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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Aumento nos homicídios coloca em risco “trunfo” da gestão Camilo

Por Wanfil em Segurança

13 de junho de 2017

Os homicídios no Ceará aumentaram 65% em maio, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram nada menos que 471 assassinatos. Em abril foram 377 mortes, contra 274 de 2016. Certamente especialistas não faltam para sugerir medidas e fazer análises técnicas sobre a nova escalada de violência.

Do ponto de vista político, de imagem para a gestão e consequentemente para o governador Camilo Santana, provável candidato à reeleição, os números atingem um dos poucos setores que, nesse momento de crise, gerou resultados positivos, devidamente reivindicados pelo governo estadual.

Agora o discurso de eficiência nas ações de segurança está em risco, na medida em que a inversão da tendência reforça a hipótese bastante difundida de que a redução dos homicídios teria sido consequência de um acordo de paz entre facções criminosas. O governo sempre negou essa possibilidade, mas a dinâmica dos índices casa com as informações sobre o suposto pacto entre bandidos.

Na tentativa de explicar a má notícia, autoridades locais reclamam do governo federal. E assim, se antes o sucesso era fruto de esforços locais, hoje o discurso mudou. Dificilmente esse conveniente deslocamento de responsabilidade surtirá efeito aos olhos do cidadão cearense. Fazer da lamentação o centro de uma explicação defensiva não parece boa estratégia de comunicação. Afinal, se nada pode fazer contra a violência a não ser esperar por ajuda federal, o que o governo estadual dirá aos eleitores no ano que vem? Que fez tudo o que podia e só nos resta aguardar? Sem contar que, na campanha passada, ninguém disse que a redução dos crimes estaria vinculada a fatores externos.

Certamente o governo tem o que mostrar. Governos sempre pensam nisso. E há realizações como as promoções de policiais e criação de equipes do Raio no interior. O problema é quando os investimentos não são correspondidos pelos índices. No que diz respeito às eleições, não é possível dimensionar o impacto desses fatos. O que é possível dizer agora é que o governo tem que trabalhar para construir uma nova abordagem sobre uma área, a segurança, que parecia figurar como trunfo.

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Desabamento na Raul Barbosa: tragédia ameaça transformar trunfo eleitoral em prejuízo de imagem

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Fevereiro de 2016

O desabamento de parte das obras na ponte sobre o canal do Lagamar, na Avenida Raul Barbosa, em Fortaleza, é um daqueles eventos que exigem todo o cuidado na análise de suas causas e consequências, de modo a evitar precipitações, erros e injustiças. E principalmente, por respeito aos feridos e às duas vítimas que perderam a vida no desastre.

Por outro lado, como laudos técnicos demoram a ser concluídos, é inevitável que nesse meio tempo hipóteses sejam levantadas e debatidas pela população em geral e especialistas via imprensa. Nesse caso, não adianta autoridades e aliados da prefeitura reclamarem de possível exploração política, na esperança de impedir críticas. Mesmo sendo óbvio que ainda é cedo para apontar categoricamente o que causou o desabamento, suposições ocupam o vazio de respostas imediatas. É algo natural e acontece sempre, por exemplo, na sequência de desastres aéreos.

No episódio da ponte, comentários nas redes sociais vão de suspeitas de erro técnico, passando pela ação das chuvas, até uma suposta pressa na execução da obra, com objetivos eleitorais. A conexão com eleições é ainda previsível, afinal, não se pode negar mesmo que estamos em ano eleitoral. Da mesma forma que obras podem ser trunfos explorados em campanhas e propagandas, acidentes assim podem ser objetos de questionamentos e de prejuízo de imagem para o gestor, no caso, na imagem de Roberto Cláudio, caso as respostas gerenciais e a comunicação governamental não sejam bem trabalhadas.

A manifestação de solidariedade com as famílias das vítimas e o anúncio de medidas para apurar as causas do acidente, além de obrigações, são as reações possíveis para a Prefeitura nesse momento inicial. Resta agora esperar agilidade no resultado das investigações, firmeza na cobrança dos responsáveis e explicações claras para tranquilizar a população em relação a outras obras. Agir assim, sem tergiversações, assumindo o que deve ser assumido, responsabilizando quem deva ser responsabilizado, é mostrar compromisso com a verdade e, acima de tudo, questão de justiça.

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O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116

Por Wanfil em Noticiário

18 de outubro de 2014

Cid Gomes protagoniza mais uma vez um episódio inusitado nos noticiários locais e nacionais. É que por causa de um incidente de trânsito sem gravidade envolvendo um carro de dois ônibus na BR-116, em Fortaleza, o governador do Ceará tentou, sem sucesso e de modo intempestivo, desobstruir a parte da via interditada pelo pequeno acidente.

