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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

futebol

Futebol e política: Eunício e Camilo inauguram campinho no mesmo time

Por Wanfil em Eleições 2018

25 de junho de 2018

Foto: divulgação/Instragam/Eunício Oliveira

O site Focus.Jor noticiou a divulgação, nas redes do senador Eunício Oliveira, de uma partida de inauguração na entrega da Areninha de Limoeiro do Norte, com destaque para a participação do governador Camilo Santana.

Para quem não sabe, no Ceará Areninha é o nome gourmet para campinho de futebol, e PT e MDB jogam juntos no mesmo time.

É verdade que parece campanha eleitoral, com direito a equipes de filmagem, uso de equipamento público, gol de pré-candidato e ao tradicionais beijos em criancinhas; mas como dizem todos os jogadores nas entrevistas, ninguém nem sequer pensa em eleição, somente em trabalhar pela população.

No futebol, assim como na política, o adversário de ontem pode ser o parceiro de hoje. Assim, Eunício e Camilo, que no campeonato passado enfrentaram-se em final acirrada, com acusações recíprocas de supostas tentativas de comprar o juiz, agora, na Copa do Acordão, trocam passes com desenvoltura, apesar das críticas constantes de Ciro Gomes, que disputa outra competição pelo PDT.

Na política, assim como no futebol, escândalos, denúncias e investigações comprometem a credibilidade de cada atividade. Desse modo, a metáfora é mesmo bem apropriada.

Ainda é cedo para dizer se o time para as eleições será mesmo esse que jogou em Limoeiro. Como diz Lula, comentando da cadeia os jogos da Seleção para José Trajano, “treino é treino, jogo é jogo”.

Confira o vídeo promocional da partida:

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Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?)

Por Wanfil em Cultura

18 de outubro de 2015

Leio que torcedores do Fortaleza quebraram cadeiras do estádio Castelão por causa de mais uma frustração em campo. Não sou especialista em futebol, mas qualquer pessoa que acompanhe o noticiário percebe que o esporte, cada vez mais, degenera em brigas de torcida e escândalos financeiros, eventos mais comuns de serem notados nas páginas policiais ou políticas. De modo que isso não surpreende mais.

Sempre que depredações como a do Castelão acontecem, invariavelmente seguem-se os lamentos pela a selvageria e pela falta de respeito ao bem comum e aos espaços públicos. Estão certos, claro, mas em certa medida, tudo isso é previsível. Basta ver o ambiente que cerca o mundo do futebol.

Não existem mais jogadores que assumam a postura de referência para os torcedores, especialmente para as crianças. Aliás, a maioria dos principais craques acabam confundindo sucesso com ostentação, deslumbrados com seus contratos. Mas são, de todo modo, a matéria prima do espetáculo. São eles que se doam pra valer, que perdem a privacidade, que são vaiados e cobrados e por aí vai. Dos males, o menor.

Pior são os cartolas. Dirigentes da FIFA e da CBF estão presos. Isso basta para qualificar o negócio. São esses os que fazem as regras do jogo. Como confiar nisso? Eu, sinceramente, não dou um centavo a esse pessoal. Vamos adiante. No juiz, coitado, ninguém confia mesmo. NO Brasil, os estádios feitos para a “maior Copa de todos os tempos” são quase todos objeto de suspeitas de órgãos como o Ministério Público. Custaram aos cofres públicos muito mais do que similares na Europa. No Ceará, o governo fez o diabo (para usar uma expressão da moda) para engavetar uma CPI. São monumentos à prática do superfaturamento. Mas, vá lá, é a paixão nacional e a roubalheira sempre existiu, conformam-se os apaixonados pelo esporte. Isso, no entanto, contamina outras esferas.

Não justifica, mas…
A grande vítima, claro, é o bom torcedor. Sei que s maus torcedores são minoria, mas são muitos, em número suficiente para atrapalhar os demais. Deveriam ser banidos, mas além de sentirem-se à vontade para ignorar as regras por conta dos exemplos dos chefões do futebol, também apostam na impunidade. Isso não justifica a ação desses vândalos, porém, convenhamos, acaba por estimulá-los, infelizmente. E ninguém faz nada, por que ninguém quer fazer nada.

No final das contas, as cadeiras quebradas são o menor dos prejuízos nesse universo de negociatas. De fato, somos o país do futebol.

