imprensa Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

imprensa

Pesquisa CNT/MDA mostra que apenas 3,7% confiam na imprensa. Será?

Por Wanfil em Crônica

28 de Fevereiro de 2019

O desafio na leitura das pesquisas de opinião não está bem nas respostas ou nas metodologias de amostragem, mas nas perguntas. O poder das perguntas é infinitamente maior que o das respostas. A ordem de distribuição das questões, a eventual introdução ou omissão de informações, a escolha das palavras, tudo isso pode influenciar o entrevistado.

Faço esse preâmbulo para mostrar dados da mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta semana, com a medição da popularidade do presidente Jair Bolsonaro (aprovado por 57,5%) e de outros temas que passaram quase batidos, como esse: – “Em qual destas instituições ou corporações o(a) Sr. (a) mais confia?” Nove opções foram apresentadas e o resultado foi o seguinte:

Igreja: 34,3% – Bombeiros: 19,7% -Forças Armadas: 16,0% – Justiça: 9,8% – Polícia: 4,1% – Imprensa: 3,7% -Governo: 2,4% – Congresso Nacional: 1,0% – Partidos políticos: 0,2%.

“Pobre imprensa!”, diriam os mais apressados. “Bem-feito!”, comemorariam fiscais de plantão nas redes sociais. “Perde até para a Justiça e só ganha dos políticos”, ironizariam os próprios políticos. No mérito, nada contra. Nelson Rodrigues dizia que só é possível confiar mesmo nas cabras, pela capacidade de guardar segredos. Os Titãs não confiavam em ninguém com 32 dentes.

Para ser sincero, eu não confio integralmente nos jornais, menos ainda nas redações e muito menos nas faculdades de jornalismo, entulhadas de ideologia. Nem mesmo, ou sobretudo, confio na massa de leitores. Lembro da Simone Souza, professora já falecida do curso de História na UFC: “O maior desafio da educação deveria ser ensinar as pessoas a ler jornal”.

Pode parecer estranho, mas essa desconfiança generalizada é a base da confiança nos regimes democráticos. Cria uma espécie de ética da vigilância mútua. De resto, melhor com imprensa e leitores plurais do que sem imprensa ou com imprensa única. E leitores também. Mas indo ao que interessa, o que complica a pesquisa da CNT/MDA é que fica difícil comprar uma atividade com uma corporação.

Será que na hora de divulgar uma informação, o entrevistado escolheria os confiáveis bombeiros? O certo seria perguntar, numa escala de 0 a 10, qual nota o entrevistado daria para cada uma dessas instituições. Além do mais, a imprensa é feita de um sem-número de veículos. Posso confiar mais em um do que em outros.

Se repararmos bem, a CNT/MDA não quis saber como pesquisas e institutos de pesquisa seriam avaliados. Talvez desconfiem da pergunta que apresentaram. Poderiam, nesse caso, colocar um item à parte, para não se misturar, e arriscar: “O (a) Sr. (a) confia na gente?”

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Boechat e o jornalismo opinativo

Por Wanfil em Crônica

11 de Fevereiro de 2019

Ricardo Boechat em ação: a opinião como diálogo com o público. Foto: divulgação

Lembro de uma palestra do jornalista Ricardo Boechat na inauguração da Tribuna BandNews (Fortaleza) sobre o jornalismo e o rádio. Isso foi em 2013. Boechat defendeu que apresentadores – ou âncoras – pudessem opinar. Seria uma forma de aproximar o veículo (e a própria atividade jornalística) do público. Obviamente, as opiniões precisariam ter o respaldo da experiência profissional e embasamento nos fatos.

Quem faz jornalismo opinativo de verdade (assumindo posicionamentos) sabe as responsabilidades que assume e os riscos que corre: por um lado, checar e checar insistentemente as informações, contribuir no aprofundamento dos temas de interesse geral, por outro, criar antipatias, desagradar grupos, errar o tom, cometer injustiças, ser processado. Riscos que valem, pois muitas vezes a opinião é o complemento da notícia.

