassem contra ele. Aí sim caberia a figura da sabotagem. Por enquanto, temos um processo político legítimo.

A origem

Cid nega o pecado da traição. No entanto, uma passagem da entrevista é reveladora, demasiadamente reveladora, e mostra que a tentação existe e tem origem certa. “Eu já disse a ela [Dilma] e ao Lula, eu não sou quinta coluna.” Não há outra conclusão possível: Dilma e Lula, ou melhor, Lula e Dilma sondaram a possibilidade de Cid trabalhar deliberadamente contra o próprio partido em favor da candidatura da petista à reeleição. Quem precisa anunciar aos aliados que não é traidor? Ora, quem foi tentado a trair.

Quem sabota Eduardo Campos para 2014 é a mesma pessoa que sabotou Ciro Gomes em 2010: Luís Inácio Lula da Silva.

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Um amálgama chamado Lula

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2013

Lula é a nova síntese de uma tradição política capaz de conciliar o que parece inconciliável. É o Sarney do século 21. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula é a nova síntese de uma tradição política capaz de conciliar o que parece inconciliável. É o Sarney do século 21. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Dicionário Priberam: Amálgama [Figurado] – Junção de vários elementos.

Durante evento realizado pelo Partido dos Trabalhadores em Fortaleza na quinta-feira, a ex-prefeita Luizianne Lins (PT) declarou, diante do ex-presidente Lula, que seu maior erro político foi ter um dia confiado no ex-aliado Cid Gomes, do PSB.

O arroubo não teve efeito prático maior do que uma automassagem no ego dos que perderam as últimas eleições na capital cearense. Na prática, Cid e Luizianne, ainda que constrangidos, continuam no mesmo time: a base aliada do projeto de poder capitaneado por Lula.

Aliados circunstanciais

Chega a ser aborrecido falar sobre essas constantes e recentes trocas de farpas. Se existe uma aliança que nasceu condenada foi essa. Um lado nunca confiou no outro.

Descontadas as devidas diferenças de importância histórica, por mais de uma vez comparei essa parceria com o pacto Molotov-Ribbentrop, celebrado entre nazistas e comunistas no início da Segunda Guerra Mundial. Os dois lados tinham  inimigos e pontos comuns, mas o desejo de conquista de ambos fatalmente os faria romper. A questão sempre foi saber quem seria o primeiro a trair o aliado.

A eterna conciliação

No entanto, é preciso considerar um elemento intrinsecamente brasileiro nessa história. É a tradição de não levar um rompimento às últimas consequências, a eterna busca pelo consenso, deixando de lado qualquer princípio ou convicção. Essa é a nossa tradição política mais duradoura (essa tese é bem desenvolvida por Paulo Mercadante em A consciência conservadora no Brasil).

No século 20, talvez o maior expoente dessa característica nacional tenha sido o ex-presidente José Sarney. Nesse início do século 21, já é possível dizer que o ex-presidente Lula figura como síntese e emblema personificado desse modelo político, capaz de seduzir e reunir todo o tipo de gente, desde que isso sirva à manutenção do poder.

Isso não é criação ou exclusividade de Lula. Collor não quis dividir as benesses do poder com os donos do poder. Terminou expulso. Fernando Henrique Cardoso surgiu como uma inteligência capaz de enfraquecer esse processo histórico, mas fracassou. Sua base de apoio é a mesma de Dilma, descontada os partidos de esquerda. Lula então prometia um rompimento com as forças tradicionais da política que nunca aconteceu.

O novo que é o velho

A visita de Lula ao Ceará ressalta nossa infinita capacidade de conciliar o que parece inconciliável. Cid e Luizianne apenas repetem uma cena comum nos últimos anos: inimigos que engolem o próprio orgulho para se unirem em reverência ao líder do momento. Assim é que, divergências pontuais à parte, a base de Lula no Ceará é aliada direta de Renan Calheiros, Paulo Maluf, Carlos Lupi, José Dirceu, Collor de Mello, Jáder Barbalho, Romero Jucá, entre outros menos notórios. Podem até criticá-los, mas estão juntos.