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Racismo nos estádios é covardia de indivíduos escondidos na multidão

Por Wanfil em Noticiário

01 de setembro de 2014

Uma reportagem do UOL nesta segunda mostra que familiares e amigos da torcedora gremista flagrada ao proferir insultos racistas contra o goleiro “Aranha”, do Santos, na última quinta-feira  (28), estão surpresos com o caso. Garantem que o comportamento de Patrícia Moreira, de 23 anos, é diferente na vida privada, sem nada que lembre a postura preconceituosa manifestada no estádio. Alguns especulam que o ato repulsivo se deu no calor do momento, instigado pelo conjunto de torcedores que também ofendiam o goleiro. Caso a polícia instaure inquérito, Patrícia pode responder a processo por injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

De certa forma, seus conhecidos parecem ter razão. O vídeo em que a jovem aparece mostra a típica cena em que torcedores de um time procuram desestabilizar jogadores da equipe adversária ou mesmo os juízes da partida. No entanto, além do time, o racismo como arma de constrangimento serviu para aquelas pessoas como instrumento de identidade e coesão. Sabiam que ofendiam e enxergam na própria condição racial, sinais de superioridade diante de um atleta negro. Assim, naquelas condições específicas e emocionais, foi que a jovem se manifestou. Acredito que, muito provavelmente, ela jamais chamasse o goleiro de “macaco” fora dali, mas isso não justifica o ocorrido. Uma vez inserida na torcida, protegida pelo anonimato e diluída na multidão, deu vazão ao preconceito que nutria intimamente. Ela apenas não imaginava estar sendo filmada. É mais ou menos o que acontece com os Black Blocs, mascarados que, em bando, saqueiam e depredam. Acreditam que, estando em grupo e defendendo uma causa particular, são especiais e imunes aos limites da lei. É o complexo de inferioridade transformado em cultura política.

Escrevo isso após ler a seguinte passagem da escritora liberal americana Ayn Rand, sobre esse aspecto do preconceito racial:

“O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem – é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados.”

É isso aí! Patrícia deve ser julgada por sua índole e ações. Os demais torcedores envolvidos, se identificados, também. Se existe algo com que simpatizo no pensamento liberal é a noção de que o indivíduo tem primazia sobre o coletivo. Não se trata de renegar o social, mas de compreender que o todo é feito de partes, de sujeitos dotados de livre arbítrio. Ninguém é criminoso ou virtuoso exclusivamente por causa da condição econômica ou racial. Assim não haveria responsabilidade sobre o que fazemos. Questões econômicas, políticas e culturais certamente agem sobre o indivíduo, mas é ele, sozinho, em rápido ou longo exame de consciência, quem decide o que fazer. Choques e tensões acontecem, claro, mas existem regras para expor opiniões e mediar impasses. No Brasil, ficou estabelecido, com justiça, que racismo é crime.

No caso da torcedora do Grêmio, é possível até entender que o grupo acabou por influenciar-lhe o comportamento, mas isso não serve como desculpa para eximi-la da devida reparação. A responsabilidade pelos atos praticados é sempre, no final, e ainda que acompanhada de eventuais atenuantes ou agravantes externos, inerente ao indivíduo.

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Xingamentos, futebol e política: qual a novidade?

Por Wanfil em Brasil

17 de junho de 2014

palavraoA maior emoção da Copa do Mundo até o momento é a discussão nas redes sociais entre militantes, simpatizantes, assessores e inocentes úteis, sobre a natureza dos xingamentos direcionados à presidente da República, Dilma Rousseff, na abertura do evento. Uns querem fazer da candidata à reeleição uma cândida vítima de um ódio injustificado, outros juram que ela apenas colhe o que planta.

No Brasil, futebol, política, vaias e palavrões convivem sem maiores melindres com aplausos. É do jogo. A novidade fica por conta do clima de aversão contra autoridades em geral e, em particular, contra a maior delas: a presidente.

Existe ainda um componente sociológico sobre a liberação de frustrações e instintos primitivos quando indivíduos estão diluídos no anonimato das massas. Fico pensando quantos ali xingariam a presidente olho no olho. Mas esse papo de indivíduo é coisa da direita raivosa, acusam os que dizem amar as massas, constrangidos com a agressividade do povo contra Dilma. Para fugir da contradição, buscam se apegar a uma clivagem de renda, requentando o discurso de Marilena Chauí, que diz odiar a classe média, como se essa não pudesse se manifestar, como se também não fosse povo.

