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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ideia

Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.

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Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.