livre arbítrio Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

livre arbítrio

Racismo nos estádios é covardia de indivíduos escondidos na multidão

Por Wanfil em Noticiário

01 de setembro de 2014

Uma reportagem do UOL nesta segunda mostra que familiares e amigos da torcedora gremista flagrada ao proferir insultos racistas contra o goleiro “Aranha”, do Santos, na última quinta-feira  (28), estão surpresos com o caso. Garantem que o comportamento de Patrícia Moreira, de 23 anos, é diferente na vida privada, sem nada que lembre a postura preconceituosa manifestada no estádio. Alguns especulam que o ato repulsivo se deu no calor do momento, instigado pelo conjunto de torcedores que também ofendiam o goleiro. Caso a polícia instaure inquérito, Patrícia pode responder a processo por injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

De certa forma, seus conhecidos parecem ter razão. O vídeo em que a jovem aparece mostra a típica cena em que torcedores de um time procuram desestabilizar jogadores da equipe adversária ou mesmo os juízes da partida. No entanto, além do time, o racismo como arma de constrangimento serviu para aquelas pessoas como instrumento de identidade e coesão. Sabiam que ofendiam e enxergam na própria condição racial, sinais de superioridade diante de um atleta negro. Assim, naquelas condições específicas e emocionais, foi que a jovem se manifestou. Acredito que, muito provavelmente, ela jamais chamasse o goleiro de “macaco” fora dali, mas isso não justifica o ocorrido. Uma vez inserida na torcida, protegida pelo anonimato e diluída na multidão, deu vazão ao preconceito que nutria intimamente. Ela apenas não imaginava estar sendo filmada. É mais ou menos o que acontece com os Black Blocs, mascarados que, em bando, saqueiam e depredam. Acreditam que, estando em grupo e defendendo uma causa particular, são especiais e imunes aos limites da lei. É o complexo de inferioridade transformado em cultura política.

Escrevo isso após ler a seguinte passagem da escritora liberal americana Ayn Rand, sobre esse aspecto do preconceito racial:

“O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem – é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados.”

É isso aí! Patrícia deve ser julgada por sua índole e ações. Os demais torcedores envolvidos, se identificados, também. Se existe algo com que simpatizo no pensamento liberal é a noção de que o indivíduo tem primazia sobre o coletivo. Não se trata de renegar o social, mas de compreender que o todo é feito de partes, de sujeitos dotados de livre arbítrio. Ninguém é criminoso ou virtuoso exclusivamente por causa da condição econômica ou racial. Assim não haveria responsabilidade sobre o que fazemos. Questões econômicas, políticas e culturais certamente agem sobre o indivíduo, mas é ele, sozinho, em rápido ou longo exame de consciência, quem decide o que fazer. Choques e tensões acontecem, claro, mas existem regras para expor opiniões e mediar impasses. No Brasil, ficou estabelecido, com justiça, que racismo é crime.

No caso da torcedora do Grêmio, é possível até entender que o grupo acabou por influenciar-lhe o comportamento, mas isso não serve como desculpa para eximi-la da devida reparação. A responsabilidade pelos atos praticados é sempre, no final, e ainda que acompanhada de eventuais atenuantes ou agravantes externos, inerente ao indivíduo.

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Racismo nos estádios é covardia de indivíduos escondidos na multidão

Por Wanfil em Noticiário

01 de setembro de 2014

Uma reportagem do UOL nesta segunda mostra que familiares e amigos da torcedora gremista flagrada ao proferir insultos racistas contra o goleiro “Aranha”, do Santos, na última quinta-feira  (28), estão surpresos com o caso. Garantem que o comportamento de Patrícia Moreira, de 23 anos, é diferente na vida privada, sem nada que lembre a postura preconceituosa manifestada no estádio. Alguns especulam que o ato repulsivo se deu no calor do momento, instigado pelo conjunto de torcedores que também ofendiam o goleiro. Caso a polícia instaure inquérito, Patrícia pode responder a processo por injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

De certa forma, seus conhecidos parecem ter razão. O vídeo em que a jovem aparece mostra a típica cena em que torcedores de um time procuram desestabilizar jogadores da equipe adversária ou mesmo os juízes da partida. No entanto, além do time, o racismo como arma de constrangimento serviu para aquelas pessoas como instrumento de identidade e coesão. Sabiam que ofendiam e enxergam na própria condição racial, sinais de superioridade diante de um atleta negro. Assim, naquelas condições específicas e emocionais, foi que a jovem se manifestou. Acredito que, muito provavelmente, ela jamais chamasse o goleiro de “macaco” fora dali, mas isso não justifica o ocorrido. Uma vez inserida na torcida, protegida pelo anonimato e diluída na multidão, deu vazão ao preconceito que nutria intimamente. Ela apenas não imaginava estar sendo filmada. É mais ou menos o que acontece com os Black Blocs, mascarados que, em bando, saqueiam e depredam. Acreditam que, estando em grupo e defendendo uma causa particular, são especiais e imunes aos limites da lei. É o complexo de inferioridade transformado em cultura política.

Escrevo isso após ler a seguinte passagem da escritora liberal americana Ayn Rand, sobre esse aspecto do preconceito racial:

“O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem – é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados.”

É isso aí! Patrícia deve ser julgada por sua índole e ações. Os demais torcedores envolvidos, se identificados, também. Se existe algo com que simpatizo no pensamento liberal é a noção de que o indivíduo tem primazia sobre o coletivo. Não se trata de renegar o social, mas de compreender que o todo é feito de partes, de sujeitos dotados de livre arbítrio. Ninguém é criminoso ou virtuoso exclusivamente por causa da condição econômica ou racial. Assim não haveria responsabilidade sobre o que fazemos. Questões econômicas, políticas e culturais certamente agem sobre o indivíduo, mas é ele, sozinho, em rápido ou longo exame de consciência, quem decide o que fazer. Choques e tensões acontecem, claro, mas existem regras para expor opiniões e mediar impasses. No Brasil, ficou estabelecido, com justiça, que racismo é crime.

No caso da torcedora do Grêmio, é possível até entender que o grupo acabou por influenciar-lhe o comportamento, mas isso não serve como desculpa para eximi-la da devida reparação. A responsabilidade pelos atos praticados é sempre, no final, e ainda que acompanhada de eventuais atenuantes ou agravantes externos, inerente ao indivíduo.