Ivo Gomes Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ivo Gomes

Sobre aliança com PMDB no Ceará Cid diz sim, Ivo diz não e Ciro talvez: parece divergência, mas é método

Por Wanfil em Política

05 de dezembro de 2017

A respeito da possibilidade de subir no mesmo palanque de Eunício Oliveira, do PMDB, a trindade política dos irmãos Cid, Ivo e Ciro Gomes, atualmente no PDT, consegue ao mesmo tempo ser a favor, contra e neutra: um admite, o outro critica e o terceiro lava as mãos. O que pode parecer divergência aos olhos do público é na verdade a velha e boa estratégia de ocupar todos os espaços possíveis para confundir adversários, ludibriar aliados incômodos e aumentar as possibilidades de escolha ao sabor das circunstâncias quando for a hora das convenções estaduais.

Foi assim com Tasso em 2010, Luizianne em 2012, e com o próprio Eunício em 2014: declarações dúbias ou divergentes, hesitações nos bastidores, gestos contraditórios, tudo meticulosamente trabalhado até o momento certo, às vésperas das eleições. É método.

Desse modo, se Ciro estiver bem nas pesquisas no próximo ano a presença de Eunício ao lado de seus aliados no Ceará será um constrangimento para quem se apresenta como o candidato mais crítico ao PMDB. Nesse caso, sem uma aliança formal, Camilo Santana poderá selar um pacto de não agressão com Eunício, porém, a experiência de disputas anteriores mostra que a garantia desses acordos não é lá essas coisas, especialmente se levarmos em conta que a chapa governista teria duas vagas para candidatos ao Senado.

Cid já deu a senha para eventuais mudanças de última hora, lembrando que alianças não podem ser impostas, que precisa ser construída com todos do grupo e por aí vai. Bem entendido o discurso, está dizendo que pode não entregar o que está na vitrine. Assim, quem sonha com ela assume o risco de ficar com as mãos abanando. Mas é claro que Eunício sabe disso. Se aceita participar da encenação, sujeitando-se a nova decepção (nas eleições passada deveria ter sido o candidato governista ao Palácio da Abolição, no que acabou preterido por Camilo, o escolhido do “grupo”) é porque precisa muito e não enxerga na oposição alternativa para suas necessidades. Não há outra explicação.

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Como eu avisei, aliados no Ceará não botam a mão no fogo por Lula

Por Wanfil em Política

13 de julho de 2017

Quem brinca com fogo pode se queimar

Eu não disse? A repercussão no Ceará da condenação de Lula por corrupção mobilizou, no meio político, protestos somente de nomes do PT, que acusaram uma grande armação contra o inocente ex-presidente.

Os adversários optaram por não tripudiar da situação, para não soarem antipáticos.

Já os aliados, vejam que coisa, preferiram não colocar a mão no fogo pelo ex-presidente, tudo conforme o roteiro que antecipei no post anterior: Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Importante também destacar a posição do governador Camilo Santana, que é do PT, mas que também é Ciro para 2018, elogiou Lula, mas não contestou a decisão de Moro. Disse, sobre o ex-presidente, que nada poderá tirar-lhe “o brilho de sua história”.

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), não tocou no assunto e cumpriu agenda em Brasília junto ao Ministério da Saúde. Foco na gestão. O resto é o resto. Ivo Gomes (PDT), prefeito de Sobral, foi mais além e afirmou que “tudo o que o Brasil não precisa” é a volta de Lula, que “prestigiou a alta bandidagem brasileira”. Cid não se pronunciou ainda.

Ciro Gomes (PDT), em nota, disse “torcer” para que Lula prove sua inocência. Torce porque não tem certeza, é o recado. Como escrevi antes, o PDT conta com a saída de Lula do páreo para fazer de Ciro o candidato das esquerdas, herdando de quebra parte de seus votos. Postura devidamente copiada pelos liderados do pedetista.

