Luizianne Lins Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Luizianne Lins

Luizianne: “Não sou um Ciro Gomes da vida”

Por Wanfil em Partidos

14 de Março de 2019

Luizianne e o dilema do PT no Ceará: responder aos ataques de Ciro e arriscar a aliança ou silenciar e frustar a militância? (Foto – Agência PT)

A deputada federal Luizianne Lins quebrou o silêncio dos petistas cearenses após a troca de farpas entre Ciro Gomes (PDT) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O registro é do site Focus.jor.

Na sequência de uma série de críticas sobre a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza – ressaltando que eram considerações feitas de forma consistente e sem picuinha – a petista não resistiu e mandou ver no final: “Não sou um Ciro Gomes da vida”.

Não foi uma resposta direta a Ciro, mas uma referência implícita, ainda que tímida, aos ataques contra a cúpula do PT, incluindo Lula. Estes é que seriam inconsistentes e picuinha.

Que Luizianne e Ciro não se bicam, isso não é novidade. Acontece que agora, em meio ao tiroteio entre PDT e PT na disputa pelo papel de protagonista da esquerda brasileira, e com as eleições do próximo ano no radar dos partidos, as provocações ganham nova relevância diferente, pois podem afetar a aliança entre o partido do governador Camilo Santana e o maior partido de sua base, liderado por Ciro.

Se as lideranças do PT no Ceará preferiram a prudência para preservar espaços na gestão estadual, chega um momento que diante de acusações pesadas (difíceis de refutar, diga-se) que atingem a figura mais idolatrada do petismo, que é Lula, aí fica complicado para essas lideranças explicarem a postura para as bases de sua militância.

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Luizianne pressiona Camilo a decidir entre Lula e Ciro

Por Wanfil em Eleições 2018

25 de julho de 2018

(FOTO: Iago Monteiro/Tribuna do Ceará)

No programa Focus Jangadeiro desta quarta-feira, um ouvinte perguntou para a deputada federal Luizianne Lins: “Você vota no governador Camilo Santana?”

Ela não pestanejou: “Se o Camilo se comprometer a apoiar o Lula ou o candidato do PT, eu votarei. Até porque, se não fizer isso, eu já coloquei que vou disputar essa posição [de candidato ao governo estadual], caso ele não saia do encontro [próximo sábado, dia 28] dizendo categoricamente – que até agora ele não disse – que vai apoiar o Lula ou o candidato do PT”.

Mais do que uma ameaça vazia, a fala de Luizianne, cirurgicamente dirigida à militância, é uma cobrança de engajamento partidário, de uma definição que deixe claro, de uma vez por todas, que entre Lula (ou um preposto) e Ciro Gomes, do PDT, Camilo escolhe o petista.

Não há sinais de que o movimento da deputada tenha apoio do comando estadual para impor um constrangimento desses a Camilo e dificilmente ela conseguiria uma indicação ao governo estadual. O objetivo, portanto, é mesmo pressionar Camilo em nome de uma estratégia nacional e conseguir, de quebra, aprovar uma candidatura petista ao Senado.

De todo modo, convém ao governador não subestimar a situação. O petismo é conhecido por suas disputas internas. Se evitar o problema, silenciando ou tergiversando, dando a entender que prefere Ciro, o governador perde algum prestígio dentro do próprio partido; se optar pelo petismo, pedindo votos para o candidato do partido, corre o risco de colidir com os Ferreira Gomes, que controlam o PDT.

Às vésperas da eleição, não é uma situação confortável.

E vocês, acham que Camilo prefere quem? Lula ou Ciro?

(Esse texto foi publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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Roberto Cláudio reconhece participação de Luizianne em obras de mobilidade

Por Wanfil em Política

25 de Abril de 2017

A Lava Jato e a mobilidade dos discursos em Fortaleza

Na correria do dia a dia uma notícia quase passou batida aqui no blog, mas ainda há tempo para resgatá-la. Antes, porém, preparo o terreno com informações anteriores ao fato em questão, ainda relacionadas às eleições de 2016.

