homicídios Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

homicídios

Ceará bate recorde de homicídios e nenhuma ação é anunciada até agora. Nada! É incrível

Por Wanfil em Segurança

16 de Janeiro de 2018

Na última sexta-feira a Secretaria de Segurança divulgou que foram registrados 5.134 homicídios no Ceará em 2017. O número é um triste e alarmante recorde. Até agora, a reação do governo se limitou a mais do mesmo: culpar as fações (cuja presença por aqui era negada pelas autoridades até pouco tempo atrás) e o Governo Federal (que somente a partir do impeachment passou a ser responsabilizado pelo problema, embora o descontrole na área já perdure há 11 anos).

O governador Camilo Santana, que sempre afirma estar “agarrado ao problema”, estava de férias em Nova York. De todo modo, o lamentável recorde já havia sido batido antes mesmo da consolidação dos números de dezembro. E ainda assim não houve mobilização para deliberações emergenciais ou para a montagem de um gabinete de crise diante desse quadro de guerra. Tudo continua absolutamente como está. Permanecem as os mesmos gestores e as mesmas diretrizes para a segurança pública no Estado. Até as “soluções” são as mesmas de sempre: anúncios de investimentos, concursos e nomeações, que embora importantes, não bastam, como comprovam os dados oficiais.

Essa postura aparentemente conformada, a insistência numa estratégia equivocada, abre espaço para três perguntas:

1) O Governo do Ceará é incapaz de pelo menos conter, por conta própria, o avanço do morticínio e do crime organizado?

2) Se é capaz, o que será feito de diferente agora?

3) Se não é, por que não admite?

E para efeito de avaliação sobre medidas tomadas em 2017, seguem mais três perguntinhas:

1) A divulgação do WhatsApp do secretário para a população contribuiu efetivamente para o quê?

2) Quais os resultados obtidos após o lançamento, pelo governo, de um aplicativo para que vítimas de crimes acionem a polícia?

3) A nova lei de segurança bancária, que obriga a instalação de vidros blindados e proíbe o uso de óculos escuros dentro das agências, impediu que quadrilhas continuassem a explodir bancos e a atacar delegacias?

Se o recorde de violência não ofende o governo, não serão essas poucas perguntas a fazê-lo.

Publicidade

Mistério: o governo só acerta e a segurança só piora

Por Wanfil em Segurança

18 de setembro de 2017

A segurança entre o discurso e a realidade: tapando o sol com a peneira

A ampliação dos Batalhões Raio e a criação das Unidades Integradas de Segurança (Uniseg) no Ceará são apresentadas como medidas eficazes para a melhoria da segurança pública no Ceará. É natural, uma vez que todo e qualquer governo tende a enaltecer as próprias iniciativas. No entanto, soa artificial quando discurso e realidade andam em descompasso. Pior ainda se colidem frontalmente.

Vamos aos fatos. A escalada de violência continua no Ceará. Os homicídios em agosto deste ano cresceram 58% em relação ao mesmo período do ano passado. Os roubos aumentaram 27%. E entre janeiro e agosto 3.235 pessoas foram assassinadas no Ceará. Três mil, duzentas e trinta e cinco! Números de guerra, divulgados na última sexta-feira.

Acuados pelos números, governantes e governistas apontam sistematicamente causas de fora para explicar o problema, como a lentidão do Judiciário, a frouxidão das leis, supostas milícias, hipotéticas sabotagens da oposição, o crime organizado e, mais recentemente, a falta de repasses federais. Só quem nunca erra é o governo estadual. Nunca! E ainda assim, vejam só, ignorando a competência da gestão e desde antes da crise econômica, quando os repasses aconteciam a contento, os índices só pioraram. 

“O problema é nacional”, desculpam-se sem atentar que isso depõe contra eles mesmos, governistas, já que nesse quadro geral de violência a maioria dos outros estados, mesmo no Nordeste, está em situação menos pior do que a do Ceará. E assim continuam entoando a cantiga esquizofrênica, na esperança de mais quatro anos no poder: quando mais o governo acerta, mais a segurança piora.

 

Publicidade

A diferença da segurança pública cearense no Facebook e no mundo real

Por Wanfil em Segurança

23 de agosto de 2017

No Facebook

Todas as terças o governador Camilo Santana interage com internautas via Facebook. A ideia é bacana e naturalmente as ações de governo são apresentadas ao público. No que diz respeito a segurança pública, Camilo cita investimentos e faz declarações sobre o combate contra a criminalidade.

Disse em abril passado que deseja”botar o bandido na cadeia ou botar o bandido pra correr do estado do Ceará“. Ontem anunciou novidades: “Já foram entregues nove batalhões fixos, regionalizados, com equipes de até 35 homens. A ação do Raio tem sido tão eficiente, positiva, que tomamos a decisão de implantar o sistema em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes”.