Quando Lula era o líder da oposição, seus recortes de pesquisa mostravam que os mais instruídos e abastados simpatizavam com ele, enquanto os mais pobres formavam o reduto dos governantes. Na época, isso era mostrado como prova de que os governos não melhoravam a educação justamente para melhor poderem manipular a população mais carente. O que mudou de lá pra cá? Só quem está no poder. Quem tem mais estudo continua mais crítico. Mas agora esse descontentamento seria apenas ressentimento por privilégios perdidos. Retórica barata, sempre.

Eu vejo o fenômeno das vaias e xingamentos com naturalidade. Multidões são imprevisíveis e esperar delas somente o consentimento obsequioso é loucura. Por outro lado, é o tipo de pressão que faz acordar quem vive dos sonhos cantados pelas assessorias servis: “Presidenta, a senhora está certa. Genial, presidenta! Que ideia inteligente, doutora Dilma”. Presa na redoma de vidro das adulações, nada como uma pedrada (simbólica) em forma de vaia para arejar o ambiente e despertar a lucidez: abre o olho, que as pessoas estão insatisfeitas.

No mais, um repórter amigo meu disse assim: “Rapaz, política é coisa que interessa a pouca gente. Agora é futebol”. Pensei comigo: “Sabe de nada, inocente!”. Sem o desejo de capitalizar politicamente em ano eleitoral, não haveria Copa do Mundo no Brasil. Pelo mesmo motivo, pouco se fala em esquemas táticos e afins. O grande debate é saber quem é contra ou a favor das vaias e dos xingamentos contra a presidente. Um falso debate, pois foge ao principal: que sentimento é esse? Por que vaiam agora, na festa, se há pouco tempo a presidente era mais popular do que Lula ou FHC? Minha tese é simples e batida: inflação. Mas isso é somente uma hipótese.

Parafraseando Voltaire, encerro: “Posso não concordar com nenhum dos palavrões que você disser, mas defenderei até a morte o seu direito de xingar governantes”. É que a chance de ser uma injustiça é pequena, quase nula.

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Pesquisa Ibope confirma que futebol e cerveja são as maiores paixões do brasileiro; trabalho fica em último lugar

Por Wanfil em Brasil

18 de dezembro de 2012

O instituto Ibope divulgou pesquisa sobre as preferências dos homens brasileiros. Por ordem, as maiores paixões do público masculino são:

1º – Futebol – 82%;
2º – cerveja – 36%;
3º – mulher -33%;
4º – churrasco – 20%;
5º – praia – 13%;
6º – cachaça – 10%;
7º – família – 9%.

Foram entrevistados dois mil homens com idade acima de 18 anos e as respostas forma espontâneas. Em último lugar, empatados com 1% da preferência, aparecem dinheiro e trabalho.

É isso mesmo, pelo levantamento do Ibope, os homens gostam mais de cerveja do que de mulheres! Talvez eu tenha que rever os meus conceitos… E o que dizer das colocações da família e do trabalho? Claro que é preciso cuidado antes de tirar conclusões, pois as variantes envolvidas são muitas. Se a pesquisa fosse estimulada, com uma lista de opções, talvez o resultado fosse outro. Provavelmente o questionário foi interpretado como uma brincadeira pelos entrevistados, não sei. De qualquer forma, a disparidade entre algumas respostas não deixa de ser indicativa de uma realidade mais ou menos perceptível a olho nu.

Ainda que os números não reflitam com exatidão a escala de valores do brasileiro, o fato é que intuitivamente mulheres e políticos já sabiam disso. Mulheres pela experiência da vida conjugal e com os filhos homens. Os políticos, pela popularidade que obras e eventos relacionados com essas preferências propiciam. Ah, publicitários também já sabiam disso. Por isso existem propagandas de mulheres de biquíni vendendo tinta de parede.

Também está explicado o gasto de meio bilhão de reais num estádio de futebol no Ceará, estado com prioridades relacionadas à subsistência da população. Qual político não atenderia a essa expectativa do povo? Que gestor preferiria aplicar mais em educação quando as pessoas preferem o lazer?

