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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

governo

Novos governos merecem voto de confiança? Neste blog, não!

Por Wanfil em Política

08 de Janeiro de 2013

Já virou clichê a ideia de que governantes em início de mandato contam com pelo menos um semestre de boa vontade do público, como uma espécie de voto de confiança tácito. Empossados no embalo da vitória nas urnas e com a mensagens das propagandas eleitorais ainda vivas no imaginário popular, as gestões ainda refletem nesse período, as esperanças nele depositadas.

Muitos especialistas garantem que esse é o momento ideal para a administração tomar medidas amargas, como cortes de despesas e enxugamento da máquina, pois a impressão geral é a de que as primeiras ações sejam correções ou preparativos que pavimentem o caminho para o cumprimento das promessas de campanha. A regra não vale em caso de re-eleições ou de eleição de apadrinhados, quando iniciativas de saneamento são proibidas pelo status quo.

De todo jeito, qualquer que seja o caso, partidos e agentes políticos sabem como atuar para capitalizar esse momento de expectativa.

Logo de cara, é preciso dizer que a composição do novo secretariado foi feita com base nos critérios mais sublimes e com total desapego, como forma de disfarçar o fisiologismo, o loteamento de cargos para garantir apoio político e a criação de cabides de emprego para aliados.

Como as últimas eleições foram municipais, o passo seguinte é o anúncio de um programa novo ou de uma ação impactante para alguma área sensível ao público. Isso ajuda a construir uma imagem positiva e dinâmica do gestor.

Em seguida, é preciso dizer que a situação não está fácil. Se o novo governo for aliado do antigo, é so culpar a crise na Europa; se é adversário, pode acusar descalabros, desvios e desperdícios, com a vantagem adicional de não precisar apresentar provas. Essa é a senha para a transformação do marketing eleitoral em marketing governamental, eximindo-se de eventuais contradições. Se tudo está pior, será preciso tempo para arrumar a casa e só depois as promessas feitas ao eleitorado poderão ser executadas. Pronto! O que não for realizado, cairá na conta da gestão anterior. Como os desmontes de prefeituras são uma realidade em algumas cidades, a história ganha verossimilhança em qualquer lugar.

Por isso tudo, por ser um roteiro previsível, filme repetito à exaustão, é que aqui neste blog o bônus dos seis meses de confiança não existe. Pelo contrário. De tanto ver truques retóricos e de propaganda, o que vale neste espaço é o voto de desconfiança, o qual, espero, não seja confirmado. Não se trata de oposição automática, ressentimento ou questão pessoal, posto que vale para toda e qualquer administração que se inicia.

O eleito, nesse caso, os novos prefeitos, são devedores de quem os elegeu. Que façam o que prometeram. Que cumpram seus deveres. Que sejam cobrados desde o primeiro dia de governo, e caso não correspondam, que expliquem – e comprovem – suas limitações.

É como diz o ditado: Gato escaldado tem medo de água fria.

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Pesquisa Ibope mostra aprovação recorde para o governo Dilma e apagão da oposição

Por Wanfil em Pesquisa

29 de junho de 2012

Pesquisas refletem cenários mutáveis. Cada momento permite diversas leituras, cada leitura diversos caminhos. O governo escolheu o seu enquanto a oposição fecha os olhos, esperando pela sorte.

Os números da pesquisa CNI/Ibope divulgados nesta sexta-feira (29) mostram recorde de aprovação para o governo Dilma Rousseff : 59% dos entrevistados consideram a gestão da petista boa ou ótima. A confiança na presidente não alterou em relação à pesquisa anterior e permanece em 72%. Parece um mundo perfeito, mas não é.

Os curiosos que foram além das manchetes de jornal puderam ver que o governo é reprovado em três áreas fundamentais. São informações relevantes que acabam aparecendo como complementos secundários. A saúde é ruim para 66% , a educação é reprovada por 54% e a segurança pública é condenada por 61%.

Já imaginou se algum noticiário destacasse esse ponto do levantamento? “Brasileiros desaprovam atuação do governo na saúde, segurança e educação”. No outro dia apareceriam os defensores do “controle social” da imprensa falando em golpe. Mas como a manchete é positiva, então a isenção está comprovada e ninguém reclama. Veja onde chegamos.

Ocorre que não adianta cobrar que a imprensa seja a única instância de alerta para os problemas que vivemos. Onde está a oposição? Por que não criam fatos para mostrar o descontentamento registrado pela pesquisa? E aí chegamos ao ponto central deste post:  Como explicar a alta popularidade de um governo mal avaliado em áreas de tamanha importância?

Economia e comunicação

Para o Ibope, a população está satisfeita com a política econômica. Certamente isso tem impacto positivo, mas não explica tudo. Haveria, pelo menos, um flanco aberto que poderia causar desgaste à imagem do governo. Falta, entretanto, quem ligue criatura ao criador aos olhos da opinião pública.

Dessa forma, a popularidade de Dilma é resultado da soma de uma boa comunicação do governo com a mudez total da oposição. Leia mais

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Quem assombra mais: CPI ou pizza?