Essa é a segurança pública do Ceará no Facebook: um prodígio de ações e determinação.

No mundo real

Os homicídios aumentaram 6,8% no Brasil, na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e deste ano. Pernambuco – com aumento de 38%; Ceará – com alta de 32%; e Rio Grande do Norte – com 26%, puxaram os índices para cima. A informação foi divulgada pelo Estadão, a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. 

Para quem diz que o problema é nacional, insinuando que se repete em todo o país com a mesma intensidade, vale destacar que em Tocantins os assassinatos caíram 42%. E no próprio Nordeste há bons resultados, como em Sergipe, que reduziu os assassinatos em 12% e na Paraíba, com recuo de 10%.

Confira a tabela do Estadão:

Os investimentos existem, assim como acontecia no governo Cid Gomes, com resultados desastrosos. O Raio sozinho não pode compensar as deficiências de planejamento e gestão da Segurança e da Justiça. Como podemos ver, não são os bandidos que estão correndo, mas os homicídios.

A distância entre o virtual e o real pode ser explicada pela necessidade de se construir um discurso político e também eleitoral para a segurança.

Publicidade

Cartão de visitas do crime

Por Wanfil em Segurança

08 de Fevereiro de 2017

Os homicídios voltaram a crescer no Ceará. No mês passado o novo secretário de Segurança, André Costa, ganhou notoriedade ao participar de ações policiais de “Operação Cartão de Visitas’. Em seguida, causou alguma polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que criminosos poderiam decidir entre a rendição ou o enfrentamento com a polícia, situações colocadas na ocasião como escolha entre Justiça ou cemitério.

Ao comentar aqui no blog sobre as declarações do secretário, que considero até mesmo um tanto tautológica, pois é mais do que justo que policiais reajam a ataques de criminosos, adverti para a “grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema”.

Pois bem, o Governo do Ceará, como tem feito mensalmente, sempre com a presença do governador Camilo Santana, divulgou nesta segunda o número de homicídios no Estado. Em janeiro de 2017 o aumento foi de 46,5%, em relação com dezembro de 2016, quebrando a sequência de reduções do ano passado. Em Fortaleza, o aumento foi de 26,8%, em comparação com janeiro de 2016.

O estrago na última década foi grande demais para ser resolvido de uma hora para outra.

Publicidade

Crimes recuam, mas o medo não diminui: por isso segurança ainda é tema eleitoral relevante no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de outubro de 2016

Passa eleição, volta eleição, o medo da violência é um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

Passa eleição, volta eleição, o medo como um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

O Governo do Ceará divulgou, na última terça-feira (11), redução de 33% de homicídios do mês de setembro no Estado, em comparação com o mesmo período de 2015. Em Fortaleza, o recuo de impressionantes 57%. Diante desses números, intriga como a segurança continua no centro do debate eleitoral na disputa pela prefeitura da Capital.

É que o tema já predomina desde as eleições para o governo estadual em 2006, quando Cid Gomes foi eleito. Em 2014, com Camilo Santana, não foi diferente. A grande novidade foi a inversão nas taxas de homicídios verificada na atual administração, após a explosão de violência registrada na gestão de Cid Gomes. Mesmo assim o medo persiste, como indicam pesquisas de opinião.

Se por um lado merece reconhecimento ações de Camilo na área, como a retomada do diálogo com os policiais , as promoções, os investimentos (apesar da crise) e a transparência na divulgação dos números,  por outro há algo nos dados oficiais que escapa ao sentimento das pessoas.

A resposta pode estar, talvez, nas ações midiáticas do chamado crime organizado. No mesmo dia em que a redução nos índices foram anunciados, homens armados invadiram uma delegacia em Fortaleza, resgataram sete presos, roubaram um policial e quatro pessoas que faziam boletins de ocorrência e ainda levaram uma viatura e armas. Dois dias antes, um grupo já havia resgatado sete presos da carceragem do prédio da Superintendência de Polícia. Da Superintendência!

São ações que pela ousadia e desrespeito ao poder constituído, geram medo e ofuscam os dados oficiais. Sem contar as rebeliões de março em penitenciárias que ensejaram a presença da Guarda Nacional no Ceará para controlar a situação. Hoje o governo comunicou que irá transferir presos das delegacias para esses presídios, para tentar conter as fugas.

Por fim, ainda existe a suspeita, muito comentada nas ruas, de que a redução nos homicídios é fruto, em parte, de acordos entre quadrilhas para organizar melhor o tráfico, negada com veemência pelas autoridades locais. O fato é que a insegurança, apesar dos números (e o próprio governo é o primeiro a reconhecer – isso também é novidade em relação à gestão anterior – que muito ainda precisa ser feito), continua a fazer do tema o grande vetor eleitoral no Ceará.

