IPECE Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

IPECE

Gastos públicos superam receitas no Ceará: assunto desgastante para candidatos, mas fundamental para eleitores

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2017

A realidade do corte de gastos não combina com a ficção das promessas eleitorais

Fazer promessas e atiçar expectativas estimula a disposição de quem ouve o canto da sereia. Verificar se existem condições materiais para tantas aspirações costuma ser o inverso emocional dessa condição: desestimula o interlocutor. E se o assunto é eleição, dizer não pode ser fatal.

Pois bem. O Boletim de Conjuntura divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), mostra que as despesas do governo do Estado cresceram 1,3% no primeiro trimestre de 2017, enquanto as receitas caíram 4,2%. Ou seja, as contas públicas estaduais, em que pese a boa e justa reputação de equilíbrio, ensejam cuidados pois estão no limite nesse momento de crise.

Dificilmente a realidade fiscal é debatida por candidatos. O tema árido, chato e, na atual conjuntura, de natureza frustrante, já que a contenção de gastos se impõe como necessidade, contrastando com as demandas eleitorais de aliados e de grupos de interesse por ampliação de despesas. Além do mais, coloca em pauta assuntos potencialmente desgastantes, como déficit previdenciário e limite com pagamento de folha salarial para servidores.

É o tipo de situação que pode colocar décadas de esforço fiscal a perder, condenando o futuro do estado. É quando um governo mostra se o seu compromisso é com o desenvolvimento responsável ou com as conveniências do momento. O mesmo vale para a oposição. Por isso, quando qualquer um dos candidatos prometer isso ou aquilo para este ou aquele setor, este ou aquele grupo, lembre-se: tal investimento deverá corresponder, obrigatoriamente, a cortes em outras áreas. É matemática. O resto, é propaganda. E propaganda, já diz o ditado, é a alma do negócio.

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A hora da confiança: PIB pode incrementar investimentos se a política não atrapalhar

Por Wanfil em Política

20 de junho de 2017

PIB: o ambiente de investimentos melhorou. É preciso protegê-lo de incertezas políticas.

O PIB cearense cresceu 1,87% nos três primeiros meses de 2017, na comparação com o último trimestre do ano passado. Os dados, divulgados ontem, são do IPECE. O desempenho foi superior à média nacional, que também voltou a crescer. Essa sincronia não é gratuita. As variações locais estão diretamente ligadas à conjuntura do País. Isso não tira os méritos do governo estadual, de reconhecido compromisso com o equilíbrio fiscal, política, aliás, de longa data.

É hora de trabalhar para tirar o melhor proveito dessa frágil recuperação, ameaçada por incertezas quanto ao futuro do governo federal. Assim, mais do que nunca, é preciso inspirar confiança para voltar a atrair investimentos. A ida de Maia Júnior para o Planejamento foi uma boa sinalização nesse sentido. Tão importante quanto bons nomes na gestão para impulsionar a economia, é o cuidado para evitar possíveis contaminações políticas decorrentes de escândalos.

Suspeitas e denúncias que recaiam, no Ceará, sobre autoridades em geral e secretários estaduais em particular, principalmente nos casos ligados à Lava Jato, precisam ser esclarecidas o quanto antes. Como isso deve demorar, o ideal é que esses nomes sejam afastados preventivamente. Não se trata de punição, mas de lógica. Imagem é tudo.

Qualquer hesitação pode deixar a impressão de que o governo busca varrer sujeiras para debaixo do tapete ou ganhar tempo na esperança de que as suspeitas sejam esquecidas. Há nisso o risco de comprometer a imagem do Estado, justamente num momento em que ele precisa se mostrar seguro e confiável.

Alguém pode lembrar que Temer é hoje a autoridade mais enrolada com a Justiça e que mesmo assim o Brasil cresceu graças ao prestígio da equipe econômica. Essa é outra discussão, mas a conclusão é igualmente arriscada para o governante: a incipiente recuperação verificada em 2017 não se converteu em popularidade para o presidente justamente pela falta de credibilidade.