Por Wanfil em Entre poderes

11 de Abril de 2012

Deveria assombrar, mas é camarada

CPI é como o Gasparzinho: deveria assombrar, mas é uma camaradagem só

Tem coisas que produzem muita luz e pouco calor, diz o ditado. Atualmente, as Comissões Parlamentares de Inquérito se encaixam perfeitamente nessa condição. E a razão é simples: não importa a esfera de gestão, falta independência ao legislativo para fiscalizar o executivo no Brasil.

Teoricamente, uma CPI é um instrumento da minoria. Na Assembleia Legislativa do Ceará, por exemplo, bastam as assinaturas de 12 dos 46 deputados para aprovar uma investigação. Entretanto, na prática, seja em Brasília ou no Estado, uma CPI só prospera se o governo deixar. Não adianta pressão da opinião pública, da imprensa ou de opositores solitários.

E a CPI  da Pirataria?
Dependendo do caso, uma CPI pode até útil a um governo. Em julho 2010, os deputados Edson Silva e Roberto Cláudio, ambos do PSB, protocolaram nas CPI’s do Narcotráfico e da Pirataria, respectivamente. Não obstante as melhores intenções alegadas na época, o fato é que, por coincidência, a ação conjunta impediu que o deputado Heitor Férrer (PDT) pudesse dar entrada numa comissão para investigar contratos para a reforma do estádio Castelão. A que conclusões esses inquéritos chegaram? Ninguém sabe.

Autoproteção
Agora o noticiário da semana fala em duas CPI’s. Uma em Brasília para investigar o bicheiro Carlinhos Cachoeira e outra no Ceará para o caso dos empréstimos consignados oferecidos aos servidores estaduais. Elas, podem até sair, se os governos, avaliando riscos e eventuais ganhos junto ao público, deixarem.

Via de regra, nenhum governo quer ser alvo de uma investigação que pode dar munição a adversários. Faz parte do jogo e é compreensível. O problema é quando as regras que deveriam servir ao zelo administrativo são interditadas por práticas de autoproteção mútua entre investigados e investigadores.

Durante anos, a ameaça de uma CPI assombrava qualquer governante. Mas somos brasileiros e não desistimos nunca. Com o tempo, governos e seus parceiros nos parlamentos aprenderam a conduzir qualquer investigação dentro de limites razoáveis, bastando para isso estabelecer estratégias e operar os regimentos internos as casas. De assombração, CPI virou piada.

Ceticismo impessoal
Não quero aqui desfazer da iniciativa de proposta de uma CPI dos consignados. Seus signatários estão de parabéns, cumprindo sua obrigação. Meu ceticismo é quanto as consequências reais. A verdadeira imagem a assombrar os brasileiros hoje é a pizza!

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Quem assombra mais: CPI ou pizza?

Por Wanfil em Entre poderes

11 de Abril de 2012

Deveria assombrar, mas é camarada

CPI é como o Gasparzinho: deveria assombrar, mas é uma camaradagem só

Tem coisas que produzem muita luz e pouco calor, diz o ditado. Atualmente, as Comissões Parlamentares de Inquérito se encaixam perfeitamente nessa condição. E a razão é simples: não importa a esfera de gestão, falta independência ao legislativo para fiscalizar o executivo no Brasil.

Teoricamente, uma CPI é um instrumento da minoria. Na Assembleia Legislativa do Ceará, por exemplo, bastam as assinaturas de 12 dos 46 deputados para aprovar uma investigação. Entretanto, na prática, seja em Brasília ou no Estado, uma CPI só prospera se o governo deixar. Não adianta pressão da opinião pública, da imprensa ou de opositores solitários.

E a CPI  da Pirataria?
Dependendo do caso, uma CPI pode até útil a um governo. Em julho 2010, os deputados Edson Silva e Roberto Cláudio, ambos do PSB, protocolaram nas CPI’s do Narcotráfico e da Pirataria, respectivamente. Não obstante as melhores intenções alegadas na época, o fato é que, por coincidência, a ação conjunta impediu que o deputado Heitor Férrer (PDT) pudesse dar entrada numa comissão para investigar contratos para a reforma do estádio Castelão. A que conclusões esses inquéritos chegaram? Ninguém sabe.

Autoproteção
Agora o noticiário da semana fala em duas CPI’s. Uma em Brasília para investigar o bicheiro Carlinhos Cachoeira e outra no Ceará para o caso dos empréstimos consignados oferecidos aos servidores estaduais. Elas, podem até sair, se os governos, avaliando riscos e eventuais ganhos junto ao público, deixarem.

Via de regra, nenhum governo quer ser alvo de uma investigação que pode dar munição a adversários. Faz parte do jogo e é compreensível. O problema é quando as regras que deveriam servir ao zelo administrativo são interditadas por práticas de autoproteção mútua entre investigados e investigadores.

Durante anos, a ameaça de uma CPI assombrava qualquer governante. Mas somos brasileiros e não desistimos nunca. Com o tempo, governos e seus parceiros nos parlamentos aprenderam a conduzir qualquer investigação dentro de limites razoáveis, bastando para isso estabelecer estratégias e operar os regimentos internos as casas. De assombração, CPI virou piada.

Ceticismo impessoal
Não quero aqui desfazer da iniciativa de proposta de uma CPI dos consignados. Seus signatários estão de parabéns, cumprindo sua obrigação. Meu ceticismo é quanto as consequências reais. A verdadeira imagem a assombrar os brasileiros hoje é a pizza!