Publicidade

Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

Publicidade

Fortaleza é capital mais violenta do Brasil: a culpa não é só de Cid

Por Wanfil em Segurança

02 de outubro de 2015

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência
A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes
A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental
Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.

Publicidade

Homicídios no Carnaval do Ceará: desastre anunciado

Por Wanfil em Segurança

05 de Março de 2014

Qualquer festa popular no mundo que acabe com dezenas de pessoas assassinadas é imediatamente classificada, com toda razão, de tragédia, consternando sua população e autoridades. A não ser que isso ocorra em ambientes de degradação da ordem e degeneração quase completa da autoridade constituída, onde o impacto do desastre se dilui no torpor anestesiado de uma sociedade já sem forças para reagir.

No Ceará, a discussão do momento é saber se o número de homicídios no Estado durante o Carnaval foi maior do que o registrado no ano anterior, ou se constitui ou não, uma curva ascendente que destoa dos outros finais de semana. Fala-se em 70 homicídios no período, o governo, reservadamente, nega. O balanço final deve ser divulgado pela Secretaria de Segurança nesta quinta.

Qualquer que sejam esses números, a simples expectativa de que tudo piorou, sentimento que nasce da percepção sensível e da famosa sensação de insegurança, já basta para mostrar que a coisa desandou de vez. Some-se a isso o avanço absurdo dos números da violência no Ceará, para que o quadro pós-carnaval se configure em morticínio anunciado, de certa forma, pela própria dinâmica do crime.

Publico abaixo uma foto que tirei na terça-feira de Carnaval, em Fortaleza, de um outdoor na Avenida Desembargador Gonzaga, no bairro Cidade dos Funcionários, que considero significativa dos dias atuais:

 

Outdoor Sindipol CE - Foto - Wanfil

Outdoor do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará. Foto: Wanderley Filho

 

Trata-se de uma campanha movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará, com um retumbante alerta aos cidadãos: CUIDADO! Para dar credibilidade ao recado, a peça se vale do descrédito do governo estadual na área e manda ver: SEIS PESSOAS SÃO ASSALTADAS A CADA HORA NO CEARÁ.

O que esperar de um Estado onde policiais civis e militares vivem a denunciar a violência?

A resposta nos remete ao início do texto: vivemos o ápice de um processo de degeneração. Agora, resta-nos esperar a mórbida contagem oficial dos cadáveres do Carnaval. Restou-nos a contagem fria dos mortos. E resta-nos ainda rezar para que novos gestores apareçam o quanto antes.

Publicidade

Secretaria afirma que homicídios reduziram em 2013 no Ceará; eu provo que aumentaram

Por Wanfil em Ceará, Segurança

06 de agosto de 2013

A Secretaria da Segurança divulgou nesta segunda-feira (5), números que mostram redução de quase 10% na quantidade de homicídios dolosos registrados no segundo trimestre de 2013, em comparação com o primeiro trimestre do mesmo ano. “Entre janeiro e março foram registrados 1.074 crimes de morte no Estado contra 962 nos três meses seguintes”, informa a SSPDS.

Numa área carente de boas novas, a notícia sugere, se não uma solução, pelo menos um alívio. A primeira impressão que decorre dessa divulgação é a de que 2013 apresenta, finalmente, um recuo que pode indicar, quem sabe, o início de uma tendência declinante. Mas se o números não mentem, as aparências enganam. E assim, se compararmos esses dados com o mesmo período do ano passado, a coisa muda de figura.

De abril a junho de 2012, foram registrados 868 homicídios dolosos, contra 962 deste ano, um crescimento aproximado de 11%.  Então o que parece diminuição da violência, quando visto de forma mais ampla, se torna, na verdade, aumento da criminalidade. Os dados podem ser conferidos no site da própria secretaria.

Selecionar um período em que os números possam apresentar estatísticas aparentemente positivas não chega a ser propriamente uma mentira, mas é uma conveniência que beira a manipulação e que deixa no ar a impressão de o governo busca induzir o público a uma leitura equivocada dos números. A suspeita pode ainda ser reforçada pelo fato do secretário Francisco Bezerra ir à Assembleia Legislativa na quarta-feira (7), falar sobre as ações de segurança no Estado.

E olha que a situação pode ser ainda pior. É que o IPEA divulgou o Mapa dos Homicídios Ocultos no Brasil, mostrando que, em 15 anos, cerca de 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará.

