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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ideologia

“Viva o PT” de Genoino e “consciência livre” de Dirceu equivalem a dizer: “Eu não me arrependo e faria de novo”

Por Wanfil em Brasil

15 de novembro de 2013

A prisão dos condenados pelo STF no caso do mensalão deve ser comemorada como uma batalha surpreendentemente vencida na guerra contra a corrupção. Nada de hastear a bandeira da paz, pois os inimigos são muitos e poderosos. Não apenas no PT, como tentam justificar o petismo, é verdade. Mas estando no poder e tendo crescido com a promessa de romper com o que depois aderiu, seu vexame moral é tanto mais ressonante.

Corruptos se alimentem do mesmo expediente, que é o roubo aos cofres públicos. Mas é fundamental discernir as nuances e distinções que separam, por exemplo, José Dirceu e José Genoino de Paulo Maluf e Roberto Jefferson.

Nem todo corrupto é igual

José Genoino, criminoso condenado pelo Supremo a seis anos e 11 meses de cadeia pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, ao ser entregar para a Polícia Federal, gritou: “Viva o PT”. José Dirceu, condenado pelos mesmo crimes a dez anos e dez meses de cadeia, declarou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo: “Nenhuma prisão vai prender a minha consciência”.

As declarações são essenciais para uma compreensão acerca da atualidade na política brasileira. O PT tem história, híbrido do sindicalismo de resultados (de onde veio Lula), comunismo (escola de Dirceu) e da Teologia da Libertação (berço de Genoino). Maluf e tantos outros representam a corrupção que tem no enriquecimento ilegal do próprio corrupto seu maior e único fim. O corrupto com pedigree ideológico tem uma causa a justificar-lhe os atos. Esses podem ser mais perigosos justamente por entenderem que agem em nome de algo superior: o partido, que passa a ser o seu ente de razão. Existe aí uma ética torta, mas aos seus olhos, uma ética justa.

Uma ética diferente

O princípio básico dessa ética é moldável de acordo com as circunstâncias. Assaltar bancos, por exemplo, como fazia Dilma Rousseff, pode ser uma atividade edificante desde que seja para financiar sua causa política. Matar alguém, ou uma classe social inteira, é prova de virtude, desde que seja para pavimentar a ascensão do partido. Foi assim na Rússia de Stálin ou na China de Mao. É História.

Portanto, superfaturar uma obra ou falsificar uma operação financeira para comprar a base de sustentação de um governo com o dinheiro roubado é um mal necessário, no entendimento dessa turma.

Ao dizer que sua consciência é livre, Dirceu reafirma essa condição de militante que sabe o que faz e pelo que faz. É uma forma de dizer que não traiu a causa que, por imposição tática, fez uso da corrupção para consolidar um projeto político contra o que eles chamam de elite burguesa. O “Viva o PT” de Genoino é um recado claro: “Não me arrependo do que fiz para o partido”. Esses sujeitos trabalharam para fazer de sua sigla a agremiação mais rica e poderosa do país. Ajudaram a eleger presidentes em campanhas milionárias.  “Não fiquei rico” é o argumento inicial de suas defesas. Isso sim poderia ferir o senso ético deles. Quem não destina os recursos desviados para o partido (pesquisar caso Celso Daniel) merece o desprezo ou algo pior. Roubar para si é pecado. Roubar para o partido é heroísmo.

A “luta” continua

Esse projeto continua em curso, levado pelos companheiros que são a) blindados e b) operam em outras atividades. A turma do financiamento de campanha continua firme, claro. Defende agora o financiamento público de campanha, que é uma forma de deslocar o debate para a esfera da institucionalidade. O crime existe por causa forças externas e não por empenho de convicções internas. É cortina de fumaça.

Os mensaleiros foram presos, mas sua missão, ao final, foi bem sucedida.

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Quem manda no Ceará é o Pros. Quem?!?

Por Wanfil em Partidos

11 de novembro de 2013

O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) tem a maior bancada na Assembleia Legislativa do Ceará e comanda 66 prefeituras no Estado, entre as quais a de Fortaleza. É a maior força política local. Mas todos sabem que o grande “mérito” da sigla para esse sucesso se resume a servir de abrigo para o grupo político que hoje comanda o governo estadual, liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes, após a tumultuada saída do PSB. Em outras palavras, o Pros nasceu para atender contingências de momento, feitas por uma soma de conveniências que fazem do partidarismo brasileiro uma piada.

