Incêndios Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Incêndios

Wagner e Camilo trocam insultos enquanto bandidagem segue firme

Por Wanfil em Segurança

22 de Abril de 2017

No rastro de fumaça deixado pelos ataques e incêndios em Fortaleza e Região Metropolitana, o deputado Capitão Wagner (PR) e o governador Camilo Santana (PT), possíveis adversários nas eleições do ano que vem, trocaram farpas que em nada ajudam na solução do problema. É fogo sem calor.

Wagner chamou Camilo de “frouxo” acusando-o de não concordar com a estratégia adotada pela Secretaria de Segurança para normalizar a situação. Já o governador rebateu chamando o deputado de “moleque”, dizendo que o parlamentar busca tirar proveito político do momento.

É papel da oposição criticar, função tanto mais importante nos momentos de crise, como é o caso. Por outro lado, é compreensível que governos façam a defesa de suas atuações e abordagens, mesmo quando pressionados pelos fatos.

Ocorre que a substituição de critérios objetivos relacionados a políticas públicas pelo mero insulto tem efeito prático nulo, sobressaindo-se apenas seu teor emocional. Na verdade, impede o debate sobre as causas do problema e atrapalha a avaliação sobre a eficiência as medidas emergenciais adotadas. Sem isso, casos como o que assistimos se repetirão toda vez que facções criminosas assim decidirem.

É preciso que o governo seja cobrado, afinal, não é normal que o crime organizado faça o que fez. Wagner faz o que a oposição deixou de fazer há muito tempo no Ceará: cutucar e chamar a discussão. Camilo, por sua vez, precisa explicar sem subterfúgios como o governo foi pego de surpresa e como pretende evitar que novos ataques aconteçam. Isso é normal, pelo menos, deveria ser.

Não precisam concordar, é óbvio, mas podem discordar um do outro de forma construtiva, trazendo informações, apresentando alternativas e opções. Para isso, entretanto,é necessário que passem a comunicar suas ideias em outro nível.

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‘Coletivo Seguro’ chega com sete anos e sete ônibus incendiados de atraso

Por Wanfil em Segurança

19 de Fevereiro de 2014

Um dos sete ônibus recentemente incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria e serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Um dos ônibus incendiados em Fortaleza, onde bandidos atacam secretaria estadual e o serviço público de transporte. Imagem: Tribuna do Ceará

Entre o último domingo (16) e a terça-feira (18) criminosos promoveram um ataque a balas contra a sede da Secretaria de Justiça e atearam fogo em sete ônibus na capital do Ceará. Ninguém sabe ao certo ainda o motivo para os atentados. Em resposta, foram presos cinco suspeitos e a Secretaria de Segurança deu início a operação Coletivo Seguro.

Desmoralização

De acordo com o secretário Servilho Paiva, nomeado no final do ano passado, os crimes podem estar relacionados a disputas entre traficantes. O que eles ganhariam com isso é impossível dizer. Fica a impressão de que os bandidos estão enviando recados às autoridades ou a outros grupos criminosos. Ou aos dois. Hipótese tanto mais plausível pelo estado de desmoralização do poder público nessa área.

Um dos ônibus foi incendiado nas proximidades do Fórum Clóvis Beviláqua, símbolo do Judiciário. No ano passado, uma testemunha que acabara de prestar depoimento no Fórum foi executada a tiros, no que parece ter sido um acerto de contas. E os disparos contra a Secretaria de Justiça lembram os constantes ataques a delegacias no interior, feitos por quadrilhas de assaltantes de bancos. Ou seja, o crime não teme a Justiça ou o Executivo. Pelo contrário, afronta-os descaradamente.

Atentado é coisa bem diferente de assalto

Servilho Paiva agiu bem ao mostrar que os atentados contra coletivos serão investigados e combatidos, buscando assim impedir que a moda pegue. Mas é bom deixar claro que esses crimes possuem uma natureza distinta dos tradicionais assaltos a ônibus e vans, que segundo números oficiais apresentados pelo secretário, reduziram 39% em Fortaleza, somente em janeiro, repetindo o milagre da redução dos crimes violentos contra o patrimônio, que teriam caído 45%. Nesse ritmo incrível, faço aqui um breve parêntese, daqui a dois meses os assaltos registrados em coletivos terão acabado, por coincidência, bem no ano eleitoral.

Enquanto isso não acontece, volto ao tema central, é bom diferenciar atentados de crimes comuns. Se até o momento não é certo a motivação desses primeiros, o certo é que eles só acontecem em ambientes em que a segurança pública vive avançado estado corrosão. Antes de causar insegurança, são efeitos dela.

Sete anos depois…

Se traficantes pintam e bordam no Ceará, isso é consequência da falta de uma política de segurança eficiente. A ousadia dos criminosos, pois, aumenta à medida que o poder público não consegue contê-los. E assim, o crime agora tenta acuar instituições e serviços públicos, como já fez no Rio de Janeiro.

Por fim, uma observação. Não deixa de ser autoexplicativa a necessidade de se uma operação batizada com o nome Coletivo Seguro, após setes anos de uma gestão eleita justamente com o discurso de promover mais segurança. Mas, como dizem os otimistas, antes tarde do que nunca.

