Governo do Estado Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Governo do Estado

Pós-eleição: Ciro já não vê fascismo e Camilo quer diálogo com Bolsonaro

Por Wanfil em Política

31 de outubro de 2018

Charles Darwin explica: “Só quem se adapta, sobrevive”. Na política, isso pode ser recuo, adesão ou trégua

Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.Ciro Gomes, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira.

É o mesmo Ciro que durante a campanha alertava para “o crescimento do fascismo“. Como o suposto fascismo no país pode crescer sem supostos fascistas é um daqueles mistérios que desafiam a lógica comum, mas que podem perfeitamente conviver com a política.

Parece contradição. Na verdade, é contradição. E mesmo assim, eis o segredo, tem lá a sua lógica. De olho em 2020 e depois em 2022, percebendo a onda conservadora, a hora é de trabalhar estratégias de adaptação para sobreviver. Descolar de forma contundente do petismo e assinalar uma trégua temporária com o novo governo federal são ações alinhadas com o mais puro darwinismo político.

Acredito que nós vivemos em uma federação, e que a relação institucional possa existir entre a Presidência da República e os estados brasileirosCamilo Santana, em matéria do jornal O Povo, antes de reunião com secretários na terça-feira.

Faz bem o governador cearense em pedir sobriedade e consciência institucional. É preciso lembrar, porém, que essa é uma via de mão dupla. Camilo deseja manter a frente de governadores do Nordeste, única região onde Fernando Haddad venceu, para conversar com o novo governo.

Em outras ocasiões, esse grupo de governadores do NE, junto com Minas Gerais, que nunca viu nada de errado com as refinarias de Dilma e com a recessão produzida em seu governo, divulgou cartas criticando a gestão Temer e tentou visitar Lula, para produzir factoide eleitoral. É bom evitar esse tipo de engajamento.

É óbvio que os interlocutores no Ceará com o governo federal irão mudar e isso exigirá habilidade e respeito de todos – situação e oposição. Não é preciso elogiar ninguém gratuitamente, mas convém não criar arestas desnecessárias, preservando o aspecto institucional na relação com a União.

A palavra que melhor lhe servirá de norte não é resistência, mas como apontam as palavras de Ciro, adaptação.

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Ceará bate recorde de homicídios e nenhuma ação é anunciada até agora. Nada! É incrível

Por Wanfil em Segurança

16 de Janeiro de 2018

Na última sexta-feira a Secretaria de Segurança divulgou que foram registrados 5.134 homicídios no Ceará em 2017. O número é um triste e alarmante recorde. Até agora, a reação do governo se limitou a mais do mesmo: culpar as fações (cuja presença por aqui era negada pelas autoridades até pouco tempo atrás) e o Governo Federal (que somente a partir do impeachment passou a ser responsabilizado pelo problema, embora o descontrole na área já perdure há 11 anos).

O governador Camilo Santana, que sempre afirma estar “agarrado ao problema”, estava de férias em Nova York. De todo modo, o lamentável recorde já havia sido batido antes mesmo da consolidação dos números de dezembro. E ainda assim não houve mobilização para deliberações emergenciais ou para a montagem de um gabinete de crise diante desse quadro de guerra. Tudo continua absolutamente como está. Permanecem as os mesmos gestores e as mesmas diretrizes para a segurança pública no Estado. Até as “soluções” são as mesmas de sempre: anúncios de investimentos, concursos e nomeações, que embora importantes, não bastam, como comprovam os dados oficiais.

Essa postura aparentemente conformada, a insistência numa estratégia equivocada, abre espaço para três perguntas:

1) O Governo do Ceará é incapaz de pelo menos conter, por conta própria, o avanço do morticínio e do crime organizado?

2) Se é capaz, o que será feito de diferente agora?

3) Se não é, por que não admite?

E para efeito de avaliação sobre medidas tomadas em 2017, seguem mais três perguntinhas:

1) A divulgação do WhatsApp do secretário para a população contribuiu efetivamente para o quê?

2) Quais os resultados obtidos após o lançamento, pelo governo, de um aplicativo para que vítimas de crimes acionem a polícia?

3) A nova lei de segurança bancária, que obriga a instalação de vidros blindados e proíbe o uso de óculos escuros dentro das agências, impediu que quadrilhas continuassem a explodir bancos e a atacar delegacias?

Se o recorde de violência não ofende o governo, não serão essas poucas perguntas a fazê-lo.

