inauguração Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

inauguração

Obras em período eleitoral: não pode inaugurar, mas pode visitar

Por Wanfil em Eleições 2016

08 de agosto de 2016

Ainda não há tijolos, mas já dá para uma boa foto (divulgação).

O anexo do IJF ainda não tem tijolos, mas já dá para uma boa foto (divulgação).

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), “visitaram” na semana passada as obras do prédio anexo ao Instituto Doutor José Frota. Leitores perguntam se a lei não proíbe que o prefeito, candidato à reeleição, participe de eventos dessa natureza.

A resposta é: não proíbe.  O artigo 77 da Lei 9.504 veda a participação de qualquer candidato em inaugurações nos três meses que antecedem o pleito. Portanto, visitar obras em andamento, mesmo as que nem sequer foram realmente iniciadas, e ainda que não haja objetivo prático algum, é permitido.

Com tantas obras viárias na cidade, essa pressa para mostrar serviço com o que ainda não saiu do papel fica um pouco estranha. Precisa? Talvez pesquisas apontem uma demanda do eleitor na área da saúde, mas isso é mera especulação.

Outro ponto que merece atenção é o fato de o governo estadual aparecer como fiador da obra, enquanto que o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, continua sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado em 2014, ano eleitoral.

No fim das contas, resumindo, desde o dia 2 de julho candidatos não podem inaugurar obras, mas podem visitá-las, com a vantagem de que estas nem precisam estar prontas, muito menos funcionando.

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A eleição e a inauguração da reinauguração

Por Wanfil em Eleições 2016

05 de julho de 2016

Li recentemente um estudo do IPEA com a seguinte indagação como título: “O que leva um governante à reeleição?”, assinado por Fernando Meneguin, Maurício Bugarin e Alexandre de Carvalho. Basicamente, discute a relação de causa e feito entre despesas públicas e reeleição. Em outras palavras, como a reeleição pode pode interferir nas ações de governo e vice-versa.

O assunto é pertinente e pretendo voltar a ele em outro post. Mas agora o que me fez lembrar do texto foi uma notícia do portal Tribuna do Ceará:

Prefeitura retira placa que atribuía a Roberto Cláudio inauguração da Praça dos Leões.

A placa da "inauguração": Como dizia Millôr Fernandes, "jamais diga uma mentira que não possa provar". (Foto: Fernanda Moura)

A placa da “inauguração”: Como dizia Millôr Fernandes, “jamais diga uma mentira que não possa provar”. (Foto: Fernanda Moura)

Pois é. Na verdade, a praça, que fica no Centro de Fortaleza, havia sido apenas requalificada (como dizem agora), mas ganhou placa. No afã de registrar no local o nome do prefeito, que é candidato à reeleição, a reforma no logradouro de 160 anos acabou identificada como “inauguração”.

O prefeito Roberto Cláudio, creio, não tem culpa pelo erro. A tal placa já foi até retirada da praça, mas o episódio não deixar ser a reeleição interferindo no discernimento e nas ações dos que fazem a gestão.

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.

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Hospital de Sobral ou Hospital de Sucupira?

Por Wanfil em Ceará

18 de Fevereiro de 2013

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): "Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país"

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo): “Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”

É incrível a quantidade de notícias negativas envolvendo o Hospital Regional Norte, recentemente inaugurado em Sobral, aqui no Ceará. Impressiona com o agravante de que, em tese, obras assim deveriam render uma imagem positiva para o estado. A ideia de hospitais de maior porte no interior é mais do que necessária e oportuna, em função das superlotações nas capitais. No entanto, uma sucessão de constrangimentos e erros conseguiu ofuscar o aspecto positivo da iniciativa.

Primeiro, como se fosse uma obra de Odorico Paraguassú, prefeito da fictícia Sucupira na obra O Bem Amado, do dramaturgo Dias Gomes, o hospital foi inaugurado no dia 18 de janeiro, sem condições de funcionar. É que faltam ainda equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo, além da injustificada inauguração, a obra ficou nacionalmente marcada pela polêmica em torno do cachê pago à cantora Ivete Sangalo: R$ 650 mil por uma apresentação, não obstante a seca que castiga o Nordeste. O governador Cid Gomes chegou a classificar o procurador-geral do Ministério Público de Contas, que pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos, de “rapazinho” que “gosta de aparecer, aumentando o desconforto gerado pelo caso.

Terceiro, na sequência de fatos inusitados envolvendo o hospital, o desabamento de uma marquise do prédio “inaugurado” um mês antes. Felizmente, apenas uma pessoa se feriu, uma vez que, ironicamente, não há movimento de pacientes e acompanhantes no local que, presume-se, uma vez inaugurado com pompa e circunstância, deveria estar repleto de paciantes e acompanhantes. A vítima foi socorrida na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Decepções e desconfiança

Ninguém pode acusar o governo estadual de não querer acertar. No entanto, o marketing de espetáculos e luxo não faz acompanhar de resultados satisfatórios. Foi assim com o Programa Ronda do Quarteirão e as viaturas Hilux, tem sido assim com o Hospital de Sobral. Esse descompasso entre o anunciado e o que efetivamente é entregue, com o tempo, gera desconfiança. Como diz o ditado, as decepções são inversamente proporcionais às expectativas geradas.

O pior é que na maioria dos casos, as frustrações poderiam ser evitadas se uma postura mais sóbria e comedida fosse adotada. Afinal, o que é bom, por si só se divulga.