Talvez por isso, especulo apenas, as punições para motoristas bêbados sejam leves. Afinal, é muito radical prender alguém que apenas manifesta individualmente uma paixão nacional. Seria hipocrisia demais…

Como pode prosperar uma sociedade em que parte da população, boa parte, diga-se, prefere a cachaça ao trabalho, o futebol ao dinheiro? Como pode ser pacífica uma sociedade em que a família não aparece como principal valor a ser preservado?

Essa apatia disfarçada de bonomia, esse descanso, tudo isso contribui para que tudo caminhe assim no Brasil, entre esfuziantes comemorações de títulos e estádios futebolísticos, e discretas lamentações sobre a violência crescente.

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Futebol: o falso valor de algo sem importância

Por Wanfil em Crônica

12 de novembro de 2012

Cadeiras quebras no PV por torcedores frustrados. Retrato de uma sociedade que prioriza o circo em detrimento do pão. Foto: Hebert Lemos

O título deste post é uma provocação derivada de uma frase atribuída ao ex-técnico da seleção italiana Arrigo Sacchi: “Il calcio è la cosa più importante delle cose non importanti”, ou “o futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”. A tirada me veio à mente ao ler no noticiário sobre atos de destruição e vandalismo registrados no Estádio Presidente Vargas, após a equipe do Fortaleza ser eliminada na Série C do Campeonato Brasileiro.

À luz da lógica, nada faz sentido. Times que por longos períodos não disputam a Série A são, via de regra, ruins de bola. Incapazes de jogar com equipes de verdade, fazem um campeonato à parte. Suas torcidas, portanto, deveriam estar imunizadas contra a arrogância e a soberba, uma vez que jamais comemoram títulos de expressão nacional. Torcedor de time ruim precisa ser humilde por necessidade. Um raro exemplo dessa compreensão é a torcida do Ferroviário, aqui no Ceará.

No entanto, de alguma forma, boa parte dos torcedores de times ruins se isolam do resto do mundo em torneios de baixa qualidade, como as divisões inferiores e os campeonatos estaduais, e passam a emular o comportamento desrespeitoso das torcidas dos grandes times.

Reação irracional e sem sentido

Imaginando-se portadores de algo especialíssimo, muitos torcedores adotam a adoração fanática ao clube como religião. Seu Paraíso são os delírios de glória, que no mundo real não se concretizam, claro. E assim, na primeira frustração, os vândalos destroem o PV reformado às custas de dinheiro público, como se fossem credores de uma qualidade superior que não existe no futebol cearense. Se eventualmente um time local sobre à primeira divisão, é para apanhar dos grandes. Isso não é sarcasmo, é uma constatação empírica.

Na tentativa de tratar como desvio de conduta algo que se generaliza cada vez mais entre torcidas de diversos clubes, comentaristas esportivos não tardam em disparar: “Não são torcedores!”. E eu digo: Claro que são! Externam com violência o descontentamento que lhes aflige porque são violentos e vivem numa sociedade tolerante com a violência. Alguns marmanjos reagem de forma diferente e choram. Isso mesmo, vão às lágrimas porque um time de futebol perde uma partida. Outros ficam irascíveis dentro de casa e destratam cônjuges e parentes. Há quem fique doente. Leia mais

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Torcedor baderneiro precisa é de punição pesada

Por Wanfil em Segurança

14 de Maio de 2012

Torcedores usam pedras e rojões em briga registrada próximo ao terminal da Parangaba. Imagem: TV Jangadeiro

É sempre assim. Arruaceiros protagonizam espetáculos de baderna e violência nas ruas, assustando e até afastando pessoas de bem dos grandes jogos de futebol. O pior é que tudo se repete clássico após clássico, como bem reportagem do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro. Não adianta autoridades anunciarem mais policiamento. Não adianta jogadores, jornalistas e celebridades pedirem paz nos estádios. Os marginais não se sensibilizam com nada disso.

O esporte tem enorme capacidade de promover integração social, não obstante o surgimento de algumas rivalidades. Tudo saudável. No entanto, o fanatismo de alguns pode gerar um subproduto: os bandos de arruaceiros, geralmente abrigado dentro de torcidas organizadas. Como evitar que esses poucos atrapalhem a maioria?