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Segurança pública: uma dica para o governo, outra para a oposição

Por Wanfil em Segurança

22 de junho de 2017

Tenho dito na coluna que tenho da rádio Tribuna Band News e escrito aqui no blog que o governo do Ceará, diante do recrudescimento dos índices de homicídios, que voltaram a subir vertiginosamente, tem errado na estratégia de comunicação. Ao projetar culpar, com excessiva ênfase, o governo federal, que falha no controle das fronteiras nacionais, a gestão estadual deixa a impressão de que não pode – ou não sabe – reagir mais com recursos próprios.

Dei então uma dica: aceitar o fato de que a raiz do problema está nas facções dos presídios que controlam o crime do lado de fora, para focar ações na restauração de investimentos na Secretaria da Justiça, responsável pelo setor.

Presídios
Talvez por coincidência, o governador Camilo Santana anunciou, nesta semana, que aguarda do Ministério da Justiça a autorização para a construção de um presídios de segurança máxima. Não há data confirmada para a obra, mas em ano pré-eleitoral, tem-se ao menos um novo discurso e finalmente um foco de atuação diferente.

Batalhão de Divisas
Sendo assim, vai que andam lendo o que escrevo e ouçam o que digo, tenho também uma dica para a oposição – ou para opositores, pois o grupo é disperso -, sempre pensado, é claro, em contribuir com o debate. Se um dos problemas apontados pelo governo do Estado é a falta de policiamento nas fronteiras com países produtores de drogas, é razoável perguntar às autoridades locais como anda o trabalho do Batalhão de Divisas da Polícia Militar do Ceará, criada em 2015 com muita expectativa, justamente para combater o tráfico de drogas, de armas e os ataques a banco.

Será que o contingente é suficiente para cobrir as fronteiras estaduais? Quanto policiais atuam no batalhão e quantos seriam necessários? Quais são as áreas mais vulneráveis?

Fiscalizar para melhorar
São informações pertinentes que devem ser cobradas, não como forma de constranger adversários, mas por dever de ofício, afinal, é para isso que a população vota na oposição. Além do mais, verificar a eficiência das ações de segurança em execução hoje, no presente, é a melhor forma de evitar que erros se repitam nas novas ações que estão sendo propostas para o futuro próximo.

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Assegurando a segurança nos presídios do Ceará

Por Wanfil em Segurança

18 de Janeiro de 2017

Notícia do portal do Governo do Estado informa:

Ceará assegura R$ 52 milhões para sistema prisional

No texto do próprio governo o leitor descobre que:

1 – R$ 8,49 milhões foram garantidos após reunião nesta quarta-feira com o “Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ) e secretários da Justiça de todo o País”, em Brasília;

2 – “o valor se soma aos R$ 44 milhões – anunciados pelo Ministério da Justiça no início deste mês”.

Conclusão: Quem assegurou o dinheiro para os presídios no Ceará foi o Governo Federal, foi Michel Temer.

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Secretário da Fazenda dispara: Ceará não vai ser beneficiado com nada!

Por Wanfil em Economia

24 de Fevereiro de 2015

Chora menino!

O Ceará governista decepcionado com Dilma.

O secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, surpreendeu em entrevista à rádio Tribuna Band News nesta terça-feira (24), da qual participei junto com os jornalistas Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras, pelo tom de cobrança em relação ao governo federal e à própria presidente Dilma Rousseff, aliada e correligionária do governador Camilo Santana.

No que diz respeito ao Ceará, Mauro garantiu que as finanças estão em ordem, mas em relação à União, reclamou de privilégios concedidos a estados ricos e endividados, em detrimento de pobres e organizados e mostrou-se preocupado com a extensão dos cortes anunciados em razão do  ajuste fiscal.

Transcrevo abaixo, em azul, alguns pontos da entrevista, intercalando-os com comentários meus.

Repasses Federais
“O governo federal diz que o atraso nos repasses foi só momentâneo. Mas o que me preocupa são os convênios que o governo do Estado tem com o governo federal. A construção do Cinturão das Águas é uma obra que nós esperamos – e o governador Camilo já teve com a presidenta Dilma em relação a isso – que não sofra [cortes] no ajuste que está sendo feito.”

Se grandes obras como a Transposição do São Francisco e o Cinturão atrasavam quando havia dinheiro, imagine agora. Ritmo intenso nos canteiros só em período eleitoral.