Lula é o Sarney do século 21, com a força adicional do engajamento de setores ideologizados da sociedade civil.

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Os Ferreira Gomes no teatro presidencial de 2014

Por Wanfil em Eleições 2014

28 de Fevereiro de 2013

As forças políticas que pretendem disputar a Presidência da República em 2014 já começaram a encenar publicamente o que foi ensaiado nos bastidores dos seus interesses de grupo. Abrem-se as cortinas para o teatro eleitoral. Os primeiros cenários, figurinos e diálogos começam a ser apresentados ao distinto público, mais especificamente, nesse início, aos distintos aliados e financiadores de campanha.

O drama (ou seria comédia? ) que se desenrola é protagonizado por  Marina Silva (Rede Sustentabilidade), Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Mas existe o elenco de apoio. É nesse grupo que o governador Cid Ferreira Gomes e o ex-ministro Ciro Ferreira Gomes atuam. E apesar de serem do PSB, ao que tudo indica, atuam para fazer brilhar o roteiro da  presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição. Trata-se de uma aposta, pois política (e eleição), além da arte de representar, também é jogo. Vejamos os atos apresentados recentemente nos palcos da política:

ATO I – A DISSIDÊNCIA
Eduardo Campos como alvo

No dia 24 de fevereiro Ciro Gomes diz em entrevista que o governador de Pernambuco e seu correligionário, Eduardo Campos, assim como Marina Silva e Aécio Neves, não estaria preparado para governar o Brasil. No dia seguinte, Campos rebate dizendo que Ciro é voz isolada no PSB.

Está em curso a construção de um discurso de apoio para a candidata Dilma e a tentativa de fragilizar a candidatura do PSB. Só ela, por dedução lógica a partir do raciocínio de Ciro, estaria preparada para o cargo. Cid, por sua vez, respondea Eduardo Campos dizendo que pode sair do PSB caso haja imposição de uma candidatura própria. Campos, que em 2010 atuou para impedir a candidatura de Ciro, fica na delicada situação de ter que tratar de uma dissidência interna em sua sigla, posição que sugere fragilidade perante financiadores. Para o público, se ele não consegue unir o próprio partido, dificilmente terá força para vencer.

ATO II – A PROMESSA
A volta da refinaria

Dois dias após as declarações de Ciro, o governador Cid Gomes é recebido pela presidente/candidata Dilma. Em seguida, Cid resgata a antiga promessa de construção de uma refinaria da Petrobras no Ceará, apesar de todas as dificuldades financeiras da empresa. Segundo o governador, uma parceria com chineses ou coreanos (falta combinar com eles?) possibilitaria o empreendimento. Se Cid e Ciro, no fundo do coração, realmente acreditam nisso, só eles podem dizer. É mais plausível acreditar que a dupla atua pensando na sobrevivência política de seu próprio grupo, historicamente pouco afeito a compromissos partidários.

De todo modo, a sincronia entre as datas e o apelo eleitoral de uma promessa que há anos gera expectativas concorrem para reforçar a percepção de que há nesses acontecimentos muito mais do que mera coincidência. No plano simbólico, reforça a posição de Cid Gomes como interlocutor preferido de Dilma junto ao PSB. Os demais governadores da sigla percebem que essa é a postura mais adequada para encaminhar seus pleitos junto ao governo federal.

ATO III – O CHEFE
Lula entra em cena

Quatro dias após as declarações de Ciro e 48 horas depois do encontro de Cid e Dilma, o PT realiza em Fortaleza um seminário com a presença do ex-presidente Lula, cujo título denota notório sentido eleitoral: “O Decênio que mudou o Brasil”. A ideia subjacente é comparar o governo petista com o governo tucano, reforçando a estratégia utilizada nas duas eleições de Lula e na de Dilma, que é a de polarizar a disputa entre dois candidatos já no primeiro turno.

Mais uma vez é possível ver que a peça apresenta alegorias de valor simbólico. A escolha da capital cearense como a primeira das dez onde o seminário será realizado, logo após a sucessão de notícias que mostram o engajamento de Ciro e Cid com o projeto nacional do PT, é mais um recado aos adversários que desejam polarizar a campanha: a prioridade agora são os aliados de 2014.

FINAL – …
Reticências para 2014

“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho”, já dizia Mário Quintana. É isso aí. Não dá para prever o final desse teatro, afinal, muita coisa pode mudar. A crítica, nesse caso, pode avaliar apenas o momento, pois esse é um roteiro que ainda está sendo escrito a muitas mãos. Antecipar o resultado é torcida. Esse é um capítulo que será concluído apenas em 2014.

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Cid quer encontro com Lula: direto na fonte

Por Wanfil em Eleições 2012

21 de Maio de 2012

Mário Quintana: "Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta". Pois é. Quando o assunto é eleição, Cid também dispensa intermediários.

Após uma reunião entre governadores do Nordeste, realizada na semana passada, o governador do Ceará Cid Gomes cedeu espaço para que o presidente do PSB cearense, Cid Gomes, revelasse que irá procurar o ex-presidente Lula em São Paulo, nesta terça (22), para falar de cenários eleitorais em Fortaleza.

A dupla condição de autoridade pública e presidente de partido assumida por Cid serve para lembrar que a relação de Lula com o Ceará tem igualmente uma forma dupla, constituída de partes teoricamente separadas, mas que na prática se misturam: a administrativa e a eleitoral. Relação sempre muito bem conduzida e explorada pelo político Cid Gomes, mas de pouco proveito para o governador Cid Gomes. Explico.

Parceria administrativa

Lula foi presidente do Brasil por dois mandatos, conquistando votações impressionantes no Ceará. Sobre a área de infraestrutura, não foram poucas as vezes que o ex-presidente veio ao Estado prometer: 1) uma refinaria, 2) uma siderúrgica, 3) a ferrovia Transnordestina e 4) a transposição do Rio São Francisco. Nada disso aconteceu, apesar dos anúncios grandiosos do PAC.

De concreto, os cearenses conseguiram uma usina de biodiesel a base de mamona. Os demais ganhos foram de ordem econômica, com forte componente conjuntural e experimentados por todos os entes da Federação. A rigor, Cid não tem muito o que mostrar em termos de obras federais no Ceará. As estradas, por exemplo, continuam na mesma precariedade de sempre, conforme já denunciou o próprio governador.

A parceria administrativa não rendeu o que prometia ou o que poderia nesse campo, apesar da aliança política anunciada como vantagem nas eleições.

Parceria eleitoral

Candidato crônico à Presidência, Lula conseguiu mudar a imagem de eterno perdedor para a de político imbatível. Algo sem precedentes na história do Brasil. E foi nessa condição de vitorioso que o petista tornou-se aliado de Cid e Ciro Gomes. Veio por cima.

Aí sim, o político Cid não tem do que reclamar da parceria.

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Lula apela na Justiça para não depor como testemunha em caso do mensalão

Por Wanfil em Judiciário

04 de Maio de 2012

À Justiça, Lula afirma não saber de nada sobre o mensalão

Reproduzo abaixo trechos de matéria assinada por Marcelo Auler, da Revista Consultor Jurídico. Comento em seguida.

O comparecimento do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma Vara Federal Criminal para prestar depoimento sobre o mensalão está sendo discutido em um Mandado de Segurança em tramitação no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Lula alega nada saber a respeito, motivo pelo qual rejeita comparecer em juízo. Até o momento, o ex-presidente levou a melhor. Considerando que a convocação dele como testemunha é uma típica jogada midiática, respaldada apenas em notícias de jornais, e que nada acrescentará ao processo, o desembargador Messod Azulay Neto concedeu liminar suspendendo a intimação determinada pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio.

No parecer que entregará nesta sexta-feira (4/5) ao TRF-2, a procuradora regional da República Monica Ré se manifestará contrária ao pedido do ex-presidente. Alega não existir justificativas para ele deixar de atender à intimação judicial.

