governadores Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.

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Falta combinar com os bielorrussos

Por Wanfil em Ceará

23 de novembro de 2016

Vinte e cinco governadores foram a Brasília pedir dinheiro ao presidente Michel Temer. Alguns estados quebraram, outros estão no limite. Como o governo federal também está em apuros, conseguiram apenas um alívio temporário com a divisão de recursos extras que pingaram no caixa da União. Em contrapartida, os governadores se comprometeram com a reforma previdenciária nos seus estados.

Mas enquanto Camilo Santana continuava sua rotina de peregrinações à Brasília em busca de verbas, o assessor Especial de Assuntos Internacionais do Estado, Antonio Balhmann, estava na Bielorrússia para falar com investidores sobre a conjuntura brasileira e o potencial para negócios internacionais do Ceará.

Com entusiasmo, o site do governo estadual fala sobre a possibilidade de uma fábrica de tratores se instalar no Ceará, embora não exista nada concreto a respeito, a não ser o agendamento de uma visita dos diretores da empresa ao Ceará. Quando? Ninguém diz.

Isso me fez lembrar do famoso episódio em que o jogador Garrincha, após ouvir o técnico da seleção brasileira explanar sobre um esquema perfeito para uma partida contra a seleção soviética, perguntou-lhe: “Tá legal, seu Feola, mas o senhor combinou isso com os russos?”.

A diferença é que a combinação com os bielorrussos é mais difícil ainda, pois estes muito provavelmente ja sabem como está a conjuntura brasileira e a quantas anda o nosso potencial para negócios. Sem contar que Camilo não conta com um secretário que corresponda, para o seu time, a um Garrincha.

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Ibope mostra impopularidade de governadores nas eleições municipais. Veja resultado no Ceará

Por Wanfil em Pesquisa

09 de setembro de 2016

Em 2012 o saldo médio positivo era de 20 pontos. Em 2016 o saldo inverteu para 10 pontos negativos.

Em 2012 o saldo médio positivo era de 20 pontos. Em 2016 o saldo inverteu para 10 pontos negativos.

O Ibope divulgou pesquisa no último dia 06 de setembro, com a avaliação dos governadores nas capitais. Em Fortaleza, o governador Camilo Santana (PT) tem 31% de avaliação negativa, contra 23% de positiva. O saldo negativo é de oito pontos.

O governador mais popular do Brasil é Ricardo Coutinho (PSB), de João Pessoa (PB), com 61% de aprovação e 8% de rejeição. O mais impopular é Suely Campos (PP), de Boa Vista (RR), com 70% de desaprovação e 8% de positivo.

Governadores costumam ser cabos eleitorais de peso, cuja presença nas campanhas municipais é apresentada por aliados como trunfo. No entanto, com o conturbado cenário político e a recessão econômica, a situação mudou. A média dos governadores brasileiros nas capitais é de 34% de ruim/péssimo e 24% de ótimo/bom. Saldo negativo geral de 10 pontos.

Em 2012, segundo o Ibope, “o saldo médio de popularidade dos governadores nas capitais era 20 pontos positivo: 41% de ótimo/bom contra 21% de ruim/péssimo. Naquela época, apenas seis governadores eram impopulares nas capitais”. Agora, somente em dez capitais, dos 26 estados avaliados, os governadores conseguem ter índice de aprovação maior que de rejeição.

São números que ajudam a entender a pouca participação e até mesmo a ausência de muitos governadores nas propagandas e no material de campanha de seus candidatos nas capitais.

Confira abaixo a tabela com a popularidade/impopularidade dos governadores. Leia mais

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PF investiga fraude na transposição do São Francisco. Governadores do Nordeste farão uma carta?

Por Wanfil em Política

11 de dezembro de 2015

Brasília - DF, 08/12/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante reunião com Governadores no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Quando querem, governadores do NE sabem se mobilizar, como na reunião em defesa de Dilma Rousseff . Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Batizada de Vidas Secas – Sinhá Vitória, uma operação da Polícia Federal investiga empresas de fachada que teriam sido usadas para desviar R$ 200 milhões, em dois dos 14 lotes da transposição do rio São Francisco, nos trechos entre Pernambuco e Paraíba. Foram cumpridos 32 mandados judiciais nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e na cidade de Brasília.

Na última terça-feira (8), oito dos nove governadores do Nordeste, entre os quais Camilo Santana, aliado do governo federal e correligionário da petista Dilma Rousseff, publicaram um documento chamado de “Carta da Legalidade”, contra o pedido de impeachment da presidente.

