impopularidade Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

impopularidade

A impopularidade de Temer como salvação dos que acabam esquecidos

Por Wanfil em Política

29 de setembro de 2017

Michel Temer voltou a bater recorde de impopularidade: 77% dos brasileiros o reprovam, segundo o Ibope. Nem sua companheira de chapa Dilma Rousseff, no auge da recessão, com índices de desemprego, juros e inflação maiores que os atuais, conseguiu ser assim rejeitada.

Evolução que desafia a clássica associação entre desempenho econômico e popularidade. Um efeito colateral desse cenário é a percepção de que os escândalos no entorno presidencial, revelados em proporção endêmica, acabam por ofuscar os casos locais, com a exceção talvez do Rio de Janeiro. Não há pesquisas, mas parece que lideranças políticas regionais não se desgastaram na mesma proporção.

Basta ver como no Ceará casos de considerável potencial para abalar qualquer popularidade não passaram de incômodos sem grandes consequências para seus beneficiários. Compra de votos nas eleições passadas, fichas sujas ocupando cargos importantes na administração estadual, políticos graduados citados em delações com riqueza de detalhes, autoridades investigadas ou até condenadas, nada disso perturba o doce exercício de poder no Estado. Aliás, todos esses andam por aí a desfilar tranquilamente, sem a menor preocupação com vaias, quando não dão lições de moral em nome da ética e da honestidade.

Ninguém os perturba, muito pelo contrário: são tratados com toda a deferência que seus cargos exigem. É que é mais fácil ficar indignado com quem está longe, distante, do que com quem está aqui ao alcance do nosso repúdio.

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Ibope mostra que Temer é quase tão impopular quanto Dilma. Pudera…

Por Wanfil em Pesquisa

31 de Março de 2017

Separados pela crise, unidos na impopularidade

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta mostra que 73% dos brasileiros desaprovam Michel Temer. No mesmo período do ano passado outra pesquisa Ibope registrou que 82% dos brasileiros desaprovavam a maneira de Dilma Rousseff governar.

Significa arrependimento de quem foi às ruas protestar contra a pobre Dilma, como insinuam aliados da ex-presidente? Não, claro que não. A petista colheu o que plantou. É apenas a constatação de que medidas impopulares para sair da recessão não são chamadas de impopulares à toa.

Além do mais, quem apoiou o impeachment não o fez por simpatia a Temer, ou por ver sinais de austeridade moral na sua figura, mas por entender que naquela conjuntura a troca de comando representaria o menor dos males.

Na verdade, a imensa maioria dos que pediram a saída da petista sempre desconfiou do peemedebista, afinal, não por acaso eles foram parceiros de chapa, unidos como os dois lados de uma mesma moeda que apenas virou de cara para coroa. É até curioso que o resultado não seja pior, pois boa parte dos que votaram nele agora guarda indisfarçável ressentimento.

De qualquer modo, é bom que seja assim, pois a História mostra que no Brasil a popularidade anda de mãos dadas com o populismo.

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Camilo Santana e o retrato de uma assombração

Por Wanfil em Política

23 de julho de 2015

Lá vem ela descendo, descendo, descendo...

Retrato do momento: lá vem ela descendo, descendo, descendo…

Após cerimônia para a promoção de policiais militares realizada na quarta-feira (22), o governador Camilo Santana comentou com a imprensa sobre os baixos índices de popularidade do governo Dilma Rousseff. Segundo pesquisa CNT/MDA, de cada 100 brasileiros, apenas sete aprovam a gestão federal e 71% a reprovam.

Camilo foi cauteloso na resposta. Disse que esses números são um “retrato do momento” e que Dilma precisa dialogar mais com a sociedade. A comparação com fotografias é um clichê da política, mas não deixa de ser real. Significa dizer que as coisas podem mudar. O problema desse retrato que assombra os governistas é a tendência de queda que não estanca e a tentativa de reagir com uma agenda positiva ainda não funcionou.

Em que pese o estilo cordato do governador, é de se notar sua opção de não polemizar na defesa da presidente, sua aliada e correligionária (ambos são do PT). No lugar de declarações enfáticas, a preferência pela cautela. Há nessa postura uma lógica elementar, como é próprio dos profissionais da política. A impopularidade do governo e da própria presidente não é por acaso. Crise econômica, incompetência administrativa, estelionato eleitoral, promessas não cumpridas, compromissos quebrados, falta de articulação política e corrupção descontrolada, são alguns ingredientes que minaram a credibilidade do Palácio do Planalto em diversas frentes, conforme demonstram as pesquisas. Não adianta acusar conspirações.

