Itapipoca Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Itapipoca

“Só estoura quando tem água”, diz Cid sobre adutora. Ah, bom!

Por Wanfil em Ceará

11 de setembro de 2014

Indagado por um repórter da FM Jangadeiro de Iguatu, o governador Cid Gomes comentou a respeito de novos vazamentos na adutora de Itapipoca: “Agora deve ter sido um problema casual, isso acontece em todo lugar. É sinal de que tem água, ela só estoura quando tem água”.

Para quem não se lembra, trata-se da mesma adutora que custou R$ 18 milhões de reais aos cearenses e que rompeu antes de ser inaugurada no final de dezembro do ano passado. O episódio ficou marcado pelas imagens do próprio governador trabalhando para reparar o equipamento, com direito a mergulho em tanque. Pois bem, o que parecia passado, é presente vivo. Reportagem do Jornal Jangadeiro (ver abaixo) mostra que, desde aquele dia, a adutora já precisou ser consertada 83 vezes. Nesse último rompimento, 15 mil pessoas ficaram sem água.

Confira o áudio:


Contexto
Cid não esperava por essa pergunta, pois estava em Iguatu na condição de militante partidário e cabo eleitoral, empenhado em tecer elogios ao seu candidato à sucessão. Assim, uma vez provocado a falar sobre um problema técnico de seu governo, procurou, naturalmente, minimizar o caso e depois mudou de assunto. No entanto, nesse breve instante, o que foi dito ficou gravado. E aí, a necessidade de adaptar o discurso de eficiência administrativa a fatos que constrangem ou desmentem essa imagem, acaba, vez por outra, criando armadilhas, ou gerando atos falhos, como diria a jornalista Dora Kramer.

Auto indulgência e falta de decoro
Se repararmos bem, ao dizer que o problema é “casual” e “acontece em todo lugar”, Cid revela uma inesgotável capacidade de relevar os próprios erros do governo. Por essa lógica, tudo é permitido. É nesse sentido que  Dilma se defende dos escândalos de sua gestão alegando que a corrupção existe em todos os países. É uma forma de diluir responsabilidades e de insinuar que casos assim não passam de miudezas. De onde se conclui que só reclama que é mesquinho ou ranzinza.

A outra metade da fala chega a ser indecorosa. Dizer que uma adutora de R$ 18 milhões, feitas por um Estado pobre e que vive um seca gravíssima, só estoura porque tem água, para tentar fazer passar por bom o que é ruim, é, no mínimo, prova de completa de dissociação entre a realidade e a imaginação. Por esse princípio administrativo, o vereador “Aonde É”, de Fortaleza, poderia justificar as acusações de que desvia parte dos salários de assessores alegando que isso é prova de que eles recebem em dia e de que o vereador é bom patrão. Graça Foster, presidente da Petrobras, poderia dizer que o prejuízo de Pasadena é sinal de dinheiro em caixa, afinal, só desperdiça assim quem tem sobrando.

Realidade
Num universo político onde impera o desejo de ficar na história como um marco, um advento, uma era, um novo começo para o Ceará, obras grandes podem chamar a atenção, outras podem ser úteis mesmo e algumas não passam de mero devaneio. No entanto, o mais preocupante é quando a ilusão de que se é portador de uma excelência inigualável, quase infalível, com o providencial endosso de adulares profissionais, excita a vaidade a ponto de esconder, aos olhos do governante, seus eventuais erros e as devidas soluções para eles.

Para quem quiser ver a realidade sobre a seca e a situação de quem sofre com ela no Ceará, sugiro as seguintes matérias:

População volta a ficar sem água em Itapipoca;

Enquanto Acquário é concluído, municípios cearenses sofrem com a falta d’água;

Canindé vive em situação dramática de seca e adutora ainda está em obras.

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Governo compra salas sem licitação em Sobral. Daqui pra frente, nada vai ser diferente

Por Wanfil em Ceará

03 de Janeiro de 2014

No que concerne à política, dois fatos fazem 2014 no Ceará parecer velho, quase um “cadáver adiado que procria”, como dizia Fernando Pessoa. São eles a adutora de Itapipoca que não funcionou e agora a compra de um andar inteiro de um prédio de salas comerciais em Sobral, sem licitação. Vistos com atenção, os casos trazem à tona um deja vu de patrimonialismo e compadrio político seculares.