ANTES

Naquele ano, durante debate realizado na TV Cidade, a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) disparou: “Todas essas obras de mobilidade, sem exceção, que estão sendo feitas hoje, foram relativas ao nosso governo”.

Candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT), rebateu: “A senhora falou que as obras viárias foram todos projetos preparados pela senhora. Diversos foram feitos pelo ex-prefeito Juraci e pelo ex-prefeito Cambraia, pena que a senhora não botou em prática, não executou. Coube a mim ter que fazer o que a senhora não fez e não teve competência para fazer em oito anos”.

Na tréplica, Luizianne insistiu: “O senhor está faltando com a verdade, porque tudo o que o senhor tem feito na área de mobilidade urbana, nós deixamos preparados”.

DEPOIS

Pois bem. O tempo passa, o tempo voa e novos elementos surgiram para, digamos assim, enriquecer o debate. No dia 15 de abril o jornal O Povo informou que o STF, na esteira das delações na Lava jato, encaminhou à Procuradoria da República pedido de investigação sobre licitação para o Programa do Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor), feita ainda na gestão de Luizianne.

De acordo com o jornal, “procurado, o prefeito Roberto Cláudio informou, por meio de assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre o caso porque as licitações datam da gestão anterior. Já a prefeita Luizianne Lins (PT) disse, também através de assessoria, que não tem conhecimento do assunto”. Reparem: as licitações não datam de gestões anteriores, mas da gestão anterior, ou seja, da administração petista.

CONCLUSÃO

Roberto Cláudio agora reconhece que Luizianne deixou encaminhadas parte das obras de mobilidade por ele executadas. Luizianne, por sua vez, adiantou quem nem conhece o assunto.

A Lava Jato é assim. Refresca a memória de uns e prejudica a de outros.

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Segundo turno: o apoio do PT ajuda ou atrapalha? Eis a questão

Por Wanfil em Eleições 2016

04 de outubro de 2016

Nas cidades onde acontece segundo turno, é natural que os candidatos que continuam na disputa busquem o apoio daqueles que ficaram pelo meio do caminho. Em Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) trabalham para conquistar parte dos 15% obtidos por Luizianne Lins (PT), terceira colocada no primeiro turno. Lideranças do PT prometem uma definição para esta quarta-feira. A decisão, porém, não é simples.

A ex-prefeita, que controla o Diretório Municipal do partido, não contou com a ajuda do governador Camilo Santana, que apoiou Roberto Cláudio, que  pertence ao grupo político liderado por Ciro Gomes, desafeto de Luizianne.

Em 2012, o PT chegou a sondar o então vereador Capitão Wagner para ser vice de Elmano de Freitas contra Roberto Cláudio, mas em 2016, o apoio do PMDB e do PSDB à deputado do PR dificulta o diálogo com os petistas.

Assim, embora o ex-presidente Lula e o deputado José Guimarães, que controla a Executiva Estadual do PT, defendam abertamente a aliança com o PDT, para Luizianne, qualquer escolha que não seja a neutralidade guarda contradições com sua trajetória política.

Além do mais, é preciso avaliar até que ponto o apoio ostensivo do PT realmente pode ajudar. A sigla vive sua maior crise de imagem e tenta sobreviver ao duro golpe sofrido nessas eleições, quando perdeu nas principais capitais e viu seu tamanho reduzir em todo o país.

É claro que neste segundo turno Wagner e RC querem atrair os eleitores de Luizianne. O desafio será como fazer isso sem afugentar aqueles que rejeitaram o PT nas urnas. Não foram poucos.

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Eleições 2016: Fortaleza já tem um derrotado e um vencedor

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Fortaleza será decidida no próximo dia 30 de outubro, em segundo turno. Continuam na disputa o prefeito Roberto Cláudio (PDT), que terminou o primeiro turno com 40% dos votos, e Capitão Wagner (PR) com 31%.

