improviso Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Ceará suplica e Ministério da Saúde libera uns trocados

Por Wanfil em Ceará

28 de Maio de 2015

Para conseguir manter a estrutura da saúde pública no Ceará, que foi ampliada nos últimos anos sem que houvesse recursos próprios suficientes, situação agravada ainda pela queda nos repasses federais, o governador Camilo Santana, do PT, e o prefeito de fortaleza, Roberto Cláudio, do Pros, foram à Brasília pedir ajuda ao ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Conseguiram R$ 25,7 milhões, que serão divididos entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Fortaleza e mais 25 municípios do interior. Obviamente, esse montante é insuficiente. Só para efeito de comparação, se esse dinheiro fosse destinado somente para a capital, daria para bancar apenas um mês os gastos do IJF.

Política do “salve-se quem puder”
Isso não invalida o esforço do governador e do prefeito, que estão no papel de gestores. Aliás, não deveria nem ser necessário que eles fossem bater à porta da presidente Dilma e do Ministério da Saúde para pedir mais recursos. Depois das imagens de pacientes amontoados nos corredores dos hospitais do Ceará, que repercutiram nacionalmente, a ajuda tinha que ser oferecida espontaneamente.

Mas como o governo federal tem seus próprios problemas de caixa, a situação fica assim: leva alguns trocados quem perturbar mais. Isso não é planejamento, não é aliança estratégia, programa de governo, método de gestão, nada disso. É o improviso do salve-se quem puder. E é exatamente por isso, pela falta de competência e de visão das autoridades, especialmente na última década, que chegamos a esse ponto.

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Era um policial muito engraçado, não tinha arma, não tinha bala…

Por Wanfil em Segurança

04 de novembro de 2013

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe, em vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

Reportagem exclusiva da TV Jangadeiro mostra policiais militares patrulhando áreas de Fortaleza sem armas e coletes de proteção. Não é preciso ser especialista para saber que não é assim que se faz.

O flagra foi registrado no sábado, um dia após a formatura de 1057 novos policiais militares, em cerimônia que contou com a presença do governador Cid Gomes e bastante divulgada na imprensa. Os agentes que estavam sem equipamento fazem parte desse grupo.

O caso me fez lembrar de uma música de Vinicius de Moraes: “Era uma casa muito engraçada / não tinha teto, não tinha nada / ninguém podia entrar nela não / porque na casa não tinha chão / … / Mas era feita com muito esmero, na Rua dos bobos, número zero”.

Pois é… Quando o assunto é segurança, o esmero é inegável.

A bandidagem agradece

Oficialmente, por meio da assessoria de comunicação, a Polícia Militar do Ceará afirma desconhecer o problema, evidenciando que não existe nesse caso um eventual conceito diferenciado de patrulhamento ostensivo. Os bandidos, claro, agradecem. E os policiais, como resta evidente, além de prejudicados em seu ofício, ficam expostos ao perigo.

Como eu havia dito no post anterior, investimentos são bem-vindos, mas desde que apresentem resultados, caso contrário, temos apenas a celebração do desperdício. Como a violência só faz crescer no Ceará, é forçoso reconhecer que, independente da vontade e das boas intenções dos gestores públicos, esses recursos não foram bem aplicados.

Não por acaso citei como exemplos a compra das caríssimas Hilux e dos inúteis patinetes para o patrulhamento da Beira Mar (cada um ao custo de um carro popular), duas iniciativas de intensa divulgação midiática que não ajudaram a controlar os índices de criminalidade no Ceará.

Expectativa plantada, frustração colhida

Pressionado pela necessidade de mostrar algum serviço na área, o governo corre para anunciar a boa notícia antes mesmo de vê-la funcionando na prática, já com os devidos ajustes. Assim, planta expectativas e, sem o retorno prometido, colhe frustrações.

É verdade que os casos levantados pela reportagem não podem ser generalizados (embora tenham sido registrados em pelo menos três cruzamentos), mas a falta de uma explicação convincente deixa  a impressão de que falta controle, de que as coisas são feitas no improviso. A imagem dos coldres vazios desses policiais fala mais do que o mais belo discurso.

O esforço para apresentar serviço – ainda que seja pela repetição do surrado argumento de que “nunca se investiu tanto em segurança” –, revela uma preocupação urgente, ainda mais com a aproximação do ano eleitoral. O sentimento de prestação de contas, mesmo vago, é positivo, mas a verdadeira resposta que a sociedade demanda é por resultado efetivo, ou seja, redução da violência.

Diante de uma situação como a que vivemos, qualquer exagero retórico ou autopromocional do governo corre o risco de não resistir 24 horas para ser desmoralizado pelos fatos.

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. Leia mais

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. (mais…)