Juventude mimada

Invariavelmente os grupos de baderneiros é composto por maioria de jovens. Não é por acaso. Temos uma juventude mimada no Brasil, que cresceu acreditando ter direitos e mais direitos, sem arcar com nenhuma obrigação. Se reprovam na escola, a culpa é dos professores; se não conseguem socializa-se, a culpa é dos pais; se roubam, a culpa é da publicidade que lhes alimenta o desejo de consumir; se não conseguem emprego, a culpa é do capitalismo; se brigam nos estádios, a culpa é falta de políticas públicas de lazer para a juventude. A responsabilidades pelos atos do jovem só nunca é imputada ao próprio indivíduo e seu livre arbítrio.

O marmanjo de 17 anos que apedreja um coletivo se sente algo entre uma vítima que reaje ao mundo que lhe parece opressor, e um herói destemido que luta em nome de uma causa sem nome e inimigos imaginários.

Impunidade

No fundo, sabem que não terão que arcar com o que fazem. Sabem que na hora de prestar contas sobre os seus atos serão tratados como coitados incapazes de compreender o que fizeram. Contam com a complacência do progressismo bacana que tudo entende. Pedir cadeia para esses jovens é ser reacionário. Quem disser que punição severa para baderneiros, com proibição de frequentar estádios e multas pesadas, é ação didática que serve de exemplo para que outros vândalos não façam o mesmo, será acusado de incitar, vejam só, a violência. E ai do policial que prender um membro dessas torcidas. Será suspenso por truculência.

A melhor forma de evitar novas cenas de violência patrocinadas por esses jovens mimados é cobrar das autoridades tolerância zero com esses sujeitos. Quantos foram presos? Onde estão agora? Poderão voltar ao estádio no próximo jogo? A resposta é a seguinte: todos estão soltos e assistem jogos quando quiserem – e como quiserem. Enquanto for assim, não adianta pedir bons modos aos violentos.

Confira o vídeo

 

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. Leia mais

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As lições de Barcelona e Chelsea

Por Wanfil em Crônica

25 de Abril de 2012

Futebol como metáfora: o trabalho que enaltece o talento e a coragem para enfrentar o favoritismo do adversários

É impressionante como a partida entre Barcelona e Chelsea atraiu atenções e gerou debates nas redes sociais e na mídia. Não me atrevo a fazer análises táticas ou técnicas sobre o desempenho dos times. Como todos sabem, a equipe espanhola, favorita, a mesma que deu uma surra no Santos de Neymar, perdeu para os ingleses. Mas o futebol, e o esporte em geral, serve de amostra capaz de revelar tendências de comportamento que podem ser vistas em outras áreas.

Carência
Certa vez, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, lamentando o péssimo futebol em seu país, disse ser um “mendigo do futebol” que perambulava pelos canais de televisão até encontrar um bom jogo, quando escolhia um dos times para torcer, não importava de onde fossem. Embora eu não goste da obra do uruguaio, a comparação é um achado. Há uma carência nessa celebração do futebol estrangeiro.

No fundo, o brasileiro sabe que seus times não estão a altura da equipe de Messi e companhia. Não apenas na qualidade do futebol apresentado. É muito mais. É organização, sucesso financeiro, planejamento, foco e busca pela excelência. E títulos. A maioria dos jogadores do clube é composta de espanhóis. Uma constelação de craques selecionados num país com população bem menor que a nossa.

E com a amargura de Galeano constatamos que sabemos admirar as qualidades do Barcelona, enquanto somos carentes, torcendo por clubes que vivem do improviso, da dívida, da cartolagem, do amadorismo.

Se a Espanha vive uma crise econômica e o Brasil experimenta estabilidade, quem é que é o bom? Primeiro, a vida não se resume a economia. Segundo, nossa melhor seleção atuou quando vigorava a hiperinflação. Crises são testes, tal como campeonatos. E mesmo perdendo, para continuar na analogia, o Barcelona continua admirado pelo que construiu.

Imprevisível
De certa forma, essa equipe do Barcelona exerce fascínio sobre aqueles que gostam de bom futebol, mesmo entre os que não torcem pelos catalães. Entretanto, mesmo com todo o talento e preparo, os ingleses do Chelsea lograram a classificação para a próxima fase da Liga dos Campeões. (mais…)