Evidentemente, tudo pode acontecer. De todo modo, se por um lado a disputa continua, por outro é possível dizer que o maior derrotado na capital foi o PT, que ainda viu sua bancada na Câmara reduzir de quatro para dois vereadores. Para ser justo, a terceira posição de Luizianne Lins, com 15,06% dos votos válidos, foi resultado que superou a maioria dos candidatos petistas em outras capitais, mas insuficiente para avançar ao segundo turno.

Assim, paradoxalmente, o grande vencedor na capital pode ser o governador Camilo Santana, que pode ampliar sua influência na sigla no momento em que José Guimarães e Luizianne estão enfraquecidos, desde que haja disposição e apetite para isso. A sorte, como dizia Napoleão, sorri para os audazes.

Muito se especula a respeito de uma possível saída de Camilo do PT para o PDT. Parece lógico, dada a sua proximidade com os Ferreira Gomes. Porém, no PDT, o governador nunca será uma liderança, pois esse papel atualmente cabe aos irmãos Ciro e Cid. Já o PT no Ceará, mais do que nunca, precisa de Camilo. Mas para tanto, a vitória do aliado Roberto Cláudio é fundamental, pois fortalece a parceria entre petistas e cidistas, contra a qual Luizianne lutou.

Por ironia, para que isso se confirme de vez, é preciso conquistar os eleitores da ex-prefeita.

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Candidatos mudam estratégias na reta final em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2016

19 de setembro de 2016

As pesquisas realizadas após o início desta curta campanha eleitoral indicam quais campanhas conseguiram emplacar suas estratégias e quais precisam mudá-la para tentar chegar a um provável segundo turno em Fortaleza. É o que está acontecendo.

Do ponto de vista do marketing eleitoral, o Capitão Wagner (PR) conseguiu definir a segurança pública como tema central do debate. Como saiu do empate técnico com Luizianne Lins (PT) para chegar ao empate técnico com o prefeito Roberto Cláudio (PDT), os demais concorrentes se viram obrigados a abordar o assunto, na tentativa de anular a vantagem tática do candidato do PR.

Para o prefeito, que também cresceu nas pesquisas e praticamente está garantido no segundo turno, pequenos ajustes foram introduzidos, como a lembrança de que o investimento em creches é uma ação que visa também a segurança das crianças. Provavelmente não fará ataques agora, pela razão que explico a seguir.

O cenário das pesquisas forçou mudanças na estratégia de Luizianne, que agora procura desconstruir o discurso de Wagner para a segurança pública. No início da campanha ela mirou a gestão Roberto Cláudio, apostando na polarização da disputa. No entanto, sem emplacar nas pesquisas, a petista percebeu que atacar a gestão do pedetista acabou por beneficiar Wagner, que sem contraponto, avançou tranquilo.

É uma situação delicada para Luizianne e o PT. Se bater muito no Capitão e conseguir ultrapassá-lo, corre o risco de perder os eleitores de Wagner em caso de segundo turno, o que ajudaria na reeleição de Roberto Cláudio, aliado de Cid e Ciro Gomes, adversários de Luizianne.

Outra mudança, menos importante, mas significativa como ilustração de uma forma de fazer política, é na campanha de Tin Gomes (PHS), deputado estadual e primo dos Ferreira Gomes. O candidato, que não tem chance alguma e com desempenho pífio, de neutro passou a criticar Wagner indiretamente, mostrando mais preocupação com os concorrentes da atual gestão do que com a própria condução dessa mesma gestão que ele, por algum motivo, acha que merece ser interrompida, caso contrário, por suposto, não seria candidato.

A não ser que aceitasse ser usado por terceiros, especialmente nos debates, hipótese que ninguém pode acreditar, não é mesmo?

