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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.

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PSB no Ceará: Como confiar em quem muda demais?

Por Wanfil em Partidos

25 de setembro de 2013

A reunião da executiva do PSB do Ceará para decidir se o grupo ligado ao governador Cid Gomes sai ou fica na legenda, realizada às pressas na noite de terça, acabou sem definição. Cid, que é o presidente estadual da sigla, afirma que fica no partido se a executiva nacional permitir que seus filiados aqui no estado possam fazer campanha para a reeleição de Dilma Rousseff, do PT. Como é? Declarar apoio a candidatura de outro partido contra o seu próprio, já que o PSB deve ir de Eduardo Campos em 2014, é mais do que pedir para sair. Tem caroço debaixo desse angu.

Mais tempo

A expectativa geral no meio político e na imprensa era a de que Cid anunciasse a saída do partido, uma vez que pairava no ar uma suposta ameaça de intervenção nacional no diretório estadual.

Na verdade, pelas conversas que tive com alguns parlamentares do PSB, é possível dizer Cid tem dois objetivos imediatos. Um é ganhar tempo para articular mais até a quinta-feira, pois as negociações (e as especulações) estão intensas. Há uma dúvida sobre o posicionamento dos demais governadores do PSB, que sofrem pressão do governo federal para não endossar a candidatura própria do partido.

Cid poderia levar um ou outro com ele e assim enfraquecer o palanque de Campos. Outro é enviar um recado para a própria Dilma, valorizando o próprio “sacrifício”, o que aumentaria a necessidade de uma compensação à altura.

O que é um partido?

Como é bastante improvável que Cid permaneça no PSB e acabe orientando seus aliados a migrarem para o tal de PROS, o mais novo partido de aluguel da praça, a reunião pode ser resumida como “a volta dos que não foram”. Iam sair, disseram que ficam, mas deverão partir. A próxima reunião será “a saída dos que não chegaram”. Sim. O grupo político de Cid e Ciro é contumaz praticante da arte de mudar de partido: PDS (hoje DEM), PMDB, PPS (ex-PCB) e PSB.

Em tese, partidos deveriam representar um conjunto de valores e princípios que, reunidos, deveriam embasar uma série de propostas de intervenção na realidade social e econômica de uma sociedade. Assim, mudar de sigla significaria adotar uma nova postura diante do mundo após um profundo exame de consciência. Acontece e pode ser mesmo sinal de evolução de um indivíduo.

Acontece que, na prática, essas agremiações são usadas e descartadas ao sabor das circunstâncias por políticos movidos apenas por um princípio: a sede de poder.

Quem confia em quem muda demais?

É claro que podem existir problemas internos, disputas, essas coisas. Mas a mudança constante revela mesmo a prevalência de projetos particulares sobre os ideais partidários.

Com o tempo, esse excesso retroalimenta a fragilidade do grupo dentro de partidos, pois acaba construindo uma imagem de inconsistência e falta de confiabilidade que desperta a desconfiança de seus correligionários.