O próprio PSB e o PSDB já experimentaram aqui o gosto da ascensão e da queda: cresceram enquanto governo, minguaram na oposição. Mas são siglas, goste-se ou não delas, com algum estofo ideológico, conteúdo programático e história. Também o PT cearense tem uma marca própria, apesar de se contentar, atualmente, a orbitar no entorno do governo Cid como força de apoio em busca de migalhas. De todo modo, dos quadros desses três partidos já surgiram lideranças nacionais. E o Pros? O que é o Pros?

O partido foi criado recentemente por um tal de Eurípedes Júnior, que é seu presidente nacional. Vazio por dentro, a sigla se vale de lugares comuns e generalidades como a “consolidação dos direitos individuais e coletivos, o exercício democrático participativo e representativo, a soberania nacional“, blá, blá blá. A indefinição o define como espaço para qualquer um. Nada mais natural para de um partido de aluguel.

O presidente da sigla no Ceará é Danilo Serpa. Até onde me é dado saber, é pessoa de confiança do governador, de quem é chefe de gabinete. Alguns amigos em comum me garantem: é gente boa, jovem trabalhador e leal ao chefe. Falsos companheiros criticam-no pelas costas, acusando-o de ser inacessível (característica que, a meu ver, depõe a seu favor, por revelar pouca disposição para tratar com políticos). No conjunto, parece um perfil mais apropriado a um gerente de loja de departamento ou um a executivo de empresa privada, do que a um líder partidário. Com efeito, não se trata de uma liderança com brilho próprio, mas de um mero arranjo, como tudo mais no Pros.

A sigla fez um jantar de adesão (e quem não aderir considere-se fora do governo) na última sexta-feira (8), cujo convite custava mil reais. Foram tantos os abnegados filiados empolgados abrindo o bolso que ao final foi anunciada uma arrecadação de R$ 1,2 milhão.Na ocasião, Ciro Gomes discursou para os correligionários enfatizando que é preciso defender as conquistas do governo. Disso eu não duvido. Defender conquistas é um ideal bem arraigado nesse pessoal que muda de partido dia sim, dia não.

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Lição de como viver em contradição e ainda posar de coerente

Por Wanfil em Ideologia

25 de outubro de 2013

Impressiona como aqui no Brasil, como uma das maiores taxas de homicídios do mundo e metade da população sem saneamento básico, entre outras calamidades, a principal discussão em períodos eleitorais seja a privatização de serviços ou empresas públicas. O assunto voltou à tona agora que a presidente Dilma é acusada (até pela oposição!) de privatizar a exploração do pré-sal ao leiloar o Campo de Libra para empresas privadas buscarem – oh, santo Marxs, o lucro! Segundo a presidente, tudo não passa de “xenofobia”!, em referência ao fato das companhias que “alugaram” o pré-sal serem estrangeiras e misturando alhos com bugalhos.

Como é possível alguém ser eleito denunciando como crime o CONCEITO de privatização, e depois de eleito, privatizar seguidamente, não apenas negando o que se faz com o uso de malabarismos retóricos, mas jurando ainda que não há contradição entre discurso e ação? E não é só Dilma não. O ex-presidente Lula, que já definiu a si mesmo, acertadamente, de “metamorfose ambulante”, mudando de convicções ao sabor das circunstâncias, somente na área financeira, privatizou vários bancos estaduais federalizados na gestão de FHC, sempre acusado de… privatizar isso ou aquilo! Vai eleição, volta eleição, lá vai a ladainha.