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Ibope: a Capital entre o prefeito e o Capitão

Por Wanfil em Pesquisa

15 de setembro de 2016

A segunda pesquisa do Ibope para as eleições em Fortaleza, divulgada ontem pela Verdes Mares, mostra empate técnico, no limite da margem de erro de 3 pontos, entre o prefeito Roberto Cláudio e o deputado estadual Capitão Wagner. Na comparação com o primeiro levantamento, de 22 de agosto, temos a seguinte evolução dos cinco primeiros colocados:

Roberto Cláudio (PDT) – de 29% para 34%
Capitão Wagner (PR) – 21% para 28%
Luizianne Lins (PT) – 18% nas duas pesquisas
Heitor Férrer (PSB) – 9% para 7%
Ronaldo Martins (PRB) – 4% para 3%
Outros (PSOL, PSTU, PHS) – 4% para 1%
Brancos/nulos – 10% para 7%
Não sabe/não respondeu – 5% para 2%

É o seguinte: faltando pouco mais de duas semanas para as eleições, Roberto Cláudio e Capitão Wagner apresentam curvas ascendentes. Luizianne estaciona. Com 40% de rejeição, a petista está próxima do seu teto. Como não cai, tudo indica que é o eleitor cativo do PT. O desempenho dela é o fiel da balança para a provável realização de um segundo turno. Férrer, Martins e indecisos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Desse cenário, podemos concluir:

1 – Os indecisos e eleitores que mudaram de voto se dividiram entre RC e Wagner, com vantagem para o candidato de oposição, que cresceu 7 pontos, contra cinco do prefeito;

2 – Capitão Wagner deixa o empate técnico com Luizianne e marca empate com o prefeito, movimento que acende a luz amarela na campanha do candidato à reeleição;

3 – A dinâmica dos números mostra que Capitão Wagner deve manter a estratégia que alterna criticas a atual gestão e o discurso biográfico para aproximação com o eleitorado. Já Roberto Cláudio precisa desconstruir o rival que o ameaça e que tem a menor rejeição entre os eleitores: 18% contra 24% do prefeito. A questão é como fazer isso. Assessores e comissionados ligados à sua campanha já sinalizam ataques pessoais ao candidato do PR, o que revela um estado de ânimo tenso. Segundo os manuais de marketing eleitoral, bater demais, ou bater errado, pode ser fatal.

A Capital está, nesse momento, entre o prefeito e o Capitão.

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Lula é denunciado na Lava Jato um dia após aparecer em vídeo com Luizianne

Por Wanfil em Eleições 2016

14 de setembro de 2016

Lula, réu por corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça, pede votos em Fortaleza

Lula, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, e réu por obstrução da justiça, pede votos em Fortaleza

O ex-presidente Lula anda mais enrolado do que nunca com a Justiça. O Ministério Público Federal no Paraná o denunciou  nesta quarta por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, relativas ao caso do triplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato.

E quem irá decidir se Lula vira ou não réu? O juiz Sérgio Moro, terror dos “companheiros” delatores.

O ex-presidente já é réu em outra ação, movida pelo MP do Distrito Federal, acusado de obstruir a Lava Jato.

Curiosamente, um dia antes Lula apareceu na propaganda da candidata petista à prefeitura de Fortaleza, Luizianne Lins, fazendo elogios para a correligionária. Houve uma época, não faz tanto tempo, em que a imagem de Lula era disputada na Justiça Eleitoral até por opositores. Agora, por bons motivos, poucos arriscam a fazer como a ex-prefeita.

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Fortaleza e a eleição dos padrinhos tímidos

Por Wanfil em Pesquisa

12 de setembro de 2016

Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana pelo O Povo mostra que a campanha em Fortaleza tende a se polarizar entre Roberto Cláudio (PDT), que aparece com 32%, e Capitão Wagner (PR), com 24%. Em terceiro está Luizianne Lins (PT), que tem 16%.

Um dos fatos mais interessantes nestas eleições é a ausência de padrinhos políticos nas propagandas. Desde já faço aqui uma distinção: quando falo em padrinho (ou madrinha), não me refiro aos apoiadores que exercem ou já exerceram cargos importantes nos governos e partidos, mas àquela liderança que, segura de seu prestígio e posição, lança um “afilhado” sem sem força própria para a disputa. Via de regra, a presença dos padrinhos nas campanhas de seus escolhidos é intensa, pois o seu sucesso depende justamente na transferência de votos do criador para a criatura.