O problema para o PT, e em especial para o PT cearense, é que se o partido quiser usar os palanques estaduais para defender Lula é ficar atento para ver se conta com nomes realmente dispostos a queimar a mão no fogo.

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Eleições 2016: Sobral e o preço de uma hegemonia

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

A eleição para a Prefeitura de Sobral adquiriu um valor simbólico no Ceará, por se tratar do berço político da família Ferreira Gomes. Não por acaso, ao constatar a disputa acirrada na cidade, o governador Camilo Santana (PT), aliado de Ciro e Cid Gomes, disse que Sobral era prioridade para a campanha.

Durante um bom tempo as pesquisas mostravam o caçula da família, o deputado estadual Ivo Gomes (PDT), atrás de Moses Rodrigues (PMDB), candidato do senador Eunício Oliveira (PMDB) e que somente às vésperas da eleição recebeu apoio do senador Tasso Jereissati. Para reverter a situação, além do apoio das máquinas estadual e municipal, os irmãos ex-governadores precisaram atuar praticamente em tempo integral em seu reduto eleitoral.

Além disso, a campanha de Ivo foi uma das mais ricas destas eleições, com receita de R$1.222.500,00 e despesa, até esta segunda feira (3), de R$688.645,07. Os dados são do TRE. No final, o deputado venceu com 57.908 votos, que corresponde a 51,44% do total. Uma média de 12 reais por voto, contra pouco menos de RS 8,00 per capita gastos por Moses, que obteve 40,16% da votação.

A vitória de Ivo consolida uma liderança política iniciada em 1996 e que hoje, apesar da aliança com o petismo, se mantém como a maior do Ceará. O consolo para os adversários é que, uma vez na oposição ao governo federal, nunca foi tão difícil e caro para o grupo dos Ferreira Gomes, que entre 2012 e 2016 pulou do PSB para o PROS e depois para o PDT, manter essa hegemonia.

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Governo do Estado anuncia obra em Sobral no período eleitoral: coincidência, nada mais

Por Wanfil em Eleições 2016

24 de agosto de 2016

Governo do Ceará investirá 11 milhões na duplicação de avenida em Sobral“. É a manchete de uma notícia sobre uma licitação que será realizada no dia 16 de setembro, publicada no portal do governo estadual ontem, terça-feira (23).

Podemos perder em todos os municípios cearenses, só não podemos perder em Sobral“. Foi o que disse o governador Camilo Santana (PT) na convenção que homologou a candidatura do deputado estadual Ivo Gomes (PDT) para a prefeitura de Sobral, no início de agosto.

Se não tem dinheiro para tudo, que se hierarquize as prioridades“. Discurso do deputado estadual, irmão de Cid Gomes e candidato do PDT em Sobral, Ivo Gomes, ao criticar o governo Camilo Santana na área da saúde, proferido em outubro do ano passado.

Deve ser tudo coincidência.

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Luizianne rebate críticas de Ivo Gomes à gestão Camilo: “Por que o Ciro não resolveu?”

Por Wanfil em Política

26 de outubro de 2015

A deputada federal Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, falou em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) sobre as críticas feitas pelo deputado estadual Ivo Gomes, do Pros, na última quinta-feira (22), sobre a situação do Hospital Regional de Quixeramobim: “Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem”.

No sábado, durante evento na região do Cariri, o governador, claro, não quis polemizar e disse não comentaria o caso. Até o momento, passados quatro dias, o próprio PT fez ouvidos moucos ao carão de Ivo, silêncio agora quebrado por Luizianne (grifos meus):

A pergunta é: se tem dinheiro para saúde, por que Ciro Gomes, irmão mais velho de Ivo Gomes, (…) quando foi secretário da Saúde não resolveu o problema? (…) É muito bom você jogar nas costas do outros. O deputado Ivo Gomes detonava a gestão da educação pública em Fortaleza, foi secretário municipal [da Educação], entrou calado e saiu mudo! (…) Pra mim ele não tem legitimidade para falar, nunca resolveram problema de nada, adoram falar e saem dos cargos. O Ivo passou pela Secretaria Municipal de Educação e já foi para Secretaria [estadual] das Cidades e também saiu. Aí quando sai fica falando dos outros. Vamos aprender, gente, a se controlar e parar de falar o que não é capaz de fazer.