O problema é que aqueles que condenam as privatizações como pecado capital, privatizam. Mas como fazer isso e não sair desmoralizado? Simples: acreditando na própria mentira. Nesse ponto, transcrevo um trecho da distopia 1984, em que o autor George Orwell, explica direitinho como funciona esse método, que consiste na arte de enganar a própria memória para que se possa viver em contradição sem nunca precisar reconhecer erros, técnica que ele chamou de “duplipensar”:

Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, DEFENDER SIMULTANEAMENTE DUAS OPINIÕES OPOSTAS, SABENDO-AS CONTRADITÓRIAS E AINDA ASSIM ACREDITANDO EM AMBAS; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; ESQUECER TUDO QUANTO FOSSE NECESSÁRIO ESQUECER, TRAZÊ-LO À MEMÓRIA PRONTAMENTE NO MOMENTO PRECISO, E DEPOIS TORNÁ-LO A ESQUECER; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar.

Nas eleições do ano que vem, o tema voltará com o mesmo viés de sempre. Que militantes doutrinados enveredem por esse caminho, ´re compreensível. Tomam o partido (em substituição da moral judaico-cristã) por um novo “imperativo categórico”, expressão de Kant utilizada por Gramsci para justificar esse tipo de conduta. O que impressiona mesmo é ver tanta gente com formação superior cair no truque por tanto tempo.

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Pesquisa diz que brasileiro é de direita – Cadê esse povo?

Por Wanfil em Ideologia

15 de outubro de 2013

Um texto um pouco maior, mas que considero importante por tratar de um dos temas mais vilipendiados por palpiteiros em geral.

Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada ontem mostrou que a maioria dos brasileiros simpatiza com valores tidos como de direita. Algumas das premissas utilizadas para definir o que viria a ser esquerda e direita são bastante questionáveis, mas esse não é o objeto deste texto.

O fato que interessa aqui é a leitura pela qual, segundo essa e outras pesquisas, o brasileiro médio teria um perfil mais conservador. Isso explicaria, por exemplo, o não ao referendo sobre a proibição da venda de armas em 2005 e a famosa Carta aos Brasileiros assinada por Lula nas eleições de 2002, quando o então candidato aderiu ao que antes chamava de neoliberalismo, para agradar ao eleitorado.

É por instinto, não por consciência

Faz algum sentido, mas essa propensão não deve ser superestimada, pois se fosse assim, a esquerda não estaria no poder, sem a direita conseguir ter pelo menos uma candidatura genuinamente de direita. O brasileiro tem sim certo perfil mais sintonizado com alguns pontos do que poderia ser chamado de direita conservadora, mas não por escolha consciente, mas antes por um compreensível instinto de sobrevivência. Como nossa história é marcada sobretudo pelas rupturas, com sucessivos governos autoritários agindo entre breves intervalos democráticos, o desejo de ter alguma estabilidade se consolidou na população. Mudanças, só por reformas, não mais por golpes ou revoluções.

No livro Esquerda e direita no eleitorado brasileiro: a identificação ideológica nas disputas presidenciais de 1989 e 1994, de 2002, o jornalista e cientista político André Singer, ex-porta-voz de Lula e sujeito que considero inteligente, afirma, em linhas gerais, que a massa  não domina conceitualmente as distinções entre os conceitos de direita e esquerda, mas que, entretanto, é capaz de subentendê-los por expressões colocadas nos discursos políticos. “Mudar tudo isso que está aí”, por exemplo, é identificado com a esquerda e com a ideia de alteração abrupta da ordem social, algo que a assusta. Já “melhorar o que precisa ser melhorado”, por sua vez, identificado como postura de centro-direita, agrada mais por sugerir um processo sem sobressaltos. Daí, segundo Singer, o sucesso dos adversários do PT naqueles anos.

Sem distinção de classe

O problema da tese de Singer é atribuir essa limitação aos estratos mais pobres da população. Na verdade, os setores com formação universitária, no Brasil, também não possui mais do que uma ideia vaga e rudimentar sobre o que venha a ser direita. Aprendem nas escolas e no ensino superior apenas o que a esquerda diz o que a direita é. Na verdade, a maioria dos esquerdistas que conheço é incapaz de dizer porque Marx não conseguiu concluir a tempo o terceiro volume de O Capital antes de morrer (v. As Etapas do Pensamento Sociológico, de Raymond Aron). Que dirá ter estudado – entenda-se aí ler as obras originais – de conservadores e direitistas.

