golpe Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

golpe

A História do “golpe”

Por Wanfil em Ideologia

02 de Março de 2018

Os jornais informam que o curso de História da Universidade Federal do Ceará brindará a ciência e seus alunos com aulas sobre o “Golpe de 2016 e a Futuro da Democracia no Brasil”, ofertadas na disciplina “Tópicos Especiais em História 4”.

Não surpreende. Quando cursei História na UFC, nos idos dos 90, testemunhei o professor Eurípedes Funes explicando, em sala de aula, que a criação dos agentes de saúde pelo governo do Ceará não passava de uma estratégia da elite para impedir a revolução camponesa.

Lembro também que a professora Adelaide Gonçalves convidou os alunos do primeiro semestre, já no final da aula mas ainda em horário de expediente (pago pelo contribuinte), para uma reunião que teria o objetivo de ajudar na construção do plano de governo do então candidato Lula. Esse alinhamento não é casual ou aleatório. É padrão.

A obsessão pela hegemonia cultural, o proselitismo ideológico e partidário explícito nas universidades brasileiras, a militância travestida de isenção científica é uma velha História.

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Dilma quer vir ao Ceará mas a grana está curta. Onde estão os companheiros?

Por Wanfil em Política

27 de junho de 2016

Onde estão vocês, companheiros? Não deixem a foto desbotar

Onde estão vocês, companheiros? Não deixem a foto desbotar

Notícias dos principais jornais nos últimos dias dão conta de que a presidente afastada Dilma Rousseff pretendia retomar suas viagens ao Nordeste contra o chama de “golpe”, vindo ao Ceará nesta semana.

Primeiro seria na terça-feira, depois, na quinta-feira, para dar tempo de organizar uma agenda com os movimentos sociais e sindicatos.  Porém, a visita foi cancelada por falta de grana para trazer e acomodar Dilma e sua comitiva de dez pessoas.

O PT estadual pretende fazer uma vaquinha (crowdfunding, como chamam agora) com a militância para viabilizar a viagem. Dou aqui uma sugestão mais prática e rápida: chamem os amigos de Dilma que estejam em boa posição e que endossem a tese do golpe. Se cada um comprar uma passagem de ida e volta para a comitiva, fica barato. Posso até pensar em alguns nomes:

1. José Guimarães
2. Camilo Santana
3. Izolda Cela
4. Luizianne Lins
5. Cid Gomes
6. Ciro Gomes
7. Roberto Cláudio
8. Domingos Neto
9. José Airton
10 . Chico Lopes

Olha aí. Rapidinho, fiz essa lista. Todos estão bem empregados em cargos eletivos, com ótimos salários. Muitos outros nomes poderiam constar nesse grupo, como os deputados federais Odorico Monteiro, Ariosto Holanda ou José Arnon. Tem ainda os aliados na Assembleia Legislativa, que todos sabem quem são, a começar por Elmano de Freitas ou Zezinho Albuquerque. E os prefeitos? Eram tantos… Vamos lá pessoal, mostrem que suas convicções estão acima de tudo, que acreditam na inocência da presidente afastada! Tragam Dilma e posem ao lado dela para fotos!

PS. Evitem empréstimos consignados para comprar as passagens, pois as taxas cobradas estão sob suspeita. Tem gente roubando até nisso.

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Tiradentes foi um coxinha golpista

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2016

A tradição marxista da historiografia brasileira aponta Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, homenageado nesta data com um feriado nacional, filho de produtor rural, parceiro de empresários e ativista liberal, como um revolucionário que ousou enfrentar a opressão das elites e tal.

Já para os portugueses, Tiradentes, que pregava emancipação nacional, menos interferência do estado na atividade econômica, menos impostos e o fim de privilégios para os protegidos da Coroa, era visto como um detestável conspirador que tramava contra as leis e contra o legítimo poder do rei, garantindo, ora bolas, por ninguém menos que o próprio Deus, segundo as normas do regime absolutista.

Dadas essas condições, se fosse transportado para os dias atuais, Tiradentes seria um sujeito de classe média ligado a setores políticos e econômicos mais abastados e contrários ao governo, protestando contra a interferência do estado na atividade econômica (ou seja, contra a crise), contra os altos impostos e pelo fim dos privilégios concedidos aos amigos do poder. Suponho, portanto, que o “conspirador” da Inconfidência diria sim ao impeachment, posição que faria dele, segundo a retórica governista dos dias que correm, um coxinha golpista.

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Polêmica sobre golpe é cortina de fumaça para governo não falar de corrupção

Por Wanfil em Política

01 de Abril de 2016

A manifestação contra o impeachment em Fortaleza, que contou com a presença do governador Camilo Santana (PT), seguiu o mesmo roteiro de outras cidades, definido a partir de um comando comum, encenado de cima para baixo, e que pode ser resumido pelo bordão “não vai ter golpe”.

Nada disso é espontâneo. Os manuais de marketing eleitoral ensinam que larga na frente na disputa pela opinião pública o candidato que conseguir pautar o debate com temas e termos de seu interesse. Quem define o assunto e a forma de abordá-lo tem vantagem sobre o oponente. Pois bem, não é difícil perceber que essa estratégia foi transportada para as discussões sobre o impeachment, na medida em que o debate sobre corrupção e incompetência (origem dos protestos contra o governo) deslocou-se para o terreno do bate-boca político em torno de um suposto golpe que estaria em curso.

Assim os apoiadores do impeachment, seja no Congresso Nacional ou nas redes sociais, dedicam boa parte de seu tempo para se justificarem, receosos de serem mal interpretados, argumentando que o afastamento de presidentes é previsto na Constituição. Na sequência desse recuo de seus críticos, o governo, embora acuado por acusações diversas e crimes comprovados, flagrado em grampos e exposto por delações, passa a se apresentar como vítima para, junto com seus simpatizantes, dar lições de moral nos que defendem a operação Lava-Jato e que se valem das conclusões do TCU sobre crimes fiscais embasar o impedimento de Dilma.

O cúmulo se dá quando os que rejeitam o impeachment endossam (de modo consciente ou como massa de manobra) a tese segundo a qual ser contra os desmandos do PT no governo não é ser contra a corrupção, mas ser contra, vejam só, a própria democracia. E qualquer tentativa de rebater o sofisma é prontamente rebatida com um sonoro “não vai ter golpe”.

Essa inversão não é simples de ser feita. Resulta do confronto retórico entre uma força política organizada, coesa e experiente, contra grupos apartidários que atuam de forma improvisada, com os quais a oposição tenta pegar carona. Assim, toda vez que defensores do impeachment tentam explicar que não são golpistas apenas reforçam a polêmica sobre um tema de interesse do governo, enquanto este, por sua vez, escapa do fato óbvio de que, diante de tudo o que se sabe, ele é quem deveria dar explicações.

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Polêmica sobre golpe é cortina de fumaça para governo não falar de corrupção

Por Wanfil em Política

01 de Abril de 2016

A manifestação contra o impeachment em Fortaleza, que contou com a presença do governador Camilo Santana (PT), seguiu o mesmo roteiro de outras cidades, definido a partir de um comando comum, encenado de cima para baixo, e que pode ser resumido pelo bordão “não vai ter golpe”.

Nada disso é espontâneo. Os manuais de marketing eleitoral ensinam que larga na frente na disputa pela opinião pública o candidato que conseguir pautar o debate com temas e termos de seu interesse. Quem define o assunto e a forma de abordá-lo tem vantagem sobre o oponente. Pois bem, não é difícil perceber que essa estratégia foi transportada para as discussões sobre o impeachment, na medida em que o debate sobre corrupção e incompetência (origem dos protestos contra o governo) deslocou-se para o terreno do bate-boca político em torno de um suposto golpe que estaria em curso.

Assim os apoiadores do impeachment, seja no Congresso Nacional ou nas redes sociais, dedicam boa parte de seu tempo para se justificarem, receosos de serem mal interpretados, argumentando que o afastamento de presidentes é previsto na Constituição. Na sequência desse recuo de seus críticos, o governo, embora acuado por acusações diversas e crimes comprovados, flagrado em grampos e exposto por delações, passa a se apresentar como vítima para, junto com seus simpatizantes, dar lições de moral nos que defendem a operação Lava-Jato e que se valem das conclusões do TCU sobre crimes fiscais embasar o impedimento de Dilma.

O cúmulo se dá quando os que rejeitam o impeachment endossam (de modo consciente ou como massa de manobra) a tese segundo a qual ser contra os desmandos do PT no governo não é ser contra a corrupção, mas ser contra, vejam só, a própria democracia. E qualquer tentativa de rebater o sofisma é prontamente rebatida com um sonoro “não vai ter golpe”.

Essa inversão não é simples de ser feita. Resulta do confronto retórico entre uma força política organizada, coesa e experiente, contra grupos apartidários que atuam de forma improvisada, com os quais a oposição tenta pegar carona. Assim, toda vez que defensores do impeachment tentam explicar que não são golpistas apenas reforçam a polêmica sobre um tema de interesse do governo, enquanto este, por sua vez, escapa do fato óbvio de que, diante de tudo o que se sabe, ele é quem deveria dar explicações.