O PT sempre se destacou pelo sentimento de grupo. Ao mesmo tempo em que a sigla se divide em debates internos, com suas correntes, na hora de se defender de ameaças externas, o conjunto prevalecia. Mesmo agora, com o partido alquebrado por denúncias de corrupção, todo petista ainda defende (ou pelo menos preserva) a figura de Lula, por se tratar de um símbolo de unidade que ainda lhes resta.

Talvez Camilo, tido como cidista, não seja visto internamente como um petista legítimo. Ou então a relação de dependência com a família Ferreira Gomes tenha se intensificado tanto nesse momento de crise, que o partido se sinta constrangido de para reagir. Aliás, no sábado, lá estava Cid ao lado de Camilo, mostrando que está tudo em ordem, na velha tática do bate e assopra.

De resto, é sintomático que venha a ser Luizianne, rompida com Cid e adversária de Roberto Cláudio (PDT), prefeito de Fortaleza que não poupa críticas à Luizianne e aliado de Camilo, a única liderança partidária que venha a público defender a gestão estadual. Algo está fora da ordem.

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De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: “TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!”

Por Wanfil em Política

23 de outubro de 2015

Na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou um empréstimo de US$ 123 milhões do BID para a construção de novos hospitais no Ceará, realizada ontem, quinta-feira, o deputado Ivo Gomes, do PROS, levantou o debate sobre o financiamento para a saúde no Estado (grifos meus):

Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem, eu sei que tem. O Ceará sabe que tem. Todo mundo sabe que tem. Se não tem dinheiro pra tudo, que se hierarquize as prioridades e a prioridade hoje, no Ceará, é resolver o problema na saúde, especialmente na atenção secundária e terciária, de alta complexidade, que é o propósito desses hospitais, tanto o de Quixeramobim, que não tem justificativa, repito, pra ele tá fechado ainda. Não me venha nenhum líder do governo querer me explicar que não tem dinheiro, porque eu sei que tem! Tá indo pra superávit, não sei o quê, pá, pá, pá. Enquanto tá lá o hospital fechado, equipado e com gente selecionada. Só falta abrir, vontade de abrir”.

Conflito de versões
Ivo é da base aliada do governador Camilo Santana, foi secretário das Cidades na atual gestão e é irmão de Cid e Ciro Gomes. Se fosse um opositor qualquer, seria o caso de dar um desconto, afinal, adversários não ficam imediatamente a par de todas as informações sobre as finanças estaduais. Mas sendo Ivo quem é a questão muda de figura, pois o governo tem dito reiteradamente que o problema da saúde no Ceará é de falta de recursos, que Camilo chama de “subfinanciamento”, conforme podemos conferir nessa matéria da Agência Brasil: Subfinanciamento gera crise na saúde, afirma governador do Ceará.

Hospital da discórdia
O hospital citado por Ivo foi inaugurado no final da gestão Cid Gomes, em Quixeramobim, mas até hoje não funciona. Para a oposição é prova de que o Estado não suportaria novos hospitais, uma vez que não consegue nem sequer dar conta dos que já existem. Faz sentido, mas deixo isso para outro texto.

É preciso deixar claro que Camilo nunca responsabilizou a gestão Cid pelo problema, pelo contrário, sempre destacou que uma de suas causas é a redução dos repasses federais. De todo modo, a obra é estadual. Se funcionasse, seria alardeada como fruto da capacidade empreendedora do ex-governador. Como não opera, ficou como herança maldita para o governo seguinte. No mínimo, faltou o devido planejamento, afinal, o hospital foi inaugurado sem que estivessem plenamente garantidos os recursos para o seu funcionamento.