Lula foi arrolado como testemunha de defesa do ex-procurador da Fazenda, Glênio Sabad Guedes. Ele, junto com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza responde pelos crimes de falsidade ideológica, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

O processo é considerado um filhote do Mensalão. (…) O ex-presidente Lula foi arrolado como testemunha de defesa de Guedes no primeiro semestre do ano passado. (…) O réu fundamentou a necessidade de ouvi-lo em razão de pronunciamentos recentes à imprensa dando conta de “não ter havido o mensalão”.

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Juridicamente a justificativa para o arrolamento de Lula como testemunha de defesa parece bastante frágil, pois se basea apenas em opinião manifestada pelo ex-presidente. E até o momento, que se saiba, não existe prova material alguma de ligação entre Lula e o esquema do mensalão. No máximo ele disse ter sido traído, de forma genérica, sem apontar nomes ou mostrar documentos.

Não deixa de ser curioso observar que em diante das câmeras Lula garante que o mensalão não existiu, mas diante da possibilidade de falar na Justiça sobre um caso ligado ao mensalão, se vale de uma liminar para ficar em silêncio, alegando não saber de nada. É um direito de qualquer cidadão, claro. Se Lula pode provar mesmo que o mensalão foi armação de adversários, deve estar deixando para revelar a verdade em outra oportunidade. Se não pode, a liminar veio a calhar para o ex-presidente.

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Mensalão em Fortaleza, mensalão em Brasília… Afinal, o que é o mensalão?

Por Wanfil em Corrupção

04 de Maio de 2012

D. Sebastião, o rei português desaparecido em batalha no séc. 16, que deu origem ao termo sebastianismo: a falsa esperança de que a realidade mude a partir de um evento. Não é assim que funciona.

O Ministério Público pediu ao  Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) uma auditoria nas emendas repassadas pela prefeitura de Fortaleza aos vereadores da capital entre os anos de 2010 e 2011. O objetivo é investigar um suposto mensalão na Câmara de Vereadores de Fortaleza.

Paralelamente, há grande expectativa sobre o desfecho do mensalão original, aquele denunciado por Roberto Jefferson, derrubou José Dirceu, que poderá ser julgado ainda neste semestre no Supremo Tribunal Federal.

Esperança vã

Os mais indignados com a corrupção alimentam a esperança de que esses processos sirvam de lição aos corruptos. Alguns, mais inocentes ainda, anseiam pelo resgate da aura esquerdista carregada por partidos que alardeavam ter o monopólio da ética. Querem voltar a ser especiais, numa espécie de sebastianismo ideológico (Ver definição abaixo ou no link).

Ainda que nos dois casos as acusações sejam comprovadas e todos os envolvidos sejam punidos, é preciso dizer, para o desencanto geral, que  isso não representará nada mais do que um mero arranhão no invólucro da estrutura de poder vigente, que protege o seu núcleo, a hegemonia cultural da esquerda brasileira, patrocinadores dos mensalões em vigor. No mínimo, alguns soldados da infantaria poderão cair; no máximo, um oficial condecorado, como o próprio Dirceu, pode ser abatido, embora permaneça influente nas altas esferas do poder.

Os mensalões da vida serão vistos como pequenas nódoas derivadas de eventuais desvios particulares, crimes levados a efeito por agentes que se desviaram do caminho, nunca como método de conquista e consolidação de poder, de enriquecimento pessoal e partidário.

A verdadeira novidade

É bem verdade que a corrupção e a compra de parlamentares existem no Brasil desde antes da proclamação da República. A novidade é que a revelação destes crimes agora não abala em nada o prestígio moral de seus maiores beneficiários: presidentes, governadores ou prefeitos. Sarney percebeu a mudança de eixo, se mostrou aliado útil, e de vilão nacional foi alçado por Lula à condição de “brasileiro incomum”.

A reputação de partidos de esquerda que cresceram prometendo mudar “tudo o que está aí”, mas que agora se beneficiam dos métodos que antes condenavam, continuará preservada nos ambientes de influência cultural: escolas/universidades, redações e sindicatos. Bandido é o Bolsonaro, não o Romero Jucá ou o João Paulo Cunha.