Boechat conseguiu unir essa disposição a credibilidade do apresentador. O segredo para isso ele mesmo revelou nesse evento que mencionei: priorizar os cidadãos e não as autoridades. Saber ouvir para dar voz. Não só isso. Quem o escutava com frequência percebia que sua crítica não se confundia com ressentimentos, torcida, panfletagem, causas particulares, nem se limitava a um determinado grupo político.

Por isso tudo a partida trágica do jornalista apresentador que opinava sem se omitir jamais tocou a tantas pessoas que manifestaram na imprensa e nas redes a tristeza de perder alguém que lhes parecia, mesmo à distância, próximo como um amigo com quem conversassem regularmente.

A saudade se manifestou instantânea, prova de que Boechat estava certo quando defendia a interação honesta com o público. Seu silêncio prematuro é difícil de ser assimilado.

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Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Por Wanfil em convidado

28 de novembro de 2018

Texto do jornalista e amigo Bruno Pontes especialmente para o blog, que aborda o recente interesse da imprensa brasileira sobre a figura do filósofo Olavo de Carvalho, uma das referências intelectuais influentes na futura gestão Jair Bolsonaro. Boa leitura.

Olavo de Carvalho: conhecido por quem leu seus livros e mais ainda pelos que nunca os leram (Foto: divulgação)

Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Li artigos recentes, inclusive na imprensa cearense, alguns assinados e outros anônimos, apresentando Olavo de Carvalho ao público. Se eu já não conhecesse o filósofo, o máximo que conseguiria, ao sair da leitura desses artigos, seria não uma introdução ao Olavo real, mas àquele fantasiado na imaginação dos articulistas, que, a julgar pelo que escrevem, querem apresentar um autor do qual não leram os livros.

Uma norma de redação no jornalismo de esquerda é introduzir Olavo com os rótulos de “ex-astrólogo” e filósofo “autodenominado”. O primeiro busca explorar a imagem popular da astrologia como ocupação de lunáticos e/ou trapaceiros (algo como “Olavo de Carvalho traz o seu amor de volta em sete dias”). Olavo estudou o assunto por vinte anos. Segundo ele:

“A astrologia não é nem uma ciência nem uma pseudociência. É um PROBLEMA CIENTÍFICO atemorizante e fascinante, que ainda mal chegou a ser formulado, quanto mais estudado. Tudo quanto escrevi a respeito é uma tentativa de formulá-lo. Pessoas que não são capazes nem mesmo de imaginar que há um problema a formular são as que mais têm opiniões definitivas a respeito.” (https://olavodecarvalhofb. wordpress.com/2016/11/24/a- astrologia/)

É um assunto que atraiu a curiosidade e o estudo de gente como Giordano Bruno, Fernando Pessoa, Carl Jung e Renato Janine Ribeiro, que nunca serão tratados com deboche por causa disso nem terão seus currículos nos jornais iniciados com o carimbo de “ex-astrólogos”.

Platão: filósofo autodenominado?

O segundo rótulo, filósofo “autodenominado”, denuncia uma mancha terrível no caráter do Olavo: falta a ele um diploma de filosofia expedido pelo MEC, esse instrumento essencial na busca do conhecimento, sem o qual nada vale uma obra escrita que se estende por trinta anos e é reconhecida por gente adulta da filosofia no mundo, dentre a qual, para ficar num exemplo mais recente, Wolfgang Smith, autor de O Enigma Quântico.

Mas a imprensa trata Márcia Tiburi como filósofa sem aspas, já que além de ter diploma ela vota no PT.

(Enquanto isso, lá no outro mundo, as almas de Sócrates e Platão se queixam entre si: “Foi muito azar nosso nascer antes do advento das universidades, não foi não? Poderíamos ter virado filósofos de verdade…”)

Se não sai no jornal, não existe

Outra atitude comum na imprensa esquerdista é tratar como insignificâncias risíveis as realidades palpáveis analisadas pelo Olavo. Por exemplo: o globalismo. Um fato da vida promovido, denunciado, estudado, discutido e reconhecido como tal por intelectuais e agentes políticos em todo o mundo, desde há vários anos. Mas os jornalistas que não conhecem o assunto nem na superfície resolvem o problema dando aquele sorrisinho sarcástico de quem manja das coisas.