Pior ainda quando falamos de professores e jornalistas. Esses aí, doutrinados desde o momento em que pisam no colégio pela primeira vez e acompanhados de perto em seus cursos, com raríssimas exceções (até conheço dois jornalistas cujos nomes não cito para evitar isolá-los socialmente por serem simpatizantes da – oh, Deus! – direita!), nunca leram na fonte Toynbee, Hayek, Gasset, Bastiat, Mises ou Tocqueville.  Gustavo Corção, José Guilherme Merquior e Paulo Mercadante então… Que o resto não saiba quem sejam, vá lá, mas quando essa deficiência é verificada em formadores de opinião, aí a coisa complica. Leia mais

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Cid Gomes e o socialismo caviar do PSB cearense

Por Wanfil em Ceará, Ideologia

14 de agosto de 2013

Durante alguns anos guardei alguma desconfiança sobre a adesão de Cid e Ciro Gomes à social democracia e depois ao socialismo. Seria convicção ou conveniência? Mas nada como a prova do tempo para esclarecer certas dúvidas. Hoje tenho certeza absoluta que se trata dos mais genuíno socialismo, não apenas como ideal utópico, mas como prática experimentada na vida cotidiana.

Não há líder socialista no mundo que, uma vez no poder, ao mesmo tempo em que critica a burguesia e os capitalistas e jura fidelidade aos pobres, adere sem crise de consciência aos hábitos de consumo e ao estilo de vida dessas mesmas elites.

Mansões, joias, carros de luxo, viagens em jatos, hotéis caríssimos, roupas de marca, entre outros mimos, estão na lista dos desejos que invariavelmente, excetuando-se talvez o atual presidente do Uruguai, faz a alegria desses combatentes da exclusão e da desigualdade social.

Assim, não há surpresa em saber que o Governo do Estado do Ceará firmou contrato de um ano com um buffet, ao custo de quase três milhões e meio de reais, para despesas com comidas para festas e solenidades, o que equivale a aproximadamente R$ 10 mil reais por dia.

Muito provavelmente o governador não acompanha essas miudezas, mas é evidente que quem autoriza esses contratos respeita uma concepção de poder. O gabinete do governador pode até dispor dos devidos meios para promover eventos requintados, tudo dentro da lei, no entanto, são gastos que chocam pelos contrastes que suscitam: o Estado que banca jantares refinados, festas suntuosas, viagens turísticas e shows milionários é o mesmo onde a penúria e a necessidade extrema castigam as vítimas da seca.

Ser perdulário com o dinheiro alheio não é pensar grande, como imaginam os nossos governantes, é sinal de miudeza, de deslumbre que encobre um mal disfarçado complexo de inferioridade. Esse estado psicológico, bem como a prática de ceder aos encantos do consumo de bens e serviços de alto padrão e valor às custas de terceiros foi maravilhosamente demonstrado por George Orwell em A Revolução dos Bichos, quando os porcos lideram uma revolta contra os humanos, para depois tomar-lhes o lugar na sede da fazenda, deixando os companheiros do passado na pobreza de sempre.

No campo dos simbolismos ideológicos, portanto, o governo socialista que hoje comanda o Ceará, ao esbanjar verbas oficiais com caviar e camarão, iguarias típicas das aspiração mais aristocráticas, confirma a sua natureza, com a peculiaridade de que, no ideário igualitarista do PSB cearense, o progressismo começa pela cozinha.

O apóstolo São Paulo ensinou: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. A lição deveria servir também para gestores do dinheiro público.

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Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?

Por Wanfil em Fortaleza, Ideologia

13 de agosto de 2013

A polêmica sobre a construção de viadutos nas imediações do Parque do Cocó possui duas vertentes de simbolismos politicamente trabalhados.

De um lado, os indefesos contra os truculentos, os fracos contra os fortes, os inocentes contra os opressores, a agenda do futuro contra a agenda do passado, a democracia participativa contra a ditadura das instituições governamentais. Do outro, os ocupados que constroem contra os desocupados sustentados por sabe-se lá quem, os práticos contra os tolos, a modernidade contra o atraso, o interesse coletivo contra o interesse de grupo, os formalistas construtivos contra os falsos revolucionários.