A dedicação é tanta, que no Ceará o governo publicou a carta em sua página oficial, paga com dinheiro público arrecadado junto a população que desaprova Dilma.

Agora, diante da suspeitas de roubo na transposição, com o Nordeste em suplício por causa da seca, resta aguardar uma carta dos governadores em apoio à investigação, pedindo, inclusive, urgência e punição para os responsáveis. Além de cobrar o governo federal, responsável pelas contratações e pelos reiterados atrasados na obra, cuja previsão de custo saltou de 4 bilhões reais para oito.

Afinal, quando querem, os excelentíssimos sabem se mobilizar em defesa da “legalidade”.

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Dilma e governadores do NE: ela finge que governa, eles fingem que acreditam

Por Wanfil em Política

26 de Março de 2015

Dilma e governadores do Nordeste em momento de crise política e econômica: vão rindo, senhores e senhora. (Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho - divulgação)

Dilma e governadores do Nordeste reunidos em tempos de crise: vão rindo, vão rindo… (Imagem: efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR – divulgação)

A presidente Dilma Rousseff esteve reunida na tarde da quarta-feira (25) com os governadores do Nordeste, em Brasília, para tirar fotos e refazer promessas. Os gestores estaduais pediram mais investimentos e menos cortes de verbas, desejos que, no entanto, contrariam o ajuste fiscal aplicado por Dilma no segundo mandato, para corrigir o desajuste fiscal criado por Dilma no primeiro mandato.

O fato incontornável, para quem acompanha as notícias do mundo real, é que a grana acabou e o Nordeste, que tem dependência histórica dos repasses federais, sofre as consequências sem ter a quem recorrer.

Factoide
No encontro, Dilma – aquela que tapeou cearenses e maranhenses usando a Petrobras, e que jura não ter visto a roubalheira na refinaria dos pernambucanos – garantiu que o Nordeste é prioridade; os governadores, sem muitas opções, fingiram acreditar. Sabe, é a mesma conversa mole dos últimos 12 anos. Chega a ser cansativo dizer isso. Inauguração de uma grande obra, que é bom, nem pensar.

Credibilidade perdida
Com efeito, a reunião teve muito mais de política do que de gestão. É constrangedor ver tantas autoridades juntas para um factoide. Como os governadores não podem denunciar a situação, pois foram parceiros das lorotas governistas, silenciam. Além do mais, a essa altura, melhor ter repasses reduzidos ou atrasados, do que cortados, devem concluir os governantes. Tem lá a sua lógica, mas não deixa de ser constrangedor. Vale destacar que esse silêncio tem prazo de validade. Se as coisas piorarem, eles terão que se posicionar.

No fundo, o evento foi mais uma tentativa de criar uma agenda positiva para tentar estancar a perda de popularidade da presidente, mas acontece que esses truques velhos não servem mais para cobrir a realidade. A credibilidade, uma vez perdida, é difícil de reconquistar.

Sem mudanças
Os estrategistas do Palácio do Planalto estão desesperados, só pode. O que esse encontro vai melhorar na vida das pessoas nos próximos meses? Nada. E na imagem do governo? Nada, também. A crise seguirá açoitando o bolso dos brasileiros (em especial dos nordestinos, que são mais pobres), os governadores continuarão de pires na mão, a opinião pública permanecerá atenta aos escândalos de corrupção e Dilma, que no Nordeste, tradicional reduto eleitoral de presidentes, tem a gestão reprovada por 55% da população, não vai recuperar a popularidade fazendo de conta que governa.

PS. E aí governador Camilo Santana, aproveitou a oportunidade para dizer umas verdades aos que achacaram os cearenses com a promessa da refinaria?

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CPMF é mais dinheiro nosso para um governo que não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. É mole?

Por Wanfil em Política

12 de dezembro de 2014

A História mostra que, em nome da paz, dirigentes armaram nações até os dentes e foram à guerra; que para defender a democracia, governantes fecharam parlamentos e calaram a imprensa; que pela fé, cometeram os maiores pecados. Por isso não surpreende que agora no Brasil governadores eleitos na região Nordeste proponham, em nome da saúde pública e do bem estar da população, a criação de mais um imposto para compensar a falta de competência e rigor nos gastos públicos custeados com o dinheiro dos impostos que já pagamos. Um acinte.