As idéias que estão fora do repertório de assuntos dos jornalistas contemporâneos são tratadas por eles como esquisitices cômicas ou indícios de malignidade. É aquele velho pressuposto já tantas vezes observado pelo Olavo: a ignorância como fonte de autoridade intelectual. Se eu nunca ouvi falar de uma coisa, se meus amigos nunca falaram dessa coisa, e se essa coisa nunca apareceu no jornal, é porque essa coisa não existe.

Todos os textos na imprensa que pretendem apresentar Olavo de Carvalho não têm uma coisa em comum: uma avaliação de sua obra. Um confronto com as teses. Apenas mentiras, distorções maliciosas, truques infantis à base de jargões. “Ex-astrólogo” pra cá, “ex-astrólogo” pra lá. “Ultra” isso e “ultra” aquilo. Existe algum jornalista de esquerda que tenha lido um livro do Olavo e se disponha a julgá-lo com a consciência honesta? Talvez seja pedir demais. Um dos artigos que li conseguiu errar até a ordem cronológica das obras.

Bruno Pontes, jornalista

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O alerta de Tancredo que serve para Ciro

Por Wanfil em Política

26 de julho de 2018

O Estadão informa que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) ameaçou largar a campanha após a repercussão da entrevista que o candidato concedeu no Maranhão, em que deixou a entender que poderia soltar Lula e que daria limites na atuação da Justiça. (Leia mais no Focus.Jor).

Em outra entrevista, ontem no Pará, Ciro disse que suas declarações foram mal interpretadas e tiradas de contexto. Não é de hoje que ele reclama de “distorções” sobre suas falas, mas o fato é que um candidato precisar medir bem as palavras.

Tudo isso me fez lembrar um caso, que cito de memória, creio que relatado pelo jornalista Sebastião Nery, sobre uma conversa entre José Maria Alkimin, deputado por Minas Gerais, e seu adversário Tancredo Neves. Lamentava ser alvo de denúncias que, assegurava, eram falsas.

– “Você sabe, não é Tancredo?”, perguntou.

– “Sei, mas o problema é saber se as pessoas acreditam que você seria capaz de fazer isso. Se acreditarem, pouco adiantará negar”, respondeu-lhe Tancredo.

Repito, faço o relato de memória, e pode até ser folclore político, mas a moral da história é o que interessa.

Quando um candidato precisa vir à público explicar o que quis dizer, e se isso acontece com frequência, há um problema evidente de comunicação e talvez de gestão de imagem. O que importa é como as pessoas assimilam suas falas.

No caso de Ciro, é preciso que ele, o PDT e seus assessores, se indaguem: por que as pessoas acreditam que ele poderia agir assim? Não raro suas declarações são vistas como autoritárias e intempestivas, ainda que intercaladas com análises bem estruturadas sobre o cenário político e econômico. Combinadas, projetam uma imagem de pessoa inteligente, mas instável.

Frases de efeito garantem manchetes, mas com o tempo, e a depender das circunstâncias, podem minar o próprio discurso do candidato.

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Cid candidato ao governo, Camilo para o Senado, Tasso de volta ao Executivo, Eunício indeciso… São os velhos balões de ensaio, gente!

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2017

Para onde irá o balão?

De tempos em tempos balões de ensaio alçam voo no noticiário para medir a “temperatura” e “pressão” da atmosfera política diante de temas polêmicos, para testar nomes de olho na próxima eleição e até mesmo para sabotar articulações em curso. É a semeadura do “se colar, colou” ou da desconfiança.

No Ceará o céu das especulações está repleto desses balões. Não por acaso, Cid Gomes precisou declarar publicamente apoio à reeleição de Camilo Santana, diante dos crescentes rumores de que o governador disputaria uma vaga para o Senado, abrindo caminho para uma possível volta de Cid ao governo estadual. Ah, não podemos esquecer a saída de Camilo do PT, outra pedra bastante cantada.

Existe também a frente de possibilidades que apontam para a oposição. Eunício Oliveira desistiria de concorrer ao Palácio da Abolição para tentar a reeleição ao Senado, num improvável (porém, nunca impossível) aliança com Camilo. Nos ventos dessas contemplações flutuam ainda os nomes do deputado Capitão Wagner e do senador Tasso Jereissati.