É mais ou menos assim que vêem uns aos outros os simpatizantes e os antipatizantes da obra, sempre na confortável condição de se verem, cada qual, no papel dos bons contra os maus.

Suspeito que a maioria dos fortalezenses não esteja nem aí para o caso. Que importa tanta celeuma para quem mora no Conjunto Ceará ou na Barra do Ceará? O debate é localizado, gera muito calor e pouca luz. Apesar disso, parece haver, pelo menos nos círculos sociais interessados no assunto, uma espécie de catarse típica das “causas” politicamente corretas exibidas em novelas. E aí as opiniões se misturam em meio a análises superficiais ou interessadas em distorcer a questão, com o agravante de que os envolvidos acreditam ser os legítimos representantes dos mais sublimes interesses da sociedade, ou de uma causa, ou de um sonho, de uma ideologia, ou ainda uma profecia.

Trata-se de uma mistura do arquétipo religioso do sacrifício que leva à salvação (perdão, Carl Jung), com a chamada cultura pop, onde a construção ou não de um viaduto ganha ares épicos de um Star Wars.

E tal como as novelas, todo o imbróglio do Cocó é irritantemente previsível. O uso da força na ação de retirada dos manifestantes acampados no local foi necessário ou abusivo? No fundo, a pergunta existe apenas para manter o caso em evidência. As partes contam com esse enredo, uns para posarem de vítima, outros pensando em resolver seus problemas de trânsito. Sem entrar no mérito da questão (numa contenda, cada parte se acha sempre com a razão), nessa novela não existe mocinho ou bandido, só figurantes usados para dramatizar o velho enredo das disputas políticas.

No final, os viadutos serão construídos e cada parte saberá tirar o devido proveito em forma de votos. É sempre assim.

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.

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Pesquisa mostra que pobres respeitam mais as leis e desmascara certa ideologia

Por Wanfil em Ideologia, Pesquisa

24 de Abril de 2013

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que pessoas com menor renda e escolaridade tendem a respeitar mais as leis. O estudo criou um índice de classificação para avaliar o comportamento de pessoas com renda de inferior a dois salário mínimos até pessoas com renda superior a 12 salários mínimos.

No geral, as variações não foram grandes, mas os entrevistados com menor renda apresentaram maior nível de cumprimento da lei, pelo menos mo que diz respeito a delitos de menor gravidade, como estacionar em local proibido, furto em lojas ou comprar produtos piratas. Os dados se mostraram semelhantes em todas as regiões do país.

Causa e efeito

A pesquisa não investiga possíveis causas para os comportamentos verificados, mas serve para demonstrar que a relação de causa e efeito entre pobreza e a propensão do indivíduo ao ilícito não é direta.

Esses resultados são incompatíveis com a teoria, muito popular e aceita no Brasil, de que a criminalidade resulta da exclusão social ou da ganância potencializadas pelo modelo capitalista de produção. A tese é de fácil assimilação, pois acaba por transferir as responsabilidades dos indivíduos para a entidade impessoal do sistema. Dessa forma, moralmente falando, todos são vítimas e ninguém é culpado.

É claro que a pesquisa da FGV não encerra o tema. Crimes de maior violência podem ter ligação com questões sociais? Podem, certamente cruzadas com uma série de outros fatores, como o psicológico, por exemplo. De todo modo, isso é diferente de garantir que questões sociais DETERMINAM comportamentos criminosos.

Prisão ideológica

O problema é que quase todas as questões importantes no Brasil esbarram, de uma forma ou de outra, na surrada tese da luta de classes. Até mesmo a redução da maioridade penal acaba refém da discussão sobre as origens sociais que levam sujeitos de 16 e 17 anos, perfeitamente saudáveis e lúcidos, a cometer toda sorte de crimes e perversidades.

Não é que as questões sociais devam ser desprezadas, mas é notório que o hábito de buscar sempre amoldar os fatos para enquadrá-los em esquemas pré-determinados, como é o caso da hegemonia do modelo analítico marxista no Brasil, acaba por limitar a percepção da realidade . Tudo acaba classificado como reacionário ou progressista, sem que nada mude.

