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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – Leia mais

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Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – (mais…)