Fica a dica.

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PIB do Ceará cai mais que média nacional. E agora, quem é o pai da criança?

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2016

O Produto Interno Bruto do Ceará (PIB) caiu 5,5% no primeiro trimestre de 2016, despencando mais do que a média nacional, de 5,4%. Os índices foram foi divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Nos últimos anos, o PIB cearense cresceu mais do que o brasileiro, fato devidamente comemorado pelos gestores estaduais como feito administrativo próprio. Basta ver essa notícia, publicada no portal do Governo do Estado em abril de 2015: “PIB cearense fecha 2014 em 4,36% e, pelo sétimo ano consecutivo, supera índice nacional”.

O texto não deixa dúvida sobre o mérito desse desempenho, com ênfase na avaliação do professor Flávio Ataliba, diretor geral do Ipece: “Isso está, de certa forma, relacionado ao volume de investimentos que foi realizado nos últimos anos”. O arremate merece atenção: “Isso mostra que os investimentos públicos são muito importantes para dar a dinâmica da economia cearense, que ainda precisa muito da presença do Estado”.

E agora que a situação se inverteu, de quem é a culpa? Se for totalmente creditada ao cenário nacional, e levando em consideração que a gestão Temer tem apenas dois meses, cabe então outra pergunta: A culpa é só da Dilma ou do PT como um todo?

PS. O setor que mais sofreu no Ceará foi a indústria, com -8,35%, área que sofrerá um corte de 10% nos incentivos fiscais para equilibrar as contas públicas. Ideia da Sefaz. Vamos aguardar os resultados.

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Redução da desigualdade no Ceará coincide com aumento de famílias dependentes do Bolsa Família entre 2004 e 2014

Por Wanfil em Ceará

18 de novembro de 2015

Informa o site do Governo do Ceará:

“Nos últimos 10 anos, a desigualdade social e a pobreza foram reduzidas de forma drástica no Ceará. (…) Os 10% mais pobres, por exemplo, apresentaram um crescimento médio de 85,1% na renda, entre 2004 e 2014. O percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza no Ceará reduziu de 47,5%, em 2004, para 17,3%, em 2014.”

Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Nesses 10 anos avaliados, dois pontos merecem atenção:

1) o período foi marcado por um ambiente econômico favorável nacionalmente, marcado por crescimento econômico razoável, inflação sob controle, oferta de crédito, demanda por commodities, e câmbio barato. Condições que agora deixaram de existir;

2) o papel dos programas de transferência de renda nessa equação, cuja importância é reconhecida pelo próprio diretor do Ipece, Flávio Ataliba. Em certa medida, as pessoas deixaram de ser pobres porque recebem dinheiro desses programas. Se deixarem de receber, voltam a ser pobres. Basta conferir a Matriz de Informação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: em 2004, no Ceará, 572.730 famílias eram assistidas pelo Bolsa Família. Dez anos depois, o número de famílias beneficiárias do programa subiu para 1.089.813. Qualquer relação de causa e efeito não é mera coincidência.

Conclusão: cenário econômico de crescimento baseado em oferta de crédito e estímulo ao consumo, somada à programas de transferência, especialmente o Bolsa Família, ajudaram a reduzir, momentaneamente, a pobreza. Na verdade, há nisso tudo uma enorme contradição. Se a pobreza e a desigualdade diminuíram, como explicar o aumento de famílias necessitadas dos programas de transferência?

Não houve, por exemplo, grandes saltos na educação, esperança de emancipação econômica para os filhos dessas famílias beneficiárias. De acordo com o mesmo Ipece, em 2004, apenas 5,5% dos cearenses com mais de 25 anos tinham ensino superior completo, contra 7,4% em 2014. Um avanço muito tímido.