A adutora arruinada

Como todos sabem, 2013 acabou marcado pelo fiasco do vazamento na adutora de Itapipoca. A obra, que custou 18 milhões de reais aos cofres públicos, após reparos de emergência, funciona distante da vazão prevista. O projeto, importante para amenizar os efeitos da seca, virou, literalmente, uma grande e cara gambiarra.

O pior é que, administrativamente, nenhuma providência foi tomada até o momento. Não adianta o governador mergulhar em tanques ou pedir investigação policial para as empresas envolvidas, se simultaneamente optar por passar a mão nas cabeças dos gestores responsáveis pela fiscalização e pelos pagamentos da obra que virou sucata antes de funcionar.

Procura-se para explicações

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, César pinheiro, indicado ao cargo por Eunício Oliveira, e o superintendente da Sohidra, senhor Leão Montezuma, que tem relações estreitíssimas com o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino, até agora não se pronunciaram. Por algum bom motivo, Cid Gomes não cobra a dupla publicamente. E assim, apesar de serem legalmente os responsáveis pelo contrato da adutora, continuam firmes em seus cargos, gerenciando obras e recursos públicos. Procurados pela TV Jangadeiro, os dois evitam falar sobre o assunto.

 

César Pinheiro, da SRH,  e Leão Montezuma, da Sohidra. Foto: Governo do Estado

César Pinheiro, da SRH, e Leão Montezuma, da Sohidra . Fotos: Governo do Estado


Desse jeito, fica a impressão de que o governo do Ceará procura, por conveniência, preservar arranjos políticos eleitoreiros em detrimento da competência administrativa.

Um luxo

Como se não bastasse isso, o ano novo já começa com a notícia de que o governo estadual comprou um andar inteiro de um prédio em Sobral para abrigar uma sede regional. Aí, dois detalhes chamam a atenção: primeiro, inexplicavelmente, houve dispensa de licitação; segundo, a obra só ficará pronta no final de 2015, um ano depois de encerrada a gestão Cid Gomes.

Não há como alegar urgência para justificar a compra, que custou R$ 2 milhões ao contribuinte. Fora o condomínio das 18 salas adquiridas numa obra de luxo diretamente junto a uma construtora às vésperas do ano eleitoral. Em entrevista à Veja, em novembro do ano passado, o próprio governador Cid Gomes disse que quantos mais concorrentes em uma licitação, melhor para evitar direcionamentos e sobrevalorizações.

Pois é. Falar é fácil. Nomear apadrinhados políticos de partidos aliados e torrar dinheiro do contribuinte também. Dar explicações e cobrar competência técnica é que parece difícil.

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Como tirar proveito das críticas

Por Wanfil em Política

30 de dezembro de 2013

A respeito da repercussão do mergulho no tanque da adutora de Itapipoca, o governador Cid Gomes justificou a iniciativa como ação para estimular as equipes no conserto da obra.

É mais comum ver esse tipo de postura em momentos de catástrofes naturais ou acidentes de grandes proporções, onde a comoção geral exige declarações ou a presença da autoridade in loco. Em situação de flagrante de incompetência na construção de obra pública, é a primeira vez que vejo algo assim, o que me faz acreditar na boa vontade do governador.

Generalização

Sobre as críticas, Cid Gomes disse apenas que os críticos são… os críticos!, dando a entender que eventuais divergências ao seu estilo político ou ao seu desempenho administrativo não passam de birra, de negativismo automático.

Desqualificar e generalizar a crítica como mera torcida contra ou como ofensa pessoal é o tipo de postura que revela pouca tolerância com o contraditório, algo que não combina com o ideal democrático. Ninguém gosta de ser criticado, é óbvio. Mas é aquela história do aforismo de Nornam Peale: “O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”.

Sempre alerta

Há quase dois mil anos atrás, o filosofo grego Plutarco escreveu um livro chamado “Como tirar proveito dos seus inimigos“.