Filmado por populares, Cid se ofereceu, com impaciência, para pagar o prejuízo, desde que os carros saíssem do local; ameaçou retirar os veículos sem a autorização dos proprietários (“vou tirar agora”); usou o cargo como argumento: “eu sou o governador”; discutiu com anônimos e com militantes do PMDB. Com a chegada da imprensa, o governador ficou mais comedido e passou a orientar, no meio da rua e sem necessidade alguma, os carros que passavam ao lado. Jornais e sites de todo o país destacaram a atuação de Cid Gomes como “agente de trânsito” ou “dono da rua”, a maioria em tom de deboche.

O caso não tem relevância política ou administrativa imediata, pois em nada contribui para a solução, por exemplo, de problemas de mobilidade urbana em estradas federais nos perímetros urbanos. E, convenhamos, todos estamos sujeitos ao estresse, a uma discussão de trânsito ou a um desatino momentâneo. No entanto, por se tratar de autoridade constituída e pessoa pública, situações assim acabam atingindo a imagem do gestor e da própria gestão. Ainda mais quando o incomum passa a ser algo recorrente. O governador cearense já mergulhou em tanque de adutora, caiu ao andar de skate, andou de moto sem capacete, atravessou correndo pista de aeroporto e foi a uma delegacia em Sobral defender aliado preso por crime eleitoral. São atos que, não raro, chegam a ofuscar ações da administração.

Com efeito, todo político tem um estilo. Cid Gomes é discreto nas articulações de bastidores e espalhafatoso em suas aparições públicas. Para alguns, esse modo de agir reflete uma personalidade simples e autêntica, para outros denota deslumbramento e arrogância. Aí é da interpretação de cada um.

O certo é que, em período eleitoral, bater boca no meio da rua não é o tipo de iniciativa que ajuda seu candidato à sucessão estadual. Nesse caso em particular, pode até ter efeito contrário, pois a forma de interpelar as pessoas foi deselegante e inadequada, quase autoritária, postura que deixa dúvidas sobre o nível de autonomia que seu indicado terá, caso seja eleito. Mas, fazer o quê? Como me disse um assessor dele, comentando sobre as declarações intempestivas do governador no Facebook, “Cid é assim, é o jeito dele mesmo”.

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Série de notícias negativas expõe governo Cid. Ou: Como Tirar Proveito de Seus Inimigos

Por Wanfil em Ceará

26 de agosto de 2013

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

Minha edição de Como Tirar Proveito dos Seus Inimigos (Martins Fontes), obra de Plutarco escrita no início do Século I. Uma leitura que ajuda a entender os dissabores do governo Cid.

É impressionante como o governo Cid Gomes acaba enrolado, vez por outra, não por causa de grandes escândalos, como acontece em outros estados, mas por acontecimentos menores que, reunidos, acabam expondo a imagem da gestão a um desgaste progressivo e contínuo.

Alguns desses casos chamam a atenção por serem absolutamente desnecessários, como a contratação da cantora Ivete Sangalo, com cachê altíssimo, para a inauguração de um hospital em Sobral. O mesmo vale para os gastos milionários com o tenor Plácido Domingo em  apresentação privada, ou no recente episódio do buffet cujo cardápio e preços exaltaram o contraste entre o esbanjamento dos governantes com o dinheiro público e a penúria decorrente da seca no Ceará.

São vários os casos de obras e iniciativas que poderiam render bom ganho de imagem mas que acabam ofuscadas por essa ideia de desperdício e de falta de transparência. Até mesmo a compra de algo indispensável como viaturas policiais, terminou em debate sobre a escolha das caríssimas Hilux para o serviço.

E agora essa compra de helicópteros sem licitação. Não há acusação de crime, pois artifícios técnicos teriam sido utilizados, mas fica mais uma vez a suspeição de que as coisas não aconteceram com a transparência que a natureza da função exige, afinal, são recursos públicos. Quanto mais rigor, melhor, pois, ao final, isso ajuda a evitar especulações ou desvios.

A raiz do descuido

Há muito alerto para os riscos que a falta de uma oposição minimamente organizada poderia fazer ao governo. O filósofo grego Plutarco já ensinava, há mais ou menos dois mil anos, que sem o devido contraponto, líderes passam a acreditar que são infalíveis. É que ao adversário é fácil apontar os erros, uma vez que os amigos – por afeto –, e os bajuladores – por interesse –, não querem desgastar o amor-próprio do governante. Saber o ponto de equilíbrio entre as críticas e os elogios é o segredo do grande rei, dizia Plutarco em Como Tirar Proveito de Seus Inimigos.

Voltando ao Ceará, fica a impressão de que ao governo tudo parece menor, intrigas, perseguição da grande mídia, inveja e coisas do tipo. E é por isso mesmo que esses casos se repetem com frequência incômoda. Leia mais

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.