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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Gastos públicos superam receitas no Ceará: assunto desgastante para candidatos, mas fundamental para eleitores

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2017

A realidade do corte de gastos não combina com a ficção das promessas eleitorais

Fazer promessas e atiçar expectativas estimula a disposição de quem ouve o canto da sereia. Verificar se existem condições materiais para tantas aspirações costuma ser o inverso emocional dessa condição: desestimula o interlocutor. E se o assunto é eleição, dizer não pode ser fatal.

Pois bem. O Boletim de Conjuntura divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), mostra que as despesas do governo do Estado cresceram 1,3% no primeiro trimestre de 2017, enquanto as receitas caíram 4,2%. Ou seja, as contas públicas estaduais, em que pese a boa e justa reputação de equilíbrio, ensejam cuidados pois estão no limite nesse momento de crise.

Dificilmente a realidade fiscal é debatida por candidatos. O tema árido, chato e, na atual conjuntura, de natureza frustrante, já que a contenção de gastos se impõe como necessidade, contrastando com as demandas eleitorais de aliados e de grupos de interesse por ampliação de despesas. Além do mais, coloca em pauta assuntos potencialmente desgastantes, como déficit previdenciário e limite com pagamento de folha salarial para servidores.

É o tipo de situação que pode colocar décadas de esforço fiscal a perder, condenando o futuro do estado. É quando um governo mostra se o seu compromisso é com o desenvolvimento responsável ou com as conveniências do momento. O mesmo vale para a oposição. Por isso, quando qualquer um dos candidatos prometer isso ou aquilo para este ou aquele setor, este ou aquele grupo, lembre-se: tal investimento deverá corresponder, obrigatoriamente, a cortes em outras áreas. É matemática. O resto, é propaganda. E propaganda, já diz o ditado, é a alma do negócio.

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Quem confia em declaração de patrimônio de candidato?

Por Wanfil em Eleições 2014

13 de julho de 2014

Nos últimos dias muito se falou sobre o patrimônio dos candidatos e sobre a previsão de gastos de campanha declarados na Justiça Eleitoral. São informações que podem até atiçar a curiosidade das pessoas, mas sobre as quais é preciso ter cuidado, por não serem assim muito confiáveis, pois nem tudo o que está no papel corresponde à realidade.

Basta conferir o site do TRE. Não são poucos os casos de candidatos aos mais diversos cargos que, mesmo conhecidos pela riqueza, aparecem com patrimônios bem modestos. Outros, que nunca tiveram empresas nem atuaram no setor privado, vivendo somente como políticos profissionais, aparecem como pessoas de poucas posses, embora ostentem hábitos bem caros, como viagens recorrentes ao exterior (inclusive em jatinhos), carrões importados, lanchas, casas ou apartamentos suntuosos, roupas e acessórios de grife, essas coisas…

Declara tudo mesmo?
Os tribunais eleitorais, é bom dizer, não fiscalizam o patrimônio de ninguém. A veracidade das informações fica por conta do candidato. Mesmo assim, é interessante observar como existe uma preocupação maior nos jornais em saber quem é o candidato mais rico, do que propriamente em saber quem está dizendo a verdade sobre sua condição financeira, como se o sucesso financeiro na área privada fosse algo desabonador e não um certificado de prosperidade que pode, sem prova em contrário, ser sinal de competência. Quem votaria num advogado sem clientes, num médico desempregado ou em um empresário falido?

A ideia subjacente que espertalhões vendem é a de que a pobreza é sinal de honestidade, especialmente os que não possuem outra fonte de renda. Sem uma análise mais profunda (patrimônio de cônjuge, filhos, parentes), isso mais confunde do que esclarece.

Previsões de gastos parecideas
No Ceará a estimativa de gastos do petista Camilo Santana é de R$ 64 milhões, e a de Eunício Oliveira, do PMDB, é de R$ 67 milhões. São valores bem próximos, não obstante o fato de Eunício ser um empresário rico e Camilo declarar um patrimônio bem acanhado para um deputado estadual (confira aqui).

Por isso, desconfie de candidato que posa de humilde, de abnegado trabalhador de classe média, dizendo que luta contra os poderosos. Aliás, quem diz isso, fica na difícil situação de ter que explicar como sendo um coitadinho, consegue tanto dinheiro para uma campanha.

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Quem confia em declaração de patrimônio de candidato?

Por Wanfil em Eleições 2014

13 de julho de 2014

Nos últimos dias muito se falou sobre o patrimônio dos candidatos e sobre a previsão de gastos de campanha declarados na Justiça Eleitoral. São informações que podem até atiçar a curiosidade das pessoas, mas sobre as quais é preciso ter cuidado, por não serem assim muito confiáveis, pois nem tudo o que está no papel corresponde à realidade.

Basta conferir o site do TRE. Não são poucos os casos de candidatos aos mais diversos cargos que, mesmo conhecidos pela riqueza, aparecem com patrimônios bem modestos. Outros, que nunca tiveram empresas nem atuaram no setor privado, vivendo somente como políticos profissionais, aparecem como pessoas de poucas posses, embora ostentem hábitos bem caros, como viagens recorrentes ao exterior (inclusive em jatinhos), carrões importados, lanchas, casas ou apartamentos suntuosos, roupas e acessórios de grife, essas coisas…

Declara tudo mesmo?
Os tribunais eleitorais, é bom dizer, não fiscalizam o patrimônio de ninguém. A veracidade das informações fica por conta do candidato. Mesmo assim, é interessante observar como existe uma preocupação maior nos jornais em saber quem é o candidato mais rico, do que propriamente em saber quem está dizendo a verdade sobre sua condição financeira, como se o sucesso financeiro na área privada fosse algo desabonador e não um certificado de prosperidade que pode, sem prova em contrário, ser sinal de competência. Quem votaria num advogado sem clientes, num médico desempregado ou em um empresário falido?

A ideia subjacente que espertalhões vendem é a de que a pobreza é sinal de honestidade, especialmente os que não possuem outra fonte de renda. Sem uma análise mais profunda (patrimônio de cônjuge, filhos, parentes), isso mais confunde do que esclarece.

Previsões de gastos parecideas
No Ceará a estimativa de gastos do petista Camilo Santana é de R$ 64 milhões, e a de Eunício Oliveira, do PMDB, é de R$ 67 milhões. São valores bem próximos, não obstante o fato de Eunício ser um empresário rico e Camilo declarar um patrimônio bem acanhado para um deputado estadual (confira aqui).

Por isso, desconfie de candidato que posa de humilde, de abnegado trabalhador de classe média, dizendo que luta contra os poderosos. Aliás, quem diz isso, fica na difícil situação de ter que explicar como sendo um coitadinho, consegue tanto dinheiro para uma campanha.