Assim, defender a presidente agora é correr o risco de ser contaminado pelo sentimento de rejeição que predomina no panorama atual. Por outro lado, atacá-la é certeza de aplauso (nesse ponto, a oposição, inclusive, tem sido moderada, diga-se de passagem, sem juízo de valor). Parlamentares ainda podem nadar um pouco contra a maré, já que suas eleições são proporcionais, ou seja, não precisam de maiorias, mas apenas de determinado número de eleitores. Mesmo assim, a margem está de tal modo pequena que somente alguns líderes fazem isso, e por dever de ofício. Já para aliados eleitos pelo sistema majoritário, como governadores, que necessitam ainda de apoio da opinião pública para manterem a autoridade e liderança, o melhor é sair de perto da presidente e mudar de assunto.

No caso de Camilo, como para os demais governadores da base, criticar o governo federal pode custar verbas ao Estado; elogiá-lo pode custar votos aos governantes locais.

Em política, solidariedade não rima com impopularidade.

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Pesquisa mostra que 60% apoiam impeachment da presidente. Lembra do Titanic?

Por Wanfil em Pesquisa

24 de Março de 2015

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Pesquisa mostra que o buraco no casco é grande. Base aliada já de colete procura por botes salva-vidas. Alguns tripulantes já pularam do barco governista, que ameaça afundar junto com os passageiros da classe econômica.

Uma pesquisa do instituto MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte mostra que 64,8% dos entrevistados reprovam o governo Dilma, contra 10,8% que o aprovam. Quase 70% culpam a presidente pela corrupção na Petrobras (Lula também é responsabilizado por 67,9% – ou seja: a culpa, para esse grupo, é do PT).

Segundo o levantamento, 84% acreditam que Dilma cometeu estelionato eleitoral e quase 83% entendem que a presidente é incompetente para lidar com a crise.

Ponto crítico
Esse é apenas o preâmbulo que nos leva ao número crítico: em relação a um eventual impeachment de Dilma, 59,7% são favoráveis, contra 34,7% que não concordam com a ideia. Não está em discussão aqui aspectos técnicos da ideia, mas o sentimento coletivo.

A pesquisa mostra que o governo não tem credibilidade junto à população para resolver a crise que ele mesmo criou, que a imensa maioria o consideram ruim de doer e que boa parte entende que: 1) foi traída; 2) a gestão é corrupta e 3) que por tudo isso, é melhor que a presidente saia. O Titanic governista bateu no iceberg da crise econômica e o rombo no casco, assim como na Petrobras, é gigante.

O socorro de Eduardo Cunha
Se o momento é grave para a economia, para o governo é desesperador, como atestam os números. Não adiantou chamar de golpe ou culpar a imprensa. Aliás, ninguém deu manchete para a informação sobre o impeachment. Os principais jornais se limitaram a citar que a popularidade do governo é baixa, ajudando a colocar o desejo pelo impedimento da presidente apenas – e rapidamente – dentro dos textos.

Significa que vai haver impeachment? Ainda não é possível afirmar. Eu mesmo não concordo. Acho mais fácil uma cassação em razão das investigações da Operação Lava Jato, mas essa é outra história. Até o momento, não há clima institucional para tirar Dilma via Congresso Nacional. Adivinhem quem, perguntado sobre o resultado da pesquisa, se disse contra o impeachment? O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, achacador filiado ao famigerado PMDB, nas palavras do ex-ministro da Educação Cid Gomes. Para Cunha, não é possível banalizar a hipótese de afastar um presidente eleito, coisa e tal. Pois é, por enquanto, os dois inimigos defendem Dilma, divergências à parte. No entanto, se a pressão continuar a crescer nas ruas, nunca se sabe. Já aconteceu antes.

À beira do “salve-se quem puder”
Se o governo não mostrar capacidade de reagir nas próximas semanas, os especialistas em salvar a própria pele irão se afastar da presidente, para não se contaminarem com sua impopularidade. Quando o Titanic começa a afundar, a turma da primeira classe corre para os botes, enquanto o resto dos passageiros afunda com o navio.

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Atenção, base aliada: mais da metade dos nordestinos reprova a gestão Dilma, aponta Datafolha. E agora?

Por Wanfil em Pesquisa

18 de Março de 2015

Pesquisa do instituto Datafolha publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo dá números ao que todos já sabiam: a popularidade da presidente Dilma Rousseff, do PT, desabou neste início de segundo mandato. Nada menos do que 62% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima e somente 13% entendem que é boa ou ótima.

