Funcapes Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Funcapes

Decifrando Cid no Ministério da Educação, Corte e Costura: “eu sigo orientações”

Por Wanfil em Educação

20 de Fevereiro de 2015

Reunião no Ministério da Educação para corte de verbas e costura de justificativas bordadas.  (Original: Costureiras trabalhando, obra de Marques Oliveira)

Técnicos do Ministério da Educação trabalhando: corte de verbas e outros tecidos, costura de antigas justificativas bordadas.
(Original: Costureiras trabalhando, de Marques Oliveira)

A presidente Dilma anunciou que o lema de sua segunda gestão seria “Brasil, pátria educadora”. Depois nomeou o ex-governador do Ceará Cid Gomes para o Ministério da Educação. Expectativa elevada. Com menos de dois meses no cargo, já é possível ver que as prioridades do Ministério da Fazenda atropelaram o discurso de palanque: corte de custos. Cabe aos ministro emendarem a essa condição desculpas sobre eficiência administrativa. No caso de Cid, ficamos com  o Ministério da Educação, Corte e Costura, com o lema “Brasil, menos verbas, mais costuras retóricas”. Vejamos algumas medidas que ilustram esse “compromisso”.

Aula de Corte
1) corte no Fies para alunos de universidades particulares que reajustaram a mensalidade acima da inflação, embora o governo federal tenha reajustado combustíveis e energia sem considerar esse, digamos assim, parâmetro de justiça social;
2) atraso no pagamentos de R$ 6,6 bilhões em verbas, inclusive repasses para universidades públicas;
3) desse valor, R$ 700 milhões atingem o Pronatec (aquele programa do debate) e R$ 1,19 bilhão para a educação básica. Quer mais? Lá vai:
4) desde novembro não recebem pagamentos 423 mil bolsistas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio;
5) escolas técnicas e alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Fundação Capes também reclamam de atrasos.

Aula de Costura
O Ministério da Educação afirma que a maioria desses atrasos começaram no final do ano passado (antes, portanto, da atual gestão), que os pagamentos estão sendo regularizados, que isso acontece por causa da burocracia (e não do choque fiscal), e de medidas de melhoria no controle.

Realidade
O rombo nas contas públicas é monumental: R$ 17,2 bilhões. A ordem é cortar o que for possível, doa a quem doer, mesmo que em casos de estudantes progressistas que amam Che Guevara. Esses, aliás, devem compreender, afinal, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Além disso, faculdades de quinta categoria e alunos sem qualificação para o ensino superior foram financiados com objetivos eleitorais. Agora que a conta não fecha e as eleições foram ganhas, tome tesouradas.

Solidários
Por fim, é possível compreender melhor a postura do ministro Cid Gomes durante entrevista ao jornalista Chico Pinheiro, da Rede Globo, quando ele disse e repetiu:  “O meu papel é seguir as orientações da presidente Dilma”. “Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma”. É o velho “a culpa não é minha”.

É verdade que ela é quem manda, mas o estilo de aplicar o receituário é do ministro que, por fim, subscreve e compactua com as ordens da chefe e aliada. A culpa é solidária.

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Decifrando Cid no Ministério da Educação, Corte e Costura: “eu sigo orientações”

Por Wanfil em Educação

20 de Fevereiro de 2015

Reunião no Ministério da Educação para corte de verbas e costura de justificativas bordadas.  (Original: Costureiras trabalhando, obra de Marques Oliveira)

Técnicos do Ministério da Educação trabalhando: corte de verbas e outros tecidos, costura de antigas justificativas bordadas.
(Original: Costureiras trabalhando, de Marques Oliveira)

A presidente Dilma anunciou que o lema de sua segunda gestão seria “Brasil, pátria educadora”. Depois nomeou o ex-governador do Ceará Cid Gomes para o Ministério da Educação. Expectativa elevada. Com menos de dois meses no cargo, já é possível ver que as prioridades do Ministério da Fazenda atropelaram o discurso de palanque: corte de custos. Cabe aos ministro emendarem a essa condição desculpas sobre eficiência administrativa. No caso de Cid, ficamos com  o Ministério da Educação, Corte e Costura, com o lema “Brasil, menos verbas, mais costuras retóricas”. Vejamos algumas medidas que ilustram esse “compromisso”.

Aula de Corte
1) corte no Fies para alunos de universidades particulares que reajustaram a mensalidade acima da inflação, embora o governo federal tenha reajustado combustíveis e energia sem considerar esse, digamos assim, parâmetro de justiça social;
2) atraso no pagamentos de R$ 6,6 bilhões em verbas, inclusive repasses para universidades públicas;
3) desse valor, R$ 700 milhões atingem o Pronatec (aquele programa do debate) e R$ 1,19 bilhão para a educação básica. Quer mais? Lá vai:
4) desde novembro não recebem pagamentos 423 mil bolsistas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio;
5) escolas técnicas e alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Fundação Capes também reclamam de atrasos.

Aula de Costura
O Ministério da Educação afirma que a maioria desses atrasos começaram no final do ano passado (antes, portanto, da atual gestão), que os pagamentos estão sendo regularizados, que isso acontece por causa da burocracia (e não do choque fiscal), e de medidas de melhoria no controle.

Realidade
O rombo nas contas públicas é monumental: R$ 17,2 bilhões. A ordem é cortar o que for possível, doa a quem doer, mesmo que em casos de estudantes progressistas que amam Che Guevara. Esses, aliás, devem compreender, afinal, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Além disso, faculdades de quinta categoria e alunos sem qualificação para o ensino superior foram financiados com objetivos eleitorais. Agora que a conta não fecha e as eleições foram ganhas, tome tesouradas.

Solidários
Por fim, é possível compreender melhor a postura do ministro Cid Gomes durante entrevista ao jornalista Chico Pinheiro, da Rede Globo, quando ele disse e repetiu:  “O meu papel é seguir as orientações da presidente Dilma”. “Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma”. É o velho “a culpa não é minha”.

É verdade que ela é quem manda, mas o estilo de aplicar o receituário é do ministro que, por fim, subscreve e compactua com as ordens da chefe e aliada. A culpa é solidária.