As eleições de 2012 foram a expressão perfeita dessa forma de controle. Luizianne Lins e Cid Gomes travaram uma batalha por meio da disputa entre seus protegidos, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio, dois nomes de pouca densidade eleitoral na cidade. E todos suplicavam pelas bênçãos de Dilma e Lula.

Agora é diferente. O capital político dos principais padrinhos não é o mesmo. Lula e Dilma lutam para não serem presos. O presidente Temer é odiado pelos ex-aliados e não tem, obviamente, a simpatia de quem não votou na chapa Dilma/Temer. O governador Camilo Santana, do PT, apoia o candidato do PDT contra a candidata do PT, o que inviabiliza sua participação direta na propaganda. Curiosamente, Cid e Ciro também não deram notícias em Fortaleza.

A opção por, digamos assim, esconder os padrinhos certamente é baseada em pesquisas. Roberto Cláudio, que na sua primeira eleição precisou muito da chancela dos seus líderes, agora aparece sozinho, buscando, certamente, mostrar que tem liderança própria.

O Capitão Wagner conta com o apoio dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), mas esses entram como apoiadores, pois o candidato surgiu por conta própria e não depende deles para continuar na política. Nesse caso, eleitores de Eunício e Tasso podem se juntar aos eleitores que já se identificam com o próprio candidato.

Luizianne tem liderança própria e eleitoralmente é o maior nome do PT no Ceará, mas sofre nitidamente com o peso do impeachment dos escândalos que abateram o partido. Aliás, candidatos petistas em outras capitais apresentam desempenho bem abaixo ao dela e Fortaleza.

É a eleição dos padrinhos sumidos.

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Luizianne para RC: “O que você acha do impeachment da presidente Dilma”?

Por Wanfil em Eleições 2016

02 de setembro de 2016

A candidata Luizianne Lins (PT) trouxe o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff para a disputa eleitoral em Fortaleza, durante o debate realizado pela Nordestv (ver cobertura aqui:  Capitão Wagner muda estratégia e confronta Roberto Cláudio em debate), ao indagar a posição do atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), candidato à reeleição, sobre o tema. Abaixo, reproduzo pergunta e resposta, com grifos meus, e em seguida comento rapidamente.

Luizianne Lins: “Eu queria perguntar para o candidato Roberto Cláudio. Eu estive ontem com a presidente Dilma, porque nós tivemos um processo que considero um ‘golpe’ grave na democracia brasileira, e o candidato tem como seu vice um candidato que é do DEM, que foi um dos partidos artífices do ‘golpe’ contra a presidente Dilma. Como eu não ouvi nenhuma manifestação de vossa excelência sobre essa questão, eu gostaria de lhe perguntar: o que você acha do impeachment da presidente Dilma e o seu vice?

Roberto Cláudio: “Se não ouviu, deputada, não foi por falta de oportunidade em eu ter dito. Já manifestei publicamente, inclusive estive com ex-presidente pessoalmente, junto com seis outros prefeitos, entendendo que o impeachment é um erro, o impeachment trará à democracia brasileira cicatrizes que nós não sabemos ainda os exatos contornos dela, e enfim, minha posição pública e clara é essa. Lamento o que aconteceu, o processo tanto o processo de impeachment quanto o desfecho dele. De fato meu vice tem uma posição diferente a respeito do assunto. Não só disso! Ele pensa diferente de mim em outros assuntos também. Entretanto nós estamos juntos nessa empreitada pelo que nos une e não pelo que nos separa.”

Iguais, mas diferentes

O processo de impeachment da presidente mais impopular que já houve, cassada por crime de responsabilidade em maior a maior recessão da História do País, pode afetar as campanhas de seus correligionários e aliados.