É por causa dessas deturpações que prendem a lógica dentro de redomas ideológicas, que a maioria dos nossos intelectuais garante que repressão, leis mais duras e policiamento não inibem o crime, sem atinar que menos repressão, leis mais brandas e menos policiamento são tudo o que desejam os bandidos.

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Quem sente falta do PSDB?

Por Wanfil em Artigo, convidado

05 de dezembro de 2012

Artigo do jornalista Bruno Pontes, que não é filiado a partido político, nem simpatizante do PSDB ou do PT.

Tucanos reclamam da agenda roubada pelo petismo. Agora, são os tucanos que imitam o discurso petista. Quem ganha e quem perde?

Em julho de 2010, durante a campanha presidencial, o petista Marco Aurélio Garcia chamou José Serra de “troglodita de direita”, porque o candidato tucano andava proferindo levíssimas críticas à política externa do governo Lula, a qual consistiu em dar um braço protetor a Mahmoud Ahmadinejad, às Farc e outras entidades beneficentes.

Disse Marco Aurélio Garcia: “Fico constrangido de ver uma pessoa que teve um passado de esquerda como o José Serra correr tanto em direção à direita. Daquela direita mais raivosa, mais atrasada. Me parece um final melancólico da sua carreira política, porque eu acho que a sua carreira política terminará no dia 3 de outubro”.

Acusado de apostasia ideológica, Serra devolveu a ofensa repugnante: “Troglodita de direita é quem apóia o Ahmadinejad, um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores”. O mundo foi pego de surpresa com essa declaração. Segundo os critérios de Serra, são direitistas os seguintes elementos: Hugo Chávez, Evo Morales, Vladimir Putin, Kim Jong-il, Robert Mugabe e Lula.

Preocupado em deixar fora de qualquer dúvida que é uma pessoa decente, o tucano reiterou ser esquerdista (como podem duvidar?) e explicou: “Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos, e falar de políticas efetivamente populares, com políticas que façam bem para as pessoas a médio e longo prazo”.

“FOI PRESIDENTE DA UNE”

Dali em diante Serra continuaria a exalar bom-mocismo esquerdista até perder a eleição. Alguns dias depois, discursando no XI Fórum de Biarritz, na França, Serra informou ao público que o governo Lula vinha negligenciando os investimentos públicos e praticando “populismo cambial”. Portanto, adivinhem a conclusão do tucano! “É um governo populista de direita em matéria econômica”.

Somos ensinados, nos jornais, nas salas de aula, nos filmes dos artistas conscientes, nas conversas inteligentes, que o bem e o bonito são de esquerda e tudo que é ruim e desagradável vem da direita. É a ciência política dos intelectuais orgânicos, e, como demonstram palavras e gestos, é o que prega o esquema mental de Serra, o tucano que adora apanhar de petista (nunca se viu vocação tão incoercível).

Naquela campanha, a exemplo de Dilma Rousseff ou até mais do que ela, Serra gabou-se perante os eleitores de ter prestado serviços à causa esquerdista. Era uma grande preocupação sua. Da primeira à última propaganda eleitoral, lá estava o destaque curricular: “foi presidente da UNE, foi perseguido pela ditadura, teve que se exilar, blábláblá”. Durante os seis meses de sua campanha, Serra não fez menção ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, referendado por Dilma, aquele que, entre outras questões de honra da revolução cultural, defende a liberação total do aborto e a instituição do gayzismo nas escolas. Ele não queria ser confundido com um conservador.

Podem me chamar de tudo, menos disso! Eu fui presidente da UNE! A ditadura me perseguiu!