Infelizmente, a redução da desigualdade ainda depende muito, demais, do assistencialismo oficial que vem de fora.

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O milagre do PIB do Cearense

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2013

Meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews FM 101.7

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, se comparado ao mesmo período de 2012. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – Ipece. O índice supera a taxa de crescimento do Brasil, que foi de 2,2%. Pelo 14º trimestre seguido o desempenho estadual supera o nacional.

É inegável de que se trata de um resultado positivo. Mas, dado o paralelo entre os números específicos e gerais,  fica a indagação: Será que é o Ceará que acelera muito ou o Brasil que está lento demais?

Para se ter uma ideia, no governo Dilma, o PIB brasileiro registra sua pior média anual dos últimos 20 anos, com 2,6%. Países como China, Rússia ou Índia cresceram o dobro ou o triplo no mesmo período.

Assim, é preciso ter claro que o desempenho nacional é uma base de comparação baixa. O mérito do Ceará consiste mesmo em superar a tendência de quase estagnação da economia brasileira, o que não é pouca coisa. Porém, crescer 3,76% não é o suficiente para dar conta das necessidades do estado e sua população. No mínimo, para gerar bons empregos e reduzir a pobreza, seria preciso avançar algo em torno de 5% ao ano.

É preciso ainda verificar a qualidade desse crescimento. A maior parte da produção estadual se concentra em Fortaleza e sua região metropolitana. Existe também uma grande dependência do PIB em relação aos investimento públicos. Entretanto, esse indutor é limitado pela capacidade de endividamento do estado.

O desempenho do PIB cearense, na verdade, segue uma tendência. De acordo com o IBGE, na última década os  estados médios cresceram em ritmo mais intenso, enquanto os oito mais ricos, que concentram 77% do PIB nacional, perderam fôlego.

O Ceará, portanto, cresce mais do que o Brasil. Mas isso não é nenhum milagre econômico nos moldes dos anos 70 do século passado. O desempenho é bom se comparado com a realidade nacional, mas pouco diante dos desafios que existem.

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O milagre do PIB do Cearense

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2013

Meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews FM 101.7

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, se comparado ao mesmo período de 2012. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – Ipece. O índice supera a taxa de crescimento do Brasil, que foi de 2,2%. Pelo 14º trimestre seguido o desempenho estadual supera o nacional.

É inegável de que se trata de um resultado positivo. Mas, dado o paralelo entre os números específicos e gerais,  fica a indagação: Será que é o Ceará que acelera muito ou o Brasil que está lento demais?

Para se ter uma ideia, no governo Dilma, o PIB brasileiro registra sua pior média anual dos últimos 20 anos, com 2,6%. Países como China, Rússia ou Índia cresceram o dobro ou o triplo no mesmo período.

Assim, é preciso ter claro que o desempenho nacional é uma base de comparação baixa. O mérito do Ceará consiste mesmo em superar a tendência de quase estagnação da economia brasileira, o que não é pouca coisa. Porém, crescer 3,76% não é o suficiente para dar conta das necessidades do estado e sua população. No mínimo, para gerar bons empregos e reduzir a pobreza, seria preciso avançar algo em torno de 5% ao ano.

É preciso ainda verificar a qualidade desse crescimento. A maior parte da produção estadual se concentra em Fortaleza e sua região metropolitana. Existe também uma grande dependência do PIB em relação aos investimento públicos. Entretanto, esse indutor é limitado pela capacidade de endividamento do estado.

O desempenho do PIB cearense, na verdade, segue uma tendência. De acordo com o IBGE, na última década os  estados médios cresceram em ritmo mais intenso, enquanto os oito mais ricos, que concentram 77% do PIB nacional, perderam fôlego.

O Ceará, portanto, cresce mais do que o Brasil. Mas isso não é nenhum milagre econômico nos moldes dos anos 70 do século passado. O desempenho é bom se comparado com a realidade nacional, mas pouco diante dos desafios que existem.