Tratamento desigual
Recentemente – e é bom quer os ouvintes saibam disso – o Congresso Nacional aprovou uma lei federal que troca o indexador da dívida pública de estados e municípios brasileiros, para beneficiar São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e a prefeitura de São Paulo. O governador Cid – e eu como secretário da Fazenda – nós antecipamos esse pagamento. O estado do Ceará não deve mais nada ao governo federal nesse financiamento que foi feito. Ora, o Ceará não vai ser beneficiado com nada! Absolutamente, nada! (…) E o Ceará não pode, nesse momento, ser penalizado por ter sido correto com o governo federal.”

Isso não é novidade alguma. Não é de hoje que o Estado é tratado dessa forma, ao contrário de Pernambuco e Bahia, por exemplo. Além disso, se o governo federal respeitasse rigor fiscal, não estaria ele mesmo no buraco, com um déficit de R$ 17 bilhões em 2014.

Parceiro de eleição
Eu acho que o governo federal tem que medir quem é que está trabalhando corretamente ao longo dos anos, para não sermos penalizados com uma medida de caráter geral. É preciso um olhar diferenciado por parte da presidenta Dilma e dos ministros, porque aqui nós somos parceiros não só de gestão, mas fomos parceiros também da própria eleição da presidente Dilma.”

O apelo à lealdade não comoverá o pragmatismo da presidente ou dos ministros. Se palavra empenhada valesse algo para essa gestão, a construção da refinaria teria sido iniciada ou alguma compensação oferecida.

Transparência e má gestão
Todo mês o Banco Central libera a informação do superávit primário, ou seja, a capacidade do governo federal de pagar os juros da dívida pública, seja ela bruta ou líquida, o nominal, esses indicadores todos. A população brasileira tem acesso a isso. Aliás, quem forma opinião nesse Brasil, todo mês está lá olhando essas informações do Banco Central. Portanto, estranho que, mesmo com alguém dizendo que as contas estavam boas, na realidade uma simples leitura do relatório do Banco Central faria perceber [que] que alguma coisa não vinha realmente bem adequada e administrada em relação a esses pontos.”

Pois é. Muito bem lembrado. Eu também estranho a surpresa de quem descobre somente agora que a situação fiscal do Brasil é gravíssima. Acontece que essas informações não estavam liberadas apenas para a população (essa não confere relatórios, por isso pode alegar ignorância dos fatos) e para formadores de opinião, como jornalistas, professores e empresários, mas também para políticos aliados que garantiam, nas eleições, que Dilma era sim boa gestora. Estranho é apoiar o que não está bem.

Moral da história: ninguém quer mais sair dizendo por aí que é parceiro de Dilma.

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O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.

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Ibope no Ceará: corrida contra o tempo

Por Wanfil em Pesquisa

25 de setembro de 2014

O instituto Ibope divulgou sua terceira pesquisa para as eleições no Ceará. O candidato Eunício Oliveira, do PMDB, oscilou um ponto para cima e continua liderando a corrida eleitoral com 43% das intenções de voto. Camilo Santana, do PT, segue em segundo, com 38%, quatro pontos a mais do que na pesquisa anterior. Os indecisos são 8%. Eliane Novais (PSB) tem 3% e Ailton Lopes (PSOL) 1%. O levantamento foi encomendado pela TV Verdes Mares.

Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, os dois candidatados que polarizam a disputa estão tecnicamente empatados. É claro, também, que por esse mesmo critério a diferença que os separa pode ser maior. O que vale mesmo agora é observar as tendências do momento.

Os cenários
O Ibope apresentou um cenário parecido com o que foi colhido pelo Datafolha, divulgado no final de semana, levando em conta, claro, as diferenças metodológicas de cada um e a margem de erro.

Descontando pequenas variações, o quadro é esse: Eunício estabilizado na ponta, sem perder votos, mostra uma incrível resistência, pois enfrenta as máquinas do governo estadual e da prefeitura de Fortaleza. Já Camilo continua crescendo, mas em ritmo bem inferior ao registrado na segunda pesquisa, no início de setembro, quando o candidato subiu 20 pontos. Depois disso, nas últimas três semanas, o crescimento foi de quatro pontos, uma média de 1,33 ponto por semana. Esse ritmo não seria suficiente para tomar a dianteira. No entanto, esse cálculo frio não reflete a volatilidade de uma campanha. E ainda tem o famoso Dia D, quando os candidatos acentuam o trabalho de sedução de apoiadores, se é que vocês me entendem.