FHC, OUTRO PROGRESSISTA

Agora, em entrevista à Folha de S. Paulo, o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso informa pela enésima vez que é um senhor progressista, que entre PT e PSDB não existem grandes diferenças programáticas e que, apesar de tudo, os brasileiros devem ser gratos a pessoas como José Dirceu e José Genoíno. Leia mais

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Como se tornar um jornalista queridíssimo e bacana

Por Wanfil em Crônica, Imprensa

02 de dezembro de 2012

Um amigo me mostrou uma lista de discussão na qual estudantes de jornalismo da UFC fazem comentários sobre minha pessoa por ocasião do texto que fiz a respeito da escandalosa filtragem ideológica no enunciado do Enade, o exame do governo federal para avaliar universitários. Alguns mais afoitos classificaram a mim como “lixo”, “preguiçoso” e “arremedo do Diogo Mainardi ,que por sua vez era arremedo do Paulo Francis”. E o que eles acham do uso político do Enade para fins de propaganda? Não sei. Eu diria que essa predisposição para a desqualificação pessoal é sinal de alinhamento ideológico, o que reforçaria a tese do meu texto. Não cito os nomes dos jovens para poupá-los do vexame de se expor nessa situação e porque eles são justamente o efeito do proselitismo no ensino brasileiro. Fazem parte de uma legião condicionada a repudiar qualquer ideia que fuja ao corte de pensamento que lhes foi apresentado como expressão única da virtude e do belo.

O certo é que procurar ideias fora do mainstream, ou pior, tentar ter pensamentos singulares – ainda que baseados em leitura de qualidade – é um risco. Melhor mesmo é aderir ao coro dos contentes, com ensina ao filho o personagem do conto Teoria do Medalhão, de Machado de Assis (leiam-no, caros). Assim, para os que não gostam de viver a emoção de nadar contra a maré, elaborei uma breve receita de jornalista bacana, de forma que aqueles que a sigam não possam ser chamados nunca de arremedos de Paulo Francis.

1) A primeira coisa que um aspirante a jornalista precisa saber é que a norma culta da gramática não passa de um instrumento de discriminação criado para humilhar os analfabetos acidentais e os ignorantes por opção, além coibir a criatividade pulsante da escola das ruas. Portanto, nunca, nunca mesmo, aponte o erro de um colega, mesmo no caso de debate e ainda que isso possa evitar possíveis erros de interpretação. Mostrar que entende da matéria-prima do ofício é arrogância de elitista;

2) Um jornalista de verdade sabe, porque todo mundo sabe, que desde sempre não pode haver decência em alguém que não seja um esquerdista/progressista. Um esquerdista pode até errar, mas se o faz é por descuido, um momento de fraqueza; enquanto um conservador/reacionário sempre age mal de forma deliberada. Dessa forma, caso o futuro jornalista cultive o obsoleto hábito de ler livros, deve afastar-se de autores liberais, ou mesmo dos clássicos, bastando-lhe alguns parágrafos de Marilena Chauí, Emir Sader, Eduardo Galeano, Noam Chomsky ou a turma da Escola de Frankfurt. Cite um desses que é batata: todos o terão como grande intelectual;

3) Sempre elogie qualquer texto, desde que este não atente contra o politicamente correto ou contra a imagem sacrossanta das ONGs, dos partidos de esquerda, das Farc, de terroristas (vítimas do imperialismo americano), do Lula ou de ambientalistas. Esses serão sempre aliados do povo e de tudo o que é bom, ainda que espetem a conta de suas convicções em algum ministério;

4) Toda vez que for instigado a citar uma publicação ou emissora como modelo, cite as pequenas, aquelas que não despertam interesse maior. Fica chique. Jamais confesse acompanhar o conteúdo de quem tem público, de quem é capaz de sobreviver por conta própria, sem necessitar de anúncios estatais. Diga que Carta Capital é a melhor e que Paulo Henrique Amorim e Mino Carta é que são independentes;

5) Seja a favor de cotas que beneficiem qualquer minoria e de artistas populares que tenham origem na “comunidade”. Critique a Igreja e os EUA sempre que puder. Elogie Cuba e Venezuela. Importante: o capitão Nascimento pode parecer legal, mas é reacionário e não entende que traficante é oprimido que se revolta contra o sistema;

6) Repita sempre que possível que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo foi um golpe contra a sociedade, mas nunca cite nada sobre reserva de mercado (ninguém pensa nisso, não é mesmo?).

Pronto. Creio que assim, um jornalista sempre será recebido de braços abertos nas festas e reuniões da categoria e elogiado em listas de discussão de aspirantes à profissão.