Evidentemente, cedo ou tarde algumas dessas “previsões” se concretizarão. Boa parte desses cenários aguardam a definição da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Assim como o rumo dos ventos, as variáveis nesses casos são inúmeras e ainda imprevisíveis (a começar pela Lava-Jato), causando enorme expectativa no meio político. O resto é a busca política por influenciar os fatos com profecias que podem ou não vir a acontecer. Daí que soltem tantos balões de ensaio.

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Imagens de elevador que leva a lugar nenhum em escola de Fortaleza ganham projeção nacional

Por Wanfil em Fortaleza

17 de Janeiro de 2017

Elevador em Fortaleza agora nacionalmente famoso (Foto: MPCE)

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu sua primeira notícia de repercussão nacional em 2017. A edição desta terça-feira (17) do Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentou, com direito a imagens exclusivas, denúncia do MP sobre a instalação de um elevador que não leva a lugar nenhum na Escola Municipal Professor Denizard Macedo.

O apresentador Evaristo Costa apresentou a obra como mau exemplo de ação pública:

Uma escola municipal de Fortaleza ganhou um elevador, ao custo de R$ 50 mil. Isso deveria ser um bom exemplo, mas não foi o que aconteceu.

Segundo a matéria, o relatório dos gestores municipais escondeu o fato: “A parte de cima não tem acesso a nada, mas isso não aparece na foto do relatório da obra encaminhado ao Ministério Público”. Ainda de acordo com o Jornal Hoje, a prefeitura responsabiliza a construtora que realizou a obra pela situação inusitada. Esta, por sua vez, responde afirmando que fez o que o projeto determinava.

A notícia foi devidamente coberta com farto material de imagens e amplo acesso ao local com exclusividade -, de modo que todos os brasileiros pudessem ver melhor a “qualidade” do planejamento das obras nas escolas municipais de Fortaleza.

O caso foi mostrado pelo portal Tribuna do Ceará no último dia 12.

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Ciro Gomes quer fazer do PDT o novo PT

Por Wanfil em Política

01 de novembro de 2016

Eles se entendem: para o PT, a aposta em Ciro é a única esperança de continuar no poder

Eles se entendem: para o PT, a aposta em Ciro é a única esperança de continuar no poder. Foto: divulgação

Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, ex-governador do Ceará, ex-secretário estadual da saúde, ex-assessor informal de Segurança Pública e pré-candidato à Presidência da República, trabalha para atrair governadores do PT para as fileiras de seu mais recente partido, o PDT, informa o jornal O Estado de São Paulo desta terça-feira.

Com a surra que o PT sofreu nas eleições, integrantes do partido estudam uma debandada em busca da sobrevivência política. Além dos cinco governadores da legenda (Ceará, Piauí, Bahia, Minas Gerais e Acre), o Estadão informa ainda que 40 dos 58 parlamentares da bancada federal petista avaliam a possibilidade de mudar de partido.

Segundo a reportagem, o governador cearense Camilo Santana estaria de malas prontas para o PSB, onde tentaria concorrer ao Senado, uma fez que sua reeleição é incerta, abrindo caminho para Cid Gomes disputa novamente o governo estadual.

Em tese, tudo faz sentido, afinal, o PDT e o PT foram parceiros no governo e na defesa de Dilma Rousseff. O PDT quer ser o novo PT. E o que restar do PT aposta no PDT para continuar no poder enquanto sonha em se recuperar. Falta saber o que a cúpula petista no Ceará acha disso tudo.

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Wanfil recusa convite para secretaria de governo

Por Wanfil em Imprensa

20 de dezembro de 2014

Fontes próximas ao governador eleito Camilo Santana (PT) afirmam que o comentarista político Wanderley Filho, que assina o Blog do Wanfil, foi convidado a participar do primeiro escalão da gestão que se inicia em janeiro. Os relatos variam entre as pastas da Cultura e a Casa Civil.