Resumindo, Plutarco dizia que o “Homem de Estado” não deveria se deixar cegar pelos elogios de aduladores e bajuladores, que tendem a supervalorizar seus feitos e ideias, criando um mundo de miragens e fantasias, de olho apenas em cargos e recompensas. Para evitar esse erro, a melhor saída, segundo o filósofo, é ouvir justamente as críticas, especialmente as dos inimigos.

Com os devidos descontos, ensina o grego, a crítica pode servir de alerta, afastando o líder da presunção de infalibilidade e reforçando em seu espírito a auto-vigilância, fundamental contra a acomodação do poder. Se por um lado o governante não deve calar os opositores, também não deve se fiar somente pelo o que eles dizem. Na verdade, a sabedoria está em saber descartar os exageros de elogios e críticas, para então fazer um meio termo que o aproxime mais da realidade.

Politicagem

Voltando ao caso da adutora de Itapipoca, o papel do governador Cid Gomes no caso deve ir muito além das ações, digamos, inusitadas de estímulo a operários. Somente ele, e mais ninguém, tem o poder de chamar o titular da Secretaria de Recursos Hídricos, o sociólogo Cesar Augusto Pinheiro, apadrinhado do senador Eunício Oliveira (PMDB), e que até o momento não veio a público explicar o caso, para cobrar-lhe as devidas responsabilidades.

Olha aí uma coisa que ninguém criticou até agora: loteamento de cargos em secretarias técnicas.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.

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Como conter os vazamentos invisíveis da gestão? Demitindo os incompetentes, ora!

Por Wanfil em Ceará

25 de dezembro de 2013

A imagem do governador Cid Gomes de enxada na mão trabalhando para conter o vazamento de uma adutora que ao ser inaugurada rompeu devido a pressão da água, é o retrato de uma calamidade silenciosa: o governo investe alto, mas serviço fica aquém do esperado da expectativa. As fotos estão publicadas no portal Tribuna do Ceará.

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

Cid Gomes de enxada na mão para conter vazamento em adutora em Itapipoca. Foto: Eldem/Tribuna do Ceará

 

O episódio aconteceu na última segunda-feira, em Itapipoca, cidade onde os moradores estão sem água por causa da seca. Lá, um garrafão de água mineral com 20 litros custa R$ 25,00. Ao saber do fiasco, o governador foi ao local e arregaçou as mangas para conter o vazamento de uma obra que custou R$ 19,8 milhões aos cofres públicos. Cid determinou ainda a abertura de inquérito administrativo e policial para investigar o caso.

O empenho da autoridade máxima do Estado nesse instante de sufoco é louvável e serve, simbolicamente, de recado para sua própria equipe: Será que eu (Cid) preciso fazer tudo? A resposta, todos sabem: não!

Vejam o caso da Segurança Pública: o governador não precisa patrulhar as ruas pessoalmente para conter a onda de violência. Tem é que administrar, eleger prioridades e dar as condições para especialistas trabalharem, nem que para isso, tenha que mudar o secretário ou o comando da polícia, caso os resultados não apareçam.

Em relação à seca, é a mesma coisa. A secretaria de Recursos Hídricos, responsável pela adutora, através da Sohidra, e a própria secretaria de agricultura, se mostraram até agora dois grandes fiascos.

Existe ainda um segundo recado na atitude de Cid. Ir ao local e trabalhar como operário foi uma forma de mostrar solidariedade com os moradores de Itapipoca, e de forma mais ampla, com as vítimas da seca. Um jeito de dizer “estou aqui com vocês”.  Mas reclamar, fazer torcida ou pegar na enxada não adianta. Tem é que botar para correr quem não mostra operacionalidade, enquanto a investigação esclarece se o que aconteceu foi apenas uma soma de incompetências, ou se houve má fé, como a utilização de material inapropriado para baratear o empreendimento e embolsar a diferença.

Obras que se desfazem antes de começarem a funcionar são a materialização de outros vazamentos, de rachaduras e de remendos mal feitos, invisíveis aos olhos do público, pois atuam na estrutura administrativa do Estado, que deve ser fiscalizada pelos secretários e, em última instância, pelo governador.