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Como se tornar um jornalista queridíssimo e bacana

Por Wanfil em Crônica, Imprensa

02 de dezembro de 2012

Um amigo me mostrou uma lista de discussão na qual estudantes de jornalismo da UFC fazem comentários sobre minha pessoa por ocasião do texto que fiz a respeito da escandalosa filtragem ideológica no enunciado do Enade, o exame do governo federal para avaliar universitários. Alguns mais afoitos classificaram a mim como “lixo”, “preguiçoso” e “arremedo do Diogo Mainardi ,que por sua vez era arremedo do Paulo Francis”. E o que eles acham do uso político do Enade para fins de propaganda? Não sei. Eu diria que essa predisposição para a desqualificação pessoal é sinal de alinhamento ideológico, o que reforçaria a tese do meu texto. Não cito os nomes dos jovens para poupá-los do vexame de se expor nessa situação e porque eles são justamente o efeito do proselitismo no ensino brasileiro. Fazem parte de uma legião condicionada a repudiar qualquer ideia que fuja ao corte de pensamento que lhes foi apresentado como expressão única da virtude e do belo.

O certo é que procurar ideias fora do mainstream, ou pior, tentar ter pensamentos singulares – ainda que baseados em leitura de qualidade – é um risco. Melhor mesmo é aderir ao coro dos contentes, com ensina ao filho o personagem do conto Teoria do Medalhão, de Machado de Assis (leiam-no, caros). Assim, para os que não gostam de viver a emoção de nadar contra a maré, elaborei uma breve receita de jornalista bacana, de forma que aqueles que a sigam não possam ser chamados nunca de arremedos de Paulo Francis.

1) A primeira coisa que um aspirante a jornalista precisa saber é que a norma culta da gramática não passa de um instrumento de discriminação criado para humilhar os analfabetos acidentais e os ignorantes por opção, além coibir a criatividade pulsante da escola das ruas. Portanto, nunca, nunca mesmo, aponte o erro de um colega, mesmo no caso de debate e ainda que isso possa evitar possíveis erros de interpretação. Mostrar que entende da matéria-prima do ofício é arrogância de elitista;

2) Um jornalista de verdade sabe, porque todo mundo sabe, que desde sempre não pode haver decência em alguém que não seja um esquerdista/progressista. Um esquerdista pode até errar, mas se o faz é por descuido, um momento de fraqueza; enquanto um conservador/reacionário sempre age mal de forma deliberada. Dessa forma, caso o futuro jornalista cultive o obsoleto hábito de ler livros, deve afastar-se de autores liberais, ou mesmo dos clássicos, bastando-lhe alguns parágrafos de Marilena Chauí, Emir Sader, Eduardo Galeano, Noam Chomsky ou a turma da Escola de Frankfurt. Cite um desses que é batata: todos o terão como grande intelectual;

3) Sempre elogie qualquer texto, desde que este não atente contra o politicamente correto ou contra a imagem sacrossanta das ONGs, dos partidos de esquerda, das Farc, de terroristas (vítimas do imperialismo americano), do Lula ou de ambientalistas. Esses serão sempre aliados do povo e de tudo o que é bom, ainda que espetem a conta de suas convicções em algum ministério;

4) Toda vez que for instigado a citar uma publicação ou emissora como modelo, cite as pequenas, aquelas que não despertam interesse maior. Fica chique. Jamais confesse acompanhar o conteúdo de quem tem público, de quem é capaz de sobreviver por conta própria, sem necessitar de anúncios estatais. Diga que Carta Capital é a melhor e que Paulo Henrique Amorim e Mino Carta é que são independentes;

5) Seja a favor de cotas que beneficiem qualquer minoria e de artistas populares que tenham origem na “comunidade”. Critique a Igreja e os EUA sempre que puder. Elogie Cuba e Venezuela. Importante: o capitão Nascimento pode parecer legal, mas é reacionário e não entende que traficante é oprimido que se revolta contra o sistema;

6) Repita sempre que possível que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo foi um golpe contra a sociedade, mas nunca cite nada sobre reserva de mercado (ninguém pensa nisso, não é mesmo?).

Pronto. Creio que assim, um jornalista sempre será recebido de braços abertos nas festas e reuniões da categoria e elogiado em listas de discussão de aspirantes à profissão.