Genoíno Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Genoíno

“Viva o PT” de Genoino e “consciência livre” de Dirceu equivalem a dizer: “Eu não me arrependo e faria de novo”

Por Wanfil em Brasil

15 de novembro de 2013

A prisão dos condenados pelo STF no caso do mensalão deve ser comemorada como uma batalha surpreendentemente vencida na guerra contra a corrupção. Nada de hastear a bandeira da paz, pois os inimigos são muitos e poderosos. Não apenas no PT, como tentam justificar o petismo, é verdade. Mas estando no poder e tendo crescido com a promessa de romper com o que depois aderiu, seu vexame moral é tanto mais ressonante.

Corruptos se alimentem do mesmo expediente, que é o roubo aos cofres públicos. Mas é fundamental discernir as nuances e distinções que separam, por exemplo, José Dirceu e José Genoino de Paulo Maluf e Roberto Jefferson.

Nem todo corrupto é igual

José Genoino, criminoso condenado pelo Supremo a seis anos e 11 meses de cadeia pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, ao ser entregar para a Polícia Federal, gritou: “Viva o PT”. José Dirceu, condenado pelos mesmo crimes a dez anos e dez meses de cadeia, declarou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo: “Nenhuma prisão vai prender a minha consciência”.

As declarações são essenciais para uma compreensão acerca da atualidade na política brasileira. O PT tem história, híbrido do sindicalismo de resultados (de onde veio Lula), comunismo (escola de Dirceu) e da Teologia da Libertação (berço de Genoino). Maluf e tantos outros representam a corrupção que tem no enriquecimento ilegal do próprio corrupto seu maior e único fim. O corrupto com pedigree ideológico tem uma causa a justificar-lhe os atos. Esses podem ser mais perigosos justamente por entenderem que agem em nome de algo superior: o partido, que passa a ser o seu ente de razão. Existe aí uma ética torta, mas aos seus olhos, uma ética justa.

Uma ética diferente

O princípio básico dessa ética é moldável de acordo com as circunstâncias. Assaltar bancos, por exemplo, como fazia Dilma Rousseff, pode ser uma atividade edificante desde que seja para financiar sua causa política. Matar alguém, ou uma classe social inteira, é prova de virtude, desde que seja para pavimentar a ascensão do partido. Foi assim na Rússia de Stálin ou na China de Mao. É História.

Portanto, superfaturar uma obra ou falsificar uma operação financeira para comprar a base de sustentação de um governo com o dinheiro roubado é um mal necessário, no entendimento dessa turma.

Ao dizer que sua consciência é livre, Dirceu reafirma essa condição de militante que sabe o que faz e pelo que faz. É uma forma de dizer que não traiu a causa que, por imposição tática, fez uso da corrupção para consolidar um projeto político contra o que eles chamam de elite burguesa. O “Viva o PT” de Genoino é um recado claro: “Não me arrependo do que fiz para o partido”. Esses sujeitos trabalharam para fazer de sua sigla a agremiação mais rica e poderosa do país. Ajudaram a eleger presidentes em campanhas milionárias.  “Não fiquei rico” é o argumento inicial de suas defesas. Isso sim poderia ferir o senso ético deles. Quem não destina os recursos desviados para o partido (pesquisar caso Celso Daniel) merece o desprezo ou algo pior. Roubar para si é pecado. Roubar para o partido é heroísmo.

A “luta” continua

Esse projeto continua em curso, levado pelos companheiros que são a) blindados e b) operam em outras atividades. A turma do financiamento de campanha continua firme, claro. Defende agora o financiamento público de campanha, que é uma forma de deslocar o debate para a esfera da institucionalidade. O crime existe por causa forças externas e não por empenho de convicções internas. É cortina de fumaça.

Os mensaleiros foram presos, mas sua missão, ao final, foi bem sucedida.

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Breves notas sobre réveillon, aviões e declarações nada nobres

Por Wanfil em Ceará

15 de novembro de 2012

Breves notas sobre três acontecimentos que agitaram a semana no Ceará:

Luizianne quebra o silêncio e cobra “garantias” Cid Gomes e Roberto Cládio para fazer o Réveillon

Estou na torcida para que a festa do réveillon deste ano seja cancelada, como medida de austeridade e para economizar os parcos recursos do município. A festa em 2010 custou 4,4 milhões de reais. Na ocasião, cito de memória, Caetano Veloso recebeu 700 mil para fazer um show pelo qual cobrou 100 mil em São Paulo. Em 2011, foram mais 5 milhões, numa festa com artistas do calibre de uma tal de Martinália. Qual o retorno de tudo isso? Turismo, dizem alguns. Pois eu aposto que o turismo não diminui sem o réveillon. No feriado de Finados, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos de hotel ficou em 90%. Ademais, toda economia será de grande valia para que Roberto Cláudio possa cumprir tudo o que prometeu. Não foi pouca coisa.

Cid Gomes feriu regras de segurança no aeroporto de Salvador. Anac abriu procedimento para investigar o caso

Não sei que sentimento de urgência fez o governador Cid Gomes atravessar a pista de um grande aeroporto em pleno horário de tráfego para ser visto pela presidente Dilma. Uma aeronave foi obrigada a arremeter por causa da imprudência. Aqui faço apenas uma constatação curiosa. Cid não tem mesmo sorte com aviões. Boa parte das notícias que o constrangeram nos últimos anos diz respeito a casos envolvendo jatos. Parece uma karma… Foi assim na famosa viagem com a sogra, a carona com Alexandre Grendene e agora o episódio na Bahia. Sem querer ofender, talvez seja o caso de optar por aviões de carreira.

“Se existirem três pessoas honestas no Brasil, Genoíno é uma delas”, diz deputado José Guimarães

O deputado federal José Nobre Guimarães (PT) afirma que seu irmão José Genoíno (PT), condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão a 6 anos e 11 meses de prisão, é inocente e modelo de inocência. Supondo que Guimarães considere Lula e Dirceu pessoas honestas, ele mesmo ficaria fora da lista tríplice da candura. A declaração, se feita em âmbito privado, seria questão de foro íntimo, coisa de parente que não quer enxergar a verdade. Porém, tornada pública pelo vice-líder do governo na Câmara Federal, ganha contorno de desagravo ao condenado e de consequente repúdio à Corte Suprema. Uma atitude, portanto, nada nobre e genuína.

Guimarães alega ainda que Genoíno é pobre, o que seria prova cabal de que o irmão é puro de espírito. Ora, o destino dado ao produto de um crime não desfaz sua natureza ilegal. Se um ladrão de bolsas rouba uma senhora na esquina e mais adiante distribui o dinheiro que havia nela para mendigos, isso não muda o fato de que a mulher foi roubada por um ladrão. E  olha que não se tem notícias de mendigos que tenham recebido alguma parte no mensalão…

Por último, Guimarães anuncia que “se o PT fizer uma vaquinha, serei o primeiro a entrar na cota”. Que é isso, companheiro? O condenado é seu irmão! Não espere vaquinha do partido para ajudá-lo. Se for necessário, peça um empréstimo bancário. O senhor tem prestígio em algumas casas.

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Breves notas sobre réveillon, aviões e declarações nada nobres

Por Wanfil em Ceará

15 de novembro de 2012

Breves notas sobre três acontecimentos que agitaram a semana no Ceará:

Luizianne quebra o silêncio e cobra “garantias” Cid Gomes e Roberto Cládio para fazer o Réveillon

Estou na torcida para que a festa do réveillon deste ano seja cancelada, como medida de austeridade e para economizar os parcos recursos do município. A festa em 2010 custou 4,4 milhões de reais. Na ocasião, cito de memória, Caetano Veloso recebeu 700 mil para fazer um show pelo qual cobrou 100 mil em São Paulo. Em 2011, foram mais 5 milhões, numa festa com artistas do calibre de uma tal de Martinália. Qual o retorno de tudo isso? Turismo, dizem alguns. Pois eu aposto que o turismo não diminui sem o réveillon. No feriado de Finados, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos de hotel ficou em 90%. Ademais, toda economia será de grande valia para que Roberto Cláudio possa cumprir tudo o que prometeu. Não foi pouca coisa.

Cid Gomes feriu regras de segurança no aeroporto de Salvador. Anac abriu procedimento para investigar o caso

Não sei que sentimento de urgência fez o governador Cid Gomes atravessar a pista de um grande aeroporto em pleno horário de tráfego para ser visto pela presidente Dilma. Uma aeronave foi obrigada a arremeter por causa da imprudência. Aqui faço apenas uma constatação curiosa. Cid não tem mesmo sorte com aviões. Boa parte das notícias que o constrangeram nos últimos anos diz respeito a casos envolvendo jatos. Parece uma karma… Foi assim na famosa viagem com a sogra, a carona com Alexandre Grendene e agora o episódio na Bahia. Sem querer ofender, talvez seja o caso de optar por aviões de carreira.

“Se existirem três pessoas honestas no Brasil, Genoíno é uma delas”, diz deputado José Guimarães

O deputado federal José Nobre Guimarães (PT) afirma que seu irmão José Genoíno (PT), condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão a 6 anos e 11 meses de prisão, é inocente e modelo de inocência. Supondo que Guimarães considere Lula e Dirceu pessoas honestas, ele mesmo ficaria fora da lista tríplice da candura. A declaração, se feita em âmbito privado, seria questão de foro íntimo, coisa de parente que não quer enxergar a verdade. Porém, tornada pública pelo vice-líder do governo na Câmara Federal, ganha contorno de desagravo ao condenado e de consequente repúdio à Corte Suprema. Uma atitude, portanto, nada nobre e genuína.

Guimarães alega ainda que Genoíno é pobre, o que seria prova cabal de que o irmão é puro de espírito. Ora, o destino dado ao produto de um crime não desfaz sua natureza ilegal. Se um ladrão de bolsas rouba uma senhora na esquina e mais adiante distribui o dinheiro que havia nela para mendigos, isso não muda o fato de que a mulher foi roubada por um ladrão. E  olha que não se tem notícias de mendigos que tenham recebido alguma parte no mensalão…

Por último, Guimarães anuncia que “se o PT fizer uma vaquinha, serei o primeiro a entrar na cota”. Que é isso, companheiro? O condenado é seu irmão! Não espere vaquinha do partido para ajudá-lo. Se for necessário, peça um empréstimo bancário. O senhor tem prestígio em algumas casas.