Cuidado redobrado
Tudo isso confirma o que foi dito aqui desde o começo: com a polarização das eleições para o governo estadual entre essas duas candidaturas, a reta final da campanha será disputadíssima.

E aí, mais do que nunca, é preciso que as autoridades, especialmente o tribunal regional eleitoral do ceará, fiquem atentas para possíveis irregularidades. É que para muita gente, feio é perder e vale tudo para ganhar.

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Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações

Por Wanfil em Pesquisa

14 de agosto de 2014

Os números do instituto Datafolha para a disputa pelo governo do Estado no Ceará, publicados pelo jornal O Povo nesta quinta-feira, mostram o seguinte quadro (pesquisa estimulada):

– Eunício Oliveira (PMDB) – 47%
– Camilo Santana (PT) – 19%
– Eliane Novais (PSB) – 7%
– Ailton Lopes (PSOL) – 4%
– Brancos/nulos – 10%
– Não sabe – 13%

Em relação à rejeição, esse são os índices:

– Camilo Santana (PT) – 30%
– Eliane Novais (PSB) – 28%
– Ailton Lopes (PSOL) – 26%
– Eunício Oliveira (PMDB) – 16%
– Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 16%
– Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
– Não sabe – 16%

O cenário
Eleições são apostas feitas não apenas por candidatos, mas pelo conjunto de forças políticas que se movimentam à procura de espaços no próximo governo. Apostar é assumir riscos. E como ninguém quer perder, a repercussão das pesquisas funciona mais ou menos como termômetro para validar ou mudar essas apostas.

Hoje, o cenário é o seguinte: uma chapa de oposição lidera com folga, seguida do candidato escolhido por um governo com aprovação em queda (mas razoável) e que parte com menos da metade das intenções de voto registradas pelo primeiro colocado. Como tem a máquina, a expectativa é que essa vantagem recue com o início do horário eleitoral. A questão é saber se haverá tempo hábil para buscar uma melhor posição.

Ocorre que, sem nenhuma campanha negativa tenha sido feita pelos adversários, o candidato governista tem a maior rejeição, o que gera dúvidas sobre o alcance de sua capacidade de reação, ainda mais quando se sabe que a aprovação à gestão de Cid Gomes caiu de 65% no início do segundo mandato para 46% agora. Ou seja, o lastro do fiador encurtou.

Tentações
Diante disso a primeira tentação para os aliados do governo é a de construir pontes de diálogo com a oposição, pois existe uma chance real de que ela vença. Aí nasce um impasse: ficar ou mudar? Quem é governista hoje, na sua grande maioria, é por conveniência e não por idealismo. Por isso mesmo pretende continuar governo amanhã, não importa muito quem seja o governador. Foi assim em 2006, quando Cid venceu Lúcio Alcântara. Nesse ambiente de incertezas, aliados da base que estão inseguros viram alvos da abordagem oposicionista. Já o governo, se reagir com truculência, na base da ameaça, tende a criar uma antipatia. Todavia, se ficar parado pedindo mais um tempo, pode ser atropelado.

Duas coisas poderiam compensar essa situação para Camilo Santana: o engajamento pessoal e intenso da presidente Dilma (não que ela transfira votos assim, mas pela força política que o candidato demonstraria) e uma grande vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito. Acontece que isso não aconteceu e Dilma espera o desenrolar da campanha para ver como agir, pois não quer se indispor com o PMDB de Eunício Oliveira.

Pressionado pelos números e pelas circunstâncias, a candidatura de situação fica exposta a uma segunda tentação: adotar um discurso agressivo. O fato é que mesmo se todos os 13% do eleitores em dúvida optassem por Camilo Santana (o que é impossível), ainda assim ele não passaria Eunício. É preciso, portanto, fazer o adversário perder votos. Talvez por isso Ciro Gomes tenha dito que essa será uma eleição de ódio. Embora cutucasse a oposição, no fundo parecia sentir essa possibilidade como necessidade estratégica para o seu próprio candidato. Não por outra foi ele o autor das primeiras agressões verbais da campanha. O perigo aí, todos sabem, é que o preço para desconstruir o adversário pelo ataque é perder a simpatia dos eleitores, que passariam a ver o outro como vítima.