Indagado por ele mesmo com exclusividade para este blog, Wanfil desconversa. “Seria deselegante comentar esse tipo de especulação”. Na Tribuna do Ceará comentários confirmam a veracidade da história, acrescentando a recusa após um dia de consultas a amigos e familiares. O convite teria surpreendido aliados e correligionários de Camilo, uma vez que o colunista é visto por governistas como demasiadamente crítico. Faltando menos duas semanas para a posse, o governador eleito ainda não divulgou o seu secretariado. 

Nada disso é verdade, claro. Mas quando notícias são plantadas em notinhas e colunas de jornal, blogs ou rádios, ou mesmo quando viram matéria, tudo é vago. É a apoteose do futuro do pretérito: teria, seria, poderia. E também das gargantas profundas (as tais fontes) interessadíssimas em vender imagens e boatos que germinam como pragas em ambientes de pouca luz. Basta ter acesso, recursos e certa influência para fazer a engrenagem funcionar.

Diante da estratégia ou hesitação de Camilo Santana em relação ao anúncio do secretariado, tudo é mistério, condição propícia para todo tipo de balão de ensaio. O mesmo vale para as indecisões da presidente Dilma Rousseff, que já anunciou os nomes de alguns ministros para o seu segundo mandato. Aliás, o negócio ficou de um jeito que até deputado federal com pouca expressão em Brasília é apontado como possível candidato à presidência da Câmara Federal, a pedido de outros parlamentares. Então tá…

Por isso, caro leitor, fique atento a esse tipo de notícia. Elas não dizem de concreto, mas fazem o sujeito parecer mais importante do que ele realmente é.

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Confrontos visam a desmoralização das manifestações – Ou: A quem servem os violentos?

Por Wanfil em Movimentos Sociais, Política

28 de junho de 2013

Radical se arma de pedras para distorcer manifestações pacíficas. Eles cobrem o rosto e estão de mochila. Foto: Jackson Pereira/Tribuna do Ceará

Radical se arma de pedras para distorcer manifestações pacíficas. Eles cobrem o rosto e estão de mochila. Clique na imagem para ampliá-la. Foto: Jackson Pereira/Tribuna do Ceará

Os protestos cívicos que tomaram conta do Brasil descambaram, em Fortaleza, para o vandalismo explícito, aparentemente sem propósito. O mesmo aconteceu em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Não é que a violência seja o elemento predominante nas manifestações de rua, pois o que as fez temidas pelas autoridades foi a mobilização de gente pacífica, mas a violência está presente nesses eventos como ponto destoante, porém, de destaque, em função do seu impacto. São ações dispersas promovidas por pequenos grupos infiltrados em meio à multidão. A maioria pacífica acaba servindo de escudo para uma minoria radical.

É possível observar um método comum nos confrontos: uma espécie de infantaria armada de pedras se posiciona diante do policiamento, fazem barricadas de fogo, tudo para alimentar um clima de tensão, apostando, sobretudo, no despreparo das tropas, que uma vez acionadas, não conseguem distinguir o joio do trigo. As bombas de gás lacrimogêneo atingem, na confusão instalada, os mascarados e os que participam de cara limpa.

O resultado dessa violência é uma mistura de medo e de indignação que acaba por desestimular justamente os cidadãos que protestam pacificamente.

Outro ponto de semelhança nos confrontos é a hostilidade desses radicais contra a imprensa, que é atacada por ter deixado claro, desde o início, que a imensa maioria não concorda com a violência. É a isso que os violentos chamam de manipulação da mídia, no que devem ser aplaudidos por mensaleiros e corruptos de todo o Brasil.

Quem ganha com a aposta na confusão?

Fogo e criança usada como escudo. Radicais misturados à população atiçam o confronto. Foto: Jackson Pereira/Tribuna do Ceará

Fogo e criança usada como escudo. Radicais misturados à população atiçam o confronto. Clique na imagem para ampliá-la. Foto: Jackson Pereira/Tribuna do Ceará

A questão que pode explicar os objetivos desses manifestantes radicais é óbvia: Quem são os que se beneficiam com a desmoralização das manifestações?