Ao obrigar Roberto Cláudio se posicionar contra o impeachment (e ficou evidente que ele estava com a resposta bem ensaiada), Luizianne, que não é amadora em campanhas eleitorais, muito pelo contrário, procurou expor o adversário. Ela sabe que os eleitores que rejeitam Dilma tendem a rejeita-la, por razões óbvias. Portanto, reforçar que RC também é próximo da ex-presidente pode fazer esse mesmo público rejeitar igualmente o prefeito.

Por outro lado, eleitores mais moderados do PT podem votar até votar em RC, mas se perceberem que este faz uma defesa tímida, protocolar para não parecer que deu as costas para a antiga aliada, podem se decepcionar e ficar com a candidata do próprio PT. Reparem que o prefeito não falou as palavras “golpe”, “inocente” ou “honesta”. Apenas disse que se trata de um “erro” que pode deixar cicatrizes na democracia.

Nas atuais circunstâncias, foi uma resposta para agradar a média de seus eleitores. Se o assunto voltará a ser explorado, os próximos dias irão dizer.

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Luizianne para RC: “O que você acha do impeachment da presidente Dilma”?

Por Wanfil em Eleições 2016

02 de setembro de 2016

A candidata Luizianne Lins (PT) trouxe o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff para a disputa eleitoral em Fortaleza, durante o debate realizado pela Nordestv (ver cobertura aqui:  Capitão Wagner muda estratégia e confronta Roberto Cláudio em debate), ao indagar a posição do atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), candidato à reeleição, sobre o tema. Abaixo, reproduzo pergunta e resposta, com grifos meus, e em seguida comento rapidamente.

Luizianne Lins: “Eu queria perguntar para o candidato Roberto Cláudio. Eu estive ontem com a presidente Dilma, porque nós tivemos um processo que considero um ‘golpe’ grave na democracia brasileira, e o candidato tem como seu vice um candidato que é do DEM, que foi um dos partidos artífices do ‘golpe’ contra a presidente Dilma. Como eu não ouvi nenhuma manifestação de vossa excelência sobre essa questão, eu gostaria de lhe perguntar: o que você acha do impeachment da presidente Dilma e o seu vice?

Roberto Cláudio: “Se não ouviu, deputada, não foi por falta de oportunidade em eu ter dito. Já manifestei publicamente, inclusive estive com ex-presidente pessoalmente, junto com seis outros prefeitos, entendendo que o impeachment é um erro, o impeachment trará à democracia brasileira cicatrizes que nós não sabemos ainda os exatos contornos dela, e enfim, minha posição pública e clara é essa. Lamento o que aconteceu, o processo tanto o processo de impeachment quanto o desfecho dele. De fato meu vice tem uma posição diferente a respeito do assunto. Não só disso! Ele pensa diferente de mim em outros assuntos também. Entretanto nós estamos juntos nessa empreitada pelo que nos une e não pelo que nos separa.”

Iguais, mas diferentes

O processo de impeachment da presidente mais impopular que já houve, cassada por crime de responsabilidade em maior a maior recessão da História do País, pode afetar as campanhas de seus correligionários e aliados.

Ao obrigar Roberto Cláudio se posicionar contra o impeachment (e ficou evidente que ele estava com a resposta bem ensaiada), Luizianne, que não é amadora em campanhas eleitorais, muito pelo contrário, procurou expor o adversário. Ela sabe que os eleitores que rejeitam Dilma tendem a rejeita-la, por razões óbvias. Portanto, reforçar que RC também é próximo da ex-presidente pode fazer esse mesmo público rejeitar igualmente o prefeito.

Por outro lado, eleitores mais moderados do PT podem votar até votar em RC, mas se perceberem que este faz uma defesa tímida, protocolar para não parecer que deu as costas para a antiga aliada, podem se decepcionar e ficar com a candidata do próprio PT. Reparem que o prefeito não falou as palavras “golpe”, “inocente” ou “honesta”. Apenas disse que se trata de um “erro” que pode deixar cicatrizes na democracia.

Nas atuais circunstâncias, foi uma resposta para agradar a média de seus eleitores. Se o assunto voltará a ser explorado, os próximos dias irão dizer.