Tom de cobrança
Talvez por isso Ivo Gomes tenha usado o “tem que se virar!”, com a entonação de de um credor que cobra uma dívida. Pelo modo que que a situação foi abordada, fica a impressão de que, no entendimento do deputado, a obrigação de Camilo é resolver as pendências deixadas por Cid sem reclamar de ninguém. Pode não ter sido a intenção, mas não é comum ver um aliado no legislativo falando assim com o governo.

A oposição, claro, cravou: tem ou não tem dinheiro?

Dilma como exemplo
Por fim, um ponto merece ser destacado. Segundo Ivo Gomes, há dinheiro sim, mas este é usado para fazer superávit, a economia feita para pagar os juros da dívida.

Ora, sugerir o uso desse superávit para cobrir gastos de custeio não previstos no orçamento é aconselhar o governo estadual a repetir o que fez a presidente Dilma Rouseff (imaginando-se muito esperta e perspicaz), com o resultado que todos já conhecemos: rombo nas contas públicas e recessão.

Se essa é a saída para “se virar”, faz muito bem Camilo Santana em não ceder à tentação do populismo fiscal. Dinheiro não aguenta abuso. Principalmente dinheiro dos outros, ou seja, o nosso dinheiro gerido pelo governo.

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O preço da governabilidade no Ceará é ter um Ferreira Gomes no secretariado

Por Wanfil em Política

28 de julho de 2015

O governador Camilo Santana nomeou Lúcio Ferreira Gomes para substituir Ivo Ferreira Gomes no comando da Secretaria das Cidades do Ceará. Ambos são irmãos dos ex-governadores Ciro Ferreira Gomes e Cid Ferreira Gomes, este último, padrinho político do governador Camilo Santana.

Reparação
A troca de um Ferreira Gomes por outro na secretaria se deu em circunstâncias que deixam no ar vestígios de imposição. Não que o governador tenha sido obrigado a nomear o parente do responsável por sua eleição, mas é inegável que diante da insatisfação de Ivo, que saiu criticando a falta de recursos em sua passagem pela secretaria, a escolha parece uma espécie de reparação.

Cota
Camilo tem buscado criar uma marca própria como gestor. Dialogou com policiais, dispensou a foto oficial e não quer as caríssimas Hilux como viaturas. O isolamento de Danilo Serpa, nome de confiança de Cid, na equipe de Camilo e a falta de condições para Ivo nas Cidades, deram a impressão de que o novo governador, como é comum acontecer, tem seu time de conselheiros. Rapidamente surgiram dúvidas sobre o relacionamento entre Cid e Camilo. Restava ver quem assumiria o posto de Ivo. E aí prevaleceu o sobrenome Ferreira Gomes.

Note-se: ainda que não seja assim ou que todos neguem, o entendimento preponderante no meio político é que a escolha foi um tributo, uma forma de reconhecer quem realmente lidera o processo político na atual configuração do poder no Ceará. É claro que Camilo não ganharia nada rompendo ou criando rusgas com seus parceiros da família Gomes, mas resta evidente que existe um simbolismo na nomeação de Lúcio Ferreira Gomes. Não se trata das famosas cotas partidárias, em que aliados indicam nomes para a administração. São cotas de parentesco.

Refém
Se por um lado essa ciranda apazigua qualquer ruído entre o grupo comandado por Cid e Ciro, por outro não pega bem para nenhum dos lados.

Para os Ferreira Gomes fica a imagem que tanto os incomoda, da oligarquia que não consegue largar o Estado. Para o governo Camilo, ficam arranhadas a autoridade e a liderança, como se estivesse refém de terceiros.

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Ivo não vê a verba e vira ‘ex’

Por Wanfil em Política

17 de julho de 2015

No livros de alfabetização é famosa a frase ‘Ivo viu a uva’. Na pedagogia política da gestão Camilo Santana (PT), o secretário das Cidades Ivo Gomes, irmão mais novo de Ciro e Cid Gomes, deixou o cargo por não aceitar a repetir uma nova cartilha: ‘Ivo não viu a verba’.