Para compensar o baixo crescimento
É assim: os estados nordestinos, mesmo com o PIB crescendo mais do que a mirrada média nacional (que na gestão Dilma é a mais baixa dos últimos 20 anos), dependem muito dos repasses da União. Com a estagnação da economia, o valor repasses caíram. Um dos motivos para isso foram as políticas monetária e fiscal de um governo federal perdulário, que ajudaram a financiar o consumo (medida que dá voto), mas que com o tempo geraram inflação e déficit nas contas públicas.

Diante desse quadro de baixa expectativa de receita e aumento de gastos na saúde, o que fazem os governadores? Pedem mais controle nos gastos? Redução do tamanho da máquina? Denunciam a natureza da situação? Nada disso. Simplesmente recorrem ao velho expediente de meter a mão no bolso dos pagadores de impostos (não chamo mais de contribuinte por sugestão do amigo jornalista Rodolfo Oliveira – afinal, quem quer contribuir com uma marmota dessas?).

Presepada
O principal entusiasta dessa medida é o governador recém eleito do Ceará, Camilo Santana, petista como Dilma. Tudo em nome da saúde, claro. Outros governadores aliados da presidente se juntaram na presepada. Sim, porque durante a campanha eleitoral, pelo menos aqui no Ceará, um dos compromissos da coligação do novo governador  era com a redução da carga tributária. Seu candidato derrotado ao Senado, Mauro Filho, ex-secretário da Fazenda, era apresentado como especialista em desoneração e cortes de impostos. Só depois das eleições é que o distinto público ficou que pode ter que financiar a incompetência alheia.

Para dar ares de medida progressista inspirada na lenda de Robin Hood, Camilo quer que a nova CPMF incida apenas sobre as movimentações que ultrapassem 15 salários mínimos, o que livraria 98% dos brasileiros do imposto. Seria verdade o aumento no custo das operações financeiras de empresas, comércio, pessoas físicas que atuam diretamente como fornecedores ou prestadores de serviços, não fosse repassado para o velho e bom consumidor, atingindo aqueles que, supostamente, estariam livres da garfada do governo.

Sempre o bolso do povo
Por último, o imposto será rateado entre União, governos estaduais e municipais, mas com a maior parte (40%) indo para os cofres do governo federal. É constrangedor, para dizer o mínimo, pedir mais dinheiro aos pagadores de impostos, quando o governo precisou Dilma usar de chantagem política e concessão de emendas para parlamentares para aprovar no Congresso uma anistia que o livrasse de punição por ter descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Seja com o nome de CPMF ou qualquer outro, os senhores governadores deveriam cobrar é da presidente uma solução, e não da população cansada de pagar impostos que se perdem na ineficácia, na corrupção e no desperdício.

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Segurança Pública é problema só de governadores?

Por Wanfil em Segurança

13 de Janeiro de 2014

Trecho do Ex-blog do César Maia, nesta segunda:

“Depois de várias eleições para governador, a segurança pública volta a ser tema eleitoral em 2014. A transferência do corredor de exportação do sudeste para o nordeste (ligação com a África Ocidental) e daí com a Europa, aumentou muito os índices de homicídios no nordeste e reduziu no sudeste. Na medida em que a mídia nacional está no sudeste, criou-se uma sensação de que a segurança pública avançava.”

De fato, se compararmos, houve sim um deslocamento da criminalidade, facilmente observável no Mapa da Violência, no sentido sul/norte. Nesse processo, o Nordeste disparou em todos os índices de mortes violentas. Na região, o Ceará se destaca atualmente como o Estado onde a curva crescente do crime é mais acentuada.

Os governadores, Cid Gomes entre os quais, não cansam, com razão, de associar esse fenômeno ao tráfico. Além do atrativo geográfico, há também um ambiente propício aos “negócios” do crime organizado. Como a “oferta” de violência passa a ser maior do que a capacidade do aparato institucional para refreá-la (especialmente no Judiciário), a explosão de banditismo toma conta da região, com a consolidação de um poder paralelo atuando de dentro dos presídios.

De certa forma, nesse cenário, o papel dos governos estaduais se resume à luta para ver quem é o menor pior – campeonato em que a gestão cearense fica entre os últimos.

E aí vem a questão: Se o problema se apresenta em locais diferentes do território nacional, variando a intensidade conforme as circunstâncias, fica evidente a existência de uma articulação organizada a partir de um ou mais centros de comando (são várias as facções atuando: PCC, ADA, Comando Vermelho e Terceiro Comando).