A gravidade do momento que vive o Estado, o medo, as mortes, os assaltos e tudo mais, exige absoluta transparência e franqueza em tudo o que for relacionado a área de segurança, para que se possa ter a real dimensão do problema e o encaminhamento de soluções viáveis. Truques estatísticos podem até gerar uma falsa sensação de melhoria que, não obstante, no dia a dia, ninguém constata nas ruas, aumentando o descrédito das autoridades. É tiro no pé.

Publicidade

Governador, os inimigos não são os policiais, são os bandidos! Ou: Contando os mortos

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

16 de Maio de 2013

Meu comentário desta quinta na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Na noite da última segunda-feira (13) um estudante universitário foi assassinado vítima de uma tentativa de assalto no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza.

Diariamente, assistimos impotentes a escalada da violência no Ceará.  Cada vez mais novas tragédias são registradas, mais vidas são interrompidas, de tal modo que nos resta somente conferir, incrédulos, a contagem de mortos subir assustadoramente, como só se vê nas guerras.

De acordo com dados divulgados ontem (15) pela Secretaria de Segurança, 1.356 pessoas foram assassinadas no Ceará somente nos quatro primeiros meses do ano. Na capital, foram registrados 661 homicídios, o que corresponde a um aumento de 30% na comparação com o ano passado.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia as negociações com as associações de policiais militares estão encerradas, criando um impasse de consequências imprevisíveis, entre as quais, uma nova greve da PM.

Pior ainda é ver as autoridades responsáveis pela área dizerem que o descontentamento da corporação inteira é obra de apenas meia dúzia de líderes que agem para atingir politicamente o governo.

A essa altura, fechar os olhos e os ouvidos para as reivindicações dos policiais e subestimar a insatisfação generalizada que os motiva apenas revela que o comando não sabe o que fazer para resolver o problema, deixando no ar, de quebra, a suspeita de que o que está ruim pode piorar.

O momento deveria ser de apaziguamento, de diálogo, de humildade para reconhecer falhas, de revisão de estratégias e de novas propostas! É preciso lembrar o governo de que o seu verdadeiro inimigo não são os policiais, mas os bandidos! Eles é que precisam “sentir o braço firme da lei”.

Portanto, agir para criar mais impasses e constrangimentos, desmotivando ainda mais as forças de seguranças, e justo quando a criminalidade explode, é de uma irresponsabilidade que somente poderá ser medida na macabra contagem de mortos que não para de subir. Mas aí poderá ser tarde demais para qualquer um de nós ou de nossos amigos e familiares.

Para ouvir o comentário:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/05/POLITICA_WANDERLEY-FILHO_1605-T-0217.mp3″]

Publicidade

Governador, os inimigos não são os policiais, são os bandidos! Ou: Contando os mortos

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

16 de Maio de 2013

Meu comentário desta quinta na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Na noite da última segunda-feira (13) um estudante universitário foi assassinado vítima de uma tentativa de assalto no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza.

Diariamente, assistimos impotentes a escalada da violência no Ceará.  Cada vez mais novas tragédias são registradas, mais vidas são interrompidas, de tal modo que nos resta somente conferir, incrédulos, a contagem de mortos subir assustadoramente, como só se vê nas guerras.

De acordo com dados divulgados ontem (15) pela Secretaria de Segurança, 1.356 pessoas foram assassinadas no Ceará somente nos quatro primeiros meses do ano. Na capital, foram registrados 661 homicídios, o que corresponde a um aumento de 30% na comparação com o ano passado.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia as negociações com as associações de policiais militares estão encerradas, criando um impasse de consequências imprevisíveis, entre as quais, uma nova greve da PM.

Pior ainda é ver as autoridades responsáveis pela área dizerem que o descontentamento da corporação inteira é obra de apenas meia dúzia de líderes que agem para atingir politicamente o governo.

A essa altura, fechar os olhos e os ouvidos para as reivindicações dos policiais e subestimar a insatisfação generalizada que os motiva apenas revela que o comando não sabe o que fazer para resolver o problema, deixando no ar, de quebra, a suspeita de que o que está ruim pode piorar.

O momento deveria ser de apaziguamento, de diálogo, de humildade para reconhecer falhas, de revisão de estratégias e de novas propostas! É preciso lembrar o governo de que o seu verdadeiro inimigo não são os policiais, mas os bandidos! Eles é que precisam “sentir o braço firme da lei”.

Portanto, agir para criar mais impasses e constrangimentos, desmotivando ainda mais as forças de seguranças, e justo quando a criminalidade explode, é de uma irresponsabilidade que somente poderá ser medida na macabra contagem de mortos que não para de subir. Mas aí poderá ser tarde demais para qualquer um de nós ou de nossos amigos e familiares.

Para ouvir o comentário:

[haiku url=”http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/05/POLITICA_WANDERLEY-FILHO_1605-T-0217.mp3″]