Quem quer seguir Dilma?
Agora vejam esse gráfico, também publicado na Folha:

Datafolha Dilma regiões

Olha aí a região Nordeste com 55% de reprovação ao governo Dilma. Mais da metade da população, o que significa dizer que é um sentimento que não se reduz a um estrato social (ver o próximo gráfico).

Se até o ano passado a presidente era bajulada por políticos da região como ativo eleitoral, agora as coisas mudaram. E a perspectiva é de que essa rejeição aumente na proporção que os efeitos da crise econômica se intensificarem. Nesses casos, via de regra, o instinto de sobrevivência de políticos sugere distância de quem é mal visto pelos eleitores. E agora base aliada, o que fazer? E agora deputado que corria para tirar fotos ao lado da presidente, a quem apelar? E agora prefeito ou candidato a prefeito, que parcerias serão prometidas nas eleições do ano que vem?

Camilo Santana e petistas em geral estão obrigados a defender a correligionária. Cid Gomes, do PROS, até agora parceiro de Dilma, já percebeu a fria em que se meteu: desgastado por ser obrigado a cortar verbas do Ministério da Educação, isolado após criticar a Câmara dos Deputados, só tem a perder estando ao lado da “presidente mais ágil que já houve”. Vamos ver se o PROS do Ceará continua ardente aliado da presidente sem apoio popular. Já o PMDB está em pé de guera com o PT, o que libera seus filiados a adotar uma postura mais independente, sem esquecer que o partido é especialista em pressentir naufrágios eleitorais, para mudar de lado quando preciso.

Essa elite!
Agora um segundo gráfico, publicado pela Folha, com base na pesquisa do Datafolha:

Datafolha Dilma rendaPois é. Você que viu nas redes sociais governistas e simpatizantes menosprezando os protestos de domingo como coisa da elite, da Aldeota, dos eleitores da oposição chateados com a ascensão da classe C, olhe aí os números: 60% dos que ganham até dois salários mínimos reprovam Dilma. Essa é a elite dos cegos que não querem ver.

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Atenção, base aliada: mais da metade dos nordestinos reprova a gestão Dilma, aponta Datafolha. E agora?

Por Wanfil em Pesquisa

18 de Março de 2015

Pesquisa do instituto Datafolha publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo dá números ao que todos já sabiam: a popularidade da presidente Dilma Rousseff, do PT, desabou neste início de segundo mandato. Nada menos do que 62% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima e somente 13% entendem que é boa ou ótima.

Quem quer seguir Dilma?
Agora vejam esse gráfico, também publicado na Folha:

Datafolha Dilma regiões

Olha aí a região Nordeste com 55% de reprovação ao governo Dilma. Mais da metade da população, o que significa dizer que é um sentimento que não se reduz a um estrato social (ver o próximo gráfico).

Se até o ano passado a presidente era bajulada por políticos da região como ativo eleitoral, agora as coisas mudaram. E a perspectiva é de que essa rejeição aumente na proporção que os efeitos da crise econômica se intensificarem. Nesses casos, via de regra, o instinto de sobrevivência de políticos sugere distância de quem é mal visto pelos eleitores. E agora base aliada, o que fazer? E agora deputado que corria para tirar fotos ao lado da presidente, a quem apelar? E agora prefeito ou candidato a prefeito, que parcerias serão prometidas nas eleições do ano que vem?

Camilo Santana e petistas em geral estão obrigados a defender a correligionária. Cid Gomes, do PROS, até agora parceiro de Dilma, já percebeu a fria em que se meteu: desgastado por ser obrigado a cortar verbas do Ministério da Educação, isolado após criticar a Câmara dos Deputados, só tem a perder estando ao lado da “presidente mais ágil que já houve”. Vamos ver se o PROS do Ceará continua ardente aliado da presidente sem apoio popular. Já o PMDB está em pé de guera com o PT, o que libera seus filiados a adotar uma postura mais independente, sem esquecer que o partido é especialista em pressentir naufrágios eleitorais, para mudar de lado quando preciso.

Essa elite!
Agora um segundo gráfico, publicado pela Folha, com base na pesquisa do Datafolha:

Datafolha Dilma rendaPois é. Você que viu nas redes sociais governistas e simpatizantes menosprezando os protestos de domingo como coisa da elite, da Aldeota, dos eleitores da oposição chateados com a ascensão da classe C, olhe aí os números: 60% dos que ganham até dois salários mínimos reprovam Dilma. Essa é a elite dos cegos que não querem ver.