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Dica de filme: Incêndios

Por Wanfil em Cinema

22 de Abril de 2012

O passado está sempre presente na eterna construção de cada indivíduo e de cada nação

Vez por outra publico uma dica de filme aqui no blog. Não sou especialista, mas gosto de dividir impressões sobre alguns filmes, que de uma forma ou de outra, chamaram a minha atenção. Os filmes indicados não precisam ser lançamentos ou estar na moda. Ao contrário, podem ser clássicos revisados ou novidades que não estouraram nas bilheterias. O que importa é a temática e a técnica, não data.

Começo com o filme Incêndios, filme de Denis Villeneuve, produção canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. De cara, merece destaque a atuação espetacular da belga Lubna Azabal. Concisa, firme e discretamente tocante. Uma atriz capaz de conferir a um mesmo personagem esperança e desolação, perseverança e fragilidade, sem apelar a histrionismos ou clichês. Ela é natural sempre.

Enredo
Ao morrer, a protagonista, Nawal Marwan, imigrante libanesa que foi para o Canadá, orienta em seu testamento que seus filhos, um casal de gêmeos, entreguem duas cartas. Uma, para um irmão, cuja existência desconheciam. Outra para o pai, que julgavam morto. Não cita nomes ou lugares, e lhes dá uma única pista: ela morreu consumida por uma promessa que buscou cumprir durante toda a vida. Surpresos, os irmãos precisarão refazer a trajetória da mãe para descobrir a verdade e encontrar os destinatários da carta.

Nessa reconstituição, os filhos descobrem na mãe uma personalidade insuspeita, que viveu ativamente a guerra civil no Líbano, muito distinta da mulher com a qual conviveram. E o que interessa uma história que se passa no Líbano? Como acontece nos bons enredos, o local serve de base material para o universal. A teia de acontecimentos que envolve os personagens, o mosaico composto entre presente e passado, as peças que se encaixam pouco a pouco e o final desconcertante, falam muito sobre a vida de cada um de nós.

Esse é um filme sobre o qual não é possível citar passagens, sob pena de estragar as surpresas que ele guarda. No entanto, é correto dizer que a história nos faz pensar sobre a complexidade que existe para além das impressões que temos das pessoas, especialmente dos que nos são mais próximos. Todo indivíduo guarda, debaixo da sua personalidade pública, uma história rica de sentimentos e emoções. Ter isso em mente nos ajuda a respeitar mais os outros.

Outra atração é a trilha sonora assinada pelo grupo Radiohead, com destaque para a música You and whose army.

Confira o trailer:

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Dica de filme: Incêndios

Por Wanfil em Cinema

22 de Abril de 2012

O passado está sempre presente na eterna construção de cada indivíduo e de cada nação

Vez por outra publico uma dica de filme aqui no blog. Não sou especialista, mas gosto de dividir impressões sobre alguns filmes, que de uma forma ou de outra, chamaram a minha atenção. Os filmes indicados não precisam ser lançamentos ou estar na moda. Ao contrário, podem ser clássicos revisados ou novidades que não estouraram nas bilheterias. O que importa é a temática e a técnica, não data.

Começo com o filme Incêndios, filme de Denis Villeneuve, produção canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. De cara, merece destaque a atuação espetacular da belga Lubna Azabal. Concisa, firme e discretamente tocante. Uma atriz capaz de conferir a um mesmo personagem esperança e desolação, perseverança e fragilidade, sem apelar a histrionismos ou clichês. Ela é natural sempre.

Enredo
Ao morrer, a protagonista, Nawal Marwan, imigrante libanesa que foi para o Canadá, orienta em seu testamento que seus filhos, um casal de gêmeos, entreguem duas cartas. Uma, para um irmão, cuja existência desconheciam. Outra para o pai, que julgavam morto. Não cita nomes ou lugares, e lhes dá uma única pista: ela morreu consumida por uma promessa que buscou cumprir durante toda a vida. Surpresos, os irmãos precisarão refazer a trajetória da mãe para descobrir a verdade e encontrar os destinatários da carta.

Nessa reconstituição, os filhos descobrem na mãe uma personalidade insuspeita, que viveu ativamente a guerra civil no Líbano, muito distinta da mulher com a qual conviveram. E o que interessa uma história que se passa no Líbano? Como acontece nos bons enredos, o local serve de base material para o universal. A teia de acontecimentos que envolve os personagens, o mosaico composto entre presente e passado, as peças que se encaixam pouco a pouco e o final desconcertante, falam muito sobre a vida de cada um de nós.

Esse é um filme sobre o qual não é possível citar passagens, sob pena de estragar as surpresas que ele guarda. No entanto, é correto dizer que a história nos faz pensar sobre a complexidade que existe para além das impressões que temos das pessoas, especialmente dos que nos são mais próximos. Todo indivíduo guarda, debaixo da sua personalidade pública, uma história rica de sentimentos e emoções. Ter isso em mente nos ajuda a respeitar mais os outros.

Outra atração é a trilha sonora assinada pelo grupo Radiohead, com destaque para a música You and whose army.

Confira o trailer: