Gaudêncio Lucena Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Gaudêncio Lucena

Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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Vice serve pra quê?

Por Wanfil em Política

21 de Abril de 2014

Sou de uma geração que cresceu, em termos políticos, marcada pela figura do vice. Logo de cara, a volta ao regime democrático foi festejada com a eleição de Tancredo Neves (ainda que de forma indireta), seguida do drama de sua doença e morte. Em seu lugar, assumiu o vice… José Sarney. E a esperança acabou com a decepção do Plano Cruzado. Um trauma. Depois disso, fiquei desconfiado.

Assim, quando Collor sofreu o impeachment, Itamar Franco surgiu e deu início ao Plano Real, junto com Fernando Henrique Cardoso, cujas bases macroeconômicas são mantidas até hoje. Vinte anos depois, o remédio para o repique inflacionário de Dilma será aumento de juros. Se Itamar acertou aí, no resto não tinha liderança própria.

No Ceará, nessa época, quando Ciro Gomes foi assumir o ministério da Fazenda, durante o governo Itamar, Juraci Magalhães assumiu a Prefeitura de Fortaleza, mandando no pedaço enquanto teve saúde.

Isso foi na época em que vice tinha alguma utilidade. Agora… É diferente. O sujeito pode sair do país e permanecer conectado. Tem o celular… Videoconferências… O vice ficou obsoleto e agora, definitivamente, virou mera peça figurativa em chapas eleitorais.

Casos recentes

No Ceará, o vice-governador Domingos Filho, diante do misterioso afastamento do titular Cid Gomes, não aceitou assumir o cargo, dizem, para não ficar inelegível. Antes, um adendo: Oficialmente, o paradeiro e as condições de Cid são desconhecidos. O anúncio que fez pelo Facebook, dizendo que está internado em alguma clínica no Brasil, consternou a muitos, mas não serve como documento. Na prática, tudo é suposição. Voltemos aos vices.

O substituto na Prefeitura de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acabou impedido de assumir porque o titular Roberto Cláudio, mesmo internado para uma cirurgia bariátrica, preferiu não sair. Disse que despacharia de casa. E assim, a cidade ficou uma semana sem prefeito. Na verdade, todos sabem o motivo para esse constrangimento: é que Gaudêncio é sócio do senador Eunício Oliveira (PMDB), que está em vias de romper com Cid, padrinho político do prefeito, por motivos eleitorais.

Agora, tanto o vice-governador do Estado como o vice-prefeito da capital possuem estruturas administrativas caríssimas à disposição de cada um. Ambos recebem, mensalmente, um belo salário pago pelos contribuintes, para caso de eventual necessidade. Se essa necessidade surge e ninguém pode, por um motivo ou outro, exercer o papel que lhes caberia, de que serve então essa figura?

Desconfiança mútua

Esses episódios revelam como funcionam as alianças políticas vigentes no Ceará. Não existe essa história de sintonia programática ou de compartilhamento de valores: existe somente o cálculo eleitoreiro em busca de tempo de televisão e controle de currais eleitorais, onde os interesses particulares pairam acima do interesse público. Por isso não confiam um no outro.

E nas eleições de outubro eles estarão aí de volta, titulares e vices, juntinhos em cartazes e santinhos, sorridentes sobre as letras de algum slogan bacana, para pedir, mais uma vez, o seu voto de confiança.

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Vice serve pra quê?

Por Wanfil em Política

21 de Abril de 2014

Sou de uma geração que cresceu, em termos políticos, marcada pela figura do vice. Logo de cara, a volta ao regime democrático foi festejada com a eleição de Tancredo Neves (ainda que de forma indireta), seguida do drama de sua doença e morte. Em seu lugar, assumiu o vice… José Sarney. E a esperança acabou com a decepção do Plano Cruzado. Um trauma. Depois disso, fiquei desconfiado.

Assim, quando Collor sofreu o impeachment, Itamar Franco surgiu e deu início ao Plano Real, junto com Fernando Henrique Cardoso, cujas bases macroeconômicas são mantidas até hoje. Vinte anos depois, o remédio para o repique inflacionário de Dilma será aumento de juros. Se Itamar acertou aí, no resto não tinha liderança própria.

No Ceará, nessa época, quando Ciro Gomes foi assumir o ministério da Fazenda, durante o governo Itamar, Juraci Magalhães assumiu a Prefeitura de Fortaleza, mandando no pedaço enquanto teve saúde.

Isso foi na época em que vice tinha alguma utilidade. Agora… É diferente. O sujeito pode sair do país e permanecer conectado. Tem o celular… Videoconferências… O vice ficou obsoleto e agora, definitivamente, virou mera peça figurativa em chapas eleitorais.

Casos recentes

No Ceará, o vice-governador Domingos Filho, diante do misterioso afastamento do titular Cid Gomes, não aceitou assumir o cargo, dizem, para não ficar inelegível. Antes, um adendo: Oficialmente, o paradeiro e as condições de Cid são desconhecidos. O anúncio que fez pelo Facebook, dizendo que está internado em alguma clínica no Brasil, consternou a muitos, mas não serve como documento. Na prática, tudo é suposição. Voltemos aos vices.

O substituto na Prefeitura de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acabou impedido de assumir porque o titular Roberto Cláudio, mesmo internado para uma cirurgia bariátrica, preferiu não sair. Disse que despacharia de casa. E assim, a cidade ficou uma semana sem prefeito. Na verdade, todos sabem o motivo para esse constrangimento: é que Gaudêncio é sócio do senador Eunício Oliveira (PMDB), que está em vias de romper com Cid, padrinho político do prefeito, por motivos eleitorais.

Agora, tanto o vice-governador do Estado como o vice-prefeito da capital possuem estruturas administrativas caríssimas à disposição de cada um. Ambos recebem, mensalmente, um belo salário pago pelos contribuintes, para caso de eventual necessidade. Se essa necessidade surge e ninguém pode, por um motivo ou outro, exercer o papel que lhes caberia, de que serve então essa figura?

Desconfiança mútua

Esses episódios revelam como funcionam as alianças políticas vigentes no Ceará. Não existe essa história de sintonia programática ou de compartilhamento de valores: existe somente o cálculo eleitoreiro em busca de tempo de televisão e controle de currais eleitorais, onde os interesses particulares pairam acima do interesse público. Por isso não confiam um no outro.

E nas eleições de outubro eles estarão aí de volta, titulares e vices, juntinhos em cartazes e santinhos, sorridentes sobre as letras de algum slogan bacana, para pedir, mais uma vez, o seu voto de confiança.