Em outras palavras, Ivo não gostou de ver recursos de sua pasta contingenciados, conforme informado à imprensa por nota.

E agora? E agora, nada. Pelo menos por enquanto. Apesar de vestígios de ressentimento e decepção, Camilo segue aliado de Cid e o resto é especulação. E Ivo? Volta para a Assembleia Legislativa como deputado estadual da sigla de aluguel PROS. Para o futuro, seu nome é cogitado como possível candidato a prefeito de Sobral.

De todo modo, a saída, da forma como se deu, provoca impressões. Nelson Rodrigues dizia assim: “Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro”. Evidentemente, a lógica vale também para ex-secretários. Não se trata de um agravo à pessoa, ao sujeito em si, mas de uma alusão ao prefixo “ex”. Nessa condição, não existem deferências ou homenagens: é o vazio do ‘deixar de ser’. Ficam as lembranças daquilo o que poderia ter sido…

A lógica rodriguiana vale também para ex-maridos, com a diferença de que ex-secretários podem dar a volta por cima nas próximas eleições, caso vençam. Se derrotados, a irrelevância torna-se praticamente irreversível, tal qual acontece com os ex-maridos.

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Nepotismo esclarecido

Por Wanfil em Ceará

09 de setembro de 2013

Ciro Gomes é o novo secretário de Saúde do Ceará. Apesar de ser irmão do governador Cid Gomes, o caso não configura nepotismo. É algo estranho, pois a nomeação de parentes de um governante para cargos públicos é crime, como disposto na Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal.

Acontece que o próprio STF entendeu que, no caso de funções eminentemente políticas, a contratação de parentes é permitida. A questão foi definida em 2009, justamente por causa da nomeação de Ivo Gomes, outro irmão do governador do Ceará, para cargo de confiança. Família unida é assim mesmo, reza a tradição brasileira.

O precedente

Ninguém questiona a competência dos irmãos do governador. O problema é o precedente que brecha cria, já que, na prática, dá margem para que prefeitos nomeiem seus parentes, valendo-se exatamente desses cargos políticos, mais precisamente, de secretários. Até em Fortaleza isso acontece, com o prefeito Roberto Cláudio também indicando um irmão para a sua equipe. Tudo legal, evidentemente. É impressionante como sempre se dá um jeitinho para que tudo permaneça como sempre foi.

Na Europa do Século XVIII, o modelo que mesclava o poder absoluto dos reis com algumas ideias reformistas ficou conhecido como despotismo esclarecido. No Brasil, com a ajuda do nosso querido Ceará, criou-se, em pleno Século XXI, o nepotismo esclarecido. O sujeito nomeia a parentada, mas com a devida ressalva de que é tudo gente boa e da mais alta competência.

Pouco tempo e muita cobrança

Deixando essa questão um pouco de lado e olhando para a conveniência política da escolha de Ciro para a Saúde, trata-se uma opção arriscada, dado o perfil polêmico do ex-governador. É o tipo de aliado normalmente escalado para atuar na linha de frente em casos de crises, para o confronto de ideias.

De todo modo, é possível dizer que durante dois dias a nomeação de Ciro ofuscou a troca de comando em outra pasta, a da Segurança, a mais desgastada da atual gestão. No lugar de Francisco Bezerra, assume Servilho Paiva, que já atuava como coordenador geral de disciplina na própria Secretaria de Segurança.

Essa troca de nomes, por si só, não resolve problemas, claro, mas abre espaço para possíveis ajustes, o que gera mais expectativas. Resta agora torcer para que os novos secretários tenham autonomia para resolver ou pelo menos amenizar os efeitos daquilo o que deu errado. O tempo de que eles dispõem é pequeno, mas a cobrança será grande como nunca.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.