Como os protestos originalmente não possuem liderança, podem servir de oportunidade para a imposição de diversas agendas políticas. Grupos descontentes com o governo podem atiçar a bagunça na esperança de desgastar a gestão. O próprio governo, por sua vez, tem meios de se colocar nas manifestações com a turma dos movimentos e partidos que foram expulsos das manifestações. Seus radicais enrolaram as bandeiras vermelhas que todos conhecem, mas continuam lá, agindo disfarçados. Muitas vezes, nem tão disfarçados. Quem for mais organizado, tira melhor proveito da situação.

Aparelhamento

O fato é que a desmoralização das manifestações é a desmoralização de um movimento caracterizado pela repulsa aos partidos e às entidades pelegas, além de representar uma folga para o governo acuado.

Na última terça-feira (25), o ex-presidente Lula se reuniu com representantes de grupos pró-governo, como o MST, a União da Juventude Socialista (UJS), o Levante Popular da Juventude e o Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), Juventude PT e Marcha Mundial das Mulheres. Um dos participantes relatou o seguinte: “Lula disse que é hora de trabalhador e juventude irem para a rua para aprofundar as mudanças. Enfrentar a direita e empurrar o governo para a esquerda. Ele agiu muito mais como um líder de massa do que como governo.” Traduzindo: as manifestações estão sendo aparelhadas.

E o serviço de inteligência?

Ao fim do dia, em Fortaleza, 92 pessoas haviam sido presas. Muitos entram nos confrontos no calor do momento, instigados pelos profissionais de passeata. Outros são idiotas úteis, que imaginam estar numa revolução. Mas são prisões feitas durante o trabalho de contingenciamento ostensivo e não pelo serviço de inteligência.

Quem são os líderes dos arruaceiros? A que grupos eles pertencem? As respostas a essas perguntas podem reduzir muito os riscos que as pessoas de bem correm nas manifestações.

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Presidente do PT diz que imprensa brasileira age como na época do nazismo – Eles não desistem!

Por Wanfil em Imprensa

31 de Janeiro de 2013

Em reunião com a bancada federal do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, classificou a atuação de setores do Ministério Público e da imprensa de “interdição” política no Brasil. Disse ainda que ambas agem como “oposição extrapartidária”, com a intenção de preparar um golpe de algum projeto semelhante ao nazismo e ao fascismo.

Trata-se de uma opinião isolada? Não. Nem de um rompante ingênuo, mas de uma ideia fixa, parte de uma doutrina ideológica que não consegue conviver com a liberdade de imprensa. E não é de hoje que petistas graduados falam assim. Falcão assume, provisoriamente, o papel da água mole das insinuações autoritárias que, de tanto insistir, pode arrebentar a pedra sólida da imprensa livre.

Novidade

A novidade da fala é a inclusão do Ministério Público na lista pública de empecilhos ao projeto do partido. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 2009, Lula dizia: O papel da imprensa não é fiscalizar o poder, mas é informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União (TCU), a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas”. Como Lula agora anda calado, coube ao presidente do PT incluir o MP no grupo. Leia mais

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Presidente do PT diz que imprensa brasileira age como na época do nazismo – Eles não desistem!

Por Wanfil em Imprensa

31 de Janeiro de 2013

Em reunião com a bancada federal do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, classificou a atuação de setores do Ministério Público e da imprensa de “interdição” política no Brasil. Disse ainda que ambas agem como “oposição extrapartidária”, com a intenção de preparar um golpe de algum projeto semelhante ao nazismo e ao fascismo.

Trata-se de uma opinião isolada? Não. Nem de um rompante ingênuo, mas de uma ideia fixa, parte de uma doutrina ideológica que não consegue conviver com a liberdade de imprensa. E não é de hoje que petistas graduados falam assim. Falcão assume, provisoriamente, o papel da água mole das insinuações autoritárias que, de tanto insistir, pode arrebentar a pedra sólida da imprensa livre.

Novidade

A novidade da fala é a inclusão do Ministério Público na lista pública de empecilhos ao projeto do partido. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 2009, Lula dizia: O papel da imprensa não é fiscalizar o poder, mas é informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União (TCU), a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas”. Como Lula agora anda calado, coube ao presidente do PT incluir o MP no grupo. (mais…)