Mensalão atual e os mensalões do passado

A diferença entre o mensalão atual e os mensalões de sempre está na força política de seus operadores. Leia mais

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A popularidade de Dilma, o peso da economia e a sombra de Lula

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Abril de 2012

Criatura e criador. Entre os dois sempre haverá uma conjunção adversativa: "Ela é boa, mas ele é mito". Foto: Ricardo Stucker/Instituto Lula

O instituto Datafolha divulgou nova pesquisa sobre a popularidade do governo Dilma junto aos brasileiros. O resultado foi um novo recorde de aceitação. Ao todo, 64% aprovam a gestão, 29% a consideram regular e 5% a desaprovam, deixando os ex-presidentes FHC e Lula para trás, comparando-se os resultados de cada após um ano e três meses de mandato.

A mesma pesquisa mostra que o brasileiro está otimista com os rumos da economia. Para 49%, situação econômica do país irá melhorar, 13% acreditam que ficará pior, e 34% acham que nada mudará.

A variante econômica
O cruzamento desses números confirma a tese segundo a qual, em condições normais de temperatura e pressão, ou sja, em ambientes políticos estáveis, a popularidade de um governo oscila de acordo com o desempenho da economia. Em caso de crise, sem indicativo de recuperação, a imagem dos governantes desabam.

Popularidade e consumo
Com a crise que atinge os mercados financeiros na Europa e nos EUA, o brasileiro percebe que o Brasil tem uma posição privilegiada. Se foi obra do PROER do Fernando Henrique ou da política monetária de Lula, pouco importa para o público. Vale o aqui e o agora.

O fato é que, com a manutenção da estabilidade econômica, boa parte da população conquistou, ao longo dos anos, ganhos reais de renda e novas oportunidades de consumo, lastreadas no endividamento a base de juros altos, e não em poupança, como seria recomendável. O que conta para o brasileiro médio é saber se há emprego e se é possível planejar compras a prestação.

Méritos
Dilma tem seus méritos, é inegável. Não foram poucas as apostas de que ela jamais conseguiria ter a popularidade de Lula, quanto mais ultrapassá-la. E olha que problemas não faltam. Leia mais

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A popularidade de Dilma, o peso da economia e a sombra de Lula

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Abril de 2012

Criatura e criador. Entre os dois sempre haverá uma conjunção adversativa: "Ela é boa, mas ele é mito". Foto: Ricardo Stucker/Instituto Lula

O instituto Datafolha divulgou nova pesquisa sobre a popularidade do governo Dilma junto aos brasileiros. O resultado foi um novo recorde de aceitação. Ao todo, 64% aprovam a gestão, 29% a consideram regular e 5% a desaprovam, deixando os ex-presidentes FHC e Lula para trás, comparando-se os resultados de cada após um ano e três meses de mandato.

A mesma pesquisa mostra que o brasileiro está otimista com os rumos da economia. Para 49%, situação econômica do país irá melhorar, 13% acreditam que ficará pior, e 34% acham que nada mudará.

A variante econômica
O cruzamento desses números confirma a tese segundo a qual, em condições normais de temperatura e pressão, ou sja, em ambientes políticos estáveis, a popularidade de um governo oscila de acordo com o desempenho da economia. Em caso de crise, sem indicativo de recuperação, a imagem dos governantes desabam.

Popularidade e consumo
Com a crise que atinge os mercados financeiros na Europa e nos EUA, o brasileiro percebe que o Brasil tem uma posição privilegiada. Se foi obra do PROER do Fernando Henrique ou da política monetária de Lula, pouco importa para o público. Vale o aqui e o agora.

O fato é que, com a manutenção da estabilidade econômica, boa parte da população conquistou, ao longo dos anos, ganhos reais de renda e novas oportunidades de consumo, lastreadas no endividamento a base de juros altos, e não em poupança, como seria recomendável. O que conta para o brasileiro médio é saber se há emprego e se é possível planejar compras a prestação.

Méritos
Dilma tem seus méritos, é inegável. Não foram poucas as apostas de que ela jamais conseguiria ter a popularidade de Lula, quanto mais ultrapassá-la. E olha que problemas não faltam. (mais…)