Como a legislação determina que a atividade policial fica a cargo dos governos estaduais, o pepino sobra para os governadores, enquanto o governo federal posa de instância superior pairando acima da incompetência deste ou daquele gestor. Não raro, usa essa condição para desgastar adversários (caso de São Paulo) ou para acudir aliados (caso do Maranhão).

Mais estranho ainda é ver que nenhum desses governadores abre a boca para falar sobre isso. Todos aceitam calados o açoite da opinião pública e da imprensa e do próprio ministro da Justiça, além de parlamentares que, atuando como meros espectadores do desastre, não buscam debater a situação a fundo, justamente para não assumir responsabilidades.

Em outubro, nas eleições presidenciais, a criminalidade que faz 50 mil vítimas fatais por ano no Brasil será apenas tema periférico na campanha presidencial. É possível que, mais uma vez, o centro das discussões seja as privatizações, assunto de impacto irrelevante para a vida das pessoas. Mas nas eleições estaduais, candidatos a governador estão afiados para prometer tempos de paz, projetando imagens que convença os eleitores de eles têm o perfil ideal para combater a violência com energia inédita, mesmo sabendo, desde já, que não resolverão coisa alguma. Quando muito, tentarão ser menos ruins que os antecessores e os vizinhos.

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Segurança Pública é problema só de governadores?

Por Wanfil em Segurança

13 de Janeiro de 2014

Trecho do Ex-blog do César Maia, nesta segunda:

“Depois de várias eleições para governador, a segurança pública volta a ser tema eleitoral em 2014. A transferência do corredor de exportação do sudeste para o nordeste (ligação com a África Ocidental) e daí com a Europa, aumentou muito os índices de homicídios no nordeste e reduziu no sudeste. Na medida em que a mídia nacional está no sudeste, criou-se uma sensação de que a segurança pública avançava.”

De fato, se compararmos, houve sim um deslocamento da criminalidade, facilmente observável no Mapa da Violência, no sentido sul/norte. Nesse processo, o Nordeste disparou em todos os índices de mortes violentas. Na região, o Ceará se destaca atualmente como o Estado onde a curva crescente do crime é mais acentuada.

Os governadores, Cid Gomes entre os quais, não cansam, com razão, de associar esse fenômeno ao tráfico. Além do atrativo geográfico, há também um ambiente propício aos “negócios” do crime organizado. Como a “oferta” de violência passa a ser maior do que a capacidade do aparato institucional para refreá-la (especialmente no Judiciário), a explosão de banditismo toma conta da região, com a consolidação de um poder paralelo atuando de dentro dos presídios.

De certa forma, nesse cenário, o papel dos governos estaduais se resume à luta para ver quem é o menor pior – campeonato em que a gestão cearense fica entre os últimos.

E aí vem a questão: Se o problema se apresenta em locais diferentes do território nacional, variando a intensidade conforme as circunstâncias, fica evidente a existência de uma articulação organizada a partir de um ou mais centros de comando (são várias as facções atuando: PCC, ADA, Comando Vermelho e Terceiro Comando).

Como a legislação determina que a atividade policial fica a cargo dos governos estaduais, o pepino sobra para os governadores, enquanto o governo federal posa de instância superior pairando acima da incompetência deste ou daquele gestor. Não raro, usa essa condição para desgastar adversários (caso de São Paulo) ou para acudir aliados (caso do Maranhão).

Mais estranho ainda é ver que nenhum desses governadores abre a boca para falar sobre isso. Todos aceitam calados o açoite da opinião pública e da imprensa e do próprio ministro da Justiça, além de parlamentares que, atuando como meros espectadores do desastre, não buscam debater a situação a fundo, justamente para não assumir responsabilidades.

Em outubro, nas eleições presidenciais, a criminalidade que faz 50 mil vítimas fatais por ano no Brasil será apenas tema periférico na campanha presidencial. É possível que, mais uma vez, o centro das discussões seja as privatizações, assunto de impacto irrelevante para a vida das pessoas. Mas nas eleições estaduais, candidatos a governador estão afiados para prometer tempos de paz, projetando imagens que convença os eleitores de eles têm o perfil ideal para combater a violência com energia inédita, mesmo sabendo, desde já, que não resolverão coisa alguma. Quando muito, tentarão ser menos ruins que os antecessores e os vizinhos.