Por fim, o Datafolha registra um cenário onde a coligação governista deverá concentrar esforços em fazer sua candidatura avançar com mais velocidade. O foco é fazer valer o cabeça de chapa e o resto vem depois. Para isso, tem que segurar o impasse de seus aliados de conveniência e saber como atacar, para não acabar dando um tiro no próprio pé. E ainda resta ver como os atacados irão reagir. A meu ver, aí está a chave dessas eleições.

É claro que nada está definido e tudo pode mudar. A leitura dessas primeiras pesquisas não indica quem vencerá, mas revela que o páreo será duro e mais equilibrado do que o governo imaginou. As apostas estão abertas.

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Oposição no Ceará não decola nem com a ajuda da crise governista

Por Wanfil em Eleições 2014

19 de Maio de 2014

No Ceará, uma combinação de eventos criou o cenário dos sonhos para qualquer oposição: crise na segurança pública, desaprovação na saúde, racha entre Pros e PMDB, luta autofágica entre o comando estadual e a direção nacional do Pros, atrasos nas obras para a Copa, protestos, inflação, queda na popularidade da presidente Dilma e CPI da Petrobras.

É o ambiente perfeito para opositores crescerem no rastro do descontentamento geral. E mesmo assim, no âmbito estadual, o principal risco para o governo são os inimigos internos.

Mais do mesmo
PSDB e PR promovem encontros regionais, sinalizando que a oposição no Ceará começa a se mexer. Antes tarde, do que nunca. É que alguns nomes desses partidos esperavam embarcar na candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) para, em caso de vitória, comemorar no palanque alheio.

Convém lembrar que Cid pode até romper com Eunício, mas o peemedebista nunca foi opositor do governador. Pelo contrário, foi fiel aliado nos últimos anos. Se agora ficarem em lados opostos, será somente por causa de conveniências particulares e não de divergências morais ou ideológicas.

Para a oposição, portanto, seria um contrassenso apoiar uma força que representa, no fundo, mais do mesmo.

Estratégia
Por outro lado, a oposição precisam trabalhar com o que têm. E aí não sobra muita coisa. Antes de mais nada, precisam sabe o que realmente querem, para assim definirem suas estratégias eleitorais.

Por enquanto, surge como potencial candidato da oposição o nome do ex-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR). A seu favor pesa o fato de ter boa aceitação na Região Metropolitana e disposição par fazer o que quase ninguém tem coragem de fazer no Ceará: criticar com veemência Cid e Ciro Gomes. A outra pessoa com essa mesma disposição é a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), cujo partido, no entanto, serve ao governo estadual.

Essa é uma opção. Seria a melhor? Isso é lá com eles. No mais, tudo é hipótese. Outra opção seria apostar em um nome novo, alguém sem vínculos com a política e de sucesso profissional, com perfil realizador, para tentar um discurso de renovação. Mas quem?

O fato é que, como diz um antigo lugar comum da política, time que não entra em campo, não tem torcida. Nesse sentido, o PT é referência. Quando estava na oposição, a sigla nunca deixava de apresentar candidatos, mesmo sabendo que perderia, só para marcar posição. O resto é história.

Definição
Nas democracias, o papel da oposição nas eleições é fundamental para o debate de ideias e para a alternância no poder. É claro que, para isso, é necessário deixar claro quais são as suas diferenças em relação a quem está no governo.

Espaço para atuar não falta. No Ceará, bastaram algumas propagandas partidárias do PSDB, PR e PSB criticando a segurança pública, para afetar a postura de infalibilidade da atual gestão, que apelou à Justiça e perdeu.

Se pretende ter autoridade para criticar, a oposição não deve mesmo esperar por terceiros e deixar de lado a tentação de pegar carona em candidaturas outras. Caso contrário, acabará como mera espectadora da briga entre os partidos aliados.

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Ibope mostra Eunício na frente: por que Cid rejeita seu nome?

Por Wanfil em Eleições 2014

06 de Maio de 2014

A nova pesquisa Ibope sobre as eleições no Ceará divulgada na segunda-feira (5) não trouxe novidades ou surpresas. O senador Eunício Oliveira (PMDB) segue na dianteira, orbitando na casa dos 45%, com pequenas variações, a depender do adversário.

Como o clima é de racha na base aliada, o contraste com os baixos números dos pré-candidatos do Pros, sigla liderada pelo governador Cid Gomes, chama a atenção. Nesse grupo, o melhor desempenho é do deputado Mauro Filho, fiel aliado de diversas gestões nos últimos 20 anos, com 8%.

Calma lá

Isso significa que o PMDB é imbatível e que o Pros não tem perspectiva de vitória? Não é bem assim. É preciso prudência.

Profissionais de campanhas eleitorais sabem que a essa altura, faltando cinco meses para o pleito, pesquisas possuem uma limitação objetiva: poucas são as pessoas que estão preocupadas com eleição. Até porque os candidatos ainda não foram confirmados. Isso fica evidente na espontânea, onde 68% não têm preferência por ninguém. Assim, aparece na frente quem é mais conhecido, uma vantagem quase inercial.

O que importa agora são as pesquisas qualitativas, que indicam quais são os grandes problemas que mobilizam a opinião pública e qual o perfil ideal de candidato desejado pela população para enfrentá-los.

Por outro lado, as manchetes ancoradas nesses levantamentos ajudam a consolidar uma imagem de competitividade a quem lidera.

Qual a razão?

A pesquisa ainda sublinha, indiretamente, um constrangimento para o governador Cid Gomes, a quem caberia comandar a costura de um palanque único para Dilma no Ceará. É que Eunício e Cid foram aliados por sete anos e agora, de repente, estão em vias de romper oficialmente.

Como explicar para o eleitor e para os demais partidos da coalizão governista o que foi que mudou nessa relação? O que alegar para descartar o nome da base com melhor desempenho nas pesquisas? Ele não é de confiança? É incompetente? Ou aliança só é boa se o candidato for do Pros?

São perguntas que, sem respostas, deixam a impressão de que tudo não passa da velha disputa do poder, pelo poder. Ninguém quer largar o osso e a desconfiança é recíproca. Nesse história, não há vítimas, pois todos fizeram de suas conveniências particulares o eixo da aliança, alheios a qualquer conteúdo programático ou ideológico. É a sua natureza, é o seu destino.

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Ibope mostra Eunício na frente: por que Cid rejeita seu nome?

Por Wanfil em Eleições 2014

06 de Maio de 2014

A nova pesquisa Ibope sobre as eleições no Ceará divulgada na segunda-feira (5) não trouxe novidades ou surpresas. O senador Eunício Oliveira (PMDB) segue na dianteira, orbitando na casa dos 45%, com pequenas variações, a depender do adversário.

Como o clima é de racha na base aliada, o contraste com os baixos números dos pré-candidatos do Pros, sigla liderada pelo governador Cid Gomes, chama a atenção. Nesse grupo, o melhor desempenho é do deputado Mauro Filho, fiel aliado de diversas gestões nos últimos 20 anos, com 8%.

Calma lá

Isso significa que o PMDB é imbatível e que o Pros não tem perspectiva de vitória? Não é bem assim. É preciso prudência.

Profissionais de campanhas eleitorais sabem que a essa altura, faltando cinco meses para o pleito, pesquisas possuem uma limitação objetiva: poucas são as pessoas que estão preocupadas com eleição. Até porque os candidatos ainda não foram confirmados. Isso fica evidente na espontânea, onde 68% não têm preferência por ninguém. Assim, aparece na frente quem é mais conhecido, uma vantagem quase inercial.

O que importa agora são as pesquisas qualitativas, que indicam quais são os grandes problemas que mobilizam a opinião pública e qual o perfil ideal de candidato desejado pela população para enfrentá-los.

Por outro lado, as manchetes ancoradas nesses levantamentos ajudam a consolidar uma imagem de competitividade a quem lidera.

Qual a razão?

A pesquisa ainda sublinha, indiretamente, um constrangimento para o governador Cid Gomes, a quem caberia comandar a costura de um palanque único para Dilma no Ceará. É que Eunício e Cid foram aliados por sete anos e agora, de repente, estão em vias de romper oficialmente.

Como explicar para o eleitor e para os demais partidos da coalizão governista o que foi que mudou nessa relação? O que alegar para descartar o nome da base com melhor desempenho nas pesquisas? Ele não é de confiança? É incompetente? Ou aliança só é boa se o candidato for do Pros?

São perguntas que, sem respostas, deixam a impressão de que tudo não passa da velha disputa do poder, pelo poder. Ninguém quer largar o osso e a desconfiança é recíproca. Nesse história, não há vítimas, pois todos fizeram de suas conveniências particulares o eixo da aliança, alheios a qualquer conteúdo programático ou